Um Resquício De Confiança.

1 Um resquício de confiança.


Paro, e penso.

Já é tarde, hora de repousar,

mas que repouso haverá sob meus olhos,

que se cansam até com o pensamento?

Tormento.

Paro, e observo.

Quanto tempo hei de esperar,

até que o tempo se esbarre

na dura dor de aguentar

no desespero o não poder, o saber,

ou mesmo o desconfiar?

Paro. Mas nada julgo.

Temo, mas que temerei?

A todos que outrora partiram

a minha partilha

renunciarei.

Os polos que se acanhem, meu mundo é outro.

Meu mundo é digno de bonança,

que a esperança nunca abate.

Canto!, pois este o posso.

Posso ser devedora de tamanha graça

mas detenho em mim a desgraça

de ser sempre minorizada.

Coitada.

Passo a passo a vida leva,

e leva consigo os passos dados.

Das velhas memórias não serão encontrados

os míseros detalhes da eterna confiança

de uma criança.

Penso, mas não paro.

Não paro porque não me deram tempo.

Cresci rápido, e muito,

não desenvolvi o intuito

de continuar a acreditar

em memórias, oh glórias.

Que resquício, que há?

Nenhuma finança.

Partiu daqui, a esperança

nesse resto desdrobrável

que é minha confiança.

Notas finais
--
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!