Um Sopro De Felicidade
12 Capítulo 12 - Inicio
Notas iniciais
Capitulo 12
O inicio
Sakura estava preocupada, pois nem Yeilan conseguira acordar Syaoran. Já fazia dois dias que o menino dormia — novamente — e por causa disso ela não conseguia dormir. Yeilan dissera que um feitiço poderoso cobria Syaoran e o fazia dormir profundamente.
Ela estava sentada em frente à cama, olhando o rosto de seu marido. Ele era tão bonito, seus cabelos lisos e rebeldes eram tão macios, e seu cheiro... Ela queria abraça-lo e respirar fundo toda vez que o via. Entristeceu-se, era uma coisa engraçada, mas sentia falta do cinismo e arrogância do garoto.
Yeilan adentrou o quarto olhando para a menina. Caminhou até ela e segurou seus ombros.
_Não se preocupe Sakura, ele ira acordar logo.
Sakura sentiu um gosto amargo na garganta. Tinha a impressão de que Syaoran tinha virado uma versão masculina da bela adormecida. Ela riu amargamente do pensamento. Segurou a mão dele entre as suas.
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O corpo queimava, mas era suportável. A dor alucinante era a do olho cego. Não sabia onde estava apenas sentia que era um lugar familiar. O corpo estava travado, caído de joelhos. Ele pôs as mãos no olho que latejava, gritou e bateu a testa no chão.
Com o olho que ainda estava bom, ele viu uma luz brilhante. Reconheceu a forma da criatura a sua frente.
_Lucan...
O guardião de fogo em sua frente se aproximou e sentou-se ao seu lado, dando-lhe apoio. Ele sempre fora assim desde que o conhecera, sempre tinha o apoio do lobo quando precisava.
O corpo tombou de lado, mesmo querendo, não conseguia desmaiar, não sentia sono, nem fome, nem sede, absolutamente nada, apenas dor.
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_Sakura, você tem que comer! – insistia Tomoyo.
_Mas eu não estou com fome! – também insistia Sakura.
Sakura apenas estava fazendo companhia para Tomoyo, realmente não sentia fome. Sentia-se triste demais para ficar sozinha – e também tinha medo de atacar Syaoran enquanto ele dormia, pois a ideia de bela adormecida latejava em sua cabeça e ela ser o príncipe encantado não era tão ruim assim.
_Eu não sei o que fazer, sinto que devo agir.
_Você tem que esperar! – disse Tomoyo.
Dessa vez, Sakura pode usar o olhar de Syaoran, que sempre mandava pra ela, o olhar debochado. Tomoyo riu da tentativa da menina. Porem esse riso foi rápido, sentiu o coração doer ao ver sua tristeza. Queria poder ajudar, ela olhou para a massa de bolo em suas mãos e sorriu.
Sakura sentiu algo gelado e lamacento em sua bochecha, depois olhou para Tomoyo que ria com uma colher suja de massa de bolo na mão. Passou um dedo na bochecha e colocou na boca, era massa de bolo de laranja. Olhou para Tomoyo com um sorriso maroto, pegou a bacia das mãos da menina e preparou-se para o ataque.
Aquela tarde havia sido animada com Tomoyo, e suja também. Quando entrou em seu quarto, após de limpar, ficou segurando a mão de Syaoran novamente, não se sentia tão triste. Porem, ainda sentia a responsabilidade em seu ombro, a sensação de que tinha que algo a fazer. Lembrou-se das palavras de Lieng, era só querer. Mas querer o que?
Ela apertou a mão de Syaoran. Olhou para a palma grande e áspera, seus dedos longos e grossos. Fechou a mão dele sobre a sua e beijou seus dedos. Queria salva-lo desse sono profundo. Resgata-lo.
Algo no interior de seu corpo começou a se mexer, uma energia intensa, queria sair de seu corpo, mas como? Era muito incomodo tanta energia, sentiu ela correndo por seus braços e voltando para a barriga, depois passando para as pernas e subindo para a cabeça. Queria sair, ela fechou os olhos e apenas desejou.
Yeilan não estava tão entretida no trabalho quanto pensava. Seus pensamentos iam a Syaoran e voltavam para o mago Clow. Aquela presença poderosa aparecia e desaparecia com frequência desde a festa, e o estado de Syaoran só havia piorado. Porem, sua mente também foi retirado desse assunto quando sentiu a poderosa energia vinda de fora. Era algo assustador.
Correu para fora, vinha do quarto de Syaoran. A cada passo que dava parecia ficar mais lenta, tentou se apressar. Quando abriu a porta do quarto, viu Sakura agachada a Syaoran, segurando sua mão. Mas não foi isso que chamou a atenção. Em suas costas havia grandes asas que ocupavam quase todo o espaço do quarto, porem, não eram asas de penas, era mais como se fossem asas feitas de energia pura.
_Sakura! – Yeilan tentou chama-la, e ao entrar no quarto sentiu-se ficar mais lenta ainda, sua voz de prolongava a cada palavra.
Os olhos da menina estavam do mesmo jeito que tinha visto anteriormente, opacos, mas com um brilho misterioso. Sua mente não parecia estar ali. Yeilan tentou alcança-la, mas seus movimentos pararam de vez, virando uma estatua humana.
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O que fez Sakura abrir os olhos foi o forte sol do meio dia. Ela levantou e olhou ao redor, as arvores estavam todas num tom vermelho amarelado, mudando mais uma vez. Perguntou-se como fora parar ali. Não lembrava. Qual a ultima coisa que fizera no dia? Não lembrava, nem o que tomara no café da manha.
Olhou ao redor mais uma vez, seu olhar pousou em cima da mansão a alguns metros dali, ela estranhamente parecia mais nova, como se tivessem passado uma boa mão de tinta.
_Quem é você? E o que faz aqui? – Gritou alguém que a fez pular.
Quando virou, teve uma surpresa. Um pequeno garoto de meia idade estava em sua frente, apontando-lhe o dedo indicador. Ela ficou em silencio por um tempo até perceber quem era, e deu mais um pulo. Dessa vez era ela que apontava o dedo ao garoto.
_Syaoran!
O menino, que se assustou com o grito de Sakura, deu-lhe o olhar carrancudo tão familiar que Sakura conhecia. Ela, confusa, mas feliz, pulou nos braços do menino, que com seu peso, caiu no chão.
_Estou tão feliz em te ver!
Ele a empurrou para longe, levantou-se e pós as mãos na cintura.
_Quem você acha que é para ter toda essa intimidade! E como conseguiu invadir a residência dos Lis?
_Como assim? Sou eu, Sakura!
_Eu não te conheço! Uma garota baixinha e feiosa como você não deveria estar aqui, esta invadindo uma área residencial.
Sakura olhou para ele, irritada, se levantou e ficou na ponta dos pés, encarando-o olho a olho.
_Quem é baixinha e feiosa?!
Ele olhou para o lado e bufou.
_Parece um garoto!
_O que?!
Então Sakura parou, ela olhou bem para Syaoran e tinha certeza de que ele era o Syaoran de seus sonhos, o Syaoran criança. Então porque ele parecia mais alto que ela? Ela deveria estar maior. Olhou para si mesma, suas mãos e pês estavam pequenas.
_O que...? — Ela olhou novamente para ele, e depois para si mesma. – O que esta acontecendo?
Syaoran estava pronto para dizer algo, mas eles ouviram passos. O garoto correu até a menina e a escondeu sob suas costas. Um velho – não tão velho – parou na frente do garoto com as mãos posicionadas na cintura, porem, não parecia ter um ar divertido. Ele levantou a mão e deu uma bofetada em Syaoran, que foi jogado pela força no chão.
