Um Príncipe em Minha Vida
35 Something About The Sunshine
Notas iniciais
Bushwell Plaza, 8:15 da manhã, 3 semanas e meia depois.
–Argh, eu preciso de roupas melhores... –Sam se xingava mentalmente enquanto segurava nas mãos sua bermuda skater favorita ao mesmo tempo em que tentava manter sua toalha no lugar, considerando que Freddie estava no quarto, mas isso não ia adiantar nada...- Como é que eu vou conhecer o outro lado da sua família com essas roupas?
–Não se preocupa, meu amor... –Freddie pegou Sam por trás e a abraçou, ignorando a água no corpo, no cabelo e na toalha da loira que o molhava. O cheiro suave do shampoo de camomila e girassol da garota invadiu as narinas do garoto- Se minha outra mãe for como eu, ela vai te amar mesmo se você tiver vestida de jornal, comendo um pedaço tamanho superfamília de bacon.
–Freddie, não exagera, né?
–Ok, talvez não vestida de jornal... Mas mesmo assim ela vai gostar de você. Acredite... –Freddie tranquilizou a loira enquanto beijava seu ombro desnudo.
Sam tinha acabado de sair do banho, pronta pra se arrumar pro último dia de aula antes das férias de primavera. Freddie como sempre, estava bem mais adiantado. O cabelo castanho bem arrumado, uma camisa pólo azul listrada, calça jeans escura e seu All Star do Superman, o seu favorito. A mochila aberta na cama revelava o PearPad no modo de espera, carregado de músicas e fotos pra animar o último dia –pedido de Sam. Ela queria ir uma última vez a sala de detenção e não queria ficar entediada, “mesmo com algo bem interessante pra pensar o tempo, não gosto de ficar no silêncio...”, ela mesma dissera na noite anterior, abraçada a Freddie antes de dormir. Claro que o moreno entendera exatamente o que a loira queria dizer com “algo interessante pra passar o tempo”. A última vez que acontecera algo quente entre os dois fora há uma semana e meia atrás. Freddie conseguira pegar Sam de surpresa mais uma vez. A garota quase gritara nos braços de Freddie quando ele a masturbara de novo, quase deixou a toalha cair com a intensidade do orgasmo. A vingança que planejara há quase dois meses voltara a sua mente, mais refinada e cruel do que nunca, e misturada a ela vinham seus pensamentos mais devassos. “Gosh, se ele consegue fazer isso comigo só com os dedos, imagino o que pode acontecer quando transarmos de verdade...”, Sam se perguntava enquanto deixava seu corpo cair mole na cama.
–Eu quero ver só. –Sam jogava a bermuda no outro lado do quarto, procurando outra coisa pra vestir em sua gaveta –sim, ela tinha uma gaveta só dela na cômoda de Freddie- Sem querer ser pessimista, mas não acha que ela vai estar ocupada demais conhecendo a Armada pra conhecer a namorada do filho?
–Nem me lembre disso... –Freddie balançou a cabeça, fechando a mochila. Ele ainda lembrava a noite em que recebeu a notícia de Melanie no apartamento da Carly, há quase duas noites atrás.
“-E aí, quem vai querer mais tacos de macarrão? –Spencer levantava a tigela com macarrão a bolonhesa, animado. Freddie, Sam e Carly tinham terminado o programa há alguns minutos e agora estavam só relaxando na sala de jantar do Shay, acompanhados de Melanie, Shelby e Matthew.
–Eu quero!!! –Sam, Freddie e Matthew levantaram as mãos ao mesmo tempo, arrancando risadas de todo mundo.
–Cara, eu não sabia o quanto esses tacos eram uma delícia... –Matt limpou a boca, meio suja de molho de tomate antes de estender o prato para Spencer- Você tem mesmo um talento e tanto pra cozinha...
–Fazer o quê, eu sou inventor... –Spencer deu de ombros enquanto voltava com o prato de Matthew- Se eu não conseguisse criar algo que fosse comestível e original, eu não poderia chamar a mim mesmo de inventor...
–Sorte nossa, né? –Sam já atacava os tacos em seu prato antes mesmo dela colocar o prato na mesa.
–Ahn, Spencie, você não disse que tinha feito uma escultura nova? –Melanie perguntou, mexendo no macarrão com o garfo- Por que não a mostra pra gente?
–É que ela é grande demais... –Spencer deu de ombros- Se eu conseguir tirar ela do meu quarto sem desmoronar toda vai ser um milagre...
–Tira uma foto dela então... –Shelby sugeriu, despreocupada.
–Ok, me esperem um segundo... –Spencer balançou a cabeça enquanto corria para o quarto dele.
