Notas iniciais
A Jane que todos conhecemos ainda tem muitos bloqueios e eu não podia desviar disso, então achei justo colocar como as coisas seriam apesar de tudo, porque ela continua muito confusa.
Enjoy!

Fazia frio naquela noite, o casaco que usava apesar de ser quente ainda não me mantinha aquecida o suficiente.

Eu deveria ter vestido algo melhor para sair, mas não pensei na temperatura, apenas queria respirar fora do meu apartamento, longe de todo aquele sentimento que havia ultrapassado todos os limites que eu vinha lutando para impor.

Como pude olhar para Maura daquele jeito sabendo do risco dela perceber?

Como pude não conseguir me controlar?

Ela podia demorar para entender algumas coisas práticas mas não tinha duvida de que notou como eu a estava olhando.

Antes eu não tivesse ido até o banheiro, quem sabe assim nada daquilo teria acontecido.

Foi mais forte do que eu, quase involuntário na verdade. Ao vê-la poucos metros de distância sem a blusa eu não consegui reagir de outro modo que não fosse observa-la.

A pele branca e bonita, as curvas da cintura...

Ainda era um pouco do belo corpo que possuía, mas isso não diminuiu sua capacidade de mexer comigo.

Quando se virou para mim tive que lutar internamente para não olhar seus seios que estavam cobertos pelo sutiã de renda vermelho.

Sim, ele era vermelho.

De todas as cores possíveis ela estava usando exatamente a que mais se destacava com seu tom de pele.

Tudo parecia querer me testar, querer ver até onde eu suportaria. O único problema é que nem eu conhecia a resposta para isso.

Já tinha dado grandes passos, feito coisas que nunca imaginei fazer.

Penso que se não fosse por aquela conversa com Frankie eu teria desistido e me afastado, mas foi bom saber que alguém me apoiava, e ainda melhor dividir isso, pois estava se tornando insuportável desejar minha melhor amiga e não poder dizer nada a ninguém.

Eu estava de fato gostando daquela noite, com Maura dividindo sua experiência do passado comigo. Me contando sobre Rachel e como tudo aconteceu.

Eu quis saber porque julguei ser importante, já que isso mostraria o quão confortável ela se sentia diante desse tipo de coisa, e isso por sua vez me daria alguma ideia de por onde começar.

Ela falou com certeza que seria perfeitamente capaz de amar uma mulher, e mais, de arriscar uma amizade se estivesse apaixonada pela amiga em questão.

Claro que respondeu isso sem imaginar das minhas reais intenções.

Ou imaginava?

Bom ela não podia mentir, e era nisso que eu confiava para acreditar que ela não suspeitava de nada.

Então comecei a pensar que talvez fosse bom gerar uma suspeita, poderia facilitar o meu lado na verdade.

Eu não fazia ideia de quando havia decidido enfrentar meus sentimentos. Acho que foi o conjunto de tudo, inclusive das horas de sono que perdi pensando no que fazer.

Simplesmente aconteceu e quando percebi já estava fazendo várias perguntas com segundas intenções nas entrelinhas, ao mesmo tempo em que desejava que Maura notasse e falasse diretamente comigo, e também querendo apenas as respostas para processar tudo e escolher o passo seguinte.

Era uma mistura, num momento estávamos conversando sobre ela e sua aventura experimental mal sucedida na faculdade, e no outro estávamos sentadas frente a frente e eu tentava esconder meu olhar, para que ele não gritasse o que eu ainda não sabia se estava pronta para falar.

Mas nada superaria o incidente com o vinho.

Uma jogada do destino talvez?

Nunca acreditei muito nessas coisas, mas também nunca cogitei a hipótese de me apaixonar por Maura, o que significava que naquela altura tudo podia acontecer.

Eu precisava drenar meus pensamentos e esquecer o que havia visto, digo, esquecer não porque era impossível, mas ao menos me distrair com algo, pensar em outras coisas.

Só assim teria cabeça para voltar para casa e enfrentar o dia amanhã.

Olhei a hora no meu celular, já eram quase 22:00 hrs, ela já devia ter ido embora, ela tinha que ter ido, eu não saberia o que falar se a encontrasse esperando por mim.

Respirei fundo e resolvi arriscar, dei meia volta e comecei a caminhar.

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As buzinas infernais do trânsito de Boston estavam me deixando louca enquanto dirigia para o trabalho, aquele dia parecia não ser mesmo o meu dia.

Pra começar cortei meu dedo enquanto fazia um sanduiche logo depois do banho, como pude fazer algo tão estúpido?

Depois Jo Friday não conseguiu controlar sua bexiga e fez xixi no meu tapete, o cano do meu banheiro deu problema e agora esse maldito engarrafamento.

Torci para que minha onda de azar acabasse naquilo.