(Chines On)
_Você não tem tempo para ficar vadiando! Sua mãe deveria ter vergonha de você! Seu bastard... – ele interrompeu a fala assim que viu Sakura, que tinha as mãos na boca. – Quem é ela?
_Ela é uma amiga minha!
Ele levantou e segurou a mão de Sakura, puxando-a para longe.
_Não se preocupe, ela vai me ajudar a estudar!
Enquanto eles se afastavam o homem atrás deles riu alto.
_Eu não sabia que você tinha amigos!
(Chines off)
O Syaoran criança apertava fortemente a mão de Sakura, ela estava confusa em relação ao garoto, porque a protegeu? Porque ele era uma criança? Então ela se lembrou e arranjou resposta para a primeira pergunta. Afinal, ele era Syaoran. Ela parou de andar e ele olhou para ela.
_Obrigada!
Ele não disse nada.
_Esta doendo? – ela se aproximou, mas ele se afastou – deixe-me ver.
Ela puxou o rosto do garoto com força, a pele estava avermelhada, sinal que o homem não impediu suas forças, sentiu vontade de chutar a canela dele e sair correndo. Ela se aproximou e beijou a bochecha do menino. Diferente do Syaoran anterior, esse se afastou o mais rápido que pode e, com a mão sobre o lugar do beijo disse.
_ECA! Uma garota feia me beijou!
_O que?! – foi à vez dela de colocar as mãos na cintura – é pra sarar!
Eles correram um atrás do outro até verem a cor do horizonte se alaranjar, xingando um ao outro, correndo e pulando. Era bom voltar a ser criança, Sakura pensou. Ela via o sorriso que o outro Syaoran não conseguia dar, um sorriso bonito com uma risada gostosa.
Sakura pulou em cima de Syaoran, derrubando-o no chão de bruços.
_Você é bem pesada, não é?
_Você que é um fraco.
Os dois riram, então escutaram alguém chamando Syaoran. O menino escutou a voz e correu aos pulos de alegrias até sua mãe. Sakura se surpreendeu ao ver Yeilan tão jovem. A mulher olhou para Sakura confusa, a menina jurava que ela teria a mesma reação que o homem anterior, sustentava um olhar penetrante e misterioso, como se ela estivesse vendo dentro de seu corpo, mas Yeilan apenas sorriu e disse.
_Bem vinda!
Sakura não entendeu o motivo da saudação, na verdade, não entendeu de nada do que estava ocorrendo aquele dia. Sua mente ficara tão ocupada em brincar com Syaoran que se esquecera de procurar respostas.
_Syaoran, temos que tirar a foto em família antes da cerimonia.
O menino acenou com a cabeça, mas seu olhar era tão compenetrado – como o do Syaoran maior – como se fosse um assunto sério e que fosse tratado com delicadeza e importância, uma obrigação a cumprir.
_Os dois para o banho, já.
_Ela também?
_Ela vai dormir aqui hoje. Não se preocupe.
Ambos se encaminharam para o banho, mas perante o caminho, Sakura finalmente teve tempo de prestar atenção nas coisas. Era a mesma casa, ela só parecia mais nova e com um novo estilo. Os objetos eram diferentes, como mesas, quadros e cadeiras, um dos únicos objetos que ainda permaneciam era eram os vasos chineses. Parecia uma reforma.
Depois do banho, ambos estavam bem vestidos. Syaoran com um mini terno e Sakura com um vestido branco. Até Yeilan estava bem vestida, mas por algum motivo não muito diferente, era como se ela se vestisse assim todos os dias. A foto seria tirada no jardim, Sakura esperava ver o restante da família, como Lieng ou Meiling. Mas, além do fotografo, apenas Syaoran e Yeilan. Antes de baterem a foto, Syaoran correu até Sakura e a puxou para seu lado, e ela teve a ousadia de agarrar-lhe o braço e puxar para mais perto.
A foto foi batida, com Yeilan rindo e Syaoran fazendo uma carrancuda. Sakura sentiu que fazia parte de uma família, uma segunda família.
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