Notas iniciais
Oiee meus amores. Como estão? Estou aqui com o primeiro capítulo pra vocês e com uma capa nova (que eu amei) feita pela Drama Queen ♥ Muito obrigada! Boa leitura!!!

A vida para os hebreus não era é nada fácil. Haviam-se passado muitos anos desde que Abraão emigrava para a tão sonhada Terra Prometida. E durante os 200 anos daquele período, os seus descendentes haviam estado no Egito.

Na vila dos hebreus, mulheres corriam em completo desespero. Tentavam fugir dos implacáveis soldados egípcios. Não havia a mínima esperança. Por ordem do grande faraó Seti I, todos os bebês do sexo masculino deveriam ser executados, atirados, sem nenhuma piedade, ao sagrado Rio Nilo. Embora fossem escravos, Seti I temia que eles se tornassem tão números a ponto de se juntarem aos povos inimigos e atentarem contra o império egípcio.

— Vamos, corram! Não deixem que nenhum escape! — O general dos soldados gritava sem parar.

Em meio a toda confusão na vila e perante o desespero de tantas mães e pais, a hebreia Joquebede tonteia. Aos nove meses de gestação, ela escondia sua barriga, mas havia chegado ao limite. Ela não conseguia mais disfarçar o seu estado.

— Meu Deus, tenha piedade de mim. Traga uma menina, uma irmãzinha para Miriã, por favor. — Sussurrou. — Corra minha filha, vá chamar seu pai! — Joquebede disse, e Miriã apenas assentiu, correndo em direção ao templo egípcio, onde seu pai estava trabalhando.

No palácio, todos comemoravam o nascimento do herdeiro do trono no Egito, o futuro Hórus Vivo. Todos mimavam o bebê que nascia naquele instante, Tuya estava radiante por ter um filho saudável e bonito, enquanto Tyie olhava de longe seu novo irmão com inveja.

— Ramsés, meu filho, Amado de Amon-Rá! Que cresça poderoso, e invencível. Que encontre favor em todos os deuses e reine em absoluto como o próprio deus. Que Hórus o proteja!

O rei estava muito feliz pelo nascimento de seu filho, e saiu com um sorriso dos aposentos reais. Logo ele começa a caminhar, junto de alguns soldados para a sala trono, onde Disebek o esperava.

— Paser, organize tudo para as oferendas. —Seti diz.

— Sim senhor. — O sacerdote faz reverencia e sai com seu assistente para o preparo das oferendas.

— Disebek, sua campanha militar em Kadesh foi brilhante! Derrotou todos os inimigos do rei. — O rei diz, com felicidade.

— Obrigada, senhor. — Disebek responde sorridente.

— E como vai meu decreto? — Seti pergunta.

— Está sendo cumprindo, estamos exterminando toda aquela raça de piolhentos. — Disebek responde.

— Estou muito satisfeito com o seu trabalho, soldado. Nesses últimos dias estive pensando em lhe dar uma recompensa! — Diz Seti.

— Mas que recompensa seria essa? E por que eu seria digno de receber uma recompensa de meu soberano? — O soldado pergunta, surpreso.

— Você é meu braço direito, eu confio em você. — Seti faz sinal para que um dos servos traga duas taças de vinho.

— O soberano está me deixando curioso. — Ele aceita a taça de vinho de tâmaras, e dá um leve sorriso.

— Vamos logo ao ponto! Eu lhe ofereço o cargo de general do meu exército, e minha adorada filha, Henutmire. — Seti diz, sorridente.

— Meu soberano, que recompensa! Estou realmente surpreso. — Disebek diz.

— Você é a melhor pessoa para ser meu genro. Até agora não encontrei pessoa melhor! O que acha de fazer uma visita a minha filha? — Seti pergunta, sorrindo.

— Boa ideia, soberano. O senhor é brilhante! — Disebek exclama.

— Agradeça aos deuses por a minha filha preciosa estar em seu caminho, garanto que não encontrará uma moça igual. — O rei sorri.

— Concordo soberano, se me der licença, irei visitar sua filha. —Disebek se curva.

— Pode ir jovem. — Seti diz.

(...)

Por Henutmire.

Hoje o dia está belíssimo, temos que agradecer aos deuses por isso. Estou em meus aposentos junto com minhas damas e servas. Estamos escolhendo as vestes que hoje irei usar, mas como elas são muito talentosas, acredito que escolheram uma veste digna de uma rainha.

