Notas iniciais
Gostaria de agradecer aos que leram e comentaram o capítulo passado. É por vocês que eu continuo postando ♥ Por isso resolvi antecipar o capítulo. Espero que gostem

Anthonny Point of View...

Já se passavam das seis da tarde e o sol já está sumindo. O céu está alaranjado e o clima está agradável. Vários alunos se encontram presentes para o trote, embora muitos não tenham vindo. A participação do trote não é algo obrigatório e eu confesso que pensei sinceramente em não vir, porém é uma experiência legal que ficará guardada na minha memória pra sempre, como o próprio Alemão me disse.

Espero de coração que seja uma boa experiência, pois caso contrário eu vou chutar as bolas daquele loiro bastardo até sair pela boca.

Estamos numa das quadras da universidade, onde muitas pessoas se encontram conversando, rindo e se divertindo, enquanto aguardamos as instruções dos nossos veteranos sobre o que teremos que fazer.

Eu consigo reconhecer alguns rostos que me são familiares do colégio que eu estudei no ensino médio, embora a maioria ainda me seja desconhecida. No grupo do qual eu pertenço, a enfermagem, posso ver claramente que temos muito menos estudantes do gênero masculino do que do feminino, mas sei que muitos ou não vieram para o trote ou não chegaram ainda.

Vale ressaltar que os “masculinos” que estão presentes nem são tão masculinos assim, se é que vocês me entendem. Acho que nem o Lucas se compara nesse quesito, ou talvez se compare se formos analisar sua conduta e maneira.

E falando no Diabo, me desculpando com Lúcifer por isso...

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

Meu celular toca, com o barulho se destacando entre as vozes presentes, fazendo com que muitos me olhem ao perceber que o mesmo me pertencia. Eu definitivamente preciso trocar o toque do meu celular e com urgência. Sério… Ou então colocar ele no modo silencioso de uma vez.

— Alô. — Atendo, já sabendo que era o Alemão, mesmo sem nem precisar ver seu nome no meu identificador de chamadas, já que só ele me liga nesses momentos pra me fazer passar vergonha.

— Onde você está Thonny? — Escuto ele gritar por conta do barulho à sua volta.

— Nesse momento, eu estou parado ao lado da entrada do ginásio. — Respondo elevando meu tom vocal para que ele consiga entender. Realmente o barulho está fora do comum.

— Não sai daí que eu estou chegando. — Ele fala desligando.

O filho da puta nem disse tchau, simplesmente desligou na minha cara. Educação mandou lembranças, embora ele provavelmente enfiaria a lembrança no cu, mas não vem ao caso.

Não demora muito para que o Alemão venha em minha direção. Ele estava vestido com um sobretudo de capuz tapando todo o seu corpo, só conseguindo ser possível enxergar o seu rosto. Essa era a grande ideia que iria surpreender a todos? Algo de errado não está certo.

— Eita porra, como você está gostoso! — O idiota exclamou alto, com mais empolgação que o necessário, fazendo com que todos olhassem em nossa direção.

O mico bateu em minha porta e eu… A-bri! Senhoras e senhores, agora eu to no chão!

— Obrigado, eu acho. — Dou um sorriso acanhado como resposta.

— Mas qual a sua fantasia afinal? — Pediu confuso, me olhando de cima a baixo. — Garçom sexy? — Arriscou com um sorriso.

É sério Alemão?

— Eu estou caracterizado como o Kai no “MV” Love Shot. — Expliquei óbvio.

— Mas por que o Jorginho? Por que não se fantasiou de “Poste com orelhas” ou de “SatanSoo”? — Indagou com um sorriso debochado.

— Porque ele é o meu preferido, tirando o Lay. — Dou com os ombros. — Fora que nos Dance Practices da vida, eu sempre faço as coreografias dele, então não tem sentido eu representar outro. — Continuo despreocupado.

— Se você diz. — Revirou os olhos entediado. — Ainda não acredito que você vai dançar KPop. Você está pedindo pra ser zoado. — Ou poderia ao menos dançar BTS que é um pouco mais conhecido.

Filho da puta abusado. Minha “fantasia” consistia num terno e gravata com os botões abertos, deixando meu peito à mostra. Eu tenho vergonha por conta disso? Com certeza, mas faz parte da caracterização para a performance.

— E quanto a você? Por que está fantasiado de Comensal da Morte? — Questiono curioso.

— Essa não é a minha fantasia. Eu a estou cobrindo, assim dá pra pegar todo mundo de surpresa. — Respondeu animado. — E aí gatinha. — Acenou para uma moça de etnia negra, com cabelos cacheados e roupas minúsculas. — Acho que ela vai interpretar a Globeleza. — Apontou entusiasmado.

— Mal posso esperar. — Dou de ombros, indiferente.

Enquanto esperávamos o início do trote, o Alemão e eu continuamos conversando sobre idiotices, comentando sobre as fantasias alheias e outras trivialidades. Algumas pessoas interagiam com a gente e a princípio eu pensei que elas estivessem interessadas no Alemão, mas por incrível que pareça, e acreditem quando eu digo que eu realmente não esperava por isso, elas também deram em cima de mim.

Em todos esses anos nessa indústria vital, essa é a primeira vez que isso me acontece, sério.

Eu não sou uma pessoa convencida e minha autoestima é uma bosta, porém eu comecei a me sentir melhor comigo mesmo, me achando mais atraente depois da mudança que o Alemão fez no meu visual e receber investidas de pessoas que eu nunca vi na vida só faz com que eu me sinta ainda mais feliz, embora eu não corresponda ninguém deles.

