Um Sonho Real 2° Temporada
11 Capítulo 11 - O dia finalmente chegou
Notas iniciais
Após todos esses acontecimentos, não havia motivos para adiar o ritual. O prazo de uma semana foi dado para que todos pudessem arrumar tudo, inclusive eu. Ensinaram-me passo a passo o que eu teria que fazer. Após insistir, deram-me permissão para contar a Lucy sobre tudo. É quase impossível de descrever como ela ficou quando eu contei. Ela pediu que nós saíssemos juntas uma última vez e que ela faria de tudo pra que fosse mais divertido do que todas as outras vezes que saímos juntas. Aproveitei para chamar o Marco e a Jullie, pois eu queria que Junior se reaproximasse deles, achei que ele precisaria dos amigos depois do ritual, eu tinha certo medo de que ele se fechasse para o mundo novamente. Junior não reagiu muito bem ao ver a Jullie, mas não o deixei fugir como da outra vez.
– Ainda bem que convidei o Mattew. – Lucy disse – Se não eu teria ficado segurando vela.
– É, mas só reforçando que não é exatamente um “encontro triplo”. – Marco disse – Estamos aqui para criarmos ótimas lembranças juntos.
– Estou tão feliz de ter ótimos amigos! – eu disse segurando as lagrimas de felicidade – Principalmente você, Lucy, que esteve comigo desde o começo. Marco, que me ajudou com o Junior, que acho que nem preciso comentar – segurei a mão dele mais forte – Você me mostrou o quanto é bom estar apaixonada... Obrigada... A todos vocês.
– N-Não precisa... – Junior ficou um pouco envergonhado.
– Você sabe que pode contar comigo! – disse Lucy
– Eu não ajudei tanto assim. – Marco deu uma risada
– Ajudou sim. – eu respondi o Marco – Afinal, além de me dar dicas, você ficou cutucando o Junior pra deixar de resistir tanto.
– Verdade. – Marco riu e nós todos rimos também
– Realmente... Esse aí me perturbou até eu finalmente aceitar me tornar teu amigo.
– Que bom que todos ficaram felizes no final. – disse Jullie que até então estava praticamente calada
Passamos pela sorveteria e depois fomos para o parque. Desta vez fomos para uma área um pouco mais afastada onde tem bastantes árvores e uma ótima vista, o que me lembra da noite em que Junior me pediu em namoro.
– O vento aqui está tão refrescante! – disse Lucy – Olha! Tem um ninho naquela árvore. – ela apontou para a árvore e riu – Ainda bem que eu trouxe isso. – ela disse tirando uma câmera digital da bolsa – Digam “x”!
Foi uma ótima ideia ela ter levado a câmera, assim teríamos o momento registrado não só em nossas mentes. Depois de um tempo, Junior ficou mais a vontade estando perto da Jullie. Fiquei feliz, pois pelo menos assim ele sofre menos. Mas... Como tudo, o dia infelizmente acabou. Todos se despediram e foram para suas casas. Junior me acompanhou até a minha.
– Posso entrar? – ele perguntou
– P-Por quê?
– Fica tranquila, não vou fazer nada. – ele sorriu e deu um beijinho na minha bochecha – Só quero ficar mais tempo com você.
– E também não é como se eu fosse deixar. – eu disse brincando
– Que maldade. – ele riu
Nós subimos, coloquei minha bolsa no quarto, voltei para a sala e peguei um pouco de água para mim. Ofereci para ele, mas ele recusou. Ele ligou a televisão e saiu procurando um canal que agradasse.
– Então você veio só assistir TV? – eu perguntei e sentei ao lado dele no sofá
– Claro que não. Eu vim aqui para ficar juntinho da minha Nath!
“Se existe uma pessoa que sabe como ser fofa na hora certa, essa pessoa é o Junior.” Pensei. Ele pôs o braço em volta de mim e eu encostei minha cabeça nele.
– É amanhã... – eu disse
– É... Mas... Prefiro não falar disso agora. – ele deixou em um canal que estava passando um filme e colocou o controle na mesinha – Pelo menos por um segundo, quero pensar que tenho você eternamente.
– Talvez não em corpo físico. Mas eu sei que estou gravada no teu coração. Assim você me tem sim eternamente.
Ele começou a fazer carinho na minha cabeça, mexendo no meu cabelo. Ele se aproximou e nós nos beijamos. Na mistura de sentimentos tinha tanto alegria quanto tristeza, esse era nosso momento de despedida. Sua boca estava tão doce quanto da primeira vez que nos beijamos, quer dizer, segunda vez.
No dia seguinte, o ritual seria feito a tarde, assim eu ainda tinha algumas horas para terminar de me preparar emocionalmente, mas na verdade eu já estava bem tranquila. Eu já tinha juntado a maior parte das minhas coisas para que não tivessem trabalho depois, quando fossem tirar do apartamento. Almocei na casa do Junior, pois de lá nós iríamos para a caverna onde o monstro, Ragadesh, estava selado. Tudo estava pronto. O BlackStar e a Tsubaki voltaram para a DeathCity para também acompanharem o ritual. A Kim foi como enfermeira. O Kid, quer dizer, Shinigami-sama foi o “cerimonialista” ou algo assim. Não permitiram que ninguém de fora visse o ritual, com exceção do Junior. Ele parecia estar constantemente se segurando para não chorar ou algo do tipo, pelo menos até chegar minha hora. Eu estava com um vestido branco simples e com o cabelo solto, era assim que todas as garotas com alma pura ficavam. Já os garotos eram com uma camisa e uma calça ou bermuda. Na verdade a roupa não importava muito para o ritual, mas o fato de serem roupas leves e brancas deixava tudo com um ar de antigo e sagrado. O que importava mesmo era o estado mental e espiritual da pessoa sacrificada. Quanto mais eu me aproximava do altar perto da tranca, mais todos ficavam inquietos, principalmente Junior. Olhei para trás e dei um sorriso. Junior não conseguiu mais se segurar.
– Não... Pare... – as lágrimas caiam dos seus olhos – Volta!
Stein colocou a mão no ombro de seu filho, percebendo toda dor que ele sentia.
– Por favor... – Junior fez como quem iria sair andando em minha direção, mas Stein o segurou – Não vá!
– Calma. – Stein disse e abraçou Junior – Eu disse... Eu tentei avisar. – Stein também parecia segurar as lágrimas, ele não aguentava ver seu filho sofrer – Fique calmo. Você não pode impedir isso, é o destino dela.
– Não! Não pode ser! – Junior parou de lutar e aceitou o abraço do Stein – Não pode ser...
Aquela cena me partia o coração, mas eu tinha um dever a cumprir. Respirei fundo, esvaziei minha mente e me entreguei, senti meu corpo, alma e mente saindo daquele mundo. Em menos de um segundo, eu não ouvi mais nada. Abri os olhos e vi que eu estava em um lugar completamente diferente. Um lugar onde não parecia ter gravidade, um lugar quase sem cor, escuro, mas eu enxergava. Vazio, mas ao mesmo tempo cheio. Não tinha chão, não tinha fundo. Eu estava dentro da tranca que selava Ragadesh.
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