Um Sonho Real 2° Temporada

5 Capítulo 5 - Uma situação um tanto delicada


Notas iniciais
o Junior todo instável e ela vai cuidar dele *-* esse casal é muito fofo *-*

No dia seguinte ele faltou aula. Liguei para seu celular, mas ele não atendeu. Na terça-feira ele também não apareceu. Liguei novamente e mandei mensagens, mas ele não respondeu. Dentro da Shibusen o professor Stein parecia me evitar, estava sempre ocupado ou longe. Quarta-feira ele também não apareceu. Mandei mais mensagens e nada. Eu não sabia se era uma boa ideia ir até sua casa, até que meu telefone tocou e do outro lado da linha era Mary falando.

– Ele está no quarto. – ela disse ao abrir a porta para mim

Entrei e fui direto para o quarto dele. A porta estava fechada. Olhei para a porta, depois para Mary que estava me observando. Tomei coragem e bati na porta. “toc toc toc” ninguém respondeu.

– Junior? Sou eu, a Natasha. – eu disse, mas ainda sem resposta – Tua mãe me ligou, ela está preocupada com você... E eu também! Abre a porta, por favor. – mas ele não respondeu. Encostei minha cabeça na porta. Mary saiu e foi para a sala – “Ele não come nem dorme direito” foi o que ela me disse. Você não pode fazer isso, vai acabar ficando doente. – respirei fundo – Sabia que perguntaram por você? Nossos colegas sentiram a tua falta, e eu senti mais ainda... Justo agora... – lagrimas caiam dos meus olhos e eu não conseguia conte-las – Quando finalmente... Nós... – o choro não me deixava falar direito – O que tão terrível teu pai te falou para você ficar desse jeito?

Passei mais alguns minutos em frente ao quarto dele até que ouvi o barulho dele destrancando a porta. Não pude vê-lo direito, pois as lagrimas embaçavam minha visão. Abracei-o com toda minha vontade e ele retribuiu. Ficamos assim, abraçados, por alguns minutos, maravilhosos alguns minutos. Parecia que ele também estava chorando. Quando nos soltamos ele fechou a porta. Eu enxuguei as lágrimas, só então pude vê-lo direito: seu rosto estava um pouco inchado, provavelmente chorou muito, sem camisa e seu cabelo bagunçado. Nós sentamos na cama dele.

– O que aconteceu? Por que você está assim? – eu perguntei

– Eu não posso dizer.

– Por que não?

Ele não respondeu. Ele não olhava diretamente em meus olhos, ficava olhando para os cantos, evitando meu olhar.

– Se eu não posso saber o porquê – eu disse –, então me deixa pelo menos cuidar de você?

Eu disse que ele fosse tomar banho e pedi para a Mary fazer um lanche. Arrumei sua cama, abri as cortinas e a janela para que entrasse luz e ar fresco. Quando ele voltou do banho, apenas sentou na cama e encostou-se à parede com a toalha na cabeça. Sentei-me ao lado dele e comecei a enxugar seu cabelo, mas ele se afastou um pouco e disse que não precisava.

– Tudo bem, eu quero fazer isso. – eu disse e voltei a enxugar seu cabelo.

Mary chegou com o lanche. De inicio ele não estava muito afim, mas quando começou a comer não parou até acabar.

– Você está melhor agora? – eu perguntei

– Sim. – ele deitou na cama com a cabeça no meu colo – Você tem razão. Eu preciso me cuidar. Eu não quero ficar longe de você.

– Não precisamos ficar longe! Podemos arranjar um jeito de convencer teu pai e...

– Não tem um jeito. – ele suspirou – Eu preferiria não ligar para o que ele diz.

– Como assim?

– Nada. – ele fechou os olhos e passou alguns segundos em silêncio – Sabe aquele dia que aqueles monstros te atacaram em frente a tua casa?

– Sim, que você me salvou.

– Você disse que foi sorte tua, mas eu não gosto dessa ideia de que foi sorte.

– Por quê?

– Bom, naquele dia, eu já tinha sentido um pouco a presença deles, mas era algo muito, muito fraco. Tão fraco que achei que eu estava tendo só uma impressão. Quando você foi para casa, a presença foi sumindo na mesma direção que você foi. Então eu tinha duas opções: deixar para lá e seguir meu caminho ou ir até você e ver se estava tudo bem. Quando eu penso que se eu não tivesse ido até você poderia ter acontecido algo... Eu não conseguiria me perdoar se tivesse deixado algo acontecer.

Havia muitos sentimentos em sua voz.

– Calma. Não aconteceu nada. Eu estou aqui agora.

– Por enquanto.

– Como assim? – o que ele disse me assustou bastante

– Nada. Acho que é melhor não ligar para isso, quer dizer, é melhor aproveitarmos nosso tempo juntos. Eu sei disso porque você veio aqui hoje. – ele se sentou – Durante esses últimos dias tudo o que eu fiz foi ficar pensando em coisas que só me faziam ficar cada vez mais depressivo.

– M-Mas por que isso?

– Não dá para explicar. É só que... – ele suspirou – Deixa... Mais cedo ou mais tarde você vai ficar sabendo.

– Que raiva! – eu fiquei em pé subitamente – É sempre assim! Ninguém nunca me diz nada, é sempre “um dia você vai saber”, “vai entender” ou qualquer outra coisa!

– Natasha... – ele ficou surpreso com minha mudança de humor repentina

– Poxa! É minha vida também... – a raiva transformou-se em tristeza – Até hoje ainda não me disseram o porquê de terem me trazido aqui. Eu pensei que iria ficar só alguns dias, mas já faz um ano. – sentei-me novamente – Eu gosto de viver aqui, adoro esse lugar, mas... Mas não é MEU lugar... Não é minha casa.

Comovido, Junior me abraçou.

– Tudo bem. Apenas façamos o que eu disse. Vamos aproveitar nosso tempo juntos. Dane-se o que meu pai acha! – ele me deu um beijo na bochecha

– Sim, vamos apenas aproveitar.

Notas finais
próximo capítulo: O casal sai em um encontro.