Um Tempo de Nós
10 Capítulo X: Dizendo Adeus
Notas iniciais

– Sabe, Elena, estou feliz de viajar, preciso sair da atmosfera de Mystic Falls. – Confessei quando eu e Elena chegamos ao aeroporto e procuramos Bonnie.
Ela assentiu. – Também preciso de férias, mas para não haver suspeitas irei terminar o colégio este ano. – Sorriu e apontou para Bon Bon que conversava com Jeremy.
Eles deram as mãos e vieram em nossa direção vagarosamente. Virei para Elena.
– Obrigada por ser tão madura e apoiar a mim e a Stefan. – Eu a abracei em despedida. – Irei sentir saudades da sua maturidade irritante.
– Idiota. – Ela deu um tapa em minha cabeça e rimos. – Não esquece dos meus presentes!
– Dos nossos. – corrigiu Bonnie chegando ao nosso lado e saindo do abraço de Jer. – Tchau, Carol! Já sabe onde encontrá-lo, não é? Lembra do endereço?
– Sim, mama. – Eu fiz uma careta, sorri para Jeremy que apertou minha mão. – E você, Jer, cuide bem dela, O.K.?
– Por que eu obedeceria uma patricinha como você? – Jeremy balançou a cabeça com um sorriso sarcástico.
Eu apertei seu pulso. – A patricinha aqui é uma vampira, experimente fazer algum mal a ela que eu arranco sua cabeça tão rápido que nem Deus perceberia! – ameacei, com um sorriso vencedor. Ele arregalou os olhos e depois eu o soltei.
Neste momento, Stefan chegou e nós paramos de rir.
– Ótima atuação. – Stefan comentou, sorrindo. Abraçou todo mundo e depois pegou minha mão. – Bom, vamos?
Eu assenti e abracei mais uma vez o pessoal. Eu e Damon trocamos um olhar de despedida e depois ele acenou abraçando Elena. Segurei a mão de Stefan e depois nós entramos no avião.
xXx
– Enfim, Nova York! O que quer fazer? – Stefan jogou as malas no sofá da sala e me olhou.
– Mande alguém desfazer nossas malas e depois nós iremos ao galpão em que meu pai está morto. – respondi friamente. Deixei a mala do lado da porta do quarto e fui procurar algo na geladeira. O freezer estava abastecido com sangue, alguns frescos e outros um pouco velhos. Peguei um pouco e despejei em uma garrafa escura.
– Caroline, não acha que está sendo rápida demais? – Ele me abraçou por trás e bebeu um pouco do líquido escuro da minha garrafa. – Mal chegamos e...
– Stefan, você já chamou a camareira? – Eu me afastei dele e rapidamente estava com o telefone na mão o entregando.
Enquanto ele telefonava troquei de roupa e me preparei para o frio de NY: camisa azul-escura de manga longa, calça jeans e botas com amortecedores nos saltos. Por mais que eu não sentisse mais calor e nem frio, eu não podia sair por aí usando biquíni e short curto.
Stefan apareceu no quarto ao lado da jovem camareira, confesso que estava com medo que ela roubasse algo, mas preferi não argumentar, estava com pressa.
– Olha, obrigada. – Eu joguei a chave do guarda-roupa pra ela. – Mas precisamos sair, fique à vontade. – Passei por ela e sussurrei em seu ouvido:
– Em partes, há câmera. – E saí rindo enquanto Stefan apertava o botão do elevador.
xXx
Entramos no carro e começamos a passear pelo caos de NYC. As pessoas passavam rapidamente e pareciam acostumada com as coisas, os acidentes em cada esquina, os taxis amarelos colorindo a rua e as lojas caras tentando qualquer mulher – até a mais feminista – a entrar e estourar o cartão.
Fomos chegando ao local e como era bem na parte do subúrbio da cidade o trânsito foi relaxando até ser apenas uma recém-lembrança.
Como a sulista que era me assustei com tudo, os prédios altos e quase caindo, marido e esposa brigando, mães jovens batendo em suas filhas ainda crianças e alguns garotos fumarem na esquina escondido.
Vendo tudo aquilo quase agradeci por ter sido criada pela Xerife.
– Chegamos! – anunciou Stefan depois de nos beijarmos demoradamente. Estacionou o carro e nós saímos em direções diferentes. – Preparada?
Apertei sua mão. – Sim.
Entramos no galpão escuro, mas ainda conseguíamos enxergar tudo ali.
– Eu vou procurá-lo. Dê cobertura. – Eu assenti e Stefan mergulhou na escuridão.
Eu aproveitei para explorar o lugar, grande, frio e molhado. O primeiro andar, onde eu estava, era enorme e tinha alguns ratos e outros animais. Tinha uma cozinha espaçosa, uma sala com DVDs e... sangue.
