Notas iniciais
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Depois de uma longa caminhada floresta adentro, o grupo encontrara os soldados, todos estavam quase botando a alma pela boca. Todos, menos uma pessoa.

-Inacreditável. –Melanie balançava a cabeça- Como é que você consegue ficar assim calmo depois de uma caminhada dessas, Shell?

-Muito tempo fazendo exercício e treinando no exército. Deviam se alistar... –A morena alta dera de ombros- Comigo fez maravilhas...

-É por isso que vou me alistar assim que sair da faculdade... –Matthew deu de ombros.

-Srtª Marx, estamos nos aproximando do palácio. –Um dos soldados que os acompanhavam falou- Temos que deixá-los aqui e voltarmos ao nosso patrulhamento. Sabem onde ficar a direção pro palácio, não?

-Claro. Tenho um GPS mental infalível... –Shelby bateu o dedo na testa- Chegaremos lá bem e rápido, obrigada...

-Muito bem. Boa sorte, garotos. –O homem batera continencia antes de ir embora.

-Ok, pessoal. Vamos lá. Ainda temos que andar mais um bom pedaço se quiserem descansar no palácio de Concordia. Vamos, chega de moleza...

-Acho que estou começando a concordar com o Matthew... –Freddie falou quase sem ar- Se a Shelby continuar a mandar na gente desse jeito vamos morrer...

-Com todo o respeito, Gabriel, mas cala a boca e anda, sim? –Shelby fuzilou o príncipe com o olhar- Ou então eu volto a te chamar de “elemento”, você quer isso?

-Eu quero é poder chegar ao castelo ainda respirando... –Ele revirara os olhos antes de voltar a andar.

-Enfim, chegamos ao palácio... –Shelby sorriu, triunfante, na frente do castelo- Eu disse que chegaríamos aqui antes do entardecer...

-Dá só um minutinho pra respirar, Shell... –Melanie implorou abraçada em Griffin, que também estava sem ar- Daí quem sabe a gente pensa em comemorar, sim?

-Quem está aí? –Um homem com cara de agressivo aparecera na vigia perto da porta, encarando o grupo de adolescentes parados ali.

-Estamos aqui em nome do Príncipe Gabriel. –Sam se levantara, já recuperada da longa caminhada- A rainha sabe que estamos aqui. O Tenente Marx e o General Shay a avisou de nossa presença aqui...

-Oh, minha nossa... –O homem encarava Freddie, meio espantado- Esses olhos, eu poderia reconhecer em qualquer lugar, mesmo morto. São os olhos da nossa soberana... –Freddie encarou o homem e seus amigos, sem entender nada, mesmo quando ele desceu meio desajeitado da vigia e se ajoelhou perante ele- Mill perdões, Vossa Alteza, mas nunca imaginei estar vivo para ver seu retorno a Concordia. Bem vindo, Príncipe Gabriel...

-Obrigado, mas pode se levantar? –Freddie pediu meio envergonhado- Eu ainda não sou príncipe, oficialmente, e não me sinto bem com as pessoas se curvando pra mim o tempo todo.

-Ah, sim, me desculpa. –O soldado se levantara- Vou pedir que abram os portões para vossa Alteza. Precisa de um guia para o palácio?

-Não é preciso. –Freddie deu de ombros- A Srtª Marx esteve aqui no palácio, como ela me disse, garanto que nem eu ou a minha armada estaremos perdidos.

-Tudo bem. Irei aviar o pessoal... –O soldado tirou um walkie-talkie do cinto e começou a falar- Abram os portões, os convidados da Rainha chegaram.

Depois de alguns minutos, os portões se abriram e alguns membros da criadagem real saíram e pegaram a bagagem do pessoal. Logo todos estavam dentro do palácio suntuoso. Na verdade, dentro do salão do trono. Uma garota miúda e de óculos, que tinha acompanhado a mini comitiva de criados, aparecera e começou a falar com sua voz baixinha.

-A Rainha vai chegar em alguns minutos. Enquanto isso, só pra organizar as coisas, em que quartos vão ficar?

-Eu me contento com um quarto perto do posto da guarda. –Shelby cruzou os braços- Quero ficar de olho em tudo...

-Pra mim tanto faz, desde que eu tenha uma vista do mar, então tá beleza... –Carly deu de ombros.

-Pra mim também... –Melanie concordou com a amiga.

