Notas iniciais
Gostaria de um amor assim, desses que duram por muito tempo!

O tempo passa tão rápido, e quando olho no espelho posso ver todas as rugas estampando momentos únicos e lembranças que me fazem ter certeza que as escolhas transformam nossa vida. Eu escolhi seguir um caminho diferente dos meus antepassados e essa escolha me levou até ela.

Escolho um dos seus batons de uma cor que eu nunca me lembro de tê-la visto com ela, estragar os batons preferidos seria um tipo de suicídio. Porque do mesmo jeito que ela pode ser delicada e perfumada, também pode ser espinhosa e venenosa. E eu amo cada um desses detalhes.

Rabisco no espelho do banheiro: “Você lembra, lembra! Daquele tempo eu tinha estrelas nos olhos. Um jeito de herói era mais forte e veloz que qualquer mocinho
de cowboy...”

Lembro-me da primeira vez que realmente nos olhamos, eu percebi seu sorriso e ela me disse que sempre gostava do jeito que meus olhos brilhavam disfarçadamente, e mesmo quando não estávamos juntos ela reparava em como os brilhos mudavam.

— Você tem estrelas nos olhos. – Foi a frase que me disse assim que terminamos nosso primeiro beijo.

E eu me sentia um grande herói daqueles dos filmes que víamos escondidos na sala precisa, filmes engaçados e diferentes, os trouxas sabem como se divertir. E sentia tão forte, tão jovem, tão especial. No auge da nossa adolescência. E ela era tão linda, ou melhor, ela é tão linda.

Volto a olhar para o espelho agora um pouco mais sujo, por causa das palavras perdidas naquele espaço imenso, e ao mesmo tempo tão pequeno perto de tudo que eu sinto.

Rabisco novamente seguindo o rumo da poesia: “Você lembra, lembra! Eu costumava andar bem mais de mil léguas prá poder buscar, flores-de-maio azuis
e os seus cabelos enfeitar...”

Seus cabelos armados e ruivos combinam tanto com flores azuis, tão delicadas quanto o olhar dela, quanto a pele branca coberta de sardas. Foi no ultimo dia de aula que entreguei as primeiras flores azuis para ela. Tive que aparatar escondido para poder ir além das mil léguas e traze-las para a minha doce rosa. Quando nos encontramos antes da “formatura” coloquei a tal flor atrás de orelha dela e admirei o contraste entre o vermelho de seus cabelos e o azul das flores. A combinação perfeita. Tão sublime quanto o beijo que trocamos escondidos antes de adentrar o salão principal e cada um se juntar a sua família.

É, nós dois já passamos por tantos momentos, e tantas discussões. O gênio dela não é fácil, assim como o meu. Teimosos, facilmente irritáveis, e mais que tudo muito apaixonados.

O espelho ainda merece algumas palavras: “Água da fonte cansei de beber prá não envelhecer. Como quisesse roubar da manhã um lindo pôr-de-sol... Hoje não colho mais as flores-de-maio, nem sou mais veloz como os heróis... É! Talvez eu seja simplesmente como um sapato velho. Mas ainda sirvo se você quiser basta você me calçar que eu aqueço o frio dos seus pés...”

Realmente hoje sou apenas um sapato velho, desses que muitas pessoas deixariam de lado, mas ela sempre permanece junto a mim, me deixando pensar que ainda posso ser aquele garoto loiro e petulante que gostava de implicar com suas sardas no nariz e que amava juntar flores azuis para lhe enfeitar.

Depois de 50 anos juntos somos apenas o meio de uma história, nossos pais eram o começo, nossos filhos serão o fim, ou talvez apenas o recomeço, porque por mais velhos que sejamos, ainda poderemos esquentar todo o gelo que aflige a alma um do outro.

Minha Rose Weasley Malfoy sempre terá flores de maio azuis, para seus cabelos enfeitar.

Rabisco na parte de baixo do espelho o fim do meu recado: “Eu te amo muito. Do seu sapato velho, Scorpius”.

Essas rugas contam uma história, a história de uma Rosa e de um Escorpião que se amam em cada detalhe da vida, e quem sabe além dela.

The End

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!