–Mell, sinceramente, o que vai interessar a escultura do Spencer pra gente? –Sam perguntou- Metade de nós já viu a nova escultura dele...
–Não tem nada a ver com a escultura dele, Sammy... –Melanie cochichou- Eu e Shelby decidimos uma coisa, mas queremos que você e Gabriel concordem com isso antes...
–Por que será que eu tô tendo um mau pressentimento quanto a isso? –Freddie cochichou pra Sam.
–O que é que vocês decidiram? –Sam encarou a irmã.
–Bom, como o aniversário de Gabriel tá chegando e sabemos dos seus planozinhos de irem pra Concordia, decidimos que a Armada também irá com vocês... –Melanie respondeu com seu sorriso de miss no rosto.
–Como é que é? –Freddie e Sam perguntaram ao mesmo tempo.
–Na verdade foi ideia da Shelby. –Melanie apontou para a amiga, que tomava tranquila seu suco de manga e pêssego.
–Não poderemos defender você ou Samantha se estiverem longe de nós. Estarão desprotegidos e em local sitiado temporariamente pelo inimigo. –Shelby falava como se estivesse armando estratégia para a guerra- Vamos todos com vocês pra que nada saia errado nessa viagem. Pra ter certeza que vão voltar do jeito que estão agora, –Shelby deu de ombros enquanto apontava para o casal perplexo do outro lado da mesa- apaixonados e inteiros, sem nenhum ferimento grave ou algo do tipo, ok?
–Peraí, todos nós? –Freddie perguntou- O Griffin não tava com o braço quebrado?
–É, mas agora ele tá melhor. Graças a Deus ele se livrou daquele gesso... –Melanie olhava pra cima, agradecida e aliviada.
Freddie achou que tinha algo de errado naquela história. Griffin tinha sido atacado pelos informantes de seu tio há uma semana, e segundo o garoto, tinha sido uma luta feia, tanto que quebrara o braço. Ele visitava Melanie toda semana com um gesso gigante no braço, mas mesmo aquilo não afastava velhas desconfianças nem de Freddie ou de Sam. Sempre que o outro Carter chegava à Ridgeway, os dois se encaravam com um pensamento em comum: tinha algo de terrível em Griffin, mesmo ele mostrando que tanto Sam quanto Freddie podiam confiar nele. Mesmo tentando, nem Sam e nem Freddie conseguiam confiar tão cegamente nele como sua cunhada ou seus amigos confiavam.
–Que bom que ele tá bem. Viva... –Sam comemorou sem nenhum entusiasmo.
–Ok, já que a questão “eu, Shell e Grinn” foi resolvida, falta só saber de vocês dois... –Melanie apontou para Matthew e Carly.
–Minha mãe sabe de uma viagem que os Bulldogs vão fazer pro Caribe, pra comemorar as férias de primavera, e ela acha que vou estar nessa viagem. Ela nem desconfia que vou pra Concordia. –Matthew deu de ombros enquanto dava uma garfada no macarrão- Tá tudo bem quanto a mim...
–Ah, eu não sei. Qual vai ser a desculpa que a Shelby vai dar quando Spencer perguntar dela? –Carly perguntou inocente.
–Eu vou dizer que estou em uma conferência de segurança em Los Angeles e que Melanie vai comigo pra tentar invadir a casa do James Maslow ou do Nathan Kress, algo assim. –Shelby falou calmamente enquanto o pessoal explodia em risadas na mesa.
–Que foi, hein? –Melanie encarou todo mundo na mesa, especialmente lançando um olhar de “eu só não te mato por que eu te adoro” para Shelby- O James é o mais gato do Big Time Rush e o Nathan, bom... Oh, my gosh... –A loirinha nem conseguiu falar direito, se abanando.
–Quer saber, eu concordo em parte com a minha irmã... –Sam falou depois de rir por um tempo- Tenho uma certa queda pelo Nathan. Ele se parece com você, Freddie.
–Nossa, valeu... –Freddie se endireitou na cadeira- Agora tô me sentindo mais bonito...
–Ok, voltando ao assunto anterior, eu posso dizer pro Spencer que fui pra California perseguir o James Maslow com a Melanie, mas aí ela ficou babando no Nathan e aí decidi perseguir o Logan Lerman. –Carly cruzou os braços, satisfeita- Simples assim.
–Ótimo, estamos super com as desculpas. –Sam revirou os olhos- Eu e Freddie vamos “conhecer Londres”, Matt vai pro Caribe curtir o spring break e Mell, Carly e Shell vão perseguir o pobre coitado do Nathan na California.
–Eu não vou perseguir ninguém na California, Sam. Você não me ouviu? –Shelby balançava a cabeça enquanto ouvia as risadas do pessoal- Eu vou pra uma convenção de segurança...
