Um Sonho Real
7 Capítulo 7 - Um dia no parque com Lucy.
Mais um dia amanheceu, era um domingo. Aproveitei para sair com Lucy e algumas garotas da classe, éramos seis no total. Fomos andar de patins pela praça, fazia muito tempo desde que eu tinha andado de patins pela ultima vez. Usei o dinheiro que eu tinha guardado juntando o que sobrava de cada mês – a Shibusen ainda dava um dinheiro mensal para seus alunos sobreviverem – e do trabalho de meio período. A verdade é que não foi a primeira vez que me chamaram para andar de patins então resolvi comprar um para mim, mas dessa vez sem pedir a alguém e sim com meu próprio trabalho. Desde que eu chegara naquela cidade eu, cada vez mais, me tornei independente, antes tudo vinha da minha família.
O passeio foi bom, levei até umas quedas por falta de prática, então resolvemos parar para lanchar. Enquanto comíamos avistei Junior passando ali por perto com alguém, um garoto. Eles estavam bebendo refrigerante enquanto andavam. Eles pareciam bem próximos. Em outra situação eu iria até lá, mas resolvi continuar com as meninas. Lucy também viu, cutucou meu braço e deu um sorriso como quem dizia “Deixa isso pra lá e curte o dia.”. Eu tinha contado para ela sobre Junior e a promessa que eu fiz para Stein, ela disse que iria me ajudar no que pudesse. Depois do passeio Lucy voltou comigo para casa, ela ficou lá por algum tempo antes de voltar para o dormitório feminino.
– E então, qual o plano? – ela perguntou se sentando no sofá
– Que plano? – eu fui para a cozinha pegar suco – Você quer suco?
– Não, obrigada. Qual é? Você sabe... Para se aproximar do Junior.
– Ah, esse plano. – tomei um gole do meu suco e me sentei ao lado dela – Bom, eu não tenho exatamente um plano.
Encarei-a e comecei a rir.
– O que foi? Tem algo no meu rosto? – ela perguntou
– Não, não. É que você falando assim parece até que ele é um ídolo e eu uma fã louca que quer casar com ele.
Então ela riu comigo e eu ri mais ainda.
– Mas sabe – ela disse parando de rir tanto –, não é de todo normal alguém lutar tanto pela amizade de um desconhecido.
– Ele não é um desconhecido – eu fiz uma careta pra ela –, ele é o filho do Stein.
– Teu amado Stein...
– Não fala assim. Ele já deve ter uns 46 anos... E é casado... E tem um filho...
– Só por causa da diferença de idade você nega alguma coisa, não é? E aquilo que você disse antes dele ser teu ídolo ou coisa do tipo?
– O fato de eu admirar ele não mudou, mas não é a mesma coisa de quando ele era só um personagem de mangá... E eram só 15 anos de diferença.
– E ainda diz “só”? Certo... Mas se diminuir quando você leu de quando foi lançado o mangá, dá bem maior a diferença de idade.
– Não quero nem pensar nisso. – balancei a cabeça – Vamos mudar de assunto?
– Primeiro vamos pensar no plano e depois nós mudamos de assunto. Pode ser? – ela olhou para mim com cara de gaiata e eu ri concordando
Da primeira vez que a vi eu vi uma adolescente totalmente calma. No dia seguinte eu vi uma criança. Mas depois de começar a conviver com ela eu vi uma mistura dos dois. Ela é realmente bem calma e tem a aparecia e a altura de uma criança, mas ela é um pouco tímida e nós temos a mesma idade. Ela diz que não se importa que achem que ela é mais nova do que realmente é, até por que se continuar assim quando ela tiver quarenta vai ter cara de trinta anos.
Ela não demorou muito mais tempo lá em casa, já que no dia seguinte tínhamos aula. Pelo menos conseguimos pensar em alguma coisa, não era exatamente um “plano infalível”, mas era algo.
Eu estava meio cansada quando fui dormir, mas acordei bem disposta. Arrumei-me bem tranquila para ir. A Shibusen tem várias opções de farda. Escolhi uma bem confortável: um short-saia azul de tecido bem leve com a saia em camadas, uma blusa sem manga branca e um bolero de tecido fino azul bebê. Com certeza uma farda bem feminina. Essa não era minha primeira opção, na verdade eu queria uma saia em vez do short-saia, mas achei que poderia ser perigoso. Também queria uma blusa de manga longa, mas quando olhei para a combinação da blusinha com o bolero mudei logo de idéia. O cabelo continua o mesmo, preso em dois coques laterais abaixo da orelha. Para completar os meus óculos, não vou para lugar nenhum sem eles. Enxergar eu até enxergo sem eles, mas fico com tontura e dor de cabeça. Serio horrível fazer uma missão sem eles. Falando em missão... Estou ansiosa pela minha primeira.
Fale com o autor