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

Eu não acredito que essa droga de celular está tocando nesse momento. Olho de soslaio para o Alemão, que começou a rir do meu toque, e pela segunda vez as pessoas olham pra mim por causa disso. Eu vou matar o Lucas, já que foi ele quem colocou essa merda de música para tocar nas chamadas.

— Quem será o corno que está me ligando agora? — Comento em voz alta, rezando para que não sejam minhas mães ou meus pais.

Olhando para o identificador de chamadas, fico surpreso com o nome que aparecia. Théo!

Isso mesmo, meu gato tem um celular e ainda por cima é melhor do que o meu, diga-se de passagem.

— O que foi Théo? — Bufei ao atender a ligação.

Nesse momento vejo o Alemão olhar pra mim com os olhos arregalados ao me ver falando com meu gato no celular.

Miaaaau! (Você é um humano cruel!)— Consigo escutar ele gritando do outro lado.

— Mas ‘cê tá brava? — Pergunto confuso.

Miaaau?! (Você acha?!) — Théo respondeu sarcástico.

— Não use esse tom de miado comigo! — Repreendo sério.

Miaaau miaau miau! (Você esqueceu de colocar meus petiscos!) — É sério isso? Meu gato está brigando comigo porque eu esqueci de colocar o Whiskas Sachê pra ele?

— Desculpa, eu estava com pressa. — Falo sem graça.

MIAAAAU! (Isso é inadmissível!) — Meu gato está gritando comigo? É sério isso produção?

— Abaixa esse tom de voz comigo mocinho, senão... — Ameaço impaciente.

Miaaau miaau miau… (Depois não vem reclamar quando encontrar uma surpresinha em cima do seu jogo de camas novinho…) — Ele fala baixinho, porém eu consigo entender, ficando chocado com o que eu escuto.

— Theobaldo Sallén Juanito Ecos Von Der Holstein Murray, se você ousar em cagar no meu edredom como protesto por eu esquecer a droga do seu Whiskas Sachê eu vou castrar você. Literalmente. — Repreendo indignado.

Miau! (Isso é uma injustiça!) — Reclamou exasperado.

— Faça isso e diga adeus às suas bolinhas, seu gato abusado. — Advirto uma última vez antes de encerrar a ligação.

Depois de guardar o meu telefone no bolso, eu olho para o Lucas, que está com os olhos tão arregalados que se alguém der um tapa em sua nuca eles saltam pra fora. Sua expressão era incrédula e antes que ele pudesse tecer algum comentário sobre o assunto eu inicio antes dele.

— Se disser alguma asneira, é as suas bolas que eu vou cortar. — Digo seriamente, olhando de maneira ameaçadora pra ele.

O mesmo levanta as mãos em sinal de rendição, dando um sorriso amarelo como resposta.

— Garoto esperto. — Sorrio satisfeito.

Agora é só esperar pelo início do Trote…

# # # # # #

Eu poderia dizer que teria sido melhor ficar em casa para ver o filme do Pelé, mas estaria mentindo. Várias apresentações foram feitas e até cheguei a pensar que isso demoraria uma eternidade, porém não foi bem assim.

Muitos se apresentaram em grupos, o que encurtou bastante o tempo de apresentações. Mesmo sendo um trote, nossos veteranos estão nos tratando bem e com respeito, embora uma ou outra frase é solta por eles apenas para nos constranger, mas estamos levando tudo na esportiva. Isso está sendo divertido.

Neste exato momento estou me reverenciando sobre o palco, agradecendo a platéia pelos aplausos, assovios e elogios. Eu dancei uma música do Exo, Love Shot no caso, e, mesmo pensando que seria vaiado, humilhado ou coisas do gênero, me saí muito bem. O pessoal me incentivou, fui bem recepcionado mesmo dançando K-pop e no final, que foi mais surpreendente, fui aplaudido e elogiado por todos.

Algumas pessoas até me chamaram de gostoso... Podemos comprovar com isso que não tem gente muito normal nesse instituto. Principalmente o Alemão que ficou gritando como um retardado o tempo todo e não me surpreenderia nada ele amanhecer rouco amanhã.

O Alemão me assistia sorrindo, muito orgulhoso de mim e até eu estava. Depois da mudança que ele fez no meu visual me sinto muito melhor comigo mesmo. Minha autoestima está elevada, me sinto bonito como nunca me senti antes e posso constatar isso pela maneira que as pessoas falam comigo e me elogiam. Me atrevo a dizer que estou me sentindo até mesmo sexy.

Acho que estou convivendo demais com o meu melhor amigo, mas é a vida, né? Né!.

Desço do palco um pouco sem graça e sou bem recepcionado pelo meu melhor amigo e meus colegas de curso. Até meus veteranos me elogiaram, isso é incrível. Não consigo deixar de sorrir com a tamanha felicidade que estou sentindo.

— Você foi incrível Thonny. — Lucas deu uns tapinhas nas minhas costas, me abraçando lateralmente em seguida.

— Obrigado. Mas não precisava ficar gritando “gostoso” quando eu estava dançando. — Continuo sorrindo, porém sem graça.

— Eu não estava dizendo nenhuma mentira. — Deu com os ombros despreocupado. — Agora é a minha vez. — Comemorou empolgado, ao escutar seu nome ser anunciado no palco por um de seus veteranos de curso.

— Boa sorte. — Desejo “bagunçando” seus cachos por cima do capuz.

