Chegando ao O Caldeirão Furado, fui para meu quarto, pois eles voltariam para A Toca; assim que entrei, e estava fechando a porta, tive como se fosse uma visão, vi minha mãe correndo dentro da nossa casa desesperada por ajuda, e num determinado momento, ela parou em um dos degraus da escada e ficou olhando para cima, como se alguém estivesse a impedindo de passar, e quando ela olhou para cima, eu pude ver quem era, era ninguém mais, ninguém menos que: Lúcio Malfoy, assim que eu vi que era ele, eu vi um clarão verde e a cena sumiu; foi quando eu percebi que tinha caído no chão, segurando o meu braço que ardia em brasa e que tinha alguém lá dentro do meu quarto, assim que eu olhei pra cima, dei de cara com Snape, é lógico que eu me assustei e soltei um grito de susto, mas assim que eu vi que era mesmo o Snape, eu falei:

– Nossa, professor, o senhor me assustou!

– Mesmo? Não tinha percebido! – ele falou no tom sarcástico dele.

Olhei pra ele com cara de: “Há, há, há, sem graça!”, mas passado o susto e a ironia, eu falei:

– O que o senhor quer?

– Sua mãe mandou eu lhe dar isso aqui, falou que é muito importante! – Snape falou me entregando um bilhete.

Eu peguei o bilhete assim que ele falou que era importante, assim que eu o abri, vi que era um pedido de socorro da minha mãe, assim que eu li o que estava escrito lá, eu falei desesperada para Snape:

– Minha mãe precisa de ajuda e é urgente!!!

– Calma, o que foi que aconteceu? – Snape perguntou intrigado.

– Eu não tenho tempo de explicar agora, a gente tem que ir pra minha casa e é agora! – eu falei desesperada.

Snape não falou mais nada, só me pegou pelo pulso e eu já sabia o que ele ia fazer, então eu agarrei no braço dele e a gente sumiu... – foi a mesma sensação que J.K descreveu no livro: foi como se um gancho tivesse me pegado pelo umbigo e me sugado – assim que eu consegui abrir os olhos, vi que já estávamos na minha casa, foi quando eu me lembrei do que eu tinha visto e sai correndo escada acima. Assim que sai correndo, Snape foi atrás de mim falando:

– Volta aqui Evans, é perigoso!

Mas já tinha sido tarde de mais, já tinha subido a escada e estava quase entrando no quarto da minha mãe, foi quando eu ouvi um gemido vindo do meu quarto, me virei e fui em direção à porta do mesmo, saquei minha varinha e rezei para que não fosse um Comensal, quando eu abri a porta, dei de cara com minha mãe caída no chão arfando para poder respirar, quando eu vi minha mãe caída daquele jeito, já fui pra cima dela, correndo e gritando:

– Mãe, acorda, respira, calma, eu to aqui! Professor... SOCORRO!!!

Assim que Snape me ouviu gritando, ele subiu feito um foguete, chegando onde estávamos, ele paralisou mais branco do que ele já estava – se isso fosse possível.

Assim que eu vi que ele já estava lá, eu falei – mais berrando do que falando:

– Me ajuda! Ela precisa de um médico! Rápido, faz alguma coisa!

Snape não falou nada, simplesmente sumiu e depois de 2 segundos, ele estava de volta com médicos e esses médicos com uma maca, Snape teve que me afastar e me segurar para eu não impedir que os médicos fizessem o trabalho deles – tirar minha mãe de lá.

Assim que os médicos saíram de lá levando minha mãe, Snape me soltou e eu caí no chão sentada, chorando; quando Snape me viu daquele jeito, foi até mim e pousou uma das suas mãos no meu ombro, como quem quisesse me acalmar, quando eu senti aquela mão no meu ombro, eu deduzi que ele estava do meu lado e me apoiei nas pernas dele, ainda chorando.

Passado um pequeno tempo, eu me levantei – com a ajuda de Snape é claro – e falei pra ele:

– Me leva pro Hospital St. Mungus, por favor!

– Evans, você acha prudente te levar para lá agora? – Snape perguntou me olhando nos olhos.

– Sim, tenho certeza disso. – eu falei sustentando o olhar dele.

Diante daquele olhar, não teria como ele negar, então ele assentiu e me deu um braço, para eu segurar, para gente poder aparatar; só que o braço que ele estendeu, foi o esquerdo, o qual tem a Marca Negra, mas na hora, eu não me toquei, então eu segurei no pulso, assim que eu o toquei, os dois saíram um de perto do outro, eu olhando para ele massageando o meu pulso esquerdo e ele olhando pra mim, massageando o dele...

Assim que o susto passou, eu perguntei:

– Mas que maluquice foi essa?

– Também gostaria de saber! – Snape respondeu, olhando pra mim. – Deixe-me ver o seu braço! O outro! – ele disse assim que eu fui mostrar o meu direito pra ele.