— O que acha desse vestido, minha princesa? — Neith perguntou, mostrando um belíssimo vestido azul como as águas sagradas do Nilo. Ele era lindo. Preferi optar por um cinto de um tom mais claro, leve e simples.

— Por Ísis, minha querida. Esse vestido é belíssimo, nunca vi ele antes. É novo? — Perguntei.

— Não, senhora. Ele já é mais velho, foi um presente da rainha do alto Egito. — Neith sorri. — Bom, o que acha desse bracelete? Ficaria belíssimo na senhora. — Neith segurava delicadamente o bracelete.

— Achei divino. — Coloquei o bracelete em meu braço direito, e Neith arrumou minha peruca. — Estou pronta, agora já posso ir para o desjejum. — Sorri.

Nessa hora, o general entrou em meus aposentos.

— Olá general. O que faz aqui? — Pergunto.

— Eu vim lhe fazer uma breve visita. — Disebek sorri.

— Agradeço por sua visita! — Retribuo o sorriso.

— Todas as mulheres do palácio devem ter inveja de você, ou melhor, elas têm! — Disebek exclama.

— Por que diz isso? Por ser filha do rei? — Pergunto, confusa.

— Pela sua beleza, que rivaliza com a própria Isis. – Ele responde sorrindo. Achei ousado da parte dele me dizer isso, confesso que fiquei envergonhada pelo elogio do jovem comandante do exército de meu pai. — Me desculpe pela ousadia princesa. — Ele abaixa a cabeça.

— Não tem problema, elogios são sempre bem vindos. — Sorrio encantada.

— Na verdade queria lhe fazer um pedido. — Ele diz.

— Pedido? Claro, se eu puder ajuda-lo em algo.

— Quer se casar comigo? — Ele pergunta.

Pelos deuses. Fiquei ainda mais envergonhada pelo pedido do comandante. Fiquei paralisada por alguns segundos, mas logo corri de meu quarto, foi a única maneira de me escapar disso.

Por Tyie.

Escutei tudo por detrás da porta. Como Disebek ousa pedir minha irmã em casamento? Ele será meu, só meu! Em breve estarei tão bela, muito mais bela que essa boba da Henutmire.

Abri a porta lentamente, e em um movimento rápido, a tranquei. Disebek rapidamente se armou com sua espada, me encarando.

— O que faz ai menina? — Ele pergunta, abaixando a espada.

— Nada general. — Digo, fazendo sinal para que ele sentasse em uma cadeira. — Quando eu crescer quero casar com você! — Exclamei, o olhando apaixonada.

— O que é isso? Está maluca? — Ele surpreso, surpreso.

— Só se for por você. — Sorrio, maliciosamente.

— Eu vou casar com sua irmã Henutmire, caso não saiba.

— O que? Você não pode fazer isso!

— Claro que posso. — Disebek responde rindo.

Como o general ousa rir da princesa do Egito? Se eu quiser, posso muito bem mandar cortar a cabecinha linda dele, mas não irei fazer isso, afinal, quero ele vivo para se casar comigo.

— Não falta muito para eu crescer querido. Ficarei muito mais bonita que aquela mosca morta da minha irmã. — Começo a rir.

— Você é muito espertinha para sua idade!

— Não sou uma criança. Já sou uma mulher! — Exclamo, encarando o comandante.

(...)

Narrador.

— Rei Adon, o senhor recebeu um convite para ir a festa do nascimento do príncipe Ramsés, filho de Seti e Tuya, soberanos do Egito. — Se curvou o mensageiro do Egito, trazendo consigo um papiro com o convite para a Festa Real.

— Muito obrigado por informar. — O rei sorriu e bebeu um gole do mais fino vinho moabita. — Estou feliz por saber que Tuya finalmente deu a luz ao futuro soberano do Egito. Pode se retirar!

— Com a sua licença. — O egípcio se curva a Adon.

— Sacerdote, chame minha amada esposa. Diga que é urgente. — Diz Adon.

— Sim, soberano. — O sacerdote se curvou, e saiu rumo ao harém do palácio.

No Harém Moabita.

Ishtar, a grande soberana de Moabe estava no harém, certificando que tudo estava no seu lugar. Junto com suas servas, apresentou a Aylah o grande e luxuoso harém do palácio. Aylah seria sua nova dama.