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Após quase uma hora consegui chegar ao meu destino, estacionei o carro com pressa, desci e subi as escadas o mais rápido que pude.

Não peguei meu café habitual, e fui para o andar de homicídios, ao chegar lá Korsak estava olhando algo no computador.

– Hey Korsak!

– Oi Jane.

– Algo de novo?

– Um caso.

– O que? Por quê não me chamaram?

– Eu tentei, mas seu celular só caía na caixa postal.

Peguei o aparelho do meu bolso e vi as chamadas perdidas na tela inicial.

– Droga, eu deixei no silencioso e esqueci de tirar! — reclamei enquanto configurava o celular para o perfil normal.

– E por quê fez isso?

– O que?

– Colocar no silencioso.

– Ah... Porque eu estava morrendo de dor de cabeça e não queria o barulho me chateando. Mas devia ter cancelado hoje de manhã, só que tudo foi uma loucura e eu esqueci.

– Uma loucura?

– É, meu dia não começou bem, e isso é tudo o que eu vou dizer. — sorri – Mas enquanto ao caso, o que temos?

– Um homem, por volta dos 30 anos, ainda sem identidade, provavelmente esfaqueado, mas a Drª Isles ainda não confirmou.

– Como sempre.

– Pois é, aqui estão as fotos da cena do crime. — me entregou as imagens – Foi encontrado em um prédio abandonado.

– Certo, e sabe se a Maura já começou a autópsia?

– Começou agora pouco na verdade, Frost acaba de ir pra lá.

– Frost? — perguntei segurando o riso.

– O que queria que eu fizesse? Você não deu sinal de vida, alguém tinha que ir.

– Ok.

– Melhor você ir lá também.

– Pra que?

Aquilo saiu muito mais desesperado do que o previsto, mas eu não podia deixar de sentir uma ponta de pânico ao saber que Maura estaria lá esperando pela menor brecha para tocar no assunto da noite anterior.

Será que eu estava preparada para falar sobre isso?

– Pra impedir que ele vomite em tudo. — semicerrou os olhos – Jane, você está bem?

– Sim, claro, por quê não estaria?

– Pareceu apavorada com a ideia de descer para o necrotério.

– Impressão sua.

– Tem certeza?

– Absoluta! Tanto que estou indo pra lá agora mesmo. — deixei as fotos em cima da mesa dele e fui em direção aos elevadores.

Fugir vinha sendo a minha estratégia nos últimos dias, precisava parar com isso e encarar as perguntas de Maura, sejam elas qual forem.

Pelo vidro pude vê-la fazendo as incisões na vítima e num canto da sala estava Frost com uma cara de nojo.

Abri a porta.

–Frost. — ele virou para mim – Bom dia!

– Hey Jane... — respondeu se aproximando – Agora que você chegou eu já posso... — colocou a mão na boca – Ir lá pra cima, tchau.

Saiu rapidamente e eu não aguentei e dei risada.

– Nossa Maura, o que foi que você fez com ele?

Ela olhou para mim por um breve momento e depois retomou a atenção sobre o corpo.

– Nada. O Det. Frost tem problemas quando se trata de sangue e corpo abertos, não tenho culpa perante isso. — disse seriamente – Mas ele não precisaria passar por tal situação se você tivesse atendido seu telefone.

– Certo, eu errei. Coloquei no silencioso e não tirei, sinto muito. — me aproximei e dei a volta para ficar de frente para ela – Bom, novidades sobre o nosso amigo aí? — apontei para o homem sem vida na mesa.

– Não muitas. A única coisa que posso afirmar é que a causa da morte foi hemorragia, causada pelo ferimento que coincidem com um objeto de metal afiado. — colocou a mão em uma pequena tigela – Aqui — me entregou o que parecia ser a ponta de uma faca – Isso estava dentro da ferida.

– Parece ser de uma faca.

– Não existem apenas facas capazes de matar uma pessoa Jane.

– Sim eu sei, mas as chances de ser uma são bem maiores. — sorri.

– Esqueci que você trabalha com palpites e eu com fatos. — voltou a trabalhar na vítima.

O que foi aquilo?

Maura nunca foi grossa comigo antes, a não ser que eu merecesse, mas se merecia, não sabia o porque.

– O que você tem?

– O que eu tenho?

– Sim, parece irritada.

– Noite de sono ruim.

– Você também?

– Sim.

– Talvez seja contagioso.

– Insônia não é contagiosa Jane, genética sim, mas contagiosa não. — falou ao finalmente me olhar.

– Menos mal, já que não temos nenhuma relação de parentesco.

Ela não sorriu, apenas continuou em silêncio, fechou a incisão em Y no corpo do homem, retirou as luvas e disse:

– Eu já terminei, mandei todos os exames de sangue para serem analisados e tirei as digitais. — pegou uma pasta – Aqui estão, pra você checar no sistema.