Assim que ele levantou a manga da minha blusa de frio, ele viu que exatamente onde ele tinha a Marca Negra, eu também tinha uma. Assim que Snape viu, ele olhou pra mim com cara de assustado e disse:

– O que significa isso Evans?!

– Nada! – eu disse abaixando a manga e saindo de perto dele e virando de costas pra ele.

– Nada uma ova... O que significa isso Evans?! – Snape insistiu, alterando um pouco a voz.

– Eu já disse: nada! Agora se não se importa, eu gostaria de ir no hospital ver minha mãe! – eu respondi, do mesmo jeito que ele e olhando pra baixo, como se eu tivesse cometido algum crime.

Houve um minuto de silêncio, que eu pensei que ele não iria mais me levar, até que eu o ouvi dizendo:

– Venha, vamos para o hospital ver sua mãe, mas depois, a gente vai ter uma conversa muito séria Evans, você me ouviu?!

– Sim senhor! – eu respondi indo em direção ao lado direito dele.

Snape contou até três e fomos, assim que eu pensei que não iria mais conseguir respirar, nós chegamos.

Assim que eu abri os olhos e vi onde estávamos, eu já fui indo diretamente para o balcão, que não tinha nenhuma fila, e perguntei:

– Por favor, qual é o andar que ficam as pessoas que sofreram um ataque?!

– Por meio de feitiço ou de animal venenoso? – perguntou a atendente que deveria ter dois anos a mais que eu.

– Feitiço! – respondi imediatamente após.

– 10° andar! – ela respondeu.

– Obrigada! – eu disse e sai correndo aos elevadores.

Tinha até me esquecido de que Snape estava lá, só fui me lembrar, quando ele entrou correndo no elevador que estava quase subindo e perguntando:

– Onde ela está?

– 10° andar! – eu respondi, olhando para o indicador dos andares.

Ainda estávamos no 5°, assim que eu vi, eu comecei a rezar, para que aquele elevador subisse o mais rápido possível, daí quando eu olhei de novo, uma voz que parecia que vinha do teto anunciou: 10° andar, acidentes causados por... mas eu nem ouvi o resto, porque eu já saí correndo pelo corredor, assim que a porta do elevador abriu e Snape teve que me segurar para eu não derrubar uns enfermeiros, e assim que ele me segurou ele disse:

– Você sabe onde sua mãe está? Em qual quarto?!

– Sei! – eu respondi. Na verdade, eu não tinha ideia, mas alguma coisa dentro de mim me dizia que ela estava bem perto.

Continuei andando, sem dar a mínima para o que Snape dizia, até que eu olhei pra dentro de um quarto e vi minha mãe, ali, deitada numa cama de olhos fechados, assim que eu vi aquela cena já me bateu um desespero que eu não pensei nem duas vezes e entrei.

Assim que eu entre no quarto, os médicos que estavam lá, se viraram e me viram, e disseram:

– Sinto muito, mas o que você está fazendo aqui?

– Eu sou a filha dela! – eu respondi chorando.

– Bem... Nós sentimos muito, mas ela não resistiu. – um dos médicos falou, e quando ele falou, ele e os outros, saíram de perto da cama.

Assim que eu ouvi aquilo, eu comecei a chorar desesperadamente e Snape que estava parado na porta, entrou no quarto e ficou um pouco atrás de mim, eu não podia deixar que aquilo acontecesse, então eu fui perto da minha mãe e comecei a falar pra ela voltar, Snape viu o quão desesperada eu estava, e tentou me tirar de lá, mas eu me segurei na cama e comecei a gritar pra ela voltar... Meio que deu certo, pelo menos por um tempo, ela abriu os olhos, e me viu lá, chorando, assim que ela me viu, ela falou:

– Kate, não fica assim... A mãe ta indo pra um lugar melhor do que esse aqui, e eu to bem filha...

– Mas eu não quero que você vá... Eu preciso de você mãe! – eu falei chorando e abraçando ela.

– A mãe sabe... mas eu preciso ir... você sabe, a missão da mãe aqui acabou... E além do mais... Eu sempre vou estar com você, sempre que você precisar... E outra, você tem amigos, o Prof° Snape vai ajudar a cuidar de você, junto com o Dumbledore, você ainda tem o Harry que é seu primo, e a Tia Petúnia, que também é a sua tia... você nunca estará sozinha Kate... – minha mãe falou calma, como se nada tivesse acontecido.

– Mas eu quero você mãe.... – eu falei chorando ainda mais e abraçando ainda mais.

– Mas a mãe não vai poder ficar com você dessa vez, Kate, sinto muito! Mas a mãe precisa ir... – ela falou, e dizendo isso, ela morreu, ali, em meus braços.

Assim que eu vi, eu comecei a chorar num tanto, que eu nem me dei conta de que minha mãe tinha falado que Harry era meu primo e que a Tia Petúnia fosse minha tia também, além do mais, Snape teve que fazer a maior força pra me separar de minha mãe. Depois que ele conseguiu, os médicos começaram a tirá-la do quarto, e eu fui junto, chegando no corredor, estavam Draco e Lúcio Malfoy parados, vendo a cena.