— Pfu... Eu não preciso de sorte meu amigo. Eu tenho talento, sou gostoso e nasci pra brilhar. — Explicou convencido.

— Nossa. — Comento olhando para meu pé. — Acho que pisei em alguma coisa... Parece que foi na sua humildade. — Brinco com sarcasmo na voz.

Meu amigo caminhou em direção ao palco e todos começaram a assoviar pra ele. Tenho que admitir, estou muito curioso com o que quer que ele tenha preparado, já que o bastardo não me contou e nem me deixou ver sua fantasia.

A melodia da música “Woth It” começou a ecoar pelo ambiente, o que me surpreendeu pela sua escolha. Eu gosto dessa música, embora nunca tenha visto o Alemão a escutando.

Porém algo de errado não estava certo...

Victoria's Secrets

Dior

L'oreal Paris

Haha

Que nada!

CARALHO BETO, ME ARREMESSA PRA BEM LONGE DAQUI!

Eu não acredito que ele vai fazer isso. Não pode ser. Tá certo isso Produção? Ele está CANTANDO e DANÇANDO uma paródia? Ele não podia só dançar? Tenho certeza que apenas com isso ele passaria vergonha suficiente pelo resto da vida, mas acreditem em mim quando eu digo que ele já fez coisas piores em público.

Olho à minha volta e percebo a expressão confusa na maioria dos rostos presentes. Eles conhecem a música original e ainda não entenderam que se trata de uma paródia.

Baby eu uso Monange

Uso Monange

Ah, ah Monange

Baby eu uso Monange

Eu nem sei o porquê de estar sentindo tanta vergonha já que não sou eu quem está passando por isso, mas sim... Estou morrendo de vergonha nesse momento. Vergonha alheia.

O pior é que o filho de uma descabaçada andou treinando o canto então sua voz está se saindo muito bem e ele rebola como nenhum hétero jamais rebolou.

Embora a confusão ainda esteja presente na maioria do pessoal, eles começaram a gritar quando o Alemão retirou o seu manto com capuz, revelando sua “fantasia”.

Mano... Ele está apenas com uma cueca boxer branca ridiculamente apertada, um suspensório também branco preso na mesma e de coturno. Esse garoto tem problemas.

Ele é Sexy e Gostoso, mas não altera o fato de ele ter problemas.

Okay, se tu não ter quer ter pele de galinha

Hidrata com creme bom, top de linha

Quer segurar seu macho mais tá ressecada

Abre os par da banda e dá lá uma hidratada

Tenho que admitir que sua apresentação está sendo fantástica... Fantasticamente Gay!

O pior é que o filho da puta realmente tem talento. Seu gosto musical é discutível e estabilidade mental mais discutível ainda, mas sim ele tem talento.

Um segredinho vou contar pra tu

Pra se dar bem e acabar com a pele de urubu

Hidratada, todos vão olhar pra tu

Creme Monange, pode até passar no c***

Não consegui deixar de rir com esse final. Como o Alemão nunca fala palavrão, pra não precisar dizer cú ele mesmo censurou a palavra ao dizer.

Mesmo sendo amigo do Alemão eu nunca o vi falando um único palavrão na vida. Ainda acho isso engraçado, pois um cara maior de idade com quase dois metros de altura falar Astolfo para não precisar dizer a palavra cú ou então Passarinho para não falar Piroca é no mínimo interessante.

Demorei pra aprender

Eu sofria, só no olho de dendê

Usei até creme de bebê,

Mas só Monange que te bota pra fud***!

Pergunta do Capítulo: Se eu fingir que não o conheço, será que esse povo acredita? Esse doido acabou de incorporar a Miley Cyrus no VMA e está fazendo Twerk…

Todo mundo está gritando, incentivando, elogiando e assediando o Alemão que dança praticamente igual a um Gogo Boy tentando seduzir todo mundo e pior, ele está conseguindo.

O Alemão não para de rebolar aquela raba, deslizar as mãos pelo corpo, piscar para a plateia e seduzir todo mundo. Ele é bonito, sexy, másculo – ou nem tanto – e abusa disso.

Só falta ele resolver fazer quadradinho de oito, mas se ele fizer isso eu juro que tiro ele do meu testamento!

Escuta aqui, presta atenção no babado que eu vou te falar

Aham, faça um banho de loja 12x no cartão da C&A

Aham, se valoriza ou bofe nenhum vai te valorizar

Aham, mostra o grito da pantera e joga PPK ressecada pra lá

Esse garoto é todo errado, puta merda. Eu não sei o porquê de ainda esperar menos que uma situação embaraçosa quando se trata do Alemão, sério.

Meu deus, meu deus. Puta que pariu, rola, pinto, caralho, xavasca, porra, merda, droga, cu, porcaria, buceta, piriquita, piroca, eleitores do Bolsonaro e todos os outros palavrões que vocês conseguirem imaginar... Ele está descendo do palco vindo na minha direção.

Pai nosso que estás no céu, que esse maluco não faça o que eu passar mais vergonha ainda. Amém!

Depende só de, só de tu

Se ficar sozinha, que nem uma tribufu

Ponta dupla até no c***

Se não parar de comer

Depois ninguém vai comer você

Não use outra marca, só Monange!

Dê pro seu namorado ele hidrata até peru

Eu gosto bem cheiroso

Não vem com a pele ensebada e com cheiro de fosso

Fodeu a merda toda, mano. Se fodeu alguma coisa, essa coisa foi a merda toda. Abortar missão. Ele está rebolando essa droga de raba pra mim e todo mundo está me olhando surpreso e com um sorriso malicioso.

Tá todo mundo pensando merda agora... Obrigado Alemão.

Um círculo se formou a nossa volta e nós dois estamos no centro dele. O Alemão me olha de maneira provocante enquanto canta e dança. O público está delirando enquanto eu quero bancar um tatu e cavar um buraco para me esconder.

Por que ele tem que fazer isso? Por que ele tem que existir? Com tanta parte dessa paródia para ele cantar se insinuando pra mim, por que ele escolheu justo essa? Por que eu sou amigo dessa desgraça? Por que Deus?

Apenas por quê?

Aham, aprendi com as monas que eu devo me cuidar

Aham, com a pele mais sedosa que a bunda de um neném eu vou ficar

Aham, querida só sua pele oleosa faz ’cê brilhar

Aham, e eu aqui com salto 15 pronta pra sambar

O cretino voltou a caminhar para o palco me deixando com cara de pamonha pra trás. Consigo escutar alguns comentários de pessoas se indagando sobre possivelmente estarmos juntos o que me deixa ainda mais pistola com o Alemão. Isso sempre acontece e parece que aquele projeto de placenta faz de propósito, o que eu não duvido muito, afinal me constranger é seu projeto de vida e se eu realmente estiver certo eu posso afirmar com louvor que ele zerou a vida dele.

Pai nosso que estás no céu, favor receber a alma do meu amigo porque eu vou matar ele. Amém! Embora eu tenha certeza absoluta de que não é pro céu que essa desgraça vai.

E infelizmente nem eu...

Baby eu uso Monange

Uso Monange

Ah, ah Monange

Baby eu uso Monange

Já em cima do palco, o Alemão se senta sobre uma cadeira que em algum momento foi posta lá, o que me deixou tão confuso quanto o restante do pessoal já que ninguém havia reparado nela antes ou viu alguém a colocando no lugar. Consigo ver que sobre a cadeira tem uma corda que também não faço a mínima ideia de como foi parar lá.

O último verso havia sido cantado e como surpreender os outros, além de me fazer passar vergonha, é um dos maiores dons do Alemão ele puxou a corda e uma torrente de água caiu sobre ele, o encharcando assim como todo o palco.

Mano... Ele está todo ensopado e para deixar a situação ainda mais embaraçosa a cueca branca minúscula que ele vestia ficou praticamente transparente, fazendo com que toda a multidão começasse a gritar, assobiar e coisas do gênero.

Credo…

Que delícia...

Digo, que absurdo...

Tenho que admitir que a visão é sedutora e sexy, mesmo sabendo que aquele projeto de demônio é meu melhor amigo.

Uma salva de palmas preencheu todo o ambiente, com o pessoal incentivando e assediando o Alemão. O mesmo está com um sorriso orgulhoso nos lábios, enquanto agradeceu toda a recepção e saiu do palco para caminhar em minha direção.

Por mais que eu esteja tentando, não consigo deixar de reparar em sua cueca minúscula marcando seu pinto que é um pouco maior que o meu, embora o meu fosse ainda mais grosso que o dele.

Sim, a gente já comparou e foi ideia do Alemão. Vão reclamar com ele e não comigo!

— O que achou Thonny? — Pediu empolgado, me olhando com uma expressão travessa.

O que eu respondo? SEM OR...

Antes que eu pudesse lhe dar uma resposta, além de lhe xingar por trazer tanta atenção pra nossa direção, um garoto loiro, um pouco maior que eu porém ainda assim menor que o Alemão, nos abordou com um sorriso nada discreto.

Gente, eu tenho um metro e oitenta e cinco — ou seja eu sou grande para um caralho -, mas ainda assim praticamente todo o elenco da história, assim como alguns figurantes são maiores que eu… O que está acontecendo afinal?

— Hola! — O garoto saudou olhando para Lucas que ficou um pouco confuso.

— Tenho. — A jamanta do meu amigo respondeu franzindo o cenho.

Oi?

— Como estás? — O desconhecido loiro perguntou ainda empolgado.

— Nesse momento ela está mole parceiro. — O Alemão respondeu conferindo seu pinto, esticando o elástico da mesma para ter certeza da resposta, como se não fosse possível notar já que a cueca era ridiculamente minúscula e além de branca ela ainda estava molhada.

Socorro... Por que me destes um amigo tão burro meu deus?

O garoto olhou confuso para o Alemão, não entendendo sua resposta. Eu não acredito que eu estou vivenciando isso.

— Alemão acho que ele está falando em espanhol. — Explico de maneira calma, me segurando para não dar um cascudo em sua cabeça.

— Ata. — Disse com um sorriso sem graça. — Hola señor, me llamo biblioteca. — Comentou orgulhoso da própria façanha por ter conseguido formular uma frase na língua do desconhecido.

— Puta que me pariu Alemão. — Dessa vez não me seguro e dou um tapa em sua nuca, enquanto o garoto olha para ele sem entender e depois para mim por ter batido em meu amigo. — Lo siento, él golpeó la cabeza cuando era niño y se quedó con una grave deficiencia por su cuenta. — Explico sem graça, forçando um sorriso enquanto Lucas massageia sua cabeça por conta do golpe sem prévio aviso.

O garoto assentiu sem entender a situação, se distanciando de nós como se fossemos loucos.

Não o julgo!

Enquanto assistia ele se afastar, recebo um beliscão em meu abdômen me fazendo pular de susto.

— Por que você me bateu? Eu não fiz nada. — O Alemão perguntou emburrado.

— Você nasceu, seu animal! — Respondo acariciando o local beliscado por ele.

— E o que você disse pra ele ter saído dessa maneira? — Pediu em seguida.

— Eu pedi desculpas pra ele e disse que você bateu a cabeça quando era criança e que ficou com uma grave deficiência por conta disso. Você falou de pinto quando ele disse olá e depois disse que o seu nome era biblioteca! Você tem demência? Quer saber? Nem precisa responder. — Revirei os olhos irritados.

— Nossa... Precisava agredir? Você sabe que na escola eu reprovei em espanhol. — Lucas permaneceu emburrado.

— Alemão você reprovou na escola da vida. Você tem que fazer um exame psicotécnico para ser permitido estar vivo. Faça um favor para mim e para a humanidade e não se reproduza, sério. — Adverti mal humorado, andando em direção à saída do local.

— Onde está indo? — Ele perguntou confuso enquanto me seguia.

— Vou tirar essa roupa e me arrumar para a segunda parte do trote. Logo as apresentações vão acabar e eu não estou afim de participar do resto do trote com terno e gravata. — Respondo um pouco desanimado.

— Você quer carona pra ir pra casa? — Ele pergunta preocupado, afinal ele já imagina que a gente não vai conseguir se ver durante o restante da noite já que agora os trotes seriam separados por cursos, sendo cada um num local diferente do campus.

— Se você não se importar, eu quero sim. — Dou um sorriso agradecido.

— Tudo bem então Thonny. Boa diversão e mais tarde eu te ligo para saber onde te pegar. — Ele acenou se distanciando. — E Thonny… — Me chamou fazendo com que eu o encarasse curioso. — Você foi incrível maninho. — Elogiou finalmente seguindo seu caminho me deixando um pouco sem graça.

Meu relacionamento com o Alemão é assim… Tapas, vergonhas, brigas, vergonhas, ofensas, vergonhas e mais vergonhas, mas também é amizade, sinceridade, companheirismo e também vergonhas.

Eu já mencionei vergonhas?

Mas independente de tudo, eu tenho orgulho ao dizer que eu amo o Alemão e que ele é o melhor amigo do mundo.

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

Querem saber de uma coisa? Acabou o amor… Eu definitivamente odeio o Alemão!

# # # # # #

Depois que todas as apresentações acabaram, os veteranos responsáveis por cada curso seguiram com seus respectivos calouros para uma determinada área do campus. O sol já não se encontrava mais presente nos céus, dando lugar à uma bela lua e várias estrelas.

Embora fosse uma noite relativamente quente, estávamos ao ar livre e uma brisa refrescante soprava hora ou outra. A parte do campus que eu e o restante dos calouros do curso de Enfermagem estávamos, assim como nossos veteranos, era uma área aberta, com algumas árvores e um pequeno lago. Fiquei surpreso pela bela paisagem dentro de um local fechado como nossa universidade, mas isso não era a coisa mais importante que assolava minha mente, afinal a segunda parte do trote estava prestes a ter início.

O líder responsável pelo nosso trote era Marcus, um cara que aparentemente é gente boa, embora seja muito mais gay que o Alemão e olha que precisa se esforçar e muito pra isso, muito mesmo!

Será que não tem nenhum homem heterossexual nessa história? Que pena, mas graças a deus!

— Boa noite pessoal. Espero que todos estejam se divertindo, pois o nosso maior propósito é esse. Alguns vão chorar? Provavelmente… Vocês vão passar vergonha? Com certeza! Mas no final das contas eu tenho certeza que vocês irão se lembrar da data de hoje de uma maneira muito especial, sendo ela boa ou não. — Marcus iniciou seu discurso com um sorriso brincalhão.

Meu querido, não importa a vergonha ou constrangimentos que eu vinha a passar por causa desse trote, nada chegará aos pés do que eu passo com meu melhor amigo.

— Como eu pude ver, vocês estão vinte pessoas, então quero que todos se separem em duplas. Deixarei vocês escolherem. — Marcus disse nos dando liberdade enquanto voltou a conversar com outros veteranos.

— Oi… — Uma moça muito bonita de pele negra, cabelos ondulados e um sorriso simpático se aproximou de mim. — Eu sou Katherina, mas pode me chamar de Kat. — Ela se apresentou.

— Olá Kat, eu sou Thonny. — Retribuo com o mesmo sorriso.

Desde que terminei a faculdade, eu meio que parei de me apresentar como Anthonny, onde afirmo para todos que Thonny é meu nome. Não há nenhum motivo por trás disso, eu apenas prefiro assim, tanto que meus pais não se importaram e me deram autorização para entrar com uma ação onde eu poderia me matricular como Thonny Murray na faculdade.

— Gostaria de ser minha dupla? — Kat perguntou de maneira tímida, me fazendo sorrir aliviado, afinal eu nunca me dei bem nesses negócios de escolher parceiros pra trabalhos ou coisas do gênero, principalmente por conta da minha timidez.

— Eu agradeceria muito. — Aceno com a cabeça de maneira positiva, tendo um belo sorriso como resposta.

— Estão todos prontos? — Marcus se pronunciou novamente, sendo nítida sua empolgação.

Fiquei tentado a responder um sonoro “NÃO”, porém me contive, afinal isso poderia ser considerado uma tremenda falta de respeito com meus veteranos, afinal o trote não é obrigatório e eu poderia muito bem estar em casa assistindo o filme do Pelé com meu gato.

— Estão vendo aquele alvo pendurado na árvore? — Indagou apontando para o mesmo onde o item era deveras grande para ser um alvo comum. — Vocês serão vendados e cada dupla vai arremessar um dardo, ambos os locais que os dardos acertarem irão gerar uma pontuação. A pontuação somada por cada dupla irá determinar o tipo de “prenda” que ambos irão fazer. — Explicou deixando todos surpresos. — Ao nosso lado, há três caixas onde nelas contém várias prendas. A caixa vermelha tem as piores e mais pesadas, as amarelas contém as prendas médias e a caixa verde contém as mais leves. — Continuou prendendo a atenção de todos presentes. — E caso a pontuação de vocês forem perfeitas, vocês serão dispensado do trote, porém se ambos errarem o alvo, serão feitas duas prendas como punição. — Finalizou fazendo um burburinho se iniciar.

Em tese realmente tudo parece muito simples, porém não é bem assim… Estaremos vendados então não será tão fácil acertar o alvo e mesmo que acertarmos, as melhores pontuações estão no centro e para acertar a pontuação máxima é preciso ser o próprio Mister M, então escapar do trote provavelmente será uma coisa impossível de se fazer.

A primeira dupla não se deu muito bem onde o primeiro rapaz errou o alvo e o segundo, por pouco, acertou a borda extrema do mesmo. Pelo menos eles não iriam fazer duas prendas, mas a pontuação foi a menor possível, então um papelzinho foi retirado da caixa vermelha onde eles tiveram que entrar no lago com roupa de praia íntima feminina… Uma visão do inferno, diga-se de passagem.

Deus meu free!

A segunda dupla fizeram uma pontuação média, onde a prenda foi uma enxurrada de balões cheios com tinta colorida, os deixando parecido com fezes de unicórnio.

Só emoção.

Agora para aumentar ainda mais os meus nervos, eu e a Kat seríamos os próximos. Primeiro vendaram a Kat e a mesma acertou um pouco mais para dentro da borda extrema, conseguindo uma baixa pontuação, o que agora dependeria de mim para conseguir pontos o suficiente para conseguirmos ao menos uma prenda intermediária.

Quem mais acha que vai dar merda e que eu vou cagar com tudo?

Meus olhos foram vendados e eu fui colocado no local indicado para fazer o arremesso do dardo. Olhando de longe já parecia difícil a tarefa, porém sentindo na pele como era realmente eu pude constatar que difícil não chegava nem perto de descrever.

Orando para todos os deuses que eu conheço e me lembro, eu arremessei o dardo e não houve nenhum som proferido no local indicando que eu tenha ido bem ou mal, o que me deixou ainda mais apreensivo. Eu retiro minha venda ansioso novamente implorando para os deuses que eu tenha ido bem.

E até que a vida de um pagão não é tão difícil quanto dizem.

Minha pontuação foi até que boa o que me deixou bastante feliz, pois somando com a pontuação da Kat a gente tem direito a uma prenda da caixa amarela, o que fez com que eu soltasse um longo suspiro de alívio.

Deixei que a Kat fosse em direção à caixa amarela para tirar o papelzinho que definiria qual a nossa prenda e novamente eu comecei a orar para todos os deuses que eu conheço para que seja algo fácil e não muito constrangedor.

E eu retiro o que disse: Como é difícil a vida de um pagão!

Pelo menos não foi nada parecido com o Reality Fraternity Dudes… Pelo amor de Caine, não pesquisem isso!

A prenda que a Kat tirou foi que ambos teríamos que besuntar o nosso corpo em óleo e tentar dançar um dos maiores hinos atemporais brasileiros, Ragatanga, apenas de roupa íntima de praia, ou seja, eu terei que dançar Ragatanga de sunga e a Kat podia escolher entre biquine ou maiô.

Será que eu não posso escolher o maiô no lugar dela?

Nunca na minha vida eu fiquei de roupa íntima na frente de desconhecidos. Na frente da minha família ou melhor amigo eu já morro de vergonha, então do pessoal da faculdade a vergonha iria vir com mais força ainda.

Mas eu aceitei, afinal o que é um graveto para quem está com uma tora de eucalipto enfiado no cu? Essa frase define muito a minha vida…

Depois de besuntar o meu corpinho em óleo de cozinha, sofrendo com antecedência por conta do trabalho que vou ter pra remover tudo isso, foi esticado uma espécie de lona no chão onde jogaram litros e mais litros de óleo para deixar o mais escorregadio possível.

Quero nem ver quando o jornal Estadão fizer uma matéria sobre desperdício de óleos de cozinha, mas foda-se.

A melodia de Ragatanga começou a tocar e ambos começamos a fazer a pose inicial da música. Ainda bem que todo mundo sabe a coreografia dessa música, é igual a cantar Evidências do Chitãozinho e Xororó… Ninguém nunca treinou ou sabe quando ouviu, apenas nasceu sabendo.

Olha lá quem vem virando a esquina

Vem Diego com toda a alegria, festejando

Com a lua em seus olhos

Roupa de água marinha e seu jeito de malandro

Kat foi a primeira a cair quando tivemos que dar o giro e nos ajoelhar para concluir o passo. Eu não sei o que deu em mim, mas eu comecei a rir por conta da sua queda, e como se fosse um Karma instantâneo eu acabei me desequilibrando e indo ao chão junto fazendo ela dar risada também enquanto tentava se levantar.

Muitos estavam dançando enquanto a música tocava e a maioria estava rindo da nossa situação.

E com magia e pura alma, ele chega com a dança

Possuído pelo ritmo Ragatanga

E o DJ que já conhece, toca o som da meia-noite

Pra Diego, a canção mais desejada

Ele dança, ele curte, ele canta

Novamente, para o meu desespero, ambos caímos no final da parte onde se teria o início ao refrão, e para piorar, eu acabei caindo primeiro e por algum motivo que eu ainda não entendi, a Kat caiu logo em seguida com sua genitália literalmente em cima do meu rosto.

A Piranha literalmente caiu com a buceta na minha cara e eu espero que essa seja a última vez que eu tenho contato com o sexo feminino na minha vida.

O povo continuou rindo da minha desgraça enquanto nós dois, eu e Kat, tentava se levantar para o Refrão, porém por continuar rindo de toda a situação — onde no meu caso era rir de nervoso para não chorar de desespero — fazendo com que a gente caísse novamente de maneira ainda mais estranha…

Eu caí com as bolas em cima do rosto dela…

Aserehe rá de re, de hebe tu de hebere

Seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi

Aserehe rá de re, de hebe tu de hebere

Seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi

Aserehe rá de re, de hebe tu de hebere

Seibiunouba mahabi, an de bugui an de buididipi

Não importa o quanto eu tentava, eu não conseguia parar de rir e nem ficar em pé, assim como minha parceira de dupla. A cada tentativa de levantar um tombo diferente com uma posição ainda mais constrangedora me recepcionava, não só a mim como Kat também.

Vendo nosso desespero e se mijando de rir, no sentido literal da palavra, Marcus desligou a música falando que aquilo já tinha sido o suficiente e que nossa prenda havia acabado.

Que pena, mas graças a deus!

Digo isso por que tenho certeza que eu praticamente engoli um clitóris e olha que eu nem sei onde isso fica…

A turma ajudou a gente se levantar e o clima de trote estava muito divertido e alegre, mas confesso que gostaria e muito de estar em casa com meu gato enquanto comia pizza e lia minhas fanfics do EXO e do BTS.

# # # # # #

Eu acabei de sair do banho depois de ficar quase uma hora embaixo do chuveiro de um dos banheiros do Campus para remover o máximo de óleo que eu consegui do meu corpo.

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

E as coisas que você me diz

Me levam alééééééééém

Acho que já é a sexta vez consecutiva que meu celular está tocando e tenho certeza de que é o Alemão, mas ao contrário do celular do meu gato que é a prova d'água, eu não posso atender o meu embaixo do chuveiro, pois senão vai dar merda.

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

E as coisas que você me diz

Me levam alééééééééém

— O que foi Alemão? — Pergunto um tanto irritado, afinal ficar ouvindo essa música repetidamente era pior que punição divina.

— Até que enfim Thonny. Estava dando por algum acaso? — Questionou com seu típico tom brincalhão, me fazendo revirar os olhos.

— A única coisa que eu vou dar é um chute nas suas bolas Alemão. — Retruco sem paciência ouvindo um “credo Thonny” do outro lado da linha.

Eu já pensei várias vezes que o Alemão é um ser bom demais para ser meu amigo, afinal ele nunca me destratou ou foi grosseiro comigo, enquanto na maior parte do tempo eu vivo dando patada nele e sendo um tanto ácido e tal… Muitas vezes eu me sinto mal por isso, como agora, afinal tirando os toques de celular, as vergonhas que eu passo ao lado dele e alguns outros detalhes como seu ego, sua fixação por Monange e o gosto musical discutível, o Alemão é o melhor amigo do mundo inteiro e todos amariam ter a sorte que eu tenho de ter ele como um melhor amigo/irmão…

Eu sou um péssimo amigo.

— Thonny, você me ouviu? Está tudo bem? — Ele perguntou com sua voz séria, visivelmente preocupado.

— Estou sim, eu só estava pensando em algumas coisas. — Suspiro forçando um sorriso.

Eu me senti culpado agora, mas não quero conversar isso por telefone. Quero estar frente a frente e pedir desculpas por ser um péssimo amigo pra ele.

Eu sei que isso é meio repentino e do nada, mas nem eu entendo como eu cheguei nessa questão. Qualquer coisa, culpem o autor!

— Onde você está? Já terminou seu trote? — Ele perguntou ainda demonstrando preocupação.

— Eu estava no banho. Meu corpo estava besuntado em óleo. Eu só vou me trocar e já te encontro pra irmos pra casa. — Respondi sem muita empolgação.

— Em qual banheiro você está? Me espera aí que eu vou com o carro para te pegar no local mais próximo.

— Estou próximo onde a gente dançou na primeira parte do trote. — Respondo tentando equilibrar o celular nos ombros para continuar conversando enquanto uso minhas mãos para vestir minha cueca.

— Tudo bem, já chego aí. Tchau Thonny. — Se despediu desligando.

Estava terminando de colocar minha roupa e saindo do banheiro quando meu celular começa a tocar novamente…

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

Eu acho que vou parar de usar o celular, é mais facil…

— O que foi Alemão… — Suspiro levando o aparelho aos meus ouvidos novamente.

Miaau miau! Miaaau miau? Miaaau! (Nunca mais cometa esse erro grotesco novamente! Vai demorar pra vir pra casa? Estou faminto!) — Escuto Théo reclamar do outro lado da linha, me deixando ainda mais cansado mentalmente.

— Me desculpa, eu não tinha olhado para o identificador de chamadas. — Me justifico ouvindo um miado de descaso. — E embora eu não tenha colocado o seu Whiskas Sachê, eu tenho certeza que sua vasilha está abastecida com ração, então se está com fome é porque quer… — Acuso em seguida, pois me lembro de reparar em tal coisa antes de sair.

Miaaau miaau… (Eu me recuso a chamar aquela merda de alimento…) — Reclamou com indignação.

Tudo bem Théo, eu já estou indo pra casa e daqui a pouco você vai poder comer Whiska Sachê até seu cú fazer bico. — Respondo revirando os olhos e desligando a chamada sem ao menos dar chance dele retrucar ou acrescentar algo.

# # # # # #

— Você está calado Thonny. O que aconteceu? Algum veterano fez alguma coisa pra você? Porque se for isso, eu juro que eu vou arrebentar a cara de todo mundo e… — Antes que ele pudesse continuar, eu o interrompi com um sorriso de lado, afinal ele sempre foi assim… Capaz de bater em tudo e todos se me fizerem mal.

Já estávamos em seu carro rumo ao prédio do meu dormitório, onde o diálogo se iniciou depois de alguns minutos de silêncio.

— Não é isso Alemão, relaxa. — Respondo sorrindo.

— O que aconteceu então? — Ele questiona preocupado.

— Você me acha um péssimo amigo? — Sou direto com a pergunta fazendo-o olhar pra mim com a sobrancelha arqueada.

— Tá chapado de refri Thonny? Você andou cheirando bicarbonato? Ta fumando esterco de gado? — Indagou confuso voltando sua atenção à estrada.

— Deixa de ser retardado Alemão. — Reviro os olhos tentando manter a calma. — É que eu estive pensando… Embora você seja uma porta e muitas de suas atitudes sejam questionáveis legal e moralmente, você é meu melhor amigo e está sempre me ajudando, levantando minha auto estima, me fazendo sorrir quando eu to na bad além de eu te amar como um irmão, e do outro lado da relação eu estou sempre brigando e gritando com você te xingando, te batendo e repreendendo… — Eu explico me sentindo mal em relação ao assunto.

Depois de alguns segundos de silêncio sem ter resposta alguma do Alemão, o mesmo para o carro no acostamento e tira o cinto de segurança se virando em minha direção.

— Anthonny Alexander Junito Ecos Von Der Holstein Murray… Você é o melhor amigo que eu poderia ter e agradeço todos os dias à Caine, mesmo sem saber quem ou o quê seja isso, por ter você ao meu lado e principalmente em minha vida. Eu gosto de você exatamente do jeito que você é, sendo estressado, tímido, envergonhado, boca suja, esquisito, briguento e todo o resto do pacote. — Ele iniciou fazendo com que eu o olhasse de cara feia por conta de um dos adjetivos.

Ele realmente está me chamando de baixinho?

— Mas o ponto em questão é… Eu não quero que você mude quem você é assim como eu não vou mudar o que eu sou. — Afirmou com um sorriso reconfortante.

— Mas eu meio que já mudei quem eu sou por conta da transformação que você fez… — Tentei argumentar, mas o mesmo me interrompeu.

— O que eu fiz foi apenas mostrar para todos o quão belo você é por baixo de todas aquelas roupas largas, cortes de cabelo brega e armações de óculos grossas. O que eu não quero que mude é sua essência. Sua personalidade é única e eu gosto dela exatamente como ela é, com coices e patadas, como sempre foi. — Explicou bagunçando meu cabelo.

— Está me chamando de animal? — Reviro os olhos descrente. O Alemão sempre consegue estragar um momento legal.

Assim como eu.

— Eu sei que eu posso não ser muito carinhoso…

— Muito? — Sorriu com deboche me fazendo lhe dar um tapa em sua nuca pela petulância.

— Mas quero que saiba que eu realmente me considero uma pessoa muito sortuda por ter você como meu melhor amigo. Eu te amo Alemão você é meu irmão. — Confesso para o mesmo que me respondeu lhe dando o seu melhor sorriso sendo perceptível seus olhos brilharem por conta das minhas palavras.

— Eu também te amo Thonny. — Disse me abraçando apertado sendo prontamente retribuído.

Como uma Deusaaaaaaaaaaaaaa

Você me Manteeeeeeeeeem

O loiro filho de um Jumento começou a rir por conta do toque do meu celular. Novamente o amor acabou onde eu dei um beliscão em sua costela fazendo-o soltar um fino e agudo gemido de hétero.

— O que foi agora Théo? Eu já to chegando. — Suspiro ao ver quem era no visor do celular.

Miaaaau miau, miaaau miaau miau? (Hipoteticamente falando, o que aconteceria se eu comesse todo aquele bolo de chocolate na geladeira por estar definhando de fome?) — Questionou com voz de sonso.

— Hipoteticamente falando você iria para a adoção. — Reviro os olhos. — Você não teve a ousadia de comer todo o meu bolo de chocolate não é? — Questiono sério.

Miaau… Miaaaau miaaau miau. (Não… Mas eu liguei pra avisar que invadiram a nossa casa e comeram todo o bolo de chocolate que estava na geladeira.)

Eu mereço...

— O que está acontecendo? — O Alemão perguntou curioso.

— Você está afim de comer sopa de gato na janta? — Questiono para o meu amigo com o meu melhor sorriso maligno, ouvindo meu gato miar de desespero do outro lado da linha.

Fique tranquilo Theobaldo, pois a noite é uma criança e eu vou ter muito tempo para lhe torturar por essa afronta!