– Sim eu vou fazer isso.

Passou por mim e foi em direção à sala dela.

Eu não tinha certeza se devia segui-la e perguntar o que estava errado, mas resolvi deixar por isso mesmo. Afinal, nem eu sabia o que diria caso ela me questionasse.

O dia seguiu como sempre, as horas se arrastaram em pistas falsas, uma perseguição e no final o culpado ainda não tinha sido encontrado. O único progresso que tivemos foi descobrir o nome da vítima, mas fora isso, nada.

Vi Maura aquela vez no necrotério de manhã, e uma de tarde, mas essa foi mais rápida, ela apenas me entregou o resultado de um exame e saiu.

Não era difícil imaginar o que a estava incomodando, mas não sabia como abordar esse assunto, então não pude fazer nada que não fosse esperar.

Eu estava sentada na minha cadeira, olhei pela janela e vi o céu escuro, olhei a hora no computador, já passava das 20:00 hrs.

Eu devia ir pra casa e descansar, mas não queria me deixar vencer por esse caso confuso.

Um som me despertou dos meus pensamentos, era meu celular que tocava em cima da mesa.

Olhei na tela e vi o nome de Maura indicando uma nova mensagem.

Precisamos conversar, estou te esperando na minha sala.

Maura.

Me esperando?

Eu sabia que isso iria acontecer, mas ainda não tinha ideia do quanto ficaria assustada quando me desse de frente com essa situação.

Peguei meu casaco e celular, me despedi de Frost e Korsak e saí.

Quando o elevador se abriu eu pude ver pela persiana da janela de Maura que ela estava em sua mesa, concentrada em algo que eu desconhecia.

Bati na porta com uma suavidade que eu não sabia que era capaz, talvez fosse a reação do meu nervosismo.

– Posso entrar? — perguntei com cautela.

Ela se levantou.

– Claro.

Eu entrei e parei no meio da sala, me sentindo assustadoramente constrangida e ansiosa.

Maura fechou e trancou a porta, o que só me deixou ainda mais nervosa.

Trancar era realmente necessário?

Isso dificultaria as coisas caso eu quisesse sair rapidamente.

Pensamento ridículo é claro, eu nunca fui do tipo que foge, mas desde que tudo isso começou eu tenho violado um pouco meus padrões.

– Então... — comecei – O que queria falar comigo?

– Não tem nem uma leve suspeita?

– Talvez.

– Jane eu esperei pra que você dissesse algo durante o dia todo. Quase tive uma crise de urticária quando menti dizendo que estava tudo bem! — exclamou.

– Por quê mentiu então? — eu não sabia o que estava fazendo, as palavras só saíram.

– Porque eu queria que você falasse, mas conforme a noite chegou constatei que de fato teria que tomar uma atitude.

– Maura...

– Não. Nem tente, porque você não pode simplesmente usar alguma explicação fajuta. O que aconteceu ontem foi incomum, foi inesperado, e por tudo isso nós não podemos deixar de lado, temos que conversar.

– Eu só não sei o que falar. — tinha uma leve ideia, mas a incerteza era maior.

– Tudo bem, eu começo. — sentou no sofá e eu fiz o mesmo – Entendo porque você ficou constrangida quando eu te vi me olhando.

– Maura, eu...

– Me deixe terminar. Eu disse que entendo, e é verdade. Você está descobrindo sentimentos por uma mulher, então é natural que passe a me ver de um jeito diferente.

Certo, tudo estava muito diferente do que eu achei que seria.

– Você acha?

– Eu sei.

– Sabe como?

– Não é preciso ser um gênio pra entender esse tipo de coisa Jane.

– Sinto muito, mas eu não sou tão rápida quanto você. — desviei o olhar e me encostei no sofá.

– Não tem problema, porque agora podemos falar abertamente sobre isso.

– Sobre o que?

– Sua atração por mulheres, e sinta-se a vontade quando eu disser ou fizer algo que te provoque, porque eu posso acabar agindo involuntariamente.

– Está falando sério?

– Sim. Pense bem, já que todas as coisas com as quais estávamos habituadas a fazer juntas, agora se tornarão mais complexas, uma vez que você não possa controlar seus instintos. — disse sorrindo.

– Tem ideia do quanto isso parece estranho?

– Não pra mim. — aquele tom sincero que eu conhecia tão bem.

– Nós somos amigas... — comecei e ela assentiu – Você não deveria achar normal, pelo menos não assim tão rápido.

– Por quê não? Rachel e eu éramos amigas também. — sorriu.

Usando Rachel como exemplo?

Estava comparando as situações?

Se estivesse, aquilo poderia ser um sinal de que ela via uma semelhança.

Mas isso era bom ou ruim?

