Um Príncipe em Minha Vida

24 I Just Wanna Know The Truth-Parte 2


Notas iniciais
...

Freddie e Sam já estavam no Bentley preto, parado no estacionamento do Ridgeway High, rindo no banco de trás, abraçados.

-Ok, essa foi a segunda vez que eu dei uns amassos no banco de trás do carro... –Sam riu baixinho enquanto beijava Freddie.

-Essa foi a minha terceira... –Freddie suspirou, separando-se do beijo da loira.

-Como assim, Benson?

-É, as primeiras duas foram com você... –Freddie sorriu, se defendendo- E a terceira, que vai ser agora também...

Sam riu sapeca enquanto ela e o moreno trocavam um beijo ardente. Ela tentava não gemer alto enquanto as mãos de Freddie percorriam seu corpo embaixo da blusa dela. As mãos dela engancharam na nuca dele, fazendo Freddie soltar um gemido abafado no pescoço de Sam.

-Me desculpe... –Sam se encolheu, mordendo o lábio.

-Não se desculpe... –Freddie ergueu a sobrancelha- Eu gosto disso...

-Masoquista, é?

-Não, só aprendi a lidar com uma garota que pode quebrar meus dentes...

-Eu não vou quebrar seus dentes... –Sam balançou a cabeça- A menos que eu te veja com outra garota...

-Não esquente com isso, Sam... –Freddie sorriu antes de afagar os cachos loiros dela- Pra mim, a única garota que vai existir nesse mundo é você...

-É bom mesmo, ouviu, nerd? –Sam fez um biquinho que logo foi esmagado pelos lábios de Freddie.

-Ouvi sim, Srtª Carnívora... –Freddie deu um último beijo em Sam antes de passar para o banco do motorista, abotoando a camisa dele- Então, nós combinamos da gente sair depois da escola e estamos aqui há uns 20 minutos...

-Ok, vamos pro Smoothie Groove... –Sam sugeriu enquanto passava para o banco do carona- Depois eu vou ter que ir pro apartamento da Carly. Do jeito que ela tava animada hoje na aula de biologia o encontro dela e do Matthew deve ter sido bom...

-Então tá. Vamos comprar milk-shakes!!! –Freddie levantou o punho pra fora do carro, fazendo Sam rir.

Depois de ter ficado quase a tarde toda com Sam, Freddie voltou para o apartamento, com seus pensamentos sobre o dia de ontem. Ele ainda não poderia acreditar que ele era o futuro governante de um reino. Ele não conseguiu nem a eleição de presidente da classe na quita série ou o comando do clube AV, o que ele faria pra governar todo um reino? E Sam? Como ele era o príncipe, será que aceitariam que ele pudesse namorar uma plebéia? Ele deu de ombros, lembrando que o lance “príncipe e plebéia” já não se limitava aos contos de fadas. Ele tinha visto –contra a vontade, a “mãe” o tinha puxado pra ver a cerimônia na TV– o casamento do Príncipe William e da Princesa Katherine. Se aceitaram o casamento deles, por que não aceitariam o casamento dele com Sam. “Puxa, já tô pensando em casamento...”, Freddie sorriu “Ok, acho que posso pensar mais nisso quando estivermos na faculdade. Até lá, ainda falta pedir ela em namoro oficialmente...

-Freddie? –Marissa desceu a escada surpresa- Chegou tarde em casa. O encontro do clube AV não demora tanto assim...

-Não, mãe. Eu saí com a Sam depois da reunião do clube... –Freddie deu de ombros- Mas acho bom você estar aqui agora, mãe. Preciso mesmo falar com você...

-O que houve, Freddie... –Marissa se sentou, preocupada- Você tá tão sério...

-O que você sabe sobre eu ser o Príncipe de Concordia?

Marissa congelara. Sua boca escancarou depressa. Ela olhava Freddie sem acreditar.

-O-o-o-onde você ouviu isso?

-Aqui mesmo. Você estava conversando com a Melanie e disseram que eu sou um Príncipe Gabriel.

-Não é bem assim, Freddie...

-Mãe, não quero saber de mentiras... –Freddie se levantou do sofá, respirando fundo, tentando não gritar com Marissa- Eu só quero saber a verdade...

-A verdade?

-Desde o começo...

-Ok, mas senta, Freddie... –Marissa franziu so lábios.

Freddie encarou Marissa e o sofá por um longo minuto antes de resolver se sentar.

-Muito bem. Algum tempo antes de você nascer, tinha muita gente na fila da sucessão do trono. Seus tios, primos... Mas nenhum deles merecia a coroa. Seu pai, o Rei, que descanse em paz...

-Espera, meu pai morreu?

-Acalme-se Freddie... Ahn, Gabriel... –Era a primeira vez que dizia o nome verdadeiro de Freddie na frente dele- Eu conto isso mais adiante. Seu pai estava preocupado com o destino do reino e queria muito mesmo um herdeiro de sangue, um filho...

-Então eu nasci...

-Na mesma época que meu filho nasceu. Era assustadora a semelhança entre vocês dois, poderiam ser gêmeos se não fossem de mães diferentes. Eu trabalhava como ajudante da sua mãe e era uma grande amiga dela. Nós duas esperávamos que você e meu filho fossem amigos como eu e a Rainha éramos...

-O que aconteceu?

-O seu tio, o primeiro na linha de sucessão, ficou furioso com seu nascimento e quis tomar o trono à força. Seu pai lutou bravamente com seu tio, mas como ele poderia matar seu irmão, alguém da família? Infelizmente, seu tio não teve a mesma ideia...

Um gelo tomou conta do coração dos dois. Lembrar da morte do rei sempre fazia Marissa chorar, mas Freddie era quem parecia que ia chorar mais, por nunca mais conhecer o pai verdadeiro dele.

-Sua mãe, com medo que algo acontecesse, propôs um plano. Ela ficaria com meu filho, que morreu no parto, e eu ficaria com você, longe do reino, até que a guerra terminasse ou até você completar 18 anos. Você seria coroado como herdeiro legítimo da coroa Real e a guerra acabaria de vez.

-Então esse tempo todo que estou aqui... Você estava me protegendo?

-Não só eu. Muitos outros compartilham desse segredo e o protegem indiretamente. Alguns deles você conhece. Steven Shay, Pamella Puckett...

-O pai da Carly e do Spencer e a mãe da Sam e Melanie?

-Sim, além da própria Melanie. Os seus amigos só saberiam do segredo depois que você soubesse, mas algo deu errado nesse plano em parte. –Marissa apertou os lábios- Melanie soube do segredo por acidente, com 7 anos de idade, mas para infelicidade da Pamella, Melanie foi muito matura pra encarar isso como algo real. Para protegê-la dos informantes do seu tio, que estavam rondando Seattle, Pam enviou Melanie para um colégio interno em Londres e contratou o Sr. Marx para protegê-la, trabalho que mais tarde foi transferido para Shelby...

-E a Sam? –Freddie perguntou trêmulo, preocupado com a sua amada.

-Não, ela não sabe... –Marissa acalmou Freddie- Samantha só vai saber se você quiser que ela saiba...

-Eu quero que ela saiba, mas não agora... –Freddie murmurou- Se o que você disse sobre a Mell estiver certo, então Sam também vai estar em perigo. Você já soube com a Melanie que estão me seguindo, não é?

-Sim, mas agora quero saber de você... Como eram aqueles vultos que estavam te perseguindo?

-Ahn, sei lá, mãe... –Freddie sentia-se estranho por chamar Marissa de mãe, mas anos de convivência não o deixavam chamá-la de Marissa- Eram de preto, tinham uma faixa azul no braço...

-Isso é bom... –Marissa respirou aliviada- Eles são informantes da sua mãe. Azul é a cor de fundo da bandeira de Concordia. Devem estar vigiando você em nome da sua mãe...

Freddie respirou fundo. As coisas estavam bem esclarecidas em sua mente. A verdade já tinha sido revelada a ele. Só faltava agora falar para Sam –e torcer para que sua amada aceitasse a verdade como ele aceitou.

-Bom, e agora, mãe?

-Agora, precisa manter sua identidade verdadeira sob sigilo. Você ainda continua Freddie para seus amigos, mas não estranhe se eu começar a te chamar de Gabriel aqui em casa...

-Tudo bem, isso eu posso levar na boa. –Freddie sorria, agora mais aliviado.

-Pretende contar pra Sam?

-Claro, mas nós vamos contar pra ela, por que se eu contar ela não vai acreditar em mim. Vai dizer que é palhaçada...

-Tudo bem, Gabriel. Você é quem decide, meu pequeno príncipe... –Marissa abraçou Freddie apertado.

-Ai, isso me lembrou uma coisa... –Freddie falou estrangulado- Tenho que ler um livro pra aula de literatura. O Pequeno Príncipe... –Freddie revirou os olhos- Irônico, não?

-Um pouco... –Marissa riu- Vai lá ler o livro. Aviso quando a Sam chegar?

-Por favor. –Freddie bufou enquanto subia a escada- Já que ela inventou de saber das fofocas com a Carly eu vou ter que ajudar ela com o livro...