Eu não estava doida, tinha mesmo sangue no local! Será que papai havia conseguido voltar à vida e agora estava vivendo ali? Por que não nos procurara? Medo?
Stefan deu dois passos e tossiu um pouco, eu conseguia ouvir. Ele gritou meu nome e em segundos eu estava ao seu lado. Dei um grito de pavor quando vi o corpo de meu pai desacordado no chão com uma estaca no peito.
O rosto dele estava esverdeado, as mãos paralisadas, seus olho não piscavam e nem sua garganta mexia, ele estava morto, mas o que me surpreendeu foi ouvir o sangue correr em suas veias, o sangue era humano.
– O que devemos fazer, Caroline? – Stefan perguntou depois de alguns minutos em silêncio no porão.
– Tire a estaca, Stefan. Ele vai nos contar tudinho. – Eu arqueei uma sobrancelha sorrindo.
Stefan me estudou por alguns segundos como se quisesse ter certeza de que ele deveria fazer aquilo, se agachou lentamente e tirou o punhal com força.
– Sabe, Stef... – Eu beijei seu pescoço enquanto ele alisava minha bunda. – Foi ótimo ter largado tudo e me declarado.
– Você não se declarou... – Ele brincou e depois me colocou em sua pernas esquerda, levantando-me e em segundos nossas bocas estavam coladas.
– Vocês não me ressuscitaram para ver isso, não foi? – Ouvimos a voz rouca de papai soar atrás de nós, Stefan me soltou e pegou o punhal do chão rapidamente enquanto eu trancava tudo. – Oh, acho melhor não me trancarem, eu acabo com os dois em segundos.
– Papai, paremos com as ameaças. – Tentei manter a voz firme e segura, dei alguns passos em sua direção e depois apontei a cadeira atrás dele. – Eu e Stefan, meu namorado, – Nós dois olhamos para Stefan que estava apoiado na parede com o punhal. – viemos apenas saber porque mamãe queria te envenenar com verbena e como, já que é um vampiro, conseguiu ter uma filha?
Ele olhou de mim para Stefan e depois repetiu o processo. – Eu sou um híbrido, metade vampiro metade...
– Lobisomem? – Stefan interrompeu arrancando risada de meu papai.
– Metade humano. – corrigiu meu pai em um tom tão sério que me deixou intrigada. Ele não gostava daquilo?
– E como conseguiu ser pai? – Stefan questionou parecendo mais interessado.
– Minha parte vampiro só é libertada de dia, essa é a conseqüência de ser um imortal concreto como eu. – Ele sorriu. – E bem, como eu ia dizendo a noite era livre... – Ele fez menção de se levantar então, Stefan rapidamente acorrentou suas mãos à cadeira. – Sua mãe não me envenenava, eu que pedia, conforme bebia verbena, por incrível que pareça, meu lado humano diminuía e assim eu virei apenas vampiro, mas aí... Ela já estava grávida.
– Eu não era desejada como filha? — perguntei quando ele parou de falar. É claro que eu esperava outro tipo de pai, outra pessoa, o meu pai de antigamente. Era por isso que mamãe me odiava? Eu tirei o lado humano de papai!
– Pare de clichê, nós a amávamos! Só que sua mãe e nem eu aceitávamos os vampiros e bem, se você se tornasse uma... Essa coisa. Sua mãe lutou tanto!
– Como sabiam que eu podia virar vampira? – perguntei rapidamente, tentando prender as lágrimas na garganta.
Ele olhou para Stefan. – A culpa é dele. Bom, quando vimos o crescimento de Elena... Ela estava cada vez mais parecida com Katherine e sabíamos que um dos Salvatore viriam atrás dela.
– Está dizendo que a culpa é minha? – Stefan deu uma risada frágil e balançou a cabeça.
Fiz o sinal para que Stefan enfiasse a estaca em seu peito, enquanto papai se contorcia minhas lágrimas começavam a cair, eu sabia que ele estava ouvindo, então falei segurando seu rosto entre meus dedos:
– Antes eu queria meu antigo pai, mas agora eu quero este pai morto.
xXx
Stefan dirigia devagar, apesar de parecer calmo suas mãos tremiam deve ser pelo que papai disse, eu gostaria de falar algo, mas preferi não interferir.
Passei o caminho inteiro olhando para a paisagem industrial de NYC quando enjoei pedi para Stefan parar em um beco e dez minutos de cabeça baixa com a boca na virilha de Stefan no carro me animaram.
– O que vamos fazer agora? – Ele fez uma curva entrando no estacionamento. – Compras, ver filme...
– Iremos para Mystic Falls, esta será minha última conversa com mamãe, talvez. – eu disse séria, ele acariciou minha perna.
– Está exigindo demais, Car.
– Está me deixando estressada. – Eu disse sem olhá-lo, quando ele se afastou de mim, virei para ele e continuei:
– Que tal dez minutos seus de cabeça na minha virilha?
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