Um Plano Irrecusável
6 O Início do Plano
Notas iniciais
Marinette estava enganada. A notícia de que ela e Chat Noir poderiam viver futuramente — ou até já estar vivendo — um romance se espalhou mais rápido do que ela imaginava.
Quando chegou à casa de Juleka, a garota se surpreendeu ao descobrir que até Luka, que nem estudava no Françoise Dupont, já sabia da sua mentira. Até porque ela não tinha contado para Juleka, já que não queria envolver mais pessoas naquela desculpa. Mas, pelo visto, de alguma forma a notícia chegou até ela ou até Luka diretamente.
E Marinette não teve outra opção senão continuar a mentir. Disse ao menino com os cabelos azuis que ela e Chat estavam se encontrando de vez em quando, mas nada de mais.
— Relaxa, pode me contar a verdade se quiser. Não vou ficar magoado. — Luka disse enquanto tocava a guitarra.
— Mas é a verdade, somos só amigos. — "De novo essa palavra", pensou. — Até porque nem dava pra ser algo a mais. Ele é um super-herói e... — A azulada nem terminou de falar, não queria começar aquele discurso. Luka sorriu para ela e voltou o olhar para a guitarra, concentrando-se na nova melodia que estava compondo.
***
Depois de voltar do cinema com suas amigas, Marinette olhava as redes sociais, aliviada por sua mentira não ter chegado até lá ainda. Estava um pouco desapontada com seus colegas do clube de artes por terem espalhado para a escola inteira que ela se encontrava com Chat, mas Alya a acalmou mais cedo, dizendo que alguém deve ter ouvido quando ela gritou e a azulada acreditou na amiga. Nem Victor nem Alix espalhariam aquilo, até porque não era nada de mais.
A azulada iria desligar a tela do celular quando chegou uma mensagem. Número desconhecido.
E aí? Quando vamos nos encontrar para começar o plano?
Ela pensou em bloquear o número sem responder. Mas algo dizia para perguntar quem era.
Quê? Quem é você?
Seu gatinho preferido, quem mais seria?
Como conseguiu meu número?
Tenho meus contatos.
Que clichê...
Espera, você é mesmo quem eu tô pensando, né?
Se você estiver pensando no cara mais gato dessa cidade, sou sim.
Como vou saber se não é ninguém se passando por você? Depois de tudo o que aconteceu...
Sério que eu vou ter que ir na sua varanda, princesa? Está chovendo, e gatos não gostam muito de água.
Pode ser qualquer um falando isso.
Eu mereço...
Sou eu, Chat, o super gênio que sugeriu aquela ideia clichê de namoro falso e que ainda está esperando você me mandar a lista com um milhão de razões para dar errado.
Marinette riu ao ler a mensagem.
Tá bom, tá bom, é você.
Então, e o plano?
Que plano?
Ah, volta pra ler a mensagem.
Ah sim. O namoro falso.
E aí?
E aí o quê?
Vai rolar ou não?
Não, ué
Como assim não? Ontem você não disse que ia?
Mudei de ideia.
Ah, qual é, Marinette? Por que não?
Sério mesmo que vou ter que te mandar aquela lista?
Blá blá blá riscos, blá blá blá problemas, blá blá blá se o Hawk Moth descobrir... tô sabendo.
Então por que veio perguntar?
Porque você pareceu mudar de ideia ontem!
Mas eu mudei de novo!
Ela suspirou e, como ele demorou para responder, achou que o assunto tinha se encerrado. Então, começou a arrumar a cama para se deitar. Só que, minutos depois, o celular vibrou de novo.
Já que você fez uma lista com vários motivos para dar errado, vou fazer uma com vários motivos para dar certo.
A azulada riu.
Duvido conseguir falar um.
1. Eu sou um gênio
2. Todo mundo acreditou que estávamos juntos quando aquelas fotos falsas saíram.
3. Várias pessoas shipparam a gente. Já falei que até colocaram nome no casal?
4. Isso pode trazer benefícios para nós dois.
5. Pelo que eu entendi, seu crush lá acreditou que estávamos juntos e até agiu diferente com você.
6. Minha lady agiu diferente naquele dia também. Pode ser que não tenha sido por causa das fotos, mas eu prefiro acreditar que foi.
7. Saímos muito bem em fotos juntos.
8. Preciso assistir a esses filmes que você falou e você me prometeu que assistiríamos juntos.
9. Gosto muito da sua companhia.
10. Não consegui pensar em mais nenhum motivo, mas coloquei aqui só pra parecer que tem 10.
Marinette ficou surpresa com a mensagem.
Caramba! Você é bom nisso.
Te convenci, não foi?
Não.
Vou fingir que acreditei nessa mensagem.
Marinette suspirou de novo e encarou a foto de Adrien. Ele realmente tinha agido de um jeito estranho em relação às fotos, como ela tinha pensado na noite anterior. E agora que tinha inventado aquela mentira na escola, precisava pelo menos ter algumas provas daquilo para as pessoas pararem de enchê-la de perguntas. Depois era só dizer que ela e Chat não se deram tão bem assim e tudo voltaria ao normal. Os olhos dela voltaram-se para a kwami adormecida e a garota respirou fundo.
Tá.
Tá o quê? Você aceita?
Tanto faz.
Você disse isso ontem e mudou de ideia hoje.
Ainda acho muito arriscado.
Mas...
Acho que vou correr o risco.
UVEKEBDHDIDISBSGHSISHIEVWOSB
Mentira que você mandou isso
Vê se não muda de ideia amanhã.
Se eu estiver em sã consciência, eu vou mudar.
E não está agora?
Aparece amanhã para assistirmos a um filme clichê de namoro falso para você mudar de ideia.
Ela quase conseguia ver o sorriso de Chat.
***
— Você fez o quê? — A kwami quase gritou.
— Relaxa, Tikki, não vai durar muito. — Ela não pareceu convencida — E eu tenho certeza de que vou conseguir convencê-lo de que não vai dar certo.— Marinette disse enquanto costurava um novo vestido, até que ouviu batidas na janela.
— Esperando há muito tempo? — Chat Noir falou, ainda do lado de fora da casa.
— O quê? Não! Você nem falou o horário que vinha. — Ela passou as mãos sobre a roupa amassada.
— Relaxa, já te vi até de pijama. — Ela riu e abriu a janela.
— Veio fazer o que aqui? Já te falei que...
— "Não pode usar os poderes por motivos pessoais" — O loiro afinou a voz, tentando imitar a azulada e ela riu. — Vim acