Um Príncipe em Minha Vida
51 Somethings Are Meant To Be-Parte 2
Notas iniciais
Sam ficou no hospital por mais alguns dias, sempre acompanhada de Freddie. Ele nunca deixava o quarto de Sam –exceto quando voltava pro palácio, pra dar notícias sobre Sam e quando pegava uma muda de roupa limpa. Todos já tinham passado por lá pra visitá-la: Carly e Shelby –que ainda estava abalada pela morte de Melanie–, comemorando o fato de Sam estar viva; Spencer –que descobriu o segredo de Freddie pelo pai dele e voou pra Concordia pra saber da irmã e da namorada–, que deu a Sam uma escultura feita de minhocas de goma como presente de melhora; Marissa e Magnolia, que estavam lá mais pra ver Freddie do que Sam, mas que também comemoravam o fato de Sam ter sobrevivido; Matthew e Griffin –que agora estavam em paz com a morte de Lorde Henry–, mas em especial Griffin, que pediu desculpas oficialmente a Freddie e Sam pelo que aconteceu durante a última batalha de Concordia.
Uma semana depois da última batalha, Sam recebia alta do hospital. Uma notícia que a loira recebeu com graça e finesse, digna de uma futura princesa.
-É isso aí! A Mama Puckett aqui tá fora desse hospital!!! –Sam pulava dentro do banheiro do quarto onde estava internada enquanto trocava de roupa- Até nunca mais, bando de enfermeiros manés. Adeus, mingau de aveia pavoroso.
-Quer ficar quieta? Isso aqui é um hospital... –Freddie falou do lado de fora, arrumando a mala dele e de Sam.
-Você não me pediu pra ficar quieta ontem à noite, quando a gente tava de amassos no sofá... –A cabeça de Sam apareceu pela fresta da porta, encarando Freddie sarcasticamente e fechando logo em seguida.
-Culpado. –Freddie riu pelo nariz, se sentindo nada culpado- É que ás vezes perco a cabeça quando eu te tenho comigo. É involuntário. –O moreno encostou os lábios na porta fechada- Um gemido seu e eu nem me reconheço mais...
-Ok, pare de falar assim... –Sam sussurrou, de costas para a porta, segurando o roupão do hospital nas mãos- Eu já tô ficando maluca. Ficar aqui com você e não seguirmos adiante como antes me deixa agoniada, sabia?
-Mas pelo menos eu estou aqui. É isso que importa... –Freddie murmurou- Já se trocou? Precisamos ir para o memorial.
-Claro... –Sam abriu a porta do banheiro, arrumando a alça de seu vestido preto. Freddie reconhecia aquele vestido do Baile da Renascença na Ridgeway High. Ele estava usando uma farda da Guarda Real de Concordia, mas ao invés da costumeira faixa azul índigo, ele usava uma faixa azul marinho, quase preta- Shell deve estar surtando lá embaixo nos esperando na sala de espera...
-Você acha? –Freddie ergueu a sobrancelha naquele movimento sexy e divertido que só ele sabia, fazendo Sam rir. Os dois descobriram durante uma das visitas de Shelby ao hospital que a garota tinha claustrofobia, assim como Carly –o que explicava o comportamento dela dentro do quarto de Freddie há uma semana- Vamos lá, minha demônia loira.
-Vai na frente, príncipe nerd... –Sam colocou as malas nas mãos de Freddie enquanto saía do quarto.
Em um dos jardins do palácio de Concordia, a cerimônia-memorial de Melanie já começava. Pam ficara quieta o tempo todo durante a cerimônia, mesmo quando Sam chegou acompanhada de Freddie. Ela só ficou ao lado de Magnolia e Marissa, olhando o caixão da filha.
Todos ali tiveram a oportunidade de falar algo sobre Melanie, sobre as lembranças e os momentos que tiveram com a garota, mas nenhum depoimento ali foi mais emocionante que os depoimentos de Sam, Griffin e Shelby, em especial o de Shelby. Ela, que quase nunca chorava, acabou sucumbindo à emoção e não conseguiu terminar seu discurso, arruinando o paletó do Spencer com suas lágrimas, chorando a perda da melhor amiga.