— Aylah, aqui é a onde ficará a maior parte do seu tempo, dormirá aqui e terá tudo que uma dama precisará. — A rainha mostrou cada detalhe do harém, explicando tudo que a dama deveria saber. — Logo receberá vestes adequadas, melhores do isso. — A rainha aponta para a roupa dela, com nojo.

— Me desculpe senhora, farei o possível para lhe agradar. — Aylah abaixa a cabeça.

— Senhora Ishtar! — O sacerdote exclama.

— Sim sacerdote, o que deseja dessa vez? — Diz Ishtar.

— O rei deseja falar com sua rainha, na sala do trono, e manda dizer que é urgente. — Diz o sacerdote.

— Avise meu amado que irei o mais rápido possível ao seu encontro. Pode se retirar agora, sacerdote. — Diz Ishtar.

No Salão Principal.

A rainha entra deslumbrante na sala do trono, andando lentamente.

— Meu amado, o que queria falar comigo? — Ishtar dá um sorriso.

— Bem, minha esposa, nós fomos convidados para uma festa no Egito. — Diz o rei, sorrindo.

— Então era isso? – Ishtar pegou uma taça de vinho. — Era só isso que o soberano queria comigo? Essa era a coisa urgente que queria me mostrar? Mas que perca de tempo, Adon! — A rainha se indignou.

— Como ousa, Ishtar? — O rei esbraveja.

— Como ousa? — A rainha encara Adon, tomando um gole do vinho. — Adon, você me tirou dos meus afazeres para me falar que terá uma festinha qualquer? Mais que ridículo!

— Não é uma festa qualquer, é a festa do nascimento do futuro rei do Egito. — Diz o rei.

— Festa do Futuro Soberano? — Um sentimento de inveja se consumiu. – Eu não irei ficar por baixo da acabada da Tuya! O meu filho deveria nascer antes que o dela. O MEU!

— Se acalme, Ishtar! – Adon exclama, tentando acalmar a esposa.

— Como irei me acalmar? Isso é tudo culpa sua! — A rainha encara Adon. – Se não tivéssemos sacrificado cada filho que tivemos, a situação não estaria assim! A CULPA É SUA ADON!

— BASTA! – O rei se levantou. — Pare pelo menos um instante de ser mimada e achar que todos tem que ficar abaixo de você! Você terá sim seu filho, e esse não iremos sacrificar. Isso é questão de tempo, Ishtar.

(...)

Por Disebek

Á alguns dias não vou a Casa de Senet, não vejo mais Yunet. Meus trabalhos como comandante da guarda real estão cada vez mais pesados. Mas tudo está indo como eu queria. Logo serei um dos homens mais importantes de todo Egito, o genro do Faraó.

Enquanto estava pensando, vejo Henutmire nos corredores do palácio. Será que ela irá falar comigo? Espero que sim. Ou melhor, eu sei que sim. Mais cedo, ou mais tarde, a princesa casará comigo, isso eu tenho certeza.

— Disebek! — Henutmire corre. — Se lembra da proposta que me fez? Eu aceito me casar com você. — Ela sorri.

— Sabia que iria aceitar. — Sorrio, beijando as mãos delicadas da filha do Faraó.

(...)

Narrador.

Joquebede, uma hebréia de fé indestrutível, escondeu-se entre as casas da vila dos hebreus ao sentir que o filho que carregava em seu ventre iria nascer. Após tanto esforço, ouve-se o primeiro choro do bebê hebreu. Com lágrimas nos olhos, enquanto contemplava o lindo bebê, Joquebede sabia que tinha que lutar com todas as suas forças contra os guardas egípcios que assustavam os hebreus, para o bem do próprio filho.

Enquanto Joquebede e seus outros dois filhos, Arão e Miriã, pensavam em uma maneira de livrar o recém-nascido do decreto do faraó, Anrão aproxima-se de sua família correndo, e sorri ao visualizar o lindo bebê no colo de sua mulher.

— Que lindo nosso filho! Que Deus seja louvado! — Disse Anrão, olhando para o céu, sorrindo. — Posso segurá-lo? — Perguntou, já se preparando para carregar o filho em seus braços.

— Sim, meu amado. — Joquebede, com algumas lágrimas de alegria pelo nascimento do filho escorrendo pela face, entrega o bebê para Anrão, que após tanto caminhar, para em uma área meio deserta.

Carregando a criança, ergue seus braços o mais alto possível. — Este é o meu filho, Senhor. Veja como ele é lindo. Por favor, meu Pai, cuide bem do meu filho. Eu o entrego a Ti, meu Senhor. — E então, após sentir uma paz interior, volta a caminhar até a família.

— Temos de livrar nosso irmão daqueles homens! — Exclamou Arão assim que o pai retornou para perto da família.

— Nosso irmão não pode morrer. — Miriã, temerosa, disse.

— Ele não vai morrer! — Assegurou Joquebede, ainda chorando. — Se Deus nos deu essa criança agora, é porque certamente vai ajudar-nos a cuidar dela! — Disse com fé, e as crianças assentem.

Os guardas, com toda a atenção e violência do mundo, invadem a área que a família do recém-nascido utilizava como esconderijo, para o desespero de todos. O chefe da guarda, com um ar ameaçador, encara Joquebede, aproximando-se da mesma.

— Me entregue o menino. — Disse. Joquebede, desesperada, tem uma crise de choro.

— Não! — E, encontrando como única saída, sai correndo.

Arão, desesperado pela segurança de sua família, começa a golpear os guardas egípcios, e embora não possuísse dom para tal, conseguiu derrubar alguns deles no chão, e junto com a irmã e com o pai, começa a correr até Joquebede, que estava na beira do rio Nilo, chorando de angústia.

— Que fazes aqui, mãe? — Miriã perguntou, sentando-se ao lado da mãe.

— Eu não posso deixar que matem o meu menino. — Joquebede, entre soluços, acomoda o filho em um cesto de junco.

— O que você vai fazer com o meu irmão? — Arão perguntou.

— Vou deixar que Deus o guie pelas águas do Nilo. — Disse, terminando de ajustar o cesto, para que o pequenino conseguisse respirar, e fecha o cesto.

— Mãe! — Arão imediatamente detesta a ideia da mãe.

— Filho, você acredita em Deus? — O olhar de Joquebede pousou na profundidade do olhar do filho, que após pensar, assente lentamente.

— Então deixe-me fazer isso... Deus estará o guiando. — O silêncio de Arão, para ela, foi como uma permissão para fazer aquilo. — Meu Deus, cuida bem do meu menino... somente o Senhor pode salvar a vida dele. — E então, com uma fisgada no coração, abandonou o pequeno cesto, que começou a ser guiado pelas correntezas do rio.

(...)

Por Yunet.

Sou egípcia, mas não tenho vida fácil. Para manter o meu sustento, abro mão da minha dignidade. Trabalho a muito tempo na Casa de Senet, sou a melhor dançarina, eu mando aqui. Entre várias taças de vinho e peças de roupas espalhadas pelo chão, Disebek me prometeu uma vida de princesa. Sempre acreditei em suas promessas, não vou mentir. Sempre almejei o luxo e a riqueza. Sei que o general pode me dar uma vida de nobre e é isso que eu quero. Afinal, tantas vitória devem lhe dar algum prestigio junto ao Faraó.

— Você irá morar junto comigo, Yunet. Terá uma vida de princesa e viverá no luxo do palácio, prometo. — Disebek jurou.

E eu realmente acredito, finalmente terei o linho mais fino do Egito, joias, pedras preciosas, tudo que eu quero. E finalmente poderei me livrar desse lugar imundo.

— Eu lhe apresentarei ao rei como um prima órfã minha, que depende do seu priminho pra viver. — Ele sorri.

— O que? Prima? — Me afasto do general. — Mas, nós não iriamos nos casar?

— O rei tem outros planos pra mim. — O general chega mais perto de mim, tentando me seduzir.

Arregalei meus olhos. Como ele pode fazer isso comigo? Eu sabia, como fui boba. Homens não são confiáveis. Eu já deveria ter me afastado de Disebek, toda aquele conversinha era pura ilusão.

— Cretino! Filho da mãe! — Grito. — Saia de minha frente agora! Suma!

— Pare de frescura, meu amor. Irei te tratar como uma verdadeira princesa. — Ele tenta me convencer, mas não me darei por vencida.

— Meu amor? — Ironizo. — E se eu te dizer que estou esperando um filho seu?

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.