-Ahn, se tiver um quarto perto do posto da guarda pra mim também, eu vou ficar feliz... –Griffin fez uma careta, olhando os tronos do Rei e da Rainha- Sinto muito por não ficar com você, Melanie, mas é que preciso de um tempinho pra mim. Passamos muito tempo juntos ultimamente...

-Eu não ligo de passar muito tempo com a minha namorada... –Freddie abraçou Sam por trás- Eu fico no quarto que escolherem pra mim, mas a Sam tem que ficar comigo.

-Tudo bem. Avisarei o pessoal sobre o que pediram. Com licença... –A garota se curvou rapidamente para os garotos antes de sair, deixando-os sozinhos no salão gigante.

-Gente, eu tô me sentindo uma formiga nesse salão... –Carly choramingou- Isso vai fazer horrores com o meu complexo de altura...

-E pensar que os meus ancestrais estiveram aqui nesse salão... –Freddie correu o olhar pelo salão inteiro- Eu sinto orgulho só de pensar nisso.

-É, e só pensar que daqui a dois dias você vai estar ali, naquele trono... –Sam sussurrou, melancólica- Eu vou adorar te ver como rei de Concordia, só que...

-Não... Nem pense em completar essa frase. –Freddie colocou dois dedos nos lábios de Sam, silenciando-a- Eu sei o que vai dizer, e eu prometo que darei um jeito de isso nunca acontecer. Nunca vamos nos separar, tá?

-Espero que esteja certo, Fredduardo... –Sam apertou os lábios, receosa- Por que tá me olhando assim?

-Eu já falei que sentia falta desses apelidos doidos que você inventou pra mim? –Freddie riu, apertando a loira em seus braços.

-Já, um milhão de vezes... –Ela riu, acompanhando o moreno- E eu gosto de ouvir isso...

-Hey, será que dá pra gente sair do recinto pra vocês se pegarem? –Melanie gritou, um pouco longe do grupo- Eu não quero ter que ver vocês se engolindo como duas sucuris em um daqueles documentários amedrontadores do Animal Planet...

-Não tô nem ligando pra você, Mell... –Sam gritou de volta- Eu vou beijar o meu nerd aqui e sugiro que você faça o mesmo com o Griffin.

-Sammy!!! –Melanie corava enquanto ela e os amigos viam Freddie e Sam se beijarem.

-Me desculpem, meninos... –A garota baixinha reaparecera, dando um pigarro leve pra chamar a atenção do casal que ainda se beijava- A Rainha vai descer agora mesmo, melhor prepararem a reverência. Ahn, você... –Ela apontou para Freddie- Como quer que o arauto os apresente?

-Diga a ele pra nos apresentarmos como... –Ele respirou fundo- Príncipe Gabriel X e a Armada de Concordia...

-Tudo bem. Esperem mais um minuto. –E a mocinha saira mais uma vez do salão, dizendo algo desconexo.

-O que foi que você fez, hein? –Shelby puxou Freddie pelos ombros- Sabe-se lá se ela é uma informante do seu tio? Tem vários deles escondidos por Concordia. Sabem o que podem fazer com você se te acharem?

-Eu sei, Shell... –Ele balançou a cabeça- Eu sei dos riscos e sei exatamente o que eu fiz. Acabei de selar meu destino...

Logo o grupo ouvira o som de uma trombeta soar pelo salão. Um homem alto, alguns palmos mais alto que Matthew, aparecera segurando a trombeta ao seu lado e gritando, como se tivesse mil pessoas lá ao invés de 7 adolescentes.

-Príncipe Gabriel X e Armada de Concordia, apresento-lhes Rainha Magnolia, soberana de Concordia. –Eles podiam ouvi-lo respirar fundo antes de ir embora e fechar a porta. Logo eles viram uma figura descer pela escada.

Era quase suave, lírica, como se estivesse voando ao invés de andar. Os cabelos eram cor de avelã, um pouco mais claro, e os olhos eram cor de chocolate, o mesmo tom dos olhos de Freddie. Um sorriso doce estampava o rosto dela enquanto todos se curvavam diante dela.

-Levantem-se, meus queridos... –Magnolia falara com a voz meio emocionada- Eu não imaginava ver meu filho, ma petit prince, tão cedo assim. Olha como está lindo, magnifique... –Ela se aproximara de Freddie e o puxou para um abraço apertado e saudoso. Ele não sabia o que fazer, mas retribuiu o abraço com os olhos meio ardendo, querendo chorar- E também não esperava conhecer seus amigos. Poderia me apresentá-los?

-Claro, eu acho... –Freddie sorriu enquanto se endireitava- Alguns acho que a senhora conhece ou ouviu falar dos pais deles. Esses são Shelby Marx, Matthew e Griffin Carter, Carly Shay e Melanie e Sam Puckett. Ah, e só mais um detalhe, a Sam não é só uma mera amiga pra mim, entende?

-Acho que entendo, sim... E já ouvi e conheci seus pais, crianças... Eles foram e são os guerreiros mais valorosos que Concordia conheceu e vai conhecer. E tenho muito orgulho de conhecer vocês. Com certeza, inclusive a Srtª Puckett...

-Acredite ou não, estou feliz e meio apavorada em te conhecer... –Sam começou a torcer o cabelo, nervosa- Fiquei falando com Freddie durante esse tempo antes de vir pra cá. Enchi ele o tempo todo dizendo o quanto eu tava nervosa por te conhecer, por que, se você não sabe, eu sou plebéia...

-Não se preocupe, Samantha. Você é muito bem vinda aqui. Aliás, todos vocês... –Magnolia voltara a falar mais alto, com todos no salão- Vamos jantar às 7 da noite. Até lá, podem se acomodar a vontade, aproveitem pra conhecer o castelo, dar uma volta pelos jardins. Ahn, Srtª Marx, sei que já esteve aqui, mas me lembro de você bem menor... –Ela pusera um dedo no queixo, pensativa- Enfim, sei que conhece esse castelo melhor até do que eu. Pode guiá-los pelo castelo?

-Seria uma honra, Majestade... –Shelby se curvou, chamando todos pra fora do salão- Andem, quem quiser conhecer o castelo antes de anoitecer é melhor se apressarem...

-Shell, sei que sou sua amiga, mas eu não quero mais andar hoje. –Melanie choramingou- Será que não dá pra gente ir pros nosso quartos não?

-Mas nós nem sabemos onde... Argh, vamos... –Shelby saiu do salão batendo pé, sendo seguida pelo pessoal.

-Gabriel, Samantha. Vocês dois não precisam seguir a Srtª Marx. –Magnolia falou, a mão esticada na direção dos dois- Venham comigo.

Magnolia guiou Freddie e Sam até o “andar real”, como ela chamara, onde ficavam os aposentos da realeza. Tudo isso com direito a uma linda vista da cidade real e da área litorânea.

-Sabe, eu costumava vir aqui, todas as noites, orar por você, meu filho. –Magnolia sussurrou doce, mas Freddie e Sam conseguiam ouvi-la- Depois que conversava com Marissa, eu vinha aqui pra tentar me acalmar, pensar melhor no seu futuro, torcendo para que Lorde Henry nunca te achasse...

-Meu tio?

-É. Já tentou tomar o reino tantas vezes desde que seu pai morreu e você foi embora, mas me mantive firme, pelo nosso reino. Por você... –A rainha encarou seu filho, os olhos de chocolate um do outro se encaravam- Você nasceu de noite, sabia? Uma noite clara, sem nenhuma estrela no céu. Só a lua minguante, iluminando tudo. Naquela mesma noite você fugia nos braços da Marissa pra se salvar, pra salvar um reino inteiro. Eu não sabia se algum dia eu te veria, te abraçaria tão apertado como fiz hoje. Por isso eu fiz como estou fazendo agora. Olhei fundo seus olhinhos de bebê, por que se algum dia eu te visse de novo, saberia que é você. Você tem uma determinação no olhar que lembrava seu pai...

-Nossa, ela é bem profunda, não? –Sam falou, meio distraída- Mas isso não é ruim. É uma coisa que o Freddie puxou de você. Tem que ver quando ele tá no modo profundo. Fico arrepiada dois dias seguidos...

-Imagino... –Magnolia riu- Gabriel, já decidiu onde vai dormir essa noite?

-Ainda não, mas eu já disse que independente de onde dormiria, a Sam teria que dormir comigo... Bom, a gente ainda não... Sabe? –Freddie ficava vermelho enquanto tentava explicar as coisas para a mãe verdadeira. Era mais fácil falar do assunto com Marissa, mas ele a conhecia toda a sua vida. Ele só conhecia Magnolia há alguns minutos. Era simplesmente complicado- Mas é que a gente se acostumou a dormir juntos. Se tiver algum problema, eu entendo, mas vai ter que pedir quartos um ao lado do outro...

-Não, não tem problema. Podem dormir no mesmo quarto sem problemas. Pedirei as camareiras reais pra trazerem suas bagagens para cá. Acreditem ou não, sou uma rainha moderna... –Magnolia piscara o olho- Escolha o quarto e depois me avise. Samantha, quer me acompanhar em uma volta pelo jardim?

-Claro. Vá na frente... –Sam deixou a rainha ir primeiro, ficando sozinha com Freddie- Ok, vou admitir, tô com um pouquinho de medo de ficar sozinha com a sua mãe. Quer dizer, a Srª B era uma coisa, agora a Rainha de Concordia...

-Vai ficar tudo bem, minha loira demoníaca... –Freddie abraçou Sam e beijou a testa dela- Seja você mesma. Não tem o que temer, ok? Eu te amo...

-Também te amo... –Sam sorriu fracamente antes de sair da sacada.

-Bem vinda ao meu jardim particular... –Magnolia dera as boas vindas a Sam para o único lugar que por um momento, a deixara sem fala.

O jardim era pequeno, aconchegante e quase surreal. Era quase um planeta verde, pincelado com toques de vermelho, branco e roxo. Rosas e lavandas misturavam seus perfumes, fazendo daquele lugar único.

-Minha nossa... É... Lindo... –Sam admirava tudo, encantada. Seus olhos azuis brilhavam intensamente.

-Sabia que meu nome, Magnolia, é em homenagem a flor? –A rainha se sentara no balanço no meio do jardim e batera no lugar ao lado dela, para que Sam se sentasse- Minha mãe me deu esse nome, por que ela amava flores. Sabia que tenho uma irmã mais nova chamada Lisa, por que, na época, o jardim da minha mãe estava cheios de flor-de-lis no dia?

-Deve ter sido lindo crescer nesse castelo... –Sam sentara no balanço, completamente perdida.

-Acha que sou real, de verdade? –Magnolia riu por um curto segundo- Ah, Samantha. Sam... Você me lembra tanto a mim, quando tinha a sua idade. Eu era uma garota sonhadora, valente, e não gostava muito que ficassem me dando ordens, mesmo quando era pra isso que fui criada...

Sam arregalara ainda mais seus olhos, tomando consciência da verdade.

-Sim, eu era uma plebéia, assim como você. Quando tinha a sua idade, fui chamada pra ser uma criada aqui no palácio, mas nem desconfiada do real motivo de eu ter chegado aqui. O rei Vincent, na época um jovem príncipe, tinha me visto passear pela cidade durante uma das visitas dele pelo país e se encantou por mim. Demorou muito pra que eu desse o braço a torcer, mas logo me apaixonei por ele, mas não pelo quê ele era, mas sim por quem ele era. Uma pessoa gentil, generosa, inteligente e muito engraçada...

-Você não parece que foi uma plebéia. –Sam balançou a cabeça, sem acreditar ainda no que ouvira- Você se move de um jeito tão... “Real”, sabe?

-Mas eu não achava isso antes. Quando Vincent me pediu em casamento, fiquei tão insegura comigo mesma. Eu disse a ele “como uma garota como eu pode ser uma princesa? Não tenho cara de princesa...”. Foi quando ele pegou a minha mão e a beijou, transmitindo a mim todo o amor e segurança que tinha em mim, e me disse baixinho: “você é a minha princesa, e isso basta...”.

-Às vezes penso isso também... –Sam confessou- Acho que não sou boa o bastante pro Freddie...

-Não pense isso! -Magnolia levantou as mãos- Se meu filho escolheu você pra amar, deve ter excelentes motivos. Também, você é uma garota muito doce, e muito decidida também...
-Eu sou doce?
-A questão é, você vai fazer meu filho muito feliz. -A rainha abraçou Sam- E garanto que um dia você será a rainha que todos em Concordia terão orgulho de ter.
-Muito obrigada, Rainha... -Sam queria pular de alegria, chorar de emoção e gritar de euforia, tudo ao mesmo tempo- Obrigada mesmo pela confiança...
-Não há de quê, Samantha...

Notas finais
^^