Notas iniciais
Hey pessoal... Bem... Depois de literalmente um ano eu resolvi dar as caras. Infelizmente e felizmente estou repostando a história e vou explicar o porquê. Eu li e reli ela várias vezes, e muitas ideias me passaram pela cabeça. Eu quis arrumar alguns erros de escrita, continuidade, enredo, trama e mais algumas coisas que eu creio que vai deixar a história ainda melhor. Antes que me perguntem, eu não estou repostando a "mesma" história. Ela tem capítulos, cenas e eventos novos, novos personagens, mais desenvolvimento para os personagens que já tinham antes e mais algumas surpresa. Espero que realmente não desistam de mim e da história e saibam que agora a frequencia de postágem será diária, então não se preocupem... Eu tenho capítulos suficientes para ficar seis meses postando, fora os que já estão sendo escrito, por isso podem ler sem medo de eu desestir, pois sim, URNR terá um final. Sem mais delongas, aqui está o primeiro capítulo e se tudo der certinho, como a postagem é feita todos os sabados, talvez antes eu poste a continuação. Beijos pra todos e boa leitura.

Dezembro de 2018

Era o último dia de aula, e a turma do terceiro ano estava fazendo um jogo de futebol de despedida. Todos estavam se divertindo e aproveitando ao máximo toda aquela última partida juntos, pois mesmo que todos jurassem que manteriam contato após o ensino médio, a maioria sabia que não era assim que as coisas funcionavam, pelo menos não para todos e até muitos diziam apenas da boca pra fora, pois queriam mesmo era se verem livres de tudo e todos daquele lugar.

Num canto mais afastado do local, um garoto do segundo ano assistia com atenção tudo o que acontecia na quadra do colégio, mas não por conta do jogo em si, mas sim por causa dos jogadores, ou melhor dizendo, jogador no singular.

Anthonny se sentia nervoso e ansioso, podendo se dizer até mesmo assustado, mas ainda assim um resquício de determinação brilhava em seu interior. Por aquele ser o último dia de aula da turma do terceiro ano, aquela seria sua última chance de ser notado pela pessoa que habitava seu coração e embora não fosse alguém muito corajoso e de atitudes, ele tinha preparado tudo para ser perfeito.

“É hoje que eu me declaro para a pessoa que é dona dos meus sentimentos.” — Anthonny pensou sentindo seu corpo tremer.

E lá estava tal pessoa na quadra, jogando no time dos sem camisa, sendo sem dúvida alguma o melhor jogador de ambos os times.

Piers Nivans.

Desde a primeira vez que Anthonny o viu, ele não conseguiu controlar o que sentiu, mesmo que isso soasse o mais clichê possível, porém isso não importou nenhum pouco em sua concepção, pois foi o melhor sentimento que ele já sentiu. E sejamos sinceros... Quem não é ao menos um pouco clichê hoje em dia?

Piers tinha os cabelos loiros cortados de maneira rebelde, um par de olhos azuis esverdeados que alternavam a tonalidade sempre que seu humor mudava ficando mais claro quando estava feliz ou empolgado e mais escuro quando estava chateado ou irritado. Seu rosto havia um ‘que’ angelical que demonstrava extremamente o inverso do que ele realmente era. Um sorriso sedutor com dentes brancos, perfeitos e alinhados, corpo másculo e bem desenvolvido, além de muito alto mesmo para uma pessoa de dezessete anos. Fora o charme que, mesmo que involuntariamente, emanava naturalmente encantando todos por onde passava. Ou pelo menos isso era o que Anthonny pensava sobre o mesmo.

O término para o fim do jogo veio com um apito dado pelo professor de educação física que ficou responsável por ser o juiz da partida. Todos os jogadores foram se dispersando em direções diferentes, e Anthonny viu essa como sua deixa.

O moreno segurou firme uma garrafa d'água em suas mãos e correu em direção ao Piers tentando equilibrar os óculos no lugar por conta dos movimentos bruscos gerados pela correria desenfreada.

Quase tropeçando no caminho, ele finalmente havia alcançado o loiro que usava uma toalha de rosto para secar todo o suor que escorria até seu pescoço. Pies estava ofegante e concentrado no que fazia, ao mesmo tempo que estava de costas e completamente alheio à presença de Anthonny que se viu travado pela proximidade do garoto que gostava, sem conseguir produzir um único som sequer.

Quando Piers virou-se para sair da quadra, ele acabou batendo com seu corpo em Anthonny, o que o deixou surpreso ao ver o pequeno adolescente de cabelos grandes e óculos de armações grossas segurando uma garrafa de água enquanto encarava o chão como se fosse a coisa mais interessante do muito.

— É pra mim? — Inquiriu confuso, enquanto Anthonny balançava a cabeça em concordância, embora ainda não desgrudasse seus olhos do chão ou pronunciasse qualquer som que fosse. — Valeu! — O loiro franziu o cenho pegando a garrafa das mãos do mais novo, porém esse não lhe encarou novamente, ou se pronunciou. Era como se estivesse petrificado no lugar. — Está tudo bem? — Piers deixou um sorriso escapar, porém antes que ele pudesse fazer qualquer coisa, ele escutou seus melhores amigos lhe chamarem.

— Piers?! Vamos logo, a gente quer conversar com você! — Piers olhou para trás e viu a imagem de Liam, o dono da voz, junto com Trevor lhe acenando freneticamente. O loiro olhou uma última vez para Anthonny, porém não demorou a lhe dar as costas e seguir em direção ao amigos.

Anthonny assistiu o mais alto se distanciar cada vez mais e se amaldiçoou por ter travado.

Eu só fiz papel de idiota, agora o Piers vai ficar pensando que eu sou um maluco.” — Pensou frustrado.

O moreno não podia acreditar que ele chegou tão próximo de ter uma interação com o mais velho, porém nada aconteceu por sua culpa, o que era ainda pior. Porém, depois de respirar fundo, Anthonny sacudiu a cabeça para espantar qualquer coisa que lhe atrapalhasse naquele momento e seguiu saiu em direção à sala do terceiro ano. Sabia que Piers, Liam e Trevor estariam lá, pois teriam que buscar suas bolsas para irem embora.

No caminho até a sala de Piers, alguns pensamentos fizeram com que seus passos, antes decididos, agora fossem mais lentos e receosos. O moreno tinha em mente que não tinha muitas chances, ou até mesmo chance alguma. Piers tinha literalmente TODAS as garotas do colégio aos seus pés, e até mesmo alguns garotos, como Anthonny, e este não se achava o suficiente para entrar na competição. Anthonny era um rapaz de pele pálida, numa combinação de corpo alto e magro, embora fosse ainda bem menor do que o Piers, mas o loiro é quem era alto demais. Tinha cabelos grandes na altura dos ombros, óculos grandes de lentes grossas cobrindo praticamente a metade do rosto, e embora ele não se achasse de todo mal, ele sabia, ao menos era o que ele pensava, que não chegava nem perto da beleza dos outros alunos do colégio.

Porém mesmo com esses empecilhos, sendo a maioria psicológica, o moreno estava decidido em confessar tudo o que ele sentia para Piers. Ele até havia feito um cartão que, embora ele soubesse que era um tanto bobo e clichê, demonstrava seus sentimentos, ou parte deles.

Para: Piers

Pra mim você é o melhor...

Eu gosto MUITO de você

De: Anthonny Alexander

Anthonny olhou novamente para o pedaço de papel, contendo sua letra cursiva e caprichada. Era algo simples, porém é de coração e ele esperava que Piers entendesse isso e, principalmente, entendesse como ele se sentia em relação ao loiro.

Anthonny também havia comprado um presente para Piers, presente esse que de simples não tinha nada. O moreno sabia que estava sendo extravagante e nem sabia se o loiro iria aceitar seu presente ou até mesmo seus sentimentos, mas agora já era tarde demais, pois ele já havia comprado e estava decidido a fazer tudo o que planejou.

Lucas, o melhor amigo de Anthonny, disse pra ele que não era uma boa ideia, que Piers não parece ser o tipo de pessoa que aceitaria algo do gênero, mas embora o loiro seja alguém difícil de lidar, Anthonny não o imaginava sendo agressivo ou até mesmo desrespeitoso com outra pessoa.

“Pelo menos eu rezo a todos os deuses que não.” — Pensou sentindo um certo desconforto na espinha. Anthonny sempre acreditou no melhor das pessoas, onde os outros costumam lhe chamar de trouxa, por isso, porém não iria ser diferente com aquele que amava.

Chegando ao corredor que levava em direção à sala do mais velho, Anthonny começou a rever seu plano em sua mente. Ele iria pedir para falar com Piers em particular, afinal ele provavelmente estaria na presença dos melhores amigos, iria rezar para que o loiro não ignorasse ele, e diria tudo o que sentia entregando o presente e o cartão no processo.

“É um bom plano, certo?” — Anthonny indagou para ninguém em específico se sentindo cada vez mais nervoso e ansioso.

— Que droga Liam, para de me encher o saco. — Anthonny conseguiu escutar a voz de Piers, e o loiro não parecia muito contente, afinal estava discutindo com o melhor amigo.

Sem fazer muito barulho, o mais novo se aproximou da sala a fim de escutar a conversa alheia. Ele sabia que aquilo não era uma coisa legal de se fazer, porém sua curiosidade falou mais alto.

— Qual é Piers, é só responder. — A voz de Liam também era audível, embora mais baixo.

“Por que eles estão discutindo? Eu nunca vi eles brigarem uma única vez.” — Anthonny se questionou confuso.

