Um Plano Irrecusável Parte II
21 Uma Possível Solução
Notas iniciais
Marinette desfez o abraço quando seu celular tocou.
— Eu preciso ir, acho que nem avisei que tinha saído… — Falou, tentando secar as lágrimas.
— Tudo bem.
— Mas… eu vou continuar procurando, prometo. — O loiro sorriu e a abraçou novamente.
— Obrigado.
O que ela mais queria era completar com um "fica tranquilo, vamos resolver isso…", mas as incertezas tomavam sua mente como nunca antes tinha acontecido.
***
— Desculpa não ter avisado, eu estava na casa do Adrien… — Marinette falou ao encontrar os pais trabalhando na padaria.
— E como ele está? — Sabine perguntou.
— Não muito bem… — A azulada suspirou.
— Deve estar sendo muito difícil pra ele… — Tom comentou.
— Tem… tem uma grande chance de ele ir morar com a tia em Londres. — Disse Marinette, sentindo um nó formar-se em sua garganta. Seus pais a encararam com tristeza no olhar.
— Ah, filha… — Sabine disse e os dois a abraçaram ao ver que ela tentava segurar as lágrimas.
— Bom, pelo menos até que ele seja maior de idade ou… até a poeira baixar. A casa estava rodeada de fotógrafos e jornalistas.
— Imagino… a notícia está em todos os canais. — Falou Tom. — Deviam ter pelo menos um pouco de respeito por ele…
— Bom, eu… estou muito cansada. Mal dormi esta noite, então…
— Está tudo bem, filha, nós conseguimos dar conta aqui. — Sabine disse, referindo-se à padaria e Marinette sorriu.
Ao chegar ao quarto, voltou a pesquisar com Tikki. E, mesmo com horas de leitura e mais leitura, ainda não tinham respostas.
— Não desista, Marinette. — A kwami falou, embora sua voz não transmitisse tanta certeza.
— Estou tentando, Tikki, mas está difícil. — Jogou-se na cama ao sentir a dor na coluna aumentar. Ia pegar outro livro quando seu celular tocou, percebendo que havia várias mensagens e ligações perdidas.
— Menina, te liguei o dia todo! Está em casa? — Alix falou na ligação.
— Estou sim, pode vir aqui?
Não demorou muito para que ela chegasse ao quarto da azulada. Marinette contou tudo para a amiga: a batalha, a descoberta do corpo de Emilie, a ajuda de Nathalie e o estado das duas mulheres naquelas câmaras.
— Estou confiando mais um montão de segredos à você, mas eu não sei mais o que fazer! Estou desde ontem procurando respostas, e não acho nada! — Ela jogou-se na cama novamente e Alix sentou ao seu lado.
— A minha "eu" do futuro disse que você me escolheu porque eu sei guardar segredos, não é? — Marinette sorriu — Você fez bem em contar, ia acabar explodindo com tanta coisa na cabeça. — Alix segurou as mãos da amiga, ajudando-a a se levantar. — Olha, eu já vi você fazer um monte de coisas extraordinárias e isso antes de descobrir que você é a Ladybug e a guardiã dos miraculous. Você vai dar um jeito.
— Obrigada, mas é que dessa vez eu realmente não tenho tanta certeza. Eu li e reli todos os livros que o Mestre Fu deixou, decodifiquei e não achei nada! Pesquisei na internet, fiz praticamente um interrogatório com os kwamis… e nada!
— O Gabriel disse o quê? Que os médicos "normais" não vão conseguir resolver? E isso quer dizer o quê? Que vocês devem procurar tipo um curandeiro de miraculous? — A azulada riu levemente.
— O Adrien disse a mesma coisa…
— Como ele está?
— Muito mal… Acho que o choque maior nem foi a batalha, mas a mãe dele e a Nathalie.
— É verdade aquele boato de que ele pode ir pra Londres com a tia dele? — Marinette assentiu e, percebendo a expressão preocupada e triste da amiga, Alix a abraçou. — Não se você puder impedir! — A azulada sorriu e elas desfizeram o abraço.
— Mas o que vamos fazer? Quer dizer, não há nada nos livros, meu poder de cura não conserta esse tipo de coisa, o mestre Fu perdeu a memória…
— Não há nenhum outro miraculous que resolve isso?
— Também pensei nisso, mas não. Até cogitei usar o seu para… sabe, voltar na época que aconteceu tudo com a Emilie e impedir.
— Mas aí não haveria Hawk Moth, não haveria Ladybug e Chat Noir, não haveria você e o Adrien, uma mudança tão drástica na linha do tempo pode causar consequências inimagináveis…
— Eu sei, e foi por isso que descartei essa ideia logo no início. Não tem jeito, Alix! Parece um beco sem saída. — A garota de cabelos rosas sorriu e tocou o ombro da amiga.
— Então arruma uma granada pra explodir uma saída, amiga, porque a gente vai resolver isso! Passa os livros pra cá!
— Eu não sei se… bem, você sabe, esses livros são meio que um segredo bem secreto.
— Ah, qual é, vai ser só mais um pra minha lista… — Marinette sorriu e olhou para Tikki, como se pedisse permissão. A kwami assentiu sorrindo e logo elas começaram as buscas.
*
Adrien finalmente criou coragem para pegar o celular. As notificações indicavam seu nome sendo marcado em diversas publicações dos noticiários da cidade. Todos praticamente diziam a mesma coisa, informando a revelação da identidade de Hawk Moth, a prisão de Gabriel e a incerteza sobre o futuro do filho dele.
O loiro resolveu ler as incontáveis mensagens que tinha em outra rede social. Sorriu ao perceber que todas eram de seus amigos, dizendo que ia ficar tudo bem e que poderia contar com eles para o que precisasse.
Ele sentiu o aperto em seu peito diminuir ao notar que, apesar de tudo, tinha seus amigos e a namorada para ajudá-lo.
Porém, seu alívio desapareceu com a próxima notificação. Mensagem de sua tia Amelie.
Oi, como você está?
Eu e Félix estamos pensando em ir mais tarde para o jantar, se você quiser, é claro.
Pensou no que te falei ontem?
Sei que vai ser difícil se separar dos amigos que fez aqui, mas pense que vai ser por pouco tempo. Esse lugar te fez tão mal, Adrien. Nunca te vi tão triste, nem mesmo naquela vez que você e Félix trocaram de lugar quando eram crianças e sua mãe te castigou porque achou que tinha sido você quem quebrou um vaso de plantas jogando bola. Lembra disso? Saudades dessa época…
Enfim, independente da sua resposta, quero que saiba que sempre vai poder contar comigo para o que precisar. Amamos você.
Ele soltou um suspiro e sentou no sofá do quarto. Concordava com a tia. Não dava para olhar para aquela casa sem lembrar dos momentos bons que tinha vivido ali e muito menos sem lembrar que tudo tinha sido arruinado por causa dos miraculous. Cada canto que olhava, cada quadro na parede, o recordava que aquela felicidade vivida há alguns anos não estava mais ali. E agora, praticamente sem esperanças de que ele e Marinette trouxessem Emilie e Nathalie de volta, talvez a proposta de Amelie não fosse tão absurda assim…
*
— Ok, agora eu te entendo. É realmente difícil ser otimista depois de traduzir esses livros todos que falam, falam, falam e não dizem nada! — Alix falou, jogando-se no chão.
— Eu te disse, Alix, não dá para…
— Não termina a frase! Eu tive uma ideia! — Ela se levantou e juntou alguns livros, entregando-os nas mãos da amiga. — Continua procurando! Eu já volto! — Alix falou, correndo até a porta do quarto.
— Mas aonde você… — Marinette nem terminou de falar, pois Alix já tinha saído.
A azulada resolveu dar uma pausa. Estava faminta. Nem lembrava qual tinha sido sua última refeição. Quando voltou ao quarto, seu celular tocou escandalosamente enquanto reunia os livros no chão.
— Marinette! Você não vai acreditar! — Alix disse entusiasmada — Eu pedi ao Max que emprestasse o Markov para uma pesquisa importante. Foi difícil convencê-lo, mas acabei conseguindo. Depois, foi mais difícil ainda inventar uma história para o Markov explicando o motivo daquela pesquisa, mas também consegui inventar uma desculpa. Estou aprendendo com você… Então, o Markov fez uma busca bizarra por tudo quanto é livro que mencione heróis e miraculous e… — Ela fez uma pausa, pois tinha falado quase sem respirar — Acho… acho que encontramos um jeito.
***
— Espera, o quê? — Disse Adrien quando Marinette lhe contou a ideia de Alix, também quase sem parar para respirar. — Você acha que pode dar certo?
— Não custa nada tentar, não é? — A azulada falou e ele sorriu.
Logo, os dois estavam no andar que guardava os corpos de Emilie e Nathalie.
Marinette suspirou antes de abrir a caixa dos miraculous. Contou aos kwamis sobre o livro que Alix tinha encontrado, mostrando-lhes a página com o cântico que supostamente seria capaz de resolver qualquer ferimento causado pelos miraculous.
— Então, o que vocês acham? — Ela perguntou.
— Nunca vi nada parecido… — Plagg comentou.
— Claro que já! — Afirmou Wayzz. — Nós não tentamos contatar o Nooroo no dia do aniversário dele? — Os kwamis assentiram e começou uma breve discussão entre eles. — Talvez dê certo! — Ele completou e, em pouco tempo, todos os kwamis da caixa estavam de mãos dadas ao redor das câmaras.