–Então tá decidido... –Melanie bateu as mãos uma vez, animada- Todos nós vamos pra Concordia e não se fala nisso...
Freddie e Sam se olharam cúmplices, compartilhando um único pensamento: “Meleca...”.”
–Olha, eles estando por lá pode não ser tão ruim... –Sam deu de ombros enquanto vasculhava a gaveta despreocupada- É só eles não ficarem no nosso caminho quando nós dois estivermos sozinhos...
–É, nisso eu concordo com você... –Freddie encarava Sam, com um sorriso malicioso nos lábios- Além disso, quero que eles estejam de testemunha pra uma coisa que vou fazer...
–E isso o que você vai fazer por acaso é o que você vem escondendo de mim há quase dois meses? –Sam se virou, com as mãos na cintura- Essa espera tá me matando, sabia?
–Então pode tentar ficar viva só até esse final de semana? –Freddie se levantou da cama e abraçou a cintura de Sam- Vai valer a pena tanta espera, acredite... –Freddie sorriu, beijando a testa da loira.
–Ok, vou tentar... –Sam bufou- Algo mais?
–Sim, eu já te disse o quanto você fica tentadora nessa toalha? –O sorriso dele se ampliou enquanto as mãos dele subiam pelo corpo de Sam provocando leves arrepios na garota. Sam bufou de olhos fechados, em parte delirando com o toque de seu nerd, em parte decidida a parar com aquilo. Essa parte começava a perder poder quando Freddie tirou seu cabelo da frente do pescoço e começou a beijá-lo, fazendo um caminho torturante até o canto da boca dela, fazendo Sam suspirar alto de antecipação. E foi naquele suspiro que a parte dela que queria parar voltou com força total.
–Freddie, quer por favor parar de me deixar maluca? –Sam perguntou, arrumando o cabelo- Sério, estamos quase atrasados pra ir pra escola e eu tô doida pra dar um tchau pros bocós de lá...
–Ok, eu vou deixar você se arrumar sossegada. Vou lá na cozinha fazer um café da manhã bem rápido pra nós dois e então nós vamos pro colégio, tá bom assim? –Freddie sugeriu, as mãos agora estavam quietas onde estavam antes, na cintura de Sam.
–É, bom plano... –Sam fez cara séria enquanto empurrava Freddie pra fora do quarto.
Freddie tirava seu sanduiche de queijo do grill e dera a primeira mordida quando viu Sam descer as escadas. O pedaço caiu da boca do garoto ao ver a loira descer as escadas. O cabelo loiro preso em um coque meio desarrumado, deixando alguns fios soltos pelo rosto, o vestido roxo com o cardigã listrado, tudo nela mesclava perfeitamente a Sam sexy e misteriosa que só ele conhecia e a Sam marrenta e briguenta que todo mundo conhecia. Freddie ainda não conseguia acreditar na sorte que tinha em ter aquela garota tão surpreendente ao seu lado.
–E então? –Sam girava devagar, torcendo pra não cair do salto da ankle boot- O que achou?
–Acho que vou ter que bater em alguns garotos que ficarem de gracinha com você... –Freddie limpou a boca discretamente antes de ir pra sala.
–Hum, tá com ciúme, príncipe nerd? –Sam puxou Freddie pela gola da camisa- Sabia que eu te adoro assim ciumento? Você fica muito sexy assim...
–Tá decidido agora... –Freddie sorriu- Vou ficar ciumento 24 horas por dia...
–Sem graça. –Sam bateu no peito de Freddie- Anda, vamos comer algo. Eu tô faminta...
–E quando é que você não tá faminta, hein? –Freddie correu pra bancada e deu outra mordida em seu sanduiche de queijo- Então, tá pronta pra prova de Hamlet hoje?
–Sem problemas, eu tô afiadíssima em Shakespeare ultimamente. –“Por culpa sua, devo dizer”, Sam completou mentalmente- E você, tá preocupado? –Sam conhecia Freddie o bastante pra saber que ele nunca dizia que não estava pronto pra uma prova, mas sim preocupado. E isso podia ser ruim.
–Não, nem um pouco... –Freddie deu de ombros- Até por que em dois dias eu vou ter a prova prática. Minha vida inteira é a vida de Hamlet, não percebeu? –Freddie balançou a cabeça enquanto Sam dava um longo gole no suco de morango dela- Acho que Shakespeare fez uma piada de péssimo gosto tentando adivinhar meu futuro quando escreveu Hamlet.
–Mas tudo acabou bem, lembra? –Sam dissera, dando uma mordida no bacon frito dela- Hamlet venceu o tio dele e assumiu o trono da Dinamarca. Tudo ficou bem...
