Um Romance NADA Romântico
9 Encrenca às Seis da Manhã
Anthonny Point of View...
Mesmo deitado, com a cara afundada no travesseiro, eu consigo escutar um irritante som de batidas em madeira. Sem ânimo para levantar, eu apenas coloco o travesseiro sobre minha cabeça e o puxo com força tentando abafar o som, porém não obtive muito sucesso em minha tarefa, até então, muito simples.
Olhei para as horas em meu celular e ainda era seis da manhã. Que ser desprovido de humanidade e bom senso bateria em minha porta a essa hora? Nem mesmo o Alemão seria tão sem noção a esse ponto, já que ele raramente acorda antes das oito da manhã, isso quando ele acorda.
Eu estou cansado, com fome, com sono, com preguiça e muito mais. Muitas sensações para apenas um corpinho.
Ontem o Alemão foi embora para o dormitório dele já eram mais de duas da manhã. Eu ainda pedi para ele dormir em casa, mas ele recusou com educação e foi para a própria, dizendo que precisava se arrumar para um compromisso hoje cedo, um compromisso importante segundo ele. Depois de ele ter saído, eu fiquei um tempo navegando na internet e olhando as fotos de um certo alguém no instagram, já passando das quatro da manhã quando eu finalmente fui dormir.
Se arrependimento matasse, acho que eu não teria passado dos cinco anos de idade…
Novamente batidas irritantes ecoaram por todo meu quarto, me deixando ainda mais pistola. Eu só quero dormir e nem isso eu posso?
— Miaaau miaau, miaaau miau… Miaau. (Se você não for ver quem é o corno que está batendo na porta, eu vou transformar sua vida num inferno… Reflita.) — Théo reclamou sonolento me fazendo suspirar.
— E por que a bonita não vai ver quem é? — Retruco fazendo com que ele me encarasse com sua face sonolenta e nenhum pouco amigável.
— Miaaau, miaau miau. (Por que se eu for, eu vou matar o desgraçado que interrompeu meu sono de beleza.) — Se justificou voltando a dormir.
Eu mereço...
Eu só terei atividades do concurso às sete e meia da manhã onde seria mais uma apresentação dos candidatos e explicações sobre como tudo irá funcionar, o que significa que eu, na teoria, deveria ter ainda mais meia hora de sono, mas infelizmente parece que isso não vai ser possível.
Pode parecer bobagem, mas meia hora de sono é muita coisa!
Desistindo de tentar retornar ao mundo dos sonhos, eu levando emputecido. Eu tô muito puto, sério. Se tem uma coisa que eu odeio é ter meu sono interrompido. Nem o Théo, que no caso é um abusado, tem coragem de me acordar do meu sono, pois ele sabe que as consequências são catastróficas, assim como o contrário, já que se eu o acordo ele provavelmente me arranharia todinho.
Uma vez o Alemão fez a besteira de acordar o Théo de seu sono pós refeição… Digamos que certo melhor amigo ficou sem andar um dois dias depois de ter os dentes felinos do meu gato cravado em suas bolas.
Pela terceira vez, eu ouço as firmes batidas ecoarem por todo o ambiente. Um sentimento de ódio e frustração tomou conta de mim e minha vontade era de gritar para o corno infeliz enfiar a mão no cu.
— Miaau miaaau, miau! (Enfia a mão no cú, desgraça!) — Théo não passou vontade e gritou, embora tenho certeza que apenas eu entendi isso.
Eu já estava em minha sala, andando como se o peso do mundo estivesse em minhas costas quando as batidas ecoaram pela quarta vez. Já estava prestes a xingar e partir para a ignorância quando percebi algo diferente... As batidas não eram em minha porta e sim no vizinho, o que me deixou ainda mais irritado. Primeiro porque tinha um desgraçado batendo na porta alheia tão cedo, segundo porque o dono da porta ainda não se levantou para atender o seu visitante e terceiro, mas não menos importante, porque eu levantei de minha cama sem nenhum motivo aparente.
Malditas paredes finas. Provavelmente o andar todo está incomodado com essa droga de barulho tanto quanto eu, já que os sons de batidas ecoaram pela quinta vez.
Pelo amor de Caine, quem quer que seja abra logo essa maldita porta, eu imploro.
Sem ânimo para voltar à minha cama, eu simplesmente levanto a bandeira da rendição aceitando a minha derrota, sabendo que eu não conseguiria voltar a dormir de novo.
Antes de chegar a cozinha, eu consigo escutar o som da porta do vizinho rangendo, indicando que ele finalmente atendeu ao ser irritante destruidor de sonos.
― Hey o que faz aqui tão cedo? Está tudo bem? ― Ouço uma voz feminina perguntar com simpatia.
Quem é simpático às seis da manhã?
― Você poderia me emprestar suas anotações sobre o sistema nervoso? Eu cochilei na hora que o professor estava passando os slides e gostaria de anotar. ― Essa segunda voz soou tão familiar que todos os pelos do meu corpo se arrepiaram ao som dela.
Era uma voz que continha um leve tom de irritação e preguiça, embora ela fosse suave. Mesmo estando cansado, com fome, com sono, com preguiça e tudo mais, eu consigo identificar com perfeição o dono da voz...
Era o Piers! Caralho Beto, me arremessa com força e pra bem longe.
― Você é um chato e um interesseiro sabia? Você vem ao meu quarto a essa hora da manhã pra me pedir favores e não tem nem a coragem de me chamar pra tomar café da manhã. ― A garota disse com uma voz brincalhona, fingindo repreendê-lo por suas atitudes.
Os sons de sussurros e risadas que eles deram demonstrou o quão íntimos e próximos eles são, me deixando um pouco incomodado. Mesmo tentando me segurar ao máximo, eu não consegui evitar de me aproximar da porta para escutar melhor a conversa. Eu sei que o que eu estou fazendo é algo feio, mas não me importo muito já que nem mesmo o Théo está me olhando para me repreender, afinal ele está dormindo mesmo...
A fim de saciar a minha curiosidade, acho que não tem problema nenhum eu abrir a porta um pouquinho e espreitar pela fresta certo?
Certo, isso mesmo!
Antes de abri-la, dou uns tapas em meu rosto a fim de ficar cem por cento desperto, para em seguida começar com o meu plano para espionar o Piers… Credo, isso soou tão doentio pra vocês quanto pra mim? Azar.
Quando eu tento abrir a porta lentamente, essa desgraça rangeu tão alto que eu tenho certeza que foi possível ouvir da portaria no térreo.
― MERDA! ― Gritei instintivamente quando coloquei minha cabeça pra fora e vi que Piers estava me olhando com o cenho franzido.
Sem conseguir me controlar, eu acabei praguejando e por Piers estar me encarando por ter escutado o barulho da minha porta, ele pensou que a praga fosse pra ele e fechou a cara no mesmo segundo, caminhando em minha direção com uma expressão de poucos amigos, ou melhor, de amigos nenhum.
Eu quase não consigo fechar a porta do meu apartamento a tempo e parabéns Anthonny, você acabou de bater com a porta na cara do boy que você gosta.
Só emoção!
Não, eu não ajo no meu normal quando estou perto dele... Por que vocês acham que eu sempre o admirei de longe? Logo no primeiro contato real que eu tive com ele nós brigamos, embora a culpa disso tenha sido inteiramente dele por ter me provocado e me chamado de nanico.
Sei que ele pode parecer uma criatura assustadora, mas em meu coração ele não é. Tudo bem, eu fiquei um pouco assustado quando o vi e fechei a porta praguejando quando ele me viu, mas isso tem um motivo muito forte e plausível: Era realmente o Piers. Tenho razões o suficientes para agir dessa maneira.
Maldita porta. Você nunca rangeu em antes, porque logo agora a madame resolveu fazer isso? Em todos esses anos nessa indústria vital, essa era a primeira vez que isso acontecia e espero de coração que seja a última.
Obrigado deuses… Como é triste a vida de um pagão!
“Ain Thonny, como você fica chamando tudo quanto é tipo de deus, mas se diz pagão?” Não discutam com a minha lógica. Eu converso com meu gato e meu melhor amigo é um pamonha… Não sou o protagonista mais sensato.
Mas voltando ao incidente com meu Crush...
Mesmo sendo relativamente cedo, Piers parece tão disposto e viril. Se antes ainda não me havia ficado claro, agora eu entendo o porquê de ele ter sido eleito o Astro da Universidade, já que sua presença forte e imponente pode causar diversas reações diferentes em pessoas diferentes e sua beleza estonteante é capaz de chamar a atenção de qualquer um. Uma camisa de cor prateada com calças jeans pretas que se encaixam perfeitamente ao seu corpo, e um penteado ligeiramente desarrumado para completar a perfeição.
Ai minha Giovanna, Santa protetora de todos os forninhos, por favor me acuda porque eu não estou no meu normal.
Eu realmente preciso agradecer as divindades que regem e protegem esse dormitório, ou não, já que se isso sempre acontecer quando eu esbarrar com o Piers eu vou estar mais fodido que atriz pornô em cenas de Gangbang Bareback sem lubrificante, não que eu saiba o que isso signifique, pois é o Alemão que gosta de usar essa expressão a todo o tempo quando alguma coisa dá errado.
Façam como eu e NÃO joguem no Google!
O mais engraçado é que quando eu procuro por ele eu nunca o encontro, mas quando eu não o procuro ele aparece inesperadamente e especialmente numa hora como essas onde eu acabei de acordar, estou apenas de samba canção, com os cabelos desgrenhados e com o rosto todo babado. Muito obrigado por isso meu queridos anjos da guarda, querem caixas de vinho avinagrado como agradecimento ou eu posso pagar com murros em suas caras angelicais? Viram só como eu sou bonzinho em deixar vocês escolherem. Muitos não têm a mesma sorte de vocês.
Novamente sons de batidas ecoaram por todo o local, mas desta vez as batidas vieram da porta do meu dormitório. O som vibrou pelo meu corpo, que atualmente está encostado na porta para tentar me acalmar. Meus joelhos cederam e eu não fui capaz de sustentar meu peso, lentamente escorregando as costas pela madeira da porta para, enfim, me sentar no chão, mantendo minhas costas escoradas na bendita porta que ainda batia.
Será que se eu fingir não estar em casa ele me deixa em paz?
— Miaaaau? (Eu vou ter que acordar e descer o cacete em todo mundo?) — Novamente Théo reclama do quarto.
― Hey tampinha mimado, eu te vi então não adianta se esconder. Você me praguejou intencionalmente, não foi? Por que não abre a porta e me chama de merda na minha cara? ― Consigo ouvir claramente Piers falar com uma voz sem humor e irritadiça.
Está aí a minha resposta, não vai adiantar eu fingir. Eu poderia até dizer “Merda” mais uma vez, na verdade eu quase disse novamente, mas foi por conta disso que eu me encontro em minha atual situação. Mas falando com sinceridade, ou melhor, pensando com sinceridade eu não te amaldiçoei Piers, eu juro.
O Alemão vai me excomungar quando ele souber que eu “caguei colossalmente” de novo, como ele sempre gosta de me dizer.
― Você vai sair ou não? Se não for sair eu vou arrombar a porta pra entrar. ― Ele ameaça com um tom imponente.
Bom... Se eu fosse tentar olhar pela perspectiva do Piers, eu sou uma espécie de garoto agressivo e mal educado que abriu furtivamente a porta para amaldiçoar ele e evitou seu confronto, ou seja, um covarde com “C” maiúsculo. No entanto, na minha perspectiva, eu absolutamente nunca deixarei que a pessoa que eu gosto me veja na minha atual situação, nunca. Seria muito ridículo e vergonhoso. Prefiro que ele pense que eu sou um covarde do que me encontre todo cagado.
Sem camisa, cueca samba canção, com o rosto sem lavar, os dentes sem ser escovados, cabelo parecendo ninho de pombo e os olhos sujos cheios de remela. De jeito nenhum, nem fodendo.
― Eu mandei você abrir a porra dessa porta seu tampinha mimado. Não tem coragem de dizer o que disse na minha cara? ― Piers vociferou do outro lado, tornando a bater firme e insistente do outro lado da porta.
Puta que me pariu – desculpa mamãe – mas que cara persistente. Você gosta de tirar as pessoas do sério, mas nunca permite que eles façam o mesmo com você, mesmo que não seja intencionalmente? Qual é o seu problema? Quem arruma disposição pra brigar as seis da manhã? Nem o Alemão é desse jeito. Nem mesmo o Théo, e olha que disposição pra brigar o meu gato sempre tem!
― Piers com quem você está falando? ― A garota que fica no quarto ao lado perguntou com confusão em sua voz, provavelmente já pegou as anotações para ele.
Obrigado moça que eu nem conheço, mas já considero pacas.
― Um covarde babaca. ― Piers responde mal-humorado. Como assim eu sou um covarde babaca produção? ― Tenha cuidado com o idiota neste quarto Kassie, eu falo sério. Enfim, eu estou indo. Obrigado pelas anotações e te vejo na aula mais tarde. ― Escuto ele se despedir, porém não ouço os sons de seus passos se afastando da porta.
― Você fica engraçado com essa cara de quem comeu e não gostou. ― A garota que eu descobri se chamar Kassie disse com um voz beirando o deboche.
― Eu vou me lembrar disso. Eu sei que ser um calouro não é fácil, muito pelo contrário, mas você está abusando... Não me deixe te ver novamente ou a coisa vai ficar feia para o seu lado. ― Ele murmurou do lado de fora do dormitório e em seguida consegui sentir uma pancada na porta, provavelmente ele a esmurrou ou até mesmo a chutou já que esta foi muito forte, e também sons abafados de risadas, de Kassie, é claro.
Sem conseguir controlar o nervosismo, eu mordo meu lábio inferior com um pouco de força. A conversa anterior não era realmente para Kassie. Fudeu, fudeu de vez. Eu tô muito fodido mano, se tem uma coisa que eu estou essa coisa é fodido.
A casa caiu produção.
Já é a segunda vez que eu o encontro e novamente deu ruim. Isso é algum tipo de carma? Estou pagando por pecados de vidas passadas? Porque olha... Tá difícil.
Como diria o Alemão: “Assim não dá pra te defender Thonny.”
Não sei dizer quanto tempo eu fiquei sentado no chão com as costas escorada na porta, mas eu estava tão desnorteado que me assustei com o barulho de fortes batidas na mesma.
Pelo amor dos cús fechados que não passam nem Wi-Fi, alguém poderia me salvar? Tô aceitando até o Chapolin Colorado, sério. Não diga que ainda é o mesmo cara? Ele voltou para discutir novamente? O que é que eu estou fazendo com a minha vida?
― Thonny seu idiota, levanta esse seu cú recém depilado da cama e vem logo abrir essa merda de porta. Se você demorar mais do que cinco segundos, eu vou arrombar essa merda, te amarrar na cama e chutar a sua bunda até você nunca mais conseguir se senta na sua vida. ― Essa é a voz do Alemão.
O que está acontecendo nessa história gente? Primeiro que para o Alemão estar acordado às seis da manhã alguma coisa de muito grave deve ter acontecido e segundo que por ele estar acordado às seis da manhã o seu mal humor está explicado.
Eu imediatamente me levanto, abro a porta e peço para ele entrar. Como eu já o conheço há muito tempo, não tenho vergonha de me mostrar dessa maneira pra ele, afinal até pelado ele já me viu embora eu não me orgulhe disso.
― Ei! O que há com você? ― Ele pediu confuso ao olhar para a expressão em meu rosto.
― Eu deveria ser o único a fazer essa pergunta Alemão. ― Reviro os olhos sem muita paciência. ― Por que você veio procurar por mim tão cedo e ainda por cima gritar igual a um condenado no corredor? Você está louco? ― Perguntei irritado. ― E tira a porra do tênis. ― Completo em seguida apontando para o item calçado por ele.
― Não estou louco, eu estou full putasso. ― Explicou enquanto retirava seu tênis e colocava ao lado do batente da porta. ― A reunião do concurso de Astros e Estrelas é às sete e meia da manhã, mas em vez de ter tomado o seu banho e trocado de roupas, você está parecendo que saiu de um filme de terror trash. Por quê você não atendeu o seu celular? Eu te liguei trocentas vezes e você não me atendeu. ― Cruzou os braços com irritação, me olhando de cara feia.
― Sério? ― Eu me apresso e pego o meu telefone e olho para ele.
Cinco ligações perdidas do Alemão, duas ligações do monitor Marcus que escolheu o Astro e a Estrela da minha Faculdade e uma ligação perdida da Katherina, a Estrela da minha faculdade que veio da área de Farmacologia.
― É verdade, desculpa por isso. Ele estava no silencioso e eu nem vi. ― Dou um sorriso sem graça, porém franzo o cenho em sequência por conta de uma dúvida que me surgiu. ― Mas como você sabe disso? As informações da reunião não foram passadas para todos e eu não falei disso ontem com você. ― Comento desconfiado.
O Alemão coçou a cabeça, ficando... Envergonhado? Não, não pode ser... Isso é sério produção?
― Bem... ― Ele iniciou sem graça, olhando para o chão como se lá existisse a coisa mais interessante do mundo.
― Você é o Astro da Faculdade de Engenharia?! ― Eu gritei tão alto que foi possível eu escutar um miado de reclamação do Théo por tê-lo acordado mais uma vez.
— Surpresa?! — Ele brincou com um sorriso amarelo.
Mano, embora não seja tão inesperado devido a beleza do meu melhor amigo, eu estou completamente chocado com essa informação. Ele nunca gostou desses tipos de coisa, embora seja um exibido que gosta de se vangloriar.
― Sim, uma vez que eu disse que te ajudaria com o seu loirão com cara de panaca, eu tenho que acompanhar você durante o processo de seleção para ter certeza de que você não iria fazer nenhuma outra cagada e estragar tudo. ― Respondeu com um sorriso tranquilo, enquanto eu fiquei sem graça com suas palavras.
Meu amigo, se tu soubesses o que acabou de acontecer...
― Eu quase morri Thonny. ― Lucas dramatizou com uma expressão sôfrega. ― Cara, você não sabe, mas minha faculdade tem muitos caras bonitos, embora não tanto quanto eu, mas mesmo assim a disputa foi acirrada. ― Continuou orgulhoso. — Eu praticamente tive que derramar sangue para poder entrar na competição.
― Você realmente está fazendo isso por mim ou por você mesmo? ― Pergunto desconfiado, afinal quando a esmola é muita... Vocês já sabem.
― Eu não vou mentir pra você, afinal eu nunca fiz isso e não vai ser agora que eu vou começar. Foi por nós dois. ― Ele respondeu tranquilo, me olhando de modo sincero.
― Idiota, eu sabia. ― Reviro os olhos, porém dou um sorriso no final.
― Thonny, sua felicidade pra mim sempre irá vir em primeiro lugar. Admito que essa história de Astro da faculdade vai ajudar e muito no quesito sapecar as novinhas, mas você é a minha prioridade e sempre será. Ajudar você vem antes de qualquer coisa pra mim, até mesmo antes de garotas e sexo. ― Explicou com ternura, se aproximando de mim e dando um beijo no topo da minha testa. ― Eu te amo irmãozinho. ― Sussurrou pra mim.
Alemão sendo mais gay que eu antes da sete da manhã? Nada novo sob o sol.
Mesmo que eu não tenha respondido suas palavras gentis e carinhosas, ele sabe que eu sinto o mesmo por ele apenas olhando em meus olhos. Palavras realmente não são capazes de expressar o que eu sinto pelo Alemão.
Mano... Ao mesmo tempo que eu sou o cara mais azarado por tê-lo como meu melhor amigo, eu também sou a pessoa mais sortuda do mundo. Lealdade, carinho, fidelidade, preocupação, empatia, cumplicidade e afins não são o suficiente para definir esse lado do Lucas, embora irritante, sem noção, cara de pau, mulherengo e filho da puta também não sejam o suficiente para definir o outro lado dele.
― Agora vai escovar os seus dentes e tomar um banho pra se arrumar porque você está fedendo e com um mau hálito do cão. Enquanto isso eu vou arrumar uma roupa bem provocante e sexy pra você impressionar o seu loirão com cara de imbecil. ― Pediu com empolgação, indo em direção ao meu quarto.
Filho da puta. Eu não posso nem elogiar essa desgraça que ele caga com tudo. Fazer o quê né?
— Tudo bem… — Concordo indo em direção ao banheiro para poder dar uma mijada e tomar meu banho, além de escovar meus dentes e pentear meu cabelinho lindo que está ainda maior… Logo terei que cortar ele novamente, embora eu espero poder escolher meu próprio corte dessa vez.
Tenho certeza de que não fiquei nem quinze minutos no banho, porém ao chegar no meu quarto vejo que o tempo foi mais do que o suficiente para que o Alemão e o Théo começassem a se estranhar.
— MIAAAU! (EU VOU MATAR VOCÊ!) — O felino berrou irritado.
— Eu não entendo o que você está falando. — O Alemão retrucou indignado, mantendo certa distância do mesmo.
Nem queira Alemão, nem queira.
— O que está acontecendo aqui? — Questiono soltando um leve suspiro, afinal ainda era seis e vinte da manhã…
— Miaau miau! (Esse anormal sentou em cima do meu rabo!) — Théo ralhou irritado, apontando para o mesmo.
— Eu não sei o que ele disse, mas ele está mentindo. Eu juro que eu não fiz nada e ele já veio com sangue no “zóio”. — O loiro se defendeu.
— Pelo amor de Caine, não são nem seis e meia da manhã e vocês já estão assim? — Lamento derrotado enquanto desenrolo a toalha de minha cintura para poder colocar uma cueca.
Depois de mais de dez anos de amizade, eu simplesmente parei de ligar em relação a me trocar na frente do Alemão, já que ele não tem vergonha ou pudor algum além de não respeitar a privacidade alheia.
E quanto ao Théo, bem… Ele nunca reclamou de me ver pelado, até porque ele não usa roupas.
Antes que eu terminasse de colocar a cueca, meu melhor amigo se aproximou me dando um tapa na bunda o que fez que eu soltasse um leve gritinho, muito másculo por sinal, de susto afinal não importa o quão inconveniente o Alemão seja, eu nunca estou preparado para suas gracinhas.
Ai que vontade de cometer um homicídio…
— Me apresenta o demônio que você usou para fazer o seu pacto, pois é a única explicação plausível para você comer feito um servente de pedreiro com lombriga e não engordar, além de ter uma bunda durinha. — Ele brincou me entregando a roupa que ele separou para que eu vestisse.
— Em primeiro lugar, vai tomar no seu cú. Em segundo lugar, vai tomar no seu cú de novo. E em terceiro lugar, não menospreze meus agachamentos, abdominais e flexões! — Respondo revirando os olhos.
— Se você diz… — Deu com os ombros sorrindo por conta da minha resposta.
Pergunta do capítulo: Será que se eu jogar meu melhor amigo pela janela, onde estamos no quinto andar, ele sobrevive?
— Miaau miau? (Em que zoológico você encontrou ele?) — Théo perguntou com seu humor ácido.
— Nem queira saber. — Respondo sorrindo, enquanto meu melhor amigo franziu o cenho confuso.
— O que vocês estão falando? — Perguntou curioso.
— Nada de mais. Dá tempo da gente tomar café? Eu tô morrendo de fome. — Questiono com uma cara sôfrega, afinal a última coisa que eu comi foram só as três caixas de pizza da noite anterior.
— Acho que sim, vamos? — Perguntou caminhando em direção à porta.
— Miaaau miaau? — (Não está esquecendo de nada?) — Théo indagou indignado, me olhando com uma expressão estranha e quando eu digo estranha eu me refiro ao fato de conhecer todas as expressões dele e eu nunca ter visto essa na minha vida. Até parece que ele está… Envergonhado?
— Whiskas Sachê? — Perguntei confuso.
— Miaau… (A outra coisa...) — Respondeu ainda mantendo a expressão.
Agora entendi porque ele parece envergonhado. Théo não é um gato que gosta de demonstrar seus sentimentos, ainda mais na frente de outras pessoas, e sempre que isso acontece uma expressão diferente se apossa de seu rosto, o que só torna tudo engraçado.
— Vai na frente Alemão, eu tenho que dar a cota de carinho e atenção do Théo. — Expliquei fazendo ele me encarar confuso.
— Como assim criatura? — Indagou se aproximando.
— Todo dia eu tenho que dar atenção e carinho para o Théo por exatamente três minutos e dezessete segundos… — Expliquei sorrindo enquanto meu gato subia no meu colo e eu acariciava os locais que eu sabia ser os que ele mais gostava.
Meu amigo ficou me encarando como se eu fosse um louco, ainda mais surpreso por saber que meu gato tinha carência, mas em defesa do Théo, todos os animais de estimação, por mais rebeldes e independentes que fossem, sempre gostam de ser reconhecido e amado por seus donos.
— Miaau… (Mais pra esquerda…) — Pediu enquanto eu acariciava abaixo de seu pescoço, ronronando no processo.
— Eu sinceramente desisto de vocês dois. — Alemão respondeu em negação, virando-se em direção à saída. — Eu estou indo pro carro te esperar. — Avisou seguindo em frente.
— Miaau miau! (Pode ir pro inferno querido!) — Théo devolveu com escárnio.
— Théo… — O adverti sério, porém o mesmo pareceu ignorar, só focando no carinho recebido.
E ainda faltavam um minutos e quatorze segundos para a cota de carinho diária acabar.
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