Um Presente De Natal
16 Capítulo 16
Dei um giro involuntário no ar e puxei o ar fortemente para os pulmões antes de chegar à água, caindo incrivelmente de pé. Meu corpo afundou e eu esperei pelo chão, para dar impulso para emergir, mas eu afundava e o chão não chegava o que me dava um certo desespero, já que com a queda alta, eu automaticamente ia afundar bastante. Sem saber o que fazer, escutando os barulhos turbulentos do mar e sentindo a água se mover em volta do meu corpo com força, abri os olhos os fechando em seguida por causa do ardor que os atingiu. E agora eu sentia falta do vital ar. Comecei a me mover desesperada, tentando fugir daquelas águas turbulentas, quando sem conseguir segurar mais soltei o ar que eu prendia. Puxei a água salgada para os pulmões ainda tentando emergir e fui agarrada por trás, sendo puxada para cima. Senti meus pulmões queimarem e quando consegui emergir com a ajuda de um ser misterioso, tossi bem forte, quase cuspindo meus pulmões junto e foi coberta por uma onda que me afogou mais ainda. A pessoa continuou nadando comigo em direção a areia, mas quando começou a dar pé, a pessoa me pegou nos braços e me levou até a areia em seu colo, enquanto eu tossia fortemente. Ele me sentou na areia preocupado. Notei que algumas pessoas próximas observavam a cena e vi Yesung que nem louco deixando o píer.
– Você está bem? – perguntou Jinyoung sentado ao meu lado.
A água escorria de seus cabelos molhados e contornavam sua face e seu peitoral desnudo, isso poderia até ser um tipo de ponto positivo para o mar, mas voltei a tossir fortemente, me lembrando o porquê de eu não gostar de água salgada, além do que, meus olhos ainda ardiam por eu tê-los abertos.
– Por que você não desceu do negócio quando eu pedi? – perguntou ele aos berros fazendo eu e Jinyoung encolhermos – Pelo menos você está bem – ele completou com um sorriso torto me abraçando.
Um salva-vidas, que a propósito estava muito atrasado, veio ao meu encontro querendo saber se eu estava bem, mas como eu só havia aspirado uma pequena quantidade de água, eu estava bem. Depois disso, as estrelas lentamente surgiam no céu e nenhum dos três estava com empolgação para entrar na água, então fomos atrás de Sooyoung e Baro. Ambos estavam em um quiosque um pouco distante e conversavam animadamente sobre algo, mas fizeram silêncio quando nos viram. Isso era muito estranho.
– Vamos para a pousada – disse Jinyoung dando de ombros e saiu andando na frente.
– Será que nossos pais ainda estão aqui? – perguntou Sooyoung se levantando enquanto Baro ia ao caixa pagar a conta.
– Não sei, mas acho melhor passarmos no quiosque onde eles estavam – disse em resposta calmamente e segurei a mão de Yesung, que sorria observando o mar.
Saímos os quatro juntos, enquanto Jinyoung ia mais a frente. Eu não sabia o porquê de seu silêncio repentino, ainda mais depois de ter me salvo, mas preferi deixar as coisas como estavam. Meus pais e tios não estavam mais no quiosque, provavelmente alegando que já éramos grandinhas o suficiente para seguir para a pousada sozinhas e assim o fizemos. Sooyoung que queria tomar um banho para retirar à areia e sal do corpo, foi à primeira entrar no quarto e apenas pegou sua toalha indo em direção ao banheiro. Entrei logo depois de mãos dadas com Yesung e automaticamente recebi dois olhares furiosos.
– Por que ele está aqui? – perguntou um dos gêmeos.
– E por que está segurando a mão dele? – completou o outro no mesmo tom firme e enciumado.
– Por favor crianças, sem drama – disse dando de ombros e puxando Yesung para a minha cama.
– Mas... – um dos gêmeos tentou protestar, mas o interrompi.
– Por que vocês não vão correr pelo estacionamento hein? Deixem a televisão para outro momento.
– Daqui a pouco nós vamos na pizzaria do outro lado da avenida – falou meu primo MinWoo sem dar muita importância. E só agora eu reparava que além de estarem meio queimados de sol, eles estavam bem vestidos, com camisetas e bermudas. Cabelos penteados, provavelmente para o jantar na pizzaria.