Não teria acontecido nada se Lúcio não tivesse falado:

– Não fique assim Evans... Pense pelo lado bom: ela não vai sofrer quando você morrer!

– Foi você não foi seu canalha! – eu retruquei.

– Eu o que garota... Ta maluca?! – ele falou como se eu o tivesse acusado injustamente.

Mas eu não esperei nem ele falar outra mentira, já tinha lançado um feitiço nele – Expeliarmus – mas como ele não estava com a varinha, ele foi arremessado a um metro de distância da onde ele estava, Draco estava olhando tudo, e assim que o pai tocou o chão caído, desacordado, ele falou:

– Você que me aguarde no colégio, sua sangue-ruim!

– Pode vir, eu não tenho medo de você e nem de seu pai Draco! – eu retruquei desafiando-o.

Mas quando Draco ia falar alguma coisa, Snape veio por trás de mim e Draco foi correndo ajudar o pai a se levantar.

Assim que Draco saiu de perto, Snape falou muito zangado, mas porém baixo, para só eu escutar:

– Mas o que é que deu em você Evans?! Você sabe quem você acabou de atacar?

– Em primeiro lugar, o que me deu, foi ódio, porque esse infeliz aí, foi quem matou minha mãe, e em segundo lugar: sim, eu sei quem é esse m... Esse aí, esse daí é Lúcio Malfoy, Comensal da Morte, e um dos mais fiéis de Lorde Voldemort! – eu respondi, assim que eu falei o nome do Voldemort, Snape gelou e ficou pálido e disse imediatamente:

– Você é maluca em pronunciar o nome do Lorde das Trevas!

– Desculpa professor, mas o medo de um nome, só faz aumentar o medo da própria coisa... E eu não tenho medo do Voldemort, não mais! – eu retruquei.

– Como assim, “não mais”? – ele perguntou sem entender.

Eu respirei fundo e olhei pro chão, enquanto eu respondia:

– Malfoy me tirou a única coisa com quem eu mais me importava: minha mãe. Sem ela... Eu não tenho com o que me preocupar, pois ela era a única coisa que me mantinha calada na maioria das vezes.

Snape ficou quieto por vários minutos mas depois ele falou:

– Mas isso não interessa, você devia ter ficado quieta, mesmo porque, você não sabe quem matou a sua mãe!

– Eu sei quem foi! – eu respondi, olhando furiosa pra ele.

– Ah é?! E quem foi?! – ele perguntou meio cético.

– Aquele monte de porcaria ali, caído no chão! – eu respondi sem me privar de nenhum adjetivo.

– Você não pode acusá-lo de nada Evans, você não tem provas! – Snape falou meio inseguro do que ele próprio dizia.

– Eu tenho sim, professor — eu falei. – Pois eu o vi encurralando a minha mãe na escadaria de casa! – eu terminei, antes de Snape falar alguma coisa.

Snape não falou nada, só ficou me olhando um tanto quanto assustado e depois para Malfoy, se recuperando agora do feitiço. Depois de um tempo em silêncio, Snape me perguntou sério:

– Você é uma Legilimens?

– Eu sou o que?! – eu perguntei sem ter a menor ideia do que ele estava falando.

– Legilimens... quem tem o poder de ler mentes e ver fatos sem estar presente! – ele falou.

– Ah sim, claro ter o poder da legilimência... Então, aparentemente eu tenho, mas eu não sei como... “ativar” isso... Isso... Acontece de repente! – eu falei.

Snape me olhou com um certo ceticismo, quando eu falei que acontecia de repente e logo ele falou:

– Fique você sabendo Evans, que isso é proibido... Então não se atreva a tentar invadir minha mente e nem a mente de ninguém lá de Hogwarts ouviu? Por que se eu ficar sabendo ou desconfiar de alguma coisa, Dumbledore ficará sabendo e você muito provavelmente não se dará muito bem!

– Desculpe professor, mas será que o Prof° Dumbledore já não sabe disso? – eu perguntei.

– Não sei, você contou à ele? – Snape perguntou levantando uma de suas sobrancelhas.

– Eu não... Mas talvez a minha mãe! – eu falei levantando os ombros.

Paramos em um silêncio bem incômodo, mas daí Snape falou:

– Bem, só tem um jeito de a gente descobrir!

– É? E como?! – eu perguntei olhando um pouco curiosa pra ele.

– Indo até Dumbledore e perguntando! – Snape olhou pra mim e deu um leve sorriso, quase imperceptível aos olhos desatentos.

Eu concordei, mas Snape me fez contar tudo o que eu tinha visto, na minha visão antes de irmos, lógico que eu contei, porém fora do Hospital e longe dos ouvidos curiosos de Malfoy.

Assim que eu acabei de contar, Snape parecia mais pálido do que o normal, até eu perguntar:

– Ta tudo bem professor?

– Ta... tudo bem! – ele falou meio sem graça e nada muito convincente.