– É diferente. — me surpreendi ao só ser capaz de dizer aquilo.

– Eu sei, afinal, Rachel tinha sentimentos por mim que você não tem.

Aquele tom, aquele olhar...

Ela parecia tão triste.

Mas por quê?

– Você disse que não era amor.

– E não era. Mas eu falo de outras coisas, como uma paixão ou algo do tipo.

– Ah. — suspirei.

Silêncio.

– Ainda não se sente confortável com isso não é? — perguntou.

– Às vezes parece que você lê meus pensamentos.

– Isso seria impossível.

– É, eu sei. — fechei os olhos e joguei a cabeça para trás – Maura, eu mesma me odeio por fazer disso algo tão complicado, mas não consigo agir de outro jeito. — confessei ainda sem abrir os olhos.

– Realmente não deve ser fácil pra alguém como você.

– Alguém como eu? — perguntei ao olhar para ela.

– É, quero dizer, criada em uma família católica, que possuí padrões e crenças.

Direto ao ponto!

– É, minha família é realmente um obstáculo e tanto. — admiti.

– E pretende superar ele?

– Eu gostaria, mas não sei como.

– Conversar seria um bom começo.

– Não é tão simples.

– Não é se você não quiser que seja.

Aquela frase não me era estranha, já tinha ouvido isso antes, mas onde?

Lembrei!

“Não é se você não quiser que seja...”.

Maura me disse a mesma coisa no meu sonho, e estava repetindo ali bem na minha frente em uma cena que eu sabia que era real.

Falávamos de um assunto diferente, mas que girava em torno do que eu sentia por ela, claro que sem o conhecimento dela.

Não é?

– Por onde eu começo?

– Sua mãe, ela merece saber Jane.

– Eu tenho medo.

– Eu sei. Mas estou aqui.

– Mesmo? Quer dizer, não tem medo de mim agora que sabe que não pode mais trocar de roupa na minha frente?

Ela riu.

– Contanto que você não me agarre.

Um simples comentário, o que eu deveria dizer?

– Não se preocupe, somos amigas, não existe a menor chance disso acontecer.

Sério Jane?

Isso é melhor que você pode dizer?

Uma mentira tão crua assim?

Sim, porque as chances de agarrar Maura se tornavam maiores a cada dia.

Então por quê desviei da verdade de um jeito tão violento?

Percebi que ela se retraiu e levantou do sofá, andando até a mesa.

– Bom saber.

Sentou na cadeira.

– O que está fazendo?

– Algumas pesquisas.

Mais silêncio, eu não podia continuar com aquilo.

Me levantei.

– Eu já vou, estou cansada.

– Ok.

– Maura...

– O que? — olhou para mim.

– A porta, você tem que destrancar a porta.

– Oh, é. — levantou e abriu a porta – Pronto.

Eu já estava saindo quando lembrei de algo.

– Ah, Maura! — chamei e ela virou para mim.

Seus olhos brilhavam com algo que eu diria ser curiosidade.

– Sim? Quer me dizer algo?

– Ah... Minha chave, quero saber se você ainda está com a minha chave reserva.

Agora parecia estar decepcionada.

Mas por quê?

Será que ela esperava que eu dissesse algo diferente?

Mas o que?

– Claro. — deu meia volta e pegou sua bolsa, revirou-a por um instante – Aqui.

Me entregou a chave.

– Obrigada, eu ia pegar ela mais cedo, mas esqueci.

– Tudo bem.

– Bom... Você vai embora que horas?

– Logo, só preciso terminar umas coisas. — sua voz estava melancólica, e eu queria tanto entender o porquê.

– Certo, boa noite.

– Boa noite.

Me virei e saí.

Não tive coragem de olhar para trás, Maura parecia tão chateada.

Mas com o que?

Eu teria feito algo?

Entrei no elevador e guardei minha chave no bolso.

Ela agia tão naturalmente com aqueles assuntos, tudo era tão fácil nas palavras dela.

Queria que pra mim fosse do mesmo jeito.

Por quê eu sempre complico tudo?

De todas as coisas que ela disse, uma delas eu não podia contestar: precisava falar com minha mãe.

Ela era o ponto principal, era quem mais merecia saber a verdade, e o quanto antes melhor.

Não fazia a menor ideia da reação que teria, já que sempre me imaginou casando e tendo filhos.

Como seria essa conversa?

O que mudaria?

Seja lá o que fosse, o fato era que depois de resolver tudo com minha família, o próximo passo seria encarar minha paixão por Maura.

E mesmo depois de tudo, eu ainda não sabia ao certo o que fazer, como agir e nem por onde começar.

Ainda mais depois dessa nossa última conversa, na qual tive tantas chances de dizer a verdade, mas mesmo assim menti.


Continua...


Notas finais
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