Um Ponto na Escuridão
1 Capítulo 1
Notas iniciais
??” Espero que os capítulos não tenham ficado enormes.E serão apenas dois mesmo. A história já está finalizada. Boa leitura.
Eram 4:15 da manhã e Marcela ainda não conseguia dormir. Não parava de pensar em tudo o que Oliver dissera. Como pode dizer todas aquelas coisas cruéis? Dizer que ela não o amava de verdade, que tudo não passara de ilusão. Claro que o amava, afinal eram anos de relacionamento. Três para ser mais preciso. E é muito difícil fingir por tanto tempo, além de não ser de seu feitio.
Ainda podia se lembrar do frio no estomago que sentiu quando o viu pela primeira vez. Era um sábado à noite, festa de um colega da faculdade. Toda a turma iria, então claro que não iria perder a farra. Ainda mais sendo um super fã de festas. E Festas de faculdade sempre são cheias de rapazes bonitos. E ela queria conhecer um, ainda mais depois de seu recente termino com Declan, o representante da turma de medicina do quarto ano.
Vestiu um belo vestido vermelho para realçar seu tom de pele branco e seu cabelo loiro durado. Pensou em colocar um batom vermelho, mas ele não seria muito útil se fosse beijar alguém. Então caprichou em uma maquiagem preta nos olhos e um batom nude. Colocou um salto preto e pronto, estava perfeita, prestes a fazer qualquer cara parar de piscar quando passasse.
Sua melhor amiga, Vanessa, viria buscá-la. Ela não iria dirigindo porque pretendia beber até esquecer seu próprio nome. Chegaram à festa por volta das onze e ela já estava consideravelmente cheia. Cumprimentaram Marcos e Rogério, ambos do time de futebol da Atlética da medicina e já um pouco ‘’altos’’. Deveriam ter chegado umas duas horas antes delas pelo tom do alcoolismo.
Enquanto Vanessa trocava umas palavras com ele, ela visualizou o cara que possuía o olhar e o sorriso mais belos do mundo. Era alto, 1,80 mais ou menos, tinha um cabelo castanho claro e ia até os ombros, olhos azuis como uma lagoa em um dia ensolarado e um sorriso sedutor escondido em uma barba por fazer. Trajava uma camisa xadrez branca e azul claro e calça jeans azul. Estava segurando uma cerveja na mão conversando com o capitão do time de basquete da atlética de direito, João, do segundo ano. Provavelmente estavam falando sobre esportes. Algo nele a seduzia, a fazia querer ir até ele só pelo fato de poder sentir sua energia, seu magnetismo. Mas pela primeira vez na vida estava nervosa, sem saber que atitude tomar. O que pensaria se ela chegasse nele assim, de supetão para conversar? A acharia atirada ou decidida? E sobre que assunto falaria com ele? Não sobre esportes, era péssima nisso. Só fazia academia e apenas o essencial. Preferia mais fazer dietas uma vez que não era muito fã de comida.
De repente ele, como se soubesse que ela está pensando nele, olha em sua direção e seus olhos se encontram. E é como se ela se visse refletida em sua alma. Uma fusão de luz e escuridão. Será que o Big Bang começou assim? A troca de olhares durou três segundos ou talvez três horas? Nunca saberia, pois se perdeu na imensidão daquele olhar. Enquanto pensava, Vanessa a chamava para pegar bebidas ao passo que ela concordou. ‘’Vamos’’, pensou, ‘’quem sabe ele também não vem?’’. Enquanto Vanessa pegava dois drinks o certo senhor misterioso se aproximou e seu coração parecia bater mais do que asas de um beija-flor e suas pernas tremiam tanto que achava que ia cair. Não conseguia entender o porquê de tamanha sensação. Nem o conhecia. Só aquele olhar, ah aquele olhar tão profundo.
Enquanto ele se aproximava ela reparava no seu jeito de andar, sua confiança evidente e um jeito um pouco debochado, como se não se importasse com o que as pessoas pensavam a seu respeito.
— Olá, me chamo Oliver. Sou estudante de direito do quinto ano.
— Olá, me chamo Marcela, estudante de medicina do segundo ano. – Nossa, como sua voz soou trêmula.
Deram um aperto de mão e pode sentir sua força. Seus olhos subiram das mãos aos seus braços e só então reparou como eles eram fortes. Devia praticar algum esporte, fazer academia...como seria abraçá-lo?
—Então, Marcela, você costuma a vir sempre nessas festas, eu nunca te vi em nenhuma. – Disse com aquele sorriso encantador e olhos curiosos.
— Eu me transferi para cá recentemente. Essa é a terceira festa que participo. Por isso não nos conhecemos antes.
— Bom, seja bem-vinda. Já conhece tudo aqui?
—Já sim, Vanessa é uma excelente guia turística, especialmente para festas. – o que era verdade, pois ninguém entendia mais de festas do que ela e nem de fofocas de professores.