Depois dos depoimentos, ocorreu o enterro de Melanie, o único momento que teve silêncio absoluto por ali, seguido pela salva de tiros da Guarda Real de Concordia e pela gravação do nome dela no memorial de Concordia. Sam quis gravara o nome da irmã, e assim como Shelby, não conseguiu conter as lágrimas. Logo depois da gravação se jogou nos braços de Freddie e começou a chorar silenciosamente.
A noite começara a cair em Concordia, uma bela lua cheia iluminava a cidade real. Todos que compareceram na cerimônia estavam dentro do palácio, mas faltava uma pessoa ali. Alguém que Freddie procurava feito louco desde o cair da tarde. Depois de correr por todo o palácio, se lembrou do único lugar onde Sam queria estar naquele momento.
No jardim secreto de Magnolia, onde estava o memorial de Concordia, Sam, sentada no banco de concreto, encarava fixamente os nomes ali escritos. Os heróis da coroa, pessoas que deram suas vidas pra salvarem Concordia de Lorde Henry. Ali, o nome de Joshua Puckett parecia brilhar na pedra escura, como se desse boas vindas ao novo nome ali inscrito. Freddie entrou no jardim devagar, não querendo ser o primeiro a quebrar aquele silêncio. Ele entendia que Sam queria um momento sozinha, mas não queria deixá-la nem por um segundo.
-Sam... –Freddie sussurrou, fazendo Sam se virar meio melancólica.
-Oi... –Ela sorriu, meio triste, e bateu no espaço vazio do banco ao lado dela, pedindo pra Freddie se sentar ali- Tava vendo o memorial...
-É, eu percebi... –Freddie mordeu o interior de sua bochecha enquanto via com Sam o último nome gravado ali: Melanie Audrey Puckett.
-Embora eu... –Sam fungou por um segundo antes de voltar a falar- Embora eu esteja bem triste agora, eu sinto orgulho da minha família. Meu pai, e agora a minha irmã... Eles não morreram só por morrer. Morreram acreditando em um ideal. Morreram por algo que vale a pena lutar... Você. Concordia... –Sam falou, encarando os olhos de Freddie, que ali, a luz da lua, parecia mais preto do que cor de chocolate- Um dia, quero trazer os nossos filhos aqui, e quando perguntarem sobre o nome da Melanie nessa pedra, sobre quem foi ela, eu direi que ela foi a garota mais corajosa que tive a honra de conhecer. A garota que tive orgulho de, um dia, chamá-la de “maninha”...
-É... –Freddie abraçou Sam- Eu espero que ela esteja em um lugar melhor.
-E se ela está em um lugar melhor, deve estar rindo da minha cara por eu estar chorando feito uma condenada... –Sam riu, limpando o rosto.
-Então... –Freddie se espreguiçou- Está pronta pra ir embora amanhã?
-Voltar pra vidinha normal e sem animação lá em Seattle? –Sam ergueu as sobrancelhas- É, acho que sim. Só que não vai ser como antes, não mesmo...
-Concordo... –Freddie colou sua testa na testa de Sam- Esse é um novo começo pra todos nós. Vai ser difícil, mas vamos conseguir...
-Eu duvido... –Sam fechou os olhos por um segundo antes de olhar o céu estrelado.
-“Duvide que as estrelas sejam fogo/Duvide que o sol se mova...” –Freddie sussurrou para Sam- “Duvide que a verdade seja mentirosa/Mas nunca duvide que eu te amo...”
-Eu não duvido disso, bobalhão... –Sam sorriu- Eu sei disso muito bem...
Os sorrisos dos dois namorados se ampliavam sincronizados enquanto se beijavam a luz do luar. Pela primeira vez desde que aquele conflito começara, Sam e Freddie sentiam que estavam em paz com o mundo, finalmente.
Seattle, Washington, Estados Unidos, alguns meses depois.
-Sam!!! –Carly gritava do lado de fora do quarto da loira- Eu sei que a noiva sempre se atrasa, mas se você demorar mais um pouco aí o Freddie vai se matar lá na igreja...
-Eu já vou Carlotta! –Sam revirou os olhos- Espera só mais um pouquinho...
Sam se admirou uma última vez no espelho, observando o vestido branco e a maquiagem quase nude que Shelby a ajudara a fazer –se fosse depender de Carly pra fazer a maquiagem, iria parecer com a Beyoncé durante um dos shows dela. Os olhos dela corriam pelas fotos recentes espalhadas na penteadeira dela: a foto da formatura na Ridgeway, que ocorrera a dois meses atrás. Matthew e Carly sorriam com a pose típica de Rei e Rainha do colégio, enquanto ela e Freddie pareciam ter saído de um show de rock, com as mãos levantadas; a foto do último dia do iCarly, todo mundo reunido no estúdio do programa fazendo a Dança Maluca; algumas fotos dela e de Freddie na frente da Universidade de Seattle, onde os dois estariam em alguns meses. Freddie passou com honra e aceitou a bolsa integral pra engenharia eletrônica e ciência da computação, enquanto Sam –sem tantas honras– cursaria gastronomia e artes cênicas.
A loira espalhou as fotos e encontrou uma que parecia uma verdadeira relíquia: a primeira foto que tirou com Carly e Freddie, quando ainda era uma garotinha. Com um sorriso bobo, passou os dedos em cima do garoto moreno com carinha de bebê da foto.
-A gente se vê no altar, meu patetão... –Sam sussurrou antes de deixar a foto ali e sair do quarto.
-Freddward Gabriel Karl Benson, aceita Samantha Joy Puckett como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la até que a morte os separe? –O padre perguntou, já na cerimônia de casamento. Por mais gente que tivesse ali, tanto Freddie quanto Sam só tinha a atenção um do outro.
-Eu aceito. –Freddie sorriu e completou baixinho, só para Sam ouvir- E bem mais além da morte... –O sorriso dele ainda estava lá enquanto colocava a aliança em Sam.
-Samantha Joy Puckett, aceita Freddward Gabriel Karl Benson como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?
-Aceito... –Sam sussurrou, tentando segurar as lágrimas de emoção. Suas mãos tentavam não tremer enquanto colocava a aliança em Freddie.
-Bom, pelo poder concedido à mim pelo estado de Washington e pela Corte Real de Concordia, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva...
-Não precisava nem mandar... –Freddie brincou enquanto levantava Sam do chão e dava um beijo apaixonado em sua loira demoníaca. Todos ali se levantaram pra saudar o casal ali, inclusive Magnolia, que tinha voado de Concordia até os estados Unidos para ver o filho se casar.
-Cavalaria, apresentar armas... –A mulher ordenou firme e suave ao mesmo tempo- Apresento-lhes Príncipe Gabriel X e Princesa Samantha, futuros regentes de Concordia.
Todos ali se curvaram rapidamente enquanto o casal saía da igreja. Lá fora a chuva de pétalas de rosas atrapalhou um pouco a vista de Freddie e Sam antes de chegarem ao Lamborghini de Sam –que foi trazido de Concordia pra Seattle a pedido de Freddie– e serem recebidos pelos abraços de Carly, Matthew, Shelby, Spencer e Griffin.
-Ah, amiga... –Carly apertou Sam em seu abraço- Aproveite sua lua de mel em San Diego...
-Pode deixar, Carls... –Sam sorriu- A gente se vê daqui a um mês, tá?
-Parabéns, Gabriel... –Matthew batia nas costas de Freddie- Boa sorte e muito fôlego nessa lua de mel.
-Se depender da Sam, vou precisar de um tanque de oxigênio... –Freddie brincou, sendo puxado por Sam pra dentro do Lamborghini.
Sam e Freddie em meio a risadas, acenavam de dentro do carro enquanto davam a partida pra sair de Washington rumo a California.
-Agora é oficial... –Freddie sorria, segurando a mão de Sam- Você é minha... Para sempre...
-Pra sempre... –Sam mordeu o lábio enquanto beijava a têmpora de Freddie.
Naquele momento, não podia existir uma lembrança mais feliz para aqueles dois do que os últimos minutos naquela igreja, o “aceito” um do outro significou mais do que qualquer outra coisa. A loira se recostou no banco do Lamborghini, concordando com o que seu moreno dissera meses atrás em Concordia. Aquele era, definitivamente, um novo começo.
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