Um Reino de Monstros Vol. 3

16 Capítulo 3: Mais lenha na fornalha - Parte 5


Bong-bang, esse era o som que ecoava pela oficina. Dormindo em revezamento a cada quatro horas de trabalho realizado, os armeiros venciam o cansaço da tarefa.

Forjar a espada de Tell estava sendo excruciante para Rosicler, a sua camisa estava toda ensopada, e agora ela trabalhava apenas com sutiã.

— Uooooogh! Bom dia, Rosicler, como a nossa lâmina está indo? Oh não, guria.

— O quê? O que foi?

— Não, não entenda mal, não é que você esteja fazendo nada de errado.

— E porque o escândalo, seu filho da mãe?

Calçando uma luva, o ferreiro tomou a barra de metal das mãos da garota e analisou-a.

— Veja...

— Que é que tem?

— Essa liga está muito frágil, não há carbono o suficiente para fazer a lâmina da espada que estamos projetando para aquele garoto, mas temos mais outro probleminha...

— Ah, que é dessa vez, seu velho chato?

— Nossa fonte de carbono já se esgotou, e procurar carbono uma hora dessas atrairia atenção desnecessária dos monstros. Precisarei de você uma vez mais.

Os olhos de Z se fixaram nos dedos longos e ágeis de Rosicler. As suas unhas longas garantiriam o carbono necessário para a lâmina.

— Nem pense nisso, coroa.

Pegando de um enorme e grosseiro alicate, o artesão de armas caminhou em direção da reticente ladina, que caminhava para trás, numa espécie de dança evasiva.

— Não, seu Z, faz isso não, veio.

— É pela salvação mundial, guria, todo o esforço é válido.

A aranha peluda e enorme, com o seu único olho esbugalhado apreciava a horrível cena. Deslizando por suas teias, o aracnídeo parecia vigiar cada passo das personagens.

Rosicler andava de costas, com o balofo armeiro munido de um alicate a persegui-la pela oficina trancafiada.

— Tome!

— Aargh, velho tarado, seu coroa maluco, seu...

Ploft, o alicate esmagou a aranha. O muco esverdeado acertou a bermuda da garota. Ela chacoalhou as pernas da bermuda tentando se livrar dos fluídos do animal. Depois ela virou-se para Z e disse com mais calma:

— Cara, isso foi muito nojento, velho! Hihihi, quer dizer que você só fez isso pra matar a dona aranha?

— Na verdade, não é uma aranha, olhe!

Do cadáver malcheiroso, um olho destroçado escorreu dele. Atrás do olho havia tentáculos de polvo. O observador havia usado o animal como o seu hospedeiro.

— Sinceramente, eu não tenho estômago pra essas coisas.

— Hã, Rosicler, nós ainda não terminamos...

Antes que a gatuna pudesse fugir ele a tomou em seus braços e pegou um novo alicate.

— Nãoooooooooooo!

O grito da ladra ecoou por todas as extremidades da Cordilheira de Bashvaia.