— Só para de falar sobre isso. — Piers pediu irritado.

Anthonny tentava se aproximar cada vez mais da sala dos garotos, se postando ao lado da porta do lado de fora, rezando para que ninguém saísse da sala de surpresa, pois seria muito constrangedor ser pego por escutar a conversa alheia.

— Eu só quero ter certeza, a nossa amizade não vai mudar por causa disso. — Liam falou tranquilamente, fazendo com que Anthonny criasse várias teorias sobre o assunto, afinal ainda não sabia do que é que eles estavam falando.

— Liam... Eu vou novamente perder meu tempo e dizer a mesma coisa que eu te disse das outras vezes. Eu gosto de GAROTAS! — O loiro afirmou dando ênfase na última palavra.

Nesse momento, o corpo de Anthonny começou a tremer involuntariamente, sentindo seu coração espremer dentro do peito... Ele já sabia disso, na verdade ele sempre soube, porém o seu espírito adolescente e sonhador o colocou nessa situação. A única coisa que o moreno sabia naquele momento era que todo o seu plano foi por água abaixo e que seria tolice se ele dissesse o que sente ao mais velho.

— Tem certeza Piers? — Dessa vez era a voz do Trevor, porém sua entonação era mais branda e amena, quem sabe até cautelosa.

— Vocês dois estão realmente procurando um motivo para que a gente brigue não é? — Piers perguntou frustrado. — Nós somos ou não amigos? — Indagou chateado.

— E se um homem se declarar pra você, o que você faria? — Liam perguntou interessado.

Nesse ponto da conversa, até Anthonny se interessou. Não que ele fosse mudar de ideia e se declarar para o mais velho, porém pelo menos ele gostaria de saber a reação que Piers teria se o fizesse.

— Eu o rejeitaria, porém agradeceria já que querendo ou não é um elogio. Se ele insistisse eu o deixaria falando sozinho. Só de pensar nisso me dá até arrepios. — Piers respondeu enfezado, porém Anthonny teve certeza de que conseguiu sentir o nojo na voz do loiro.

O coração de Anthonny começou a doer ainda mais e o moreno se sentiu ridículo por estar ali segurando aquela caixinha com o pingente e o papel em mãos. Tudo o que ele queria naquele momento era sumir.

— Não precisa fazer essa cara Piers. — Trevor falou com a voz sorridente.

— Foi só uma pergunta. Perguntar não ofende e a gente não iria gostar menos de você se você resolvesse curtir linguiça. — Liam brincou.

— Eu já disse que eu não sou gay, desgraça. Eu gosto de garotas. A próxima pessoa que tocar nesse assunto vai levar um murro tão grande na boca que irá ficar meses sem falar comigo. — Piers ralhou exasperado.

Aquela foi a gota d’água. Anthonny sabia que não havia mais motivos para continuar onde estava, porém antes que ele pudesse começar a se mover, um soluço do choro que estava segurando escapou de seus lábios, o que o assustou quando escutou a voz confusa de Trevor.

— Tem alguém aí? — Anthonny escutou o garoto perguntar.

Instintivamente o mais novo saiu correndo, dobrando o corredor da maneira que podia, quase caindo no processo. Continuou correndo como um desgovernado e quando se deu conta ele já estava no banheiro, em frente ao espelho olhando sua situação. Os olhos vermelhos, cabelo bagunçado, lente dos óculos embaçada, roupa amarrotada…

“Que lástima.” — Forçou um sorriso em meio ao pranto.

Ele não queria que ninguém o encontrasse daquela maneira. Chorando como uma criança por exatamente nada. Por que foi isso que aconteceu, nada. Ele não se declarou, não entregou o presente para Piers e muito menos conversou com o loiro, mas ainda assim ele não conseguia parar de chorar. Mesmo que as palavras de Piers não tivessem sido direcionadas para ele, Anthonny ainda sentia-se machucado por tudo o que ouviu.

“Pelo menos eu fui poupado de uma humilhação histórica.” — Pensou tentando se acalmar, embora nem esse pensamento conseguia aliviar o que estava sentindo.

O enorme espelho na frente do moreno trazia o que ele pensava ser sua realidade: Um garoto desengonçado, feio e principalmente fracassado. Sem ter mais por que estar alí, principalmente por ser seu último dia de aula daquele ano, Anthonny pegou um pedaço de papel toalha do suporte e secou os olhos, assim como os óculos, colocando a caixinha dentro de seu bolso e seguindo em direção à sua sala para buscar sua mochila, torcendo para não encontrar ninguém em seu caminho, o que por sorte não aconteceu. Ele sabia que Lucas provavelmente já teria ido embora, porém não seria muito sacrifício ir andando para sua casa.

Tudo o que ele queria era deitar em sua cama e chorar ao som de alguma música triste.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar, pois realmente vai me motivar a continuar essa história. Beijos e até o proximo ♥