Um Plano Irrecusável

1 Roubando Corações


Notas iniciais
Aaaaaaa olha quem resolveu aparecer depois de mais de um ano sumida! Vocês ainda lembram de mim? kkkkkk
Enfim, trouxe uma nova fanfic, que é um pouco diferente das que eu costumava trazer, mas que eu me diverti muito escrevendo.
Espero que gostem!

Marinette acordou com o som estridente de seu despertador e, ainda um pouco zonza, desligou o celular sem lembrar a razão de ter programado aquele alarme. Seus olhos pesaram e voltou a cochilar. Porém, alguns minutos depois, seu sono foi interrompido novamente. A azulada, ainda com os olhos fechados, tateou o que imaginava ser sua cama para encontrar o aparelho, mas sem querer acabou derrubando-o. Sem opção, abriu os olhos e só depois de pegar o celular no chão percebeu que tinha dormido sobre a mesa de costura. Foi então que ela lembrou.
— Alya! Cinema! — Gritou para si, assustando a kwami que cochilava em meio aos diversos tecidos sobre a mesa.
A garota corria pelo quarto procurando sua bolsa enquanto recordava o que tinha acontecido.
Ladybug e Chat Noir foram convidados para a inauguração da nova estátua dos heróis no parque, que representava, além da dupla, todos os mais recentes portadores de miraculous. Mas, como Hawk Moth tinha descoberto a identidade dos novos heróis durante a luta contra Miracle Queen, Marinette sabia que seria arriscado entregar os mesmos miraculous para eles novamente, principalmente porque Hawk Moth também sabia que Ladybug era a nova guardiã. Dessa forma, Luka, Max e Kim compareceram à inauguração, mas na forma civil, assim como Alya e Nino. O evento da inauguração foi mais rápido do que Marinette esperava, então certamente sobraria tempo para ajudar seus pais na padaria, fazer sua lição de casa, terminar o novo figurino para a banda de seus amigos, Kitty Section, e não chegar atrasada para o cinema que tinha combinado com as amigas. Só não esperava que o sono acumulado das duas últimas noites mal dormidas fosse atrapalhar seus planos.
Arrumou rapidamente o penteado que sempre usava e desceu as escadas para pegar uns cookies extras para Tikki. Estava quase saindo de casa quando o celular tocou.
— Marinette, cadê você? Estamos esperando há uns dez minutos. — Falou Alya.
— Estou saindo.
— Esse "estou saindo" é "estou saindo mesmo" ou é um "ainda estou de pijama e esqueci minha bolsa lá em cima"?
— Minha bolsa! — A azulada subiu as escadas correndo enquanto Alya ria. — Pronto! Agora estou saindo mesmo.
— Tem certeza que não está saindo de casa com pijama? — Marinette riu, embora realmente tivesse conferido suas roupas.
A menina andava apressadamente, pois não gostaria de deixar as amigas esperando mais do que já estavam e muito menos de perder a sessão, mas parou quando ouviu gritos atrás de si.
— Marinette! Eu sei que está por aqui! Para encontrar suas amiguinhas você tem tempo, não é? — A azulada não pôde evitar um susto ao encarar o mais novo akumatizado a poucos metros, atirando raios em sua direção.
Procurou, enquanto corria, um local que pudesse se transformar, mas não encontrou. Mesmo que achasse, o vilão a seguia e certamente conseguiria vê-la. Continuou a correr até que parou em uma rua sem saída.
— Ah, é sério? — Disse, tateando a parede à sua frente. Iria sair dali, mas o akumatizado apareceu no início da rua. Ela estava sem opção e não poderia transformar-se na frente dele.
— Você não foi ver minha obra como prometeu, mas não se preocupe, você se tornará uma delas. — Disse o vilão, prestes a atirar. A azulada procurava alguma forma de escapar dali quando Chat Noir pulou na sua frente usando o bastão como um escudo.
— É sério que ele disse isso? — Disse o gato e a menina não pôde conter um sorriso. O loiro iniciou uma batalha corpo a corpo com o vilão e, quando este se distraiu, usou o bastão para levar a azulada para o topo de um prédio longe do akumatizado. — Então, você conhece esse cara ou tem alguma ideia de onde o akuma possa estar? É que eu estou com pressa hoje e não contava com a aparição de mais um akumatizado.
— Não, eu não faço a menor ideia de quem ele seja! E que história foi aquela de obra? — Disse, mais para si do que para o herói — Desculpa, não sei como te ajudar.
— Bom, então fique segura aqui que eu e a Ladybug vamos resolver isso. Espero que seja rápido.
— Eu também, eu tinha que estar no cinema tipo… agora. — Disse ao conferir o relógio no celular. — A Alya vai me matar.
— Eu vou te encontrar, Marinette! Não adianta fugir! — Gritou o vilão pelas ruas da cidade.
— Isso se esse doido não me matar antes. — Riu sem humor.
— Marinette, a garota mais linda de todas, será a minha mais bela obra de arte! A não ser que você mude de ideia e resolva ficar ao meu lado, assim ficaremos juntos para sempre! — O akumatizado gritou e Chat Noir não conseguiu segurar a risada, enquanto Marinette colocava a mão no rosto, envergonhada.
— Acho que ele não quer te matar não, está mais para outra coisa. — O loiro riu novamente e virou de costas para a menina, se preparando para ir atrás do vilão, mas antes de ir olhou para a garota por cima do ombro. — Você anda roubando muitos corações, Dupain-Cheng. — O gato disse e estendeu o bastão, prestes a descer do prédio.
— Menos o que eu realmente queria ter roubado. — Sussurrou para si, sem imaginar que o loiro tinha escutado. A azulada rapidamente se recompôs quando a kwami saiu de sua bolsa — Tikki, transformar!