Escutando meu conselho ou não, pouco depois eles desligaram a televisão e deixaram o quarto. Aquilo era bem embaraçoso, mas depois que Sooyoung deixou o banheiro, arrastei Yesung comigo, parecia muito perigoso deixá-lo sozinho com minha prima. A parte boa era que o banheiro era grande e não tinha box, então você estava tomando banho, mas podia muito bem correr livremente pelo banheiro, que por mais que perdesse em largura, era bem comprido. Sabe duas crianças felizes fazendo escultura no cabelo cheio de shampoo na frente do espelho? Então, era eu e Yesung, até eu jogar sem querer espuma nos olhos do meu presente e ele sair chorando para o chuveiro.
Depois fui expulsa do banheiro para que Yesung trocasse de roupa e depois invertemos os papeis. Quando deixei o banheiro vestindo a calça jeans que eu havia usado na viagem acompanhado de uma regata branca, Yesung estava sentado na minha cama esfregando a minha toalha em seus cabelos negros. Imagina a jubinha de leão que ficou, mas era uma jubinha muito linda. Sendo a pessoa boa que eu era, cuidadosamente me dispus a pentear seus cabelos bagunçados e em poucos segundos, seus fios lisos estavam menos rebeldes, mas seu corte repicado era exatamente para isso, para deixá-los mais volumosos, então não consegui deixá-lo com cabelo super escorrido.
– Duda, você não acha que isso pode ser importante? – ele perguntou com um pequeno cartão vermelho em mãos, o reconheci de imediato, era o cartão que havia vindo junto dele.
– Não sei Yesung, o que ele diz mesmo? – perguntei ainda concentrada em seus cabelos.
Minha mãe e minha tia chegaram nos chamando para ir jantar, então tudo que fiz, foi deixar o cartão sobre meu travesseiro, mas antes de deixarmos a pousada, Sooyoung teve a genial idéia de chamar Baro e Jinyoung. Apenas dei de ombros, enquanto Yesung concordou animado. Tenho que assumir que eu não sabia qual era o quarto de Baro, por isso nem liguei para sua afirmação, mas ela foi rapidinho para o quarto no início do corredor e bateu delicadamente. Eu e Yesung apenas a seguimos. Poucos segundos depois e Baro abria a porta.
– Oi Sooyoung, o que você quer? – ele perguntou franzindo o cenho confuso.
– É que nós vamos a uma pizzaria do outro lado da avenida e queríamos que você e seu irmão fossem juntos – disse ela um pouco tímida e de forma meiga, ela estava trocando o MinHo pelo Baro? O cara lindo da praia pelo ser estranho que estudava conosco desde que nos entendíamos por gente?
Eu ainda estava pensando com certo espanto quando ele me notou parada no corredor e me lançou um sorriso, mas fechou a cara ao ver Yesung ao meu lado.
– Tudo bem – disse Baro voltando-se para Sooyoung — Vou ver se o Jinyoung quer ir e já volto, se quiserem podem entrar – disse ele deixando a porta aberta e foi atrás do irmão.
Seu irmão mais velho acabou aceitando e seguimos para a pizzaria. O estabelecimento era pequeno, na verdade só possuía três mesas de plástico dispostas na calçada e sua decoração era bem simples, as paredes todas pintadas de branco e um balcão de granito protegia a cozinha. A maioria dos clientes do local, compravam a pizza para comer em casa, mas animados como meus pais eram, eles juntaram duas mesas e sentaram. Mesa de sopão é o que há de melhor. Como eles não contavam com Baro, Jinyoung e Yesung, eu e Sooyoung, acabamos pegando as cadeiras que eles haviam deixado para nós e colocamos na mesa ao lado.
– Como você tem sorte filha – comentou minha mãe enquanto eu pegava a cadeira – Viaja para a praia e encontra seu professor de coreano e o Baro, eu queria que minhas viagens fossem assim.
Soltei um sorriso forçado concordando com a cabeça e escutei meu pai falar.
– Você não se lembra daquela vez que nós viajamos para o sul e você encontrou uma amiga do tempo da escola? – nesse momento parei pensando, se ele estava falando da Viviane, pode até ser que o assunto não era comigo, mas eu me lembrava muito bem, porque ela tinha um bebê muito cute, mas voltando ao momento, sentei entre Yesung e Jinyoung, já que minha prima havia sentado entre Yesung e Baro, me restando apenas aquele espaço.
