Um Sangue Doce
8 Capítulo 8
Hoje é o dia em que a trégua acaba. O dia em que vamos testar as nossas forças. É o Grande Encontro. Ninguém sabe dizer se realmente terá uma guerra, mas não posso ver o Grande Mal sozinha, seria um péssimo deslize, sobretudo com Lisa Watson rondando nossa cidade. Não a vi desde o incidente em Londres, e não sei o que ela fez, mas nada daquilo foi comentado nos jornais ou em outras mídias. Bem, espero que continue assim.
Parei pela primeira vez para pensar no significado de tudo isso: Alfws, bruxas, Coroa de Sangue, o Grande mal e tudo faz mais sentido agora.
Os Alfws. Um grande Clã de vampiros que não possui o Controle, sendo originados dos primeiros vampiros, são uma espécie incapaz de sobreviver sem sangue humano. Sempre estiveram em guerra com o nosso Clã: Os Eghy. E desde a existência do Sobrenatural, caçam a Coroa de Sangue como se fosse a coisa mais preciosa que se pode achar. Em questão de segundos, a Coroa de Sangue — uma preciosa taça de ouro- pode te tornar o ser mais poderoso existente na terra.
As bruxas. Foram elas que criaram a Coroa de Sangue, feita do coração da primeira bruxa. Criaram a taça para que um dia pudessem fazer o seu clã se tornar tão forte quanto a ancestral, mas como os feitiços foram se perdendo com o tempo, elas esqueceram da sua importância e a taça ser roubada pelos vampiros. As bruxas desde então se aliaram ao nosso Clã se em troca conseguíssemos tomar a Coroa de Sangue dos Alfws que a haviam roubado no passado. Mas o problema foi que a taça havia sido levada ao Grande Lorde das Trevas para fazê-lo mais forte, e agora estou arriscando algo que não sei se têm tanto valor: O meu sangue.
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Agora que Mellody está de volta eu decido falar com ela primeiro, antes que a gente vá para a Colina dos Graves Sons. Passamos muito tempo sem conversar e isso não parece ideal, já que a bruxa é minha melhor amiga.
Vou até o bosque perto dos trailers dos lobisomens e a espero. Quando sinto a sua presença, e levanto e vou até ela para abraçá-la.
—Eu estava com saudades. E você sabe que precisamos conversar então...— eu indico o banco de madeira perto de uma árvore ali, e Mel senta-se logo depois de mim.
—Eu também estava com saudades, só precisava pensar um pouco sobre o que aconteceu, mas eu preferia ter ficado, porque quando chegamos na reserva dos Denvers, descobri muitas coisas que minha avó havia escondido de mim ,e doeu muito descobrir que ela é um monstro. — Eu apenas assinto enquanto ela fala aquilo com a voz embargada, então eu a abraço.
—Mas você é forte, Mel, e uma bruxa poderosa. Eu apenas não deveria ter deixado nada disso acontecer. Me desculpe.
—Não, Ellie, eu não deveria ter deixado nada disso acontecer. — Ela diz com a voz firme, enquanto seca as lágrimas em meio a fungadas causadas pelo choro repentino.
Começo a pensar em como ela estava lidando com tudo isso, porque apesar de tudo, Mellody era apenas uma adolescente com vários anos conservados por magia, a conheço há séculos por isso, e eu uma vampira de quase 300 anos. Ela lida melhor com as coisas, até mesmo do que eu consigo lidar.
Ficamos sentadas em silêncio, durante horas, até anoitecer e Marx vir nos chamar para irmos ver o Grande Mal. Chegou a hora de enfrentar o tão adiado momento.
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A Colina dos Graves Sons estava clara graças a lua cheia, o cheiro de mato verde subia no ar e os uivos dos lobisomens, já transformados, se tornavam cada vez mais constantes.
Senti uma forte palpitação no peito, como se eu precisasse mais uma vez de oxigênio. Se eu conseguisse chorar, com certeza eu o faria, mas essa é uma dor que fica acumulada aqui dentro.