***

— Zerou! — Ladybug e Chat Noir disseram juntos após derrotarem o akumatizado. Durante a batalha, a azulada descobriu que o vilão era na verdade um garoto que fazia aula de artes junto com ela. Os dois viraram amigos rapidamente e ele costumava sair com os colegas de Marinette. Porém, após conversar um pouco com ela durante as aulas, ele se apaixonou pela garota e a convidou para a inauguração da nova estátua dos heróis, pois tinha participado do projeto, mas a azulada não apareceu, embora tenha prometido a ele que iria. A verdade é que Marinette precisava estar lá como Ladybug e pretendia se transformar de volta para cumprimentar os amigos, mas o evento foi tão rápido e ela tinha tantos compromissos naquela tarde que acabou não conseguindo. Só não imaginava que seu novo colega se sentiria rejeitado e que se tornaria mais uma vítima do vilão de Paris.

Agora livre do akuma de Hawk Moth, Victor encarava, confuso, os dois heróis à sua frente.
— Preciso ir, já estou atrasado. — Afirmou Chat Noir e, logo em seguida, usou o bastão para se locomover pelos telhados.
— Oi… Victor, não é? Você foi akumatizado, mas agora já está tudo bem. — Disse a joaninha, ajudando o garoto a se levantar — Espero que faça as pazes com aquela sua amiga. — Os dois ouviram o apito dos brincos dela — Bom, agora eu preciso ir, tchau! — A azulada se escondeu no primeiro beco que encontrou bem à tempo de sua transformação acabar, entregando um cookie para Tikki rapidamente.
— Acho que ele ainda está um pouco magoado. — Afirmou a kwami ao olhar discretamente para o menino.
— Tem razão, vou lá falar com ele. A Alya vai ter que esperar mais um pouquinho.
— Marinette! — Disse Victor ao ver a menina se aproximar — Me desculpe por te perseguir quando estava akumatizado, eu não…
— Está tudo bem, não era… você. Me desculpe por não ter ido à inauguração, mas eu vi a estátua e está realmente incrível, belo trabalho.
— Obrigado. — O garoto falou, mas a azulada percebeu que ele queria dizer mais alguma coisa. E ela já imaginava o que seria.
— Olha, eu sei que… minha presença significava um pouco mais para você, mas… eu gosto de outra pessoa. — Disse automaticamente a frase que tanto repetia para seu parceiro e acabou lembrando que, desde o dia em que viu Adrien e Kagami juntos tomando o sorvete dos apaixonados, aquelas palavras precisavam ser modificadas. — Quer dizer… gostava. Quer dizer… eu estou meio enrolada. — Riu sem humor, seguida pelo garoto.
— Entendo… eu acho. — Os dois riram.
— Sabe… eu sei que é meio doloroso descobrir que a pessoa que você gosta ama outra pessoa, mas temos que deixá-la ir se queremos que seja feliz. — Falou olhando para o chão, lembrando dos sorrisos de Adrien e Kagami, mas logo levantou a cabeça ao recordar uma certa melodia — Mas podemos encontrar outra pessoa incrível no caminho que também irá fazer nosso coração bater mais rápido. — Ela sorriu e o menino fez o mesmo. — Mas talvez não seja uma boa iniciar um relacionamento com alguém sabendo que você ainda não superou outra pessoa.
— Ok… espera, estamos falando da minha vida ou da sua? — Os dois riram.
— Amigos? — Marinette estendeu a mão.
— Amigos. — Os dois apertaram as mãos e se despediram. Victor foi para casa, deixando a azulada pensativa no parque. Ela não lembrava o peso que aquela palavra tinha sobre si.
— Marinette! Amiga, você está bem? — Alya a abraçou — O akumatizado novo não parava de gritar seu nome, mas você sumiu, onde estava?
— Estou bem sim, o Chat Noir me levou para o topo de um prédio até a batalha terminar. Espera, cadê as outras meninas? E o cinema?
— Com essa coisa toda de vilão te perseguindo, achamos melhor deixar o filme para outro dia, espero que não se atrase dessa vez.
— Ah, eu nem estava tão atrasada assim. — Alya levantou uma sobrancelha e as duas amigas riram.