O garçom que usava por cima da roupa um avental azul marinho com o nome da pizzaria e carregava um bloquinho de notas, veio nos atender e para surpresa geral e felicidade de Sooyoung, o jovem a reconheceu.
– Sooyoung, eu estava mesmo pensando em te ligar – espera, o Minho tinha o número do celular dela? Pensei agoniada, porque ele não olhava na minha direção e se apaixonava a primeira vista pela minha franja? – Nós podíamos dar uma volta na praia, ficar vendo a lua... – só agora eu reparava que ele tinha um sotaque meio carioca, mas eu ainda tinha dúvidas sobre sua origem. Ele continuaria falando com sua voz máscula, se Baro não tivesse o interrompido.
– Você vai ou não vai anotar nosso pedido? – ele perguntou arqueando a sobrancelha esquerda e com os braços cruzados sobre o tórax, muito macho por sinal, o que fez com que eu e seu irmão soltássemos risadas baixas e abafadas.
– O que vocês vão querer? – ele perguntou com um sorriso torto.
Baro passou os olhos sobre o cardápio e sem consultar ninguém, pediu uma pizza grande de calabresa e uma garrafa de dois e meio litros de coca-cola. Assim que MinHo gentilmente se retirou, Sooyoung que estava se derretendo por ele, fechou a cara encarando Baro.
– Por que você é assim? – ela perguntou espreitando os olhos para ele.
Eu até prestaria atenção na conversa deles, se eu não tivesse mais o que fazer. Lembrando-me de um fato, cutuquei o braço esquerdo de Jinyoung e esperei pacientemente que ele olhasse em minha direção.
– O que foi? – ele perguntou simplesmente, desviando seus olhos do cardápio e os pousando sobre minha face.
– Obrigada por me salvar – disse lançando-lhe um curto e tímido sorriso de agradecimento e tirei rapidamente uma mecha do meu cabelo castanho que havia sido empurrado pela brisa úmida e noturna para a minha face.
– Ahn... Ta – respondeu ele simplesmente voltando a se concentrar no cardápio.
Baro e Sooyoung continuaram brigando por causa do comportamento grosseiro de Baro até que Minho chegou com nossa pizza que exalava um doce e suculento aroma. Yesung devorava seu terceiro pedaço – não me pergunte para onde ia tanta comida por que eu também estava confusa — quando interrompeu sua mastigação e perguntou de boca cheia.
– Você ainda não me disse quem eu sou, quando vai fazer isso? – ele perguntou recebendo o olhar apreensivo de Sooyoung e curioso de Baro.
– Não fale de boca cheia – retruquei lhe dando um tapa no braço esquerdo e acabamos esquecendo do assunto, mas ele ainda martelava na minha cabeça. Dia trinta e um já estava praticamente diante de nós e eu não tinha certeza se contar a verdade seria realmente necessário.
Ao fim meus pais pagaram a conta e nos levantamos até redondos. Sooyoung queria sair com MinHo, mas acabou marcando de encontrá-lo na manhã seguinte. Eu estava preste a segurar a mão de Yesung, para não correr o risco de ele se perder pela centésima vez, quando Baro puxou meu ombro esquerdo e pediu que eu fosse por último com ele. Muito contragosto e vendo que Jinyoung conversa com meu presente, acabei ficando para trás com Baro. Primeiro perguntei a ele sobre o que havia acontecido no quiosque e apenas quando havíamos chegado à pousada que ele perguntou algo de forte relevância:
– Você acha que sua prima gosta desse tal de MinHo? – sua pergunta me fez rir baixinho.
– Por favor, não se intimide pela beleza sem fim do MinHo, você deve ser melhor que ele em algo – meu tom soava irônico, o que de fato era, e que deixava Baro levemente irritado.
– Estou falando sério Duda, estou cansado de correr atrás de garotas que não me notam, não quero ir atrás da Sooyoung, para depois ela me dizer que prefere o senhor músculos tagarela – disse ele enquanto passávamos por seu quarto em direção ao meu.
– Você correndo atrás de garotas? – perguntei soltando um sorriso debochado ao fim, Baro nunca dizia que estava apaixonado ou sentia algo por alguém, então essa história não era nada fácil de ser engolida, mas sendo espreitada por ele, voltei a ficar séria – Mas sabe no que você é melhor que o MinHo? – perguntei fazendo silêncio para que ele respondesse, mas ele não sabia o que me responder – Na localização, esses relacionamentos à distância não duram muito e além do que, quem ia querer algo com a minha prima? Poxa, o MinHo ainda não me viu, por isso que está todo simpático com ela – disse sendo a mais humilde possível.