–É, mas eu tô tão seguro quanto a essa parte... –Freddie murmurou pra si mesmo, enquanto terminava o café da manhã.
No Ridgeway High, Sam comemorava como se fosse uma criança na véspera de Natal.
–Ah, espera só até eu mostrar esse A em literatura pra minha mãe... –Sam balançava a prova, satisfeita- Ela achou que eu ia repetir o ano, mas agora vou mostrar que tô me recuperando...
–É, eu tô surpreso. Você foi até melhor do que eu... –Freddie deu de ombros, mas ele sabia que a prova dele e de Sam eram exatamente as mesmas. Nem ele, nem ela erraram nenhuma pergunta. A Srtª Malory, professora de literatura, quase desmaiara ao corrigir a prova de Sam, até fizera uma prova oral para ela, pra ter certeza que ela não tinha colado de ninguém. Freddie saiu da sala com o peito inflado de orgulho da namorada.
–E aí, loirinha!!! –Carly chegou animada, com Matthew a tiracolo- Soube da prova de literatura. Parabéns!
–Valeu, morena!!! –Sam bateu a mão na mão da amiga- Mas a verdade é que eu tive um ótimo professor particular esses meses. –Ela completou, enquanto encarava Freddie, mordendo o lábio.
–Posso imaginar as aulas que teve... –Carly riu, abraçada em Matthew.
–Então, já tá tudo pronto pra sairmos de Seattle amanhã? –Matt perguntou, fechando e abrindo o zíper da jaqueta dos Bulldogs- Eu e Griffin arrumamos tudo e Carly também tá pronta. Só não sabemos da Melanie, da Shelby e de vocês dois...
–Arrumamos tudo ontem de noite. –Freddie falou- A gente já vai deixar as malas na sala hoje pra amanhã já descermos, pegarmos tudo e irmos embora...
–Dá pra ver que ele tá obcecado com essa viagem... –Sam cochichou pra Carly- Tá planejando isso como se fosse pra alguma batalha. A única hora quando Freddie se esquece de Concordia é quando ele começa a me agarrar...
–Hum, sabia que vocês não eram tão santinhos como pareciam... –Carly olhou a amiga, cheia de segundas intenções- Vocês já...
–Carly, não!!! –Sam quase gritou, mas logo se lembrou da presença dos garotos e diminuiu o tom de voz- Ainda não transamos, tá? Eu e ele queremos esperar. Na verdade, Freddie espera mais por mim, mas nós dois sabemos que essa espera não vai durar mais tempo. Ele fica me provocando, me deixando maluca. Tenho medo de sair do banho e ele começar a... Hmmm... –Sam mordeu o lábio, tremendo com a lembrança- Mas eu não sou uma santinha. Já perdi as contas de quantas vezes eu resolvi os “problemas de garoto” do Freddie. E tenho que admitir, ele é bem... Grande, sabe? –Sam encarou a amiga, seus olhos brilhavam de luxúria e um certo orgulho, lembrando a última vez que deixou seu nerd maluco. A loira estava perdendo o controle no corredor do colégio, mas logo voltou ao normal.
–Ah, eu sabia!!! –Carly comemorava- Sabia que vocês faziam a linha “anjinhos em público, demônios na cama”.
–O que foi que eu te disse, hein? –Sam arregalou os olhos- Eu e o Freddie ainda não transamos, tá feliz? E não vem com isso pra cima de mim, você fica falando de mim, mas eu já ouvi por aí que você e o Matthew resolveram fazer uma festinha particular no vestiário um pouco depois da festa de comemoração da vitória dos Bulldogs semana passada, não é?
–Ai, cala a boca, Sam! –Carly implorou, corada.
–Do que vocês tão falando aí? –Freddie e Matthew perguntaram ao mesmo tempo para Sam e Carly.
–Nada não... –As duas encararam o teto até Freddie e Matthew voltarem a se falar.
–E então, vai mesmo fazer isso? –Matt perguntou- É um passo importante, e a gente ainda nem se formou. Tem certeza?
–Claro que tenho certeza, Matthew. –Freddie respondeu, olhando para Sam- Se eu não fizer isso agora o que vai acontecer depois? Eu a amo demais e sei que ela me ama também. Essa será a minha prova de amor definitiva...
–Bom, tô torcendo por você, Gabriel... –Matthew deu um tapa amigável no ombro de Freddie- Espero que tudo dê certo...
–E vai dar certo... –Freddie murmurou enquanto pegava uma caixinha de veludo negro em seu armário. Dentro dela, um anel de ouro branco repousava reluzente no centro, com uma pequena ametista brilhando. “Falta pouco, Sam...”, Freddie pensava enquanto fechava a caixinha, sonhador, “Falta pouco pra você ser minha pra sempre, minha princesa...”
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