Foram interrompidos por Vanessa trazendo os drink, Maldita hora para interromper, pensou Marcela. Ela logo tratou de se apresentar, mas percebeu que estava sobrando e logo os deixou a sós. Oliver a chamou para entrar para um lugar mais reservado. A festa estava acontecendo na casa de Joel, um rapaz do terceiro ano de medicina. Era uma casa de três andares, com piscina no quintal e sauna. A festa acontecia no quintal e na garagem, sendo que ambos eram conectados por um corredor. Foram até o terraço, aparentemente Oliver era amigo o bastante de Joel para ter essa liberdade de entrar e subir para o terceiro andar. Conversaram mais um pouco sobre suas vidas, famílias, sonhos. Não demorou muito até uma atração surgir e acontecer o primeiro beijo.
A partir daí a relação se desenvolveu muito rápido. Semanas depois estavam namorando e foi assim por três anos. Como todo relacionamento, tiveram altos e baixos, mas sempre superaram. Ambos são ciumentos e orgulhosos, o que costumava dificultar as coisas toda vez que acontecia uma briga.
Mas agora é algo diferente, algo que não conseguia entender. Oliver parecia diferente, paranóico, mais ciumento do que antes, assim como mais teimoso. De uma hora para outra ele cismou que ela não o amava mais, que estava apaixonada por outro, não a deixava ter amigos homens porque acreditava que eles a desejavam e não a deixava ter amigas porque acredita que conspiravam contra ele.
Ele também havia ficado mais violento. Ele sempre foi temperamental, mas nunca violento. Agora quando brigavam ele quebrava as coisas, gritava até acordar os vizinhos, a ameaçava. Uma vez chegou a levantar a mão para ela. Ela sabia que o amava muito, mas quanto tempo mais iria agüentar?
Sua mais nova paranóia era seu novo colega de turma, Fernando. Ele nasceu no Japão, mas seus pais eram brasileiros e vieram para cá quando ele tinha 5 anos. Ele veio de outra faculdade, assim como ela, e se transferiu. Ele é uma pessoa muito gentil, sempre calmo, altamente focado e inteligente. Ambos têm muitos aspectos de personalidade em comum como ser determinado, focado, competitivo, sincero, calmo. Ele era o oposto do Oliver. Não que ela gostasse de ficar comparando, mas tem sido inevitável. Oliver é uma tempestade no meio de um furação e Fernando é lago calmo e cristalino. Gostava de ter os dois por perto.
Claro que isso está causando problemas. Recebia ligações de Oliver no intervalo de seus plantões perguntando onde estava, com quem estava, o que fez, o que estava fazendo, pedia fotos para comprovar. Era exaustivo. E ela fazia isso porque tinha medo de perde-lô. Ou será que no fundo tinha medo de ficar sozinha? Fernando vivia tentando alerta-la sobre os perigos de um relacionamento abusivo e achava que ela deveria conversar com Oliver e colocar as cartas na mesa. Ou ele mudava de atitude ou ela terminava.
Ela estava tentada a chamá-lo para conversar, mas como andava receosa achou que talvez fosse melhor fazer pelo telefone. Eram 4:30 e sabia que ele estava prestes a dormir já que acabara de chegar de um plantão. Tomou coragem e discou os números no celular. Ele chamou três vezes antes de Oliver atender. Ele parecia cansado. Começou a se sentir culpada sobre o que iria fazer a seguir, mas era preciso.
— Oliver, precisamos conversar. – disse mais apreensiva do que gostaria.
— O que foi, vai terminar comigo? Quem é ele? É aquele japa magrela não é? Eu sabia, eu não disse? Sabia que você tinha outro, podia sentir isso! Desde quando vocês estão juntos? você me traiu, porque se sim eu juro que mato vocês dois!
Deus, como ele estava bravo. Ele vociferava ao celular e nem dava tempo para que ela respondesse. O discurso que ele fez foi o suficiente para que ela entendesse que talvez não houvesse outro remédio a não ser terminar mesmo.
— Oliver, me escuta. Não estou apaixonada por ninguém. Você não entende? Você é o problema. Está paranóico, violento. Me assusta. Eu te amo, mas não posso seguir assim. Nós dois merecemos mais. E é por isso que vou terminar. Quero minha liberdade de volta. E não posso tê-la estando presa a você,
— Então vai mesmo terminar?
— Vou, está acabado. Eu sinto muito.
Ela ouviu a respiração pesada dele e a ligação caiu. Parecia que ele ficara bastante chateado. Talvez ele só precisasse de tempo. Depois ela tentaria falar com ele novamente.
E então ela sentiu um alivio, como se tivessem tirado um peso enorme de seu peito. Não havia percebido como a relação havia se tornado um suplicio até aquele momento, em como ela estava infeliz.Finalmente começou a sentir o sono chegar. Seus olhos foram ficando pesados e seu corpo estava mais relaxado.
Notas finais
A próxima história que pretendo postar é de terror e vai ter muito sangue!
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