– Por que você é tão egocêntrica e fechada? – perguntou Baro sério sem mais nem menos, me fazendo franzir o cenho confusa.
– Eu sou egocêntrica? – perguntei parando na porta do meu quarto.
– Sim Duda, você é muito egocêntrica e fechada, você quer que tudo gire ao seu redor, você não quer contar à macumba que ele é um grande cantor porque tem medo de sua decisão, tem medo que ela vá embora, você não gosta das coisas e não quer que as pessoas gostem ou se você gosta de algo, você fica no pé da pessoa até ela gostar também. Você não se abre para as pessoas, nem mesmo para Amber que é sua melhor amiga, eu vejo você dizendo sobre você, tudo que você faz e acenar de longe para as pessoas, fazer caretas quando algo lhe desagrada e armar esse seu sorriso forçado quando está na frente de adultos. Por que você não deixa que as pessoas te toquem? Por que você não liga para datas comemorativas? Seus pais a largaram sozinha em pleno Natal e você simplesmente me liga para mostrar a sua macumba de estimação. E o pior de tudo é que você ignora o que acontece a sua volta, vai dizer que você nunca notou que eu estou sempre por perto? Porque mesmo você sendo tão indiferente eu gosto de você, eu faço de tudo para estar perto de você, mas você vê isso? Não, ou melhor, você ignora todas as minhas demonstrações de afeto.
– Olha Baro vamos parar com o drama que você tem que se focar na Sooyoung, porque amanhã ela vai encontrar o super Minho e se você não bolar um plano de sedução, ele vai fisgá-la primeiro.
– Você não escutou nada do que eu disse não é mesmo? – ele perguntou desapontando.
– Olha eu escutei alguns blá blá blá, ai mais outros blá blá blá e uma terceira sequência de blá blá blá coletivo – enquanto falava, eu gesticulava com a mão direita.
– Deixa pra lá – disse Baro dando as costas.
– Hey Baro, ainda não pensamos em seu plano de sedução – falei brincando, mas ele nem sequer fez menção de virar-se para trás.
Franzindo o cenho, entrei no quarto e fechei a porta atrás de mim. Yesung que estava esticado na minha cama com cara de sono, mas assim que me viu, sentou-se e sorriu animadamente.
– E se você me contasse sobre minha vida em forma de história para dormir? – ele perguntou com seus olhinhos brilhantes, fazendo uma voz protestar de imediato.
– A tia Laura disse que ele não pode ficar neste quarto – disse um dos gêmeos Min.
– Se ele ficar aqui nós vamos contar para ela – completou o outro tão sério quanto o primeiro.
– O que vocês querem de suborno? – perguntei juntando as sobrancelhas.
Eles pararam pensativos por alguns segundos, mas disseram em coro, que nem por todos os meus beijos eles me deixariam dormir na mesma cama que Yesung.
– E quem disse que eu vou dormir na mesma cama que ele? – perguntei franzindo o cenho.
– Eu vou dormir no chão? – perguntou Yesung com a voz baixa e fina, essa não parecia uma opção muito feliz para ele.
Antes que eu consegui responder, escutei alguém bater na porta e pedi para que Yesung se escondesse. Vendo minha apreensão, um dos gêmeos se levantou correndo de sua cama e tive que ser mais rápida ainda, pulando sobre ele e o derrubando no piso gelado. Ele soltou um baixo e abafado gemido de dor e me levantei rapidamente abrindo apenas uma fresta na porta, mas ao ver que se tratava de Jinyoung, há abri um pouco mais.
– O Baro está por aqui? – ele perguntou enterrando as mãos no bolso da calça jeans, ele me parecia nervoso.
– Não – respondi calmamente.
– É que ele desapareceu e não atende as ligações, estou preocupado – anunciou Jinyoung, fazendo Sooyoung saltar de sua cama imediatamente e correr em direção a porta querendo maiores informações. Bufei alto revirando os olhos, depois a egocêntrica era eu.
– Tudo bem, vamos atrás dele – disse passando séria por Jinyoung.
Fazia um breu lá fora, mas o Baro estranhamente era mais importante.
Notas finais
by: Mc =]
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