— Tudo bem, de acordo com o livro, tudo o que vocês precisam fazer é se concentrar no cântico e em seu objetivo, que é trazer Emilie e Nathalie de volta. — Marinette falou e os kwamis o fizeram, iniciando a canção incompreensível aos humanos.
Adrien se aproximou e ela segurou sua mão, a beijando.
Porém, após vários minutos de esforços dos kwamis, as duas mulheres permaneciam da mesma forma.
— Não adianta! — Pollen falou e os kwamis se afastaram. Adrien desabou os ombros e passou a mão pelo rosto.
O local foi tomado por um breve silêncio, quebrado apenas pelo burburinho dos kwamis.
— Sentimos muito… — Disse Sass, aproximando-se do loiro com um olhar triste.
— Está tudo bem, pelo menos vocês tentaram… — O garoto falou. — Eu… preciso ir, a tia Amelie e o Félix ficaram de vir para o jantar. — Completou e Marinette o abraçou.
— Vamos continuar tentando, tá? — Ele assentiu.
— Isso é tudo culpa minha! — Duusu falou, antes de chorar escandalosamente.
— Ei, não é culpa sua e você sabe disso. O miraculous não estava quebrado por sua causa… — O kwami olhou para ela, ainda com lágrimas nos olhos. — Vem, vamos tentar de novo. — Wayzz e os outros kwamis a encararam.
— É que… — Trixx falava.
— Não vai adiantar, Marinette. — Tikki completou.
— Nossa energia não será suficiente para trazer elas duas de volta… — Disse Mullo.
— Mas… vocês acham que conseguem trazer pelo menos uma? — Marinette perguntou, aflita, e os kwamis balançaram a cabeça negativamente.
— Estávamos lendo a página de novo. Esse cântico costumava ser usado em ferimentos de batalha. — Longg explicou.
— Batalhas que a Ladybug não estava presente e, por isso, não conseguia resolver com seus poderes de cura. — Disse Xuppu.
— Geralmente eram ferimentos leves, mas mesmo assim exigia muitos kwamis. — Sass falou.
— Então… isso quer dizer que… — Marinette falava, embora já soubesse a resposta. Olhou para o semblante triste de Adrien antes de ouvir a resposta dos kwamis.
— Não vamos conseguir. — Wayzz falou, com tristeza na voz. — Sentimos muito. — Um silêncio pesado atingiu o local, até que Marinette o quebrou.
— Espera, vocês disseram que não têm energia suficiente? — Ela falou e os kwamis assentiram.
— Precisaríamos de mais de nós, mas todos estão aqui, exceto o Nooroo, é claro. Mas, mesmo se ele estivesse, seríamos poucos. — Wayzz respondeu e novamente o silêncio tomou conta do local.
— Não todos. — Disse a azulada, voltando-se para Adrien, mas ele não entendeu o que ela quis dizer.
Marinette, com uma expressão determinada, pegou os óculos, o miraculous do cavalo. Os kwamis e Adrien a encaravam com um olhar confuso.
— O que você… — O loiro dizia, mas foi interrompido.
— Tikki, transformar! — Já com os trajes de Ladybug, ela colocou os óculos — Tikki, Kaalki, unificar!
A roupa de Ladybug ganhou detalhes marrons do miraculous do cavalo e os kwamis a encaravam surpresos e, ao mesmo tempo, curiosos. O que ela planejava?
— Ok, agora eu sou a… LadyHorse? — Falou, sorrindo, mas Adrien ainda não havia entendido seu plano. — Viajar! — Gritou, e um portal fora aberto para um lugar repleto de neve. Demorou um pouco para que os olhos de todos se acostumassem à brancura e enxergassem o inconfundível…
— Templo do Tibet! — Alguns kwamis disseram juntos enquanto outros observavam o local boquiabertos, juntamente com Adrien.
Depois de entrar no local e se apresentar como a guardiã oficial da caixa dos miraculous que estava em Paris, os outros guardiões sorriram admirados ao finalmente conhecerem a tão famosa Ladybug.
— Obrigada pelos elogios, mas… eu vim aqui para tirar algumas dúvidas. — Ela falou e não demorou muito tempo para que explicasse toda a situação aos guardiões. — Então, vocês acham que é possível? — Eles conversaram entre si, tempo que Marinette aproveitou para alimentar Kaalki.
— Podemos tentar. — Um dos guardiões, que tinha uma enorme barba, falou e azulada sorriu.
— Viajar! — Abriu outro portal, para Paris dessa vez.
Logo, todos os kwamis que estavam no Templo do Tibet e os de Paris ficaram de mãos dadas ao redor das duas câmaras, entoando um cântico que nem Adrien nem Marinette compreendiam.
Minutos de aflição se passaram e todos estavam quase sem esperanças quando, lentamente, Emilie e Nathalie abriram os olhos.
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