ARGENT

"Caçar lobisomens era a minha especialidade. Na verdade, a nossa. Isso vem da família de meu falecido marido, que também tem seu sobrenome. Desde meus 17 anos eu caçava, no entanto minha família sempre esteve atrás de vampiros, nunca de lobisomens. Quando me casei com ele, deixei de lado esse legado e me dediquei aos lobisomens. Estávamos caçando uma alcateia que exterminou centro e oitenta jovens em uma festa. Nosso dever era proteger a cidade, mas quando isso aconteceu, percebemos que havíamos errado. Era nosso dever vingar cada coração parado e olhar vazio. Era nosso dever matar cada lobisomem daquela alcateia. Foi o que fizermos, mas para isso, tivemos um preço. Nem sempre o preço será baixo.

Caçamos eles por dois dias, usamos todas nossas táticas e equipamentos para chegar até eles. Quando chegamos, pegamos eles desprevenidos. Mas não contávamos com o tamanho da alcateia. Em toda nossa vida de alcateia, nunca vimos uma tão grande e forte. Ela era única. Não só pela sua força, mas sim porque todos os membros da alcateia eram alfas. Sim, uma alcateia de Alfas.

Não podíamos desistir, demoramos para acha-los, precisávamos vingar a morte daqueles jovens inocentes. Dos cento e oitenta amigos de minha filha. Ela, acima de todas, estava irradiando raiva. A única coisa que ela queria era matar todos. Quando vimos a alcateia, ela foi a primeira a atacar. Levantou seu arco e flecha, pegou duas flechas ao mesmo tempo e mirou nos dois homens que estavam perto da fogueira. Quando vi-a acertar os dois, pegar mais duas flechas e repetir seus movimentos, matando quatro de uma vez, eu e seu pai ficamos contagiados de esperança.

Pegamos nossas armas, ele sempre gostou das espadas e adagas, era fanático por luta corpo a corpo, nunca o via perder uma. Eu peguei meus revólveres e segui ele, dando-o cobertura enquanto ele saia do esconderijo e diferia golpes que cortavam esses lobisomens. Sem excitar, disparei balas em todo ser que tentava nos atacar. Nosso ponto forte era Lorena, nossa filha. Ela continuou no esconderijo, matando mais do que nós dois. Ela era muito forte, bela e decidida.

Tudo estava indo bem. Até que um dos alfas, o Alfa dos alfas decidiu acabar com nossa festa. Ele se transformou. Não era como os outros: tinha o dobro do tamanho comum, seus olhos eram de um vermelho tão vivo que parecia sugar nossas almas e colocar o nosso maior medo em nossas frentes. Nós não desistimos, todos os outros ficaram atrás de seu líder, havíamos matado mais do que a metade. O Alfa, que antes era um menino de cabelos brancos, tinha em média a idade de minha filha, pele morena e olhos pretos, agora um monstro de mais que dois metros de altura, investiu em meu marido. Naquele momento eu não sabia o que fazer, suas espadas não eram tão fortes quanto o monstro. Ele acertou um golpe em todo seu corpo, mas isso apenas o deixou lento, não fraco.

Foi quando, irritado por receber tantos tiros, cortes e flechadas, ele decidiu lutar de verdade. Com seu braço, depositou toda sua força no peitoral de meu marido, deixando ele morrer pela falta de ar. Eu era a próxima. Eu seria a próxima. Mas Lorena entrou em minha frente. O barulho de seus ossos quebrando-se me atormenta até hoje. Ela sim foi uma heroína. Peguei um dos aparelhos ensurdecedor de meu marido e o liguei: os lobisomens da alcateia não aguentaram e correram para longe, mas o alfa continuava ali, parado.

Na época, eu era fraca e sentimental. Comecei a chorar, vendo as pessoas que eu mais amava mortas. Pedia por favor e suplicava para ele ir embora. Foi o que ele fez. Ele se transformou no mesmo garoto, olhou para minha família ali caída, voltou seus olhos para os meus e por fim, olhou para seus membros mortos. Ele disse que estávamos certos, que se algum dia nos encontrássemos, um lado teria que morrer.

Enquanto carreguei os corpos para o carro, levei-os até um lugar distante para enterra-los, o sentimento de ódio e vingança cresceu no meu coração. Enterrar minha filha e meu marido só me deu mais forças. É por isso que eu quero me vingar, é por isso que eu estou aqui. Por isso passaria tudo o que meu marido me ensinou para vocês. Pois nos mataremos todas criaturas das trevas que se meterem conosco."

O discurso de Victoria fez com que todos ali presentes tivessem coragem e forças para seguir com o treinamento. A partir desse dia, eles estavam prontos para dar suas vidas a aliança, para caçar toda criatura das trevas que cruzassem seus caminhos. Eles estavam prontos pra matar.

*

Quinta-feira

Willian, Rosana, Tyler e Argent não saberiam o que fariam ou como começariam se não fosse pela Victoria. Ela, desde o encontro, havia explicado tudo sobre vampiros, lobisomens, magos e outras criaturas das trevas. No começo todos tiveram uma certa dificuldade em distingir o que era o que e, principalmente, o que era mito ou realidade. Depois que a parte teórica foi explicada, tanto das criaturas quanto de como matá-las, Victoria decidira que estava na hora de todos aprenderem como fabricar as suas próprias armas. Mesmo causando uma dor em seu peito saber que nunca mais produziria armas com seu marido e filha, ela manteve a mesma expressão séria de todo o tempo.

Ensinou a todos como derreter o prata, como molda-los em armas e tornar-los tão perigosos e mortíferos quanto são. A tarefa não foi tão difícil quanto ela esperava. O sentimento de vingança que eles carregavam faziam com que esforçavam-se para aprender tudo o mais rápido e produtivo possível. Willian, um homem alto e forte produziu, na semana, duas espadas de um metro e vinte cada. Tyler, com seus 1,75 metros de altura, o mais novo da aliança, era sem duvidas o preferido de Victoria. Um menino de vinte e dois anos, com cabelos enrolados e brancos, optou pelo arco e flecha, a arma que sua filha honrava. Rosana produziu adagas, que espalhou escondidas pelo seu corpo inteiro. Argent e Victoria produziram balas de prata, para seus revólveres.

Nenhum, tirando Victoria, tinha pratica com as armas. Com treinamento diário e intensivo, não durou nem três dias para que todos pegassem o jeito com as armas. Willian parecia que nascera com as espadas sendo parte de seu corpo, de tanta agilidade e conectividade que tinha. Tyler parecia que atirava as flechas desde a infância, de tão certeira que era a sua pintaria. Rosana, para uma mulher de meia idade, além de estar em forma tinha muita habilidade no corpo a corpo. Argent já tinha conhecimento com revólveres e, além disso, Victoria ensinou técnicas para complementar seus conhecimentos.

Tudo estava pronto. A roupa usada seria as que estavam mantida no porão da cara de Victoria. As armas e habilidades estavam treinadas. Agora só faltavam entrar em ação.

Victoria pegou as anotações de locais onde os vampiros ficam, que havia pesquisado nesses últimos anos, analisou e decidiu que agora, o treinamento ocorreria em modo difícil. Ou você se dá bem e mata quem estiver na sua frente, ou você morre.

*

— Lembram do plano? -Victoria sabia que todos haviam entendido, mas mesmo assim reforçou o plano- O Tyler estará atrás de todos, dando-nos cobertura. Rosana e William preparem-se para o combate direto e lembrem-se do que foi dito. Eu e Argent distraímos todos.

Eles estavam em um beco sem saída, no escuro. Tinham tramado armadilhas que levaria qualquer vampiro ou animal carnívoro até lá. Depois de esperarem cerca de 10 minutos, três vampiros aparecem. Eram altos, fortes, famintos e inumanos. A sede por sangue e morte eram tão grandes que seu lado animal falava mais alto do que seu lado humano.
—São gangrels... – Victoria comentou para os companheiros menos experientes. – Entre os vampiros, são os mais selvagens e animalescos. De fato, alguns têm poderes de se tornar feras...
Sem pensar, os três avançaram para Argent, Victoria, William e Rosana.mas Tyler foi mais rápido do que eles. Três flechas voaram e rasgaram o ar. Uma pegou no ombro do vampiro do meio, fazendo com que o impacto da flecha o parasse. A outra estava atravessando o coração do vampiro da direita, o mais baixo. A última flecha acertou a barriga do último vampiro. Isso não fez com que eles desistissem ou morressem, mas parou o movimento dos três.

Foi então que o ataque começou.

William correu para o do meio e com sua espada começou a rasgar sua pele sem dó e piedade. A intensão não era matar, mas sim treinar. O vampiro não conseguia reagir, o prata em contato com sua pele estava causando dor. Rosana fora mais agressiva: deu um chute na flecha que está a na barriga do vampiro da esquerda e, com suas adagas, fez os mesmos movimentos que William. Argent atirou nas pernas do vampiro da direita várias vezes, até ele não conseguir se locomover.

— Chega. -a voz dura e serena de Victoria fez com que todos parassem.- Está na hora de algumas perguntinhas.

Todos estavam posicionados ao lado dos vampiros que sofriam de dor. Qualquer movimento em falso, todos estavam preparados para o ataque. Mas agora o ataque causaria a morte, e eles sabiam disso.

— Então, perguntarei uma vez: onde fica os seus refúgios? -a voz de Victoria causava medo até mesmo para a aliança.

Silêncio. Os três vampiros olhavam para ela como quem não acreditava em suas palavras. Com um aceno de cabeça, Victoria ordenou que William matasse um dos vampiros: é assim o fez. O rapaz tirou um cigarro do bolso, o colocou na boca e acendeu com um isqueiro. Era notório como cada uma das bestas observava aquela chama dançante com terror. William arrancou a tampa do isqueiro e despejou o fluído sobre o vampiro que começou a se debater e implorar por sua não-vida. William deu uma última e longa tragada antes de arremessar o cigarro contra o vampiro. A brasa acendeu o fluído de isqueiro e o amaldiçoado ardeu em chamas, se debatendo enquanto era lentamente consumido.

— Sua monstra- os dois vampiros tentaram reagir, mas logo desistiram da ideia.- Nós não fizemos nada para vocês, o que vocês querem?

— Diga onde vocês se esconder que pouparemos suas vidas. Quem faz as perguntas aqui sou eu. Caso não falem, saibam que haverá mais mortos do que o necessário.

— Se falarmos, deixará nos dois é nossa família a salvo?

Victoria assentiu.

— Elisio. Rua 31 de outubro, uma casa de luxo. Eles se esconder lá. Agora deixe-nos ir!

— Não podemos poupar a vida de demônios. Se fosse ao contrário, vocês não poupariam as nossas.

Rosana mutilou a vampiro da esquerda. Victoria encheu o vampiro de tiros. Ambos estavam reduzidos a massas disformes , mas estavam longe de estarem mortos. Argent trouxe um lance cumprido de correntes grossas de aço, laçou os dois e prendeu junto o que restou deles. Se não estavm mortos ainda, o sol daria cabo dos malditos em pouco mais de duas horas...
E os próximos estavam por vir. A vitória dessa batalha fez com que as habilidades de cada um aprimorassem-se e sua confia e determinação crescessem. Agora nada nem ninguém poderiam pará-los.

— Elisio, nos aguardem. Marcos, me aguarde. -disse Argent.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.