Via-se de longe o exército do Lorde das Trevas, com o seu mestre como guia, e observei os pêlos dos lobos se eriçarem por trás das árvores. Á minha esquerda, há uns cinco metros, estava Lisa Watson, como que esperando a nossa derrota, e não pude deixar de notar um sorriso em seus lábios.
Ao se aproximar de nós, faltando cerca de três metros para nos tocar, o Grande Mal que estava com uma grande capa cobrindo o seu rosto, sem revelar a sua temida identidade, gritou:
— Bruxas, vampiros e lobisomens! Ordeno pelas Leis Sobrenaturais do Sangue, que deixem a vampira que convocou o acordo, ir até mim. — Dando um passo para a frente e estendendo a mão em minha direção, o Lorde das Trevas espera.
—Não! Você não pode fazer isso, Ellie. — Thomas que estava segurando minha mão até agora, grita para que todos que estavam ali, escutassem.
—Está tudo bem, Tommy. Ouça, não quero ter que lutar com você para conseguir essa conversa com o Grande Mal.
—Mas sabemos que não irá voltar, Ellie, e se voltar não será inteira. Por favor, Marx, me ajuda aqui, ela também é sua responsabilidade. — Ele recorre ao outro vampiro, com um pouco de esperança.
—Não posso obrigá-la a ficar, Thomas. A perdi uma vez porque fiz o que ela não queria que eu o fizesse, sei que ela quer ir. Se der errado, ela vai saber que tentou. —Marx fala, mesmo que eu visse em seus olhos que ia doer me deixar ficar nas mãos do Lorde das Trevas.
—Pode não ser o que você deseja, mas é o que eu preciso fazer, Thomas. — Eu digo soltando facilmente o meu braço das mãos de Tommy que agora me olhava com uma confusão misturada com uma fração de fúria.
Me dirijo até o Lorde do mal, e seguro em sua mão, que curiosamente parecia mais gelada que a minha. Como eu podia sentir o frio, tocando sua mão?
— Exército dos Eghy, voltem para o seu Refúgio do Clã, a Blackrun ficará comigo durante um tempo, para que ela possa saber o necessário da sua existência.- o Grande Mal disse severamente, com uma voz forte e grave, fazendo todos recuarem, exceto Thomas e Marx, eles começaram uma discussão entre si até que por fim também foram embora.
Olho para o Grande Lorde, tentando em vão ver o seu rosto, e me sinto incrivelmente patética perto de seu supremo poder.
—Sigam para o palácio, lordes guerreiros, ficarei com a vampira durante algum tempo.
Observo atentamente vários mantos vermelhos esvoaçarem de volta para o palácio deixando a mim e ao Grande Mal, sozinhos.
Sinto que através do seu manto negro, ele me observava como se não tivesse o que me explicar ou o que pedir, então quando o silêncio entre nós se tornou algo insuportável, o Lorde diz:
—Venha, Elouise Blackrun, vamos para meu Palácio de sangue. — Fala com uma voz cansada como alguém que está com saudades, mas o que flutua em minha mente é:
Porque ele diz o meu nome como se eu fosse tão importante?
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No outro dia, depois de uma longa noite olhando pelas janelas do Grande Palácio, começo a andar pelos corredores do misterioso castelo. Havia muitas coisas que eu não compreendia, mas de tanto pensar, acabo percebendo que A Coroa de Sangue não importava, não para o Grande Mal, ele apenas queria que a luta entre os vampiros, pela taça, acabasse.
Sigo pelo corredor que agora eu estava, onde era uma parte um pouco escura do castelo e descubro uma grande sala cheia de livros, como se fosse uma Biblioteca. Ao entrar na sala, percebo um leve cheiro de mofo e que parecia não ser usada há muito tempo. Começo a olhar nas prateleiras, os livros que me chamam a atenção. Estavam organizados em ordem alfabética, e por costume, vou na letra B da quinta prateleira, começo a passar o dedo indicador nos livros até me surpreender quando meu dedo para no livro: "Os Blackrun".
Pego o livro e o coloco sob a roupa que eu estou usando, mas quando saio da sala sinto como se alguém estivesse me observando, como no outro dia na floresta, então corro de volta para o quarto.
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