Abro a boca e fico perdido no eco, a recordar que nos meus despojos também jaz a minha voz morta; queimo-a com um deleite especial, a repetir para comigo mentiras, ganância e tristeza, foi o que a vida me deu; um dia desaparecerei para sempre, não regressarei para este castelo de vidro, cansado de ser a vítima; agora sou mais forte, a viajar por estradas não percorridas até desvanecer-me, transformando pele em osso; é diferente de até à rotura como toda a gente pensou que seria; então embrulho a minha alma em alumínio e rio-me alto, olhando para ti, impotente.