***

Depois que chegou de mais um dos eventos que Gabriel o obrigava a participar, Adrien passava os canais de sua televisão, entediado. Enquanto comia um croissant e fazia aquele movimento repentino com o controle remoto, o garoto lembrava do local que estava algumas horas antes. Se apressou na batalha contra o mais novo akumatizado para não se atrasar e ter que ouvir o discurso de sempre de Gabriel. Porém, para sua sorte, quando chegou à mansão, o pai ainda não tinha saído e parecia nem ter percebido a ausência. Provavelmente estava ocupado com o trabalho. "Quando a inspiração vem, não posso ser interrompido", dizia ele antes de fechar a porta da sala que continha o enorme quadro de Émilie.
Ao chegar ao local do evento, Adrien até sentiu vontade de voltar para as paredes frias e solitárias da mansão. Não havia ninguém para conversar ali, todos pareciam muito ocupados ou sem vontade de falar sobre qualquer coisa que não fosse o trabalho. Pareciam cópias de seu pai. "Gabriel no Gabrielverso", pensou e riu sozinho.
Agora, os olhos verdes do garoto pousavam de programa em programa até encontrarem algo que parecia ser interessante. Já entediado, o loiro iria desligar a televisão, mas acabou prestando atenção ao canal que parou. Parecia um filme. Havia um garoto e uma garota conversando enquanto caminhavam em um parque, até que encontraram o que devia ser uma conhecida deles.
— Não sabia que vocês estavam juntos, formam um belo casal. — Disse a conhecida.
— O quê? — Os dois falaram juntos.
— Não estamos…
— Nós não somos… Ela não é… — O garoto falava junto com a menina — Ela é… apenas uma amiga.
Essa frase, por algum motivo que Adrien não sabia, o fez lembrar de Marinette. E, sem que notasse, aquela tarde invadiu sua mente.
Estava descendo as escadas para ir ao evento do pai, quando seu celular o alertou sobre o novo akumatizado. Rapidamente subiu de volta e se transformou, pulando sobre os prédios até encontrar o vilão encurralando ninguém menos que Marinette em um beco. Percebeu que a azulada procurava uma forma de sair dali, mas o vilão estava prestes a atirar e ela não teria para onde correr. Foi quando o loiro saltou e utilizou seu bastão para proteger a si mesmo e a amiga do raio do akumatizado. Depois de distraí-lo, Chat Noir levou Marinette para um local seguro e alertou para que não saísse dali, surpreendendo-se ao descobrir que o vilão era apaixonado pela azulada. "Você anda roubando muitos corações, Dupain-Cheng", disse sem esperar resposta e já se preparando para sair, só não imaginava o que a amiga iria dizer.
"Menos o que eu realmente queria ter roubado", aquelas palavras sussurradas rondavam os pensamentos do loiro durante a batalha. Não sabia se a intenção da azulada era que ele escutasse ou não, mas com certeza aquela frase mexeu com sua mente. Afinal, era exatamente o que acontecia com ele. Adrien Agreste havia roubado muitos corações, menos o que realmente gostaria que fosse seu: o de Ladybug. Tinha tentado superar aquele amor depois da azulada ter dito — várias vezes — que amava outra pessoa, mas seu coração não escutava o que a cabeça dizia. Tentou seguir em frente e pensou em dar uma chance a Kagami, mas estava sendo um pouco complicado. Achava que aqueles sentimentos não eram naturais como os que tinha por sua lady e ainda sentia-se pressionado a tomar uma decisão logo. Mas ultimamente não tinha visto mais Kagami nos eventos de seu pai, já que ela tinha viajado com a mãe e só voltaria no final do mês seguinte. Embora sentisse falta de suas conversas, o loiro estava um pouco aliviado por não ter que pensar na decisão que ela pediu que tomasse, mas sabia que a encontraria em breve. Ele suspirou, tentando afastar aquele pensamento e voltou a atenção ao filme.

***

Marinette organizava seu quarto enquanto ouvia as músicas de Jagged Stone. Assim que terminou, se preparou para dormir e jogou-se na cama. O dia tinha sido cansativo.
Sem perceber, seus olhos voltaram-se para as novas fotos nas paredes. Desde que tinha dito para si mesma que deveria seguir em frente, ela retirou as fotografias de Adrien do quarto, substituindo-as por fotos de sua família e de seus amigos. É claro que ainda havia algumas fotos do loiro, mas somente as que ele estava com ela e os colegas da escola. Ao olhar para aquela que tinham tirado no dia em que Juleka superou a "maldição da foto", a azulada recordou a frase que Chat Noir havia dito para ela naquela tarde: "você anda roubando muitos corações, Dupain-Cheng." Notou que com Adrien também era assim, mas, ao contrário dela — Marinette acreditava — ele tinha conseguido aquele coração que queria para si. A garota levantou-se da cama e foi até a varanda, decidida a afastar aquele pensamento. A noite não estava tão estrelada e caía uma chuva fina, mas as luzes de Paris estavam incríveis como sempre.
Após um bom tempo observando a noite, a azulada resolveu voltar para o quarto, mas viu uma conhecida silhueta se aproximar.

Notas finais
Para não quebrar a tradição: Então, o que acharam? kkkkkk
Pretendo postar os capítulos dia sim, dia não, então o próximo vai sair nesta quarta-feira (03/06).
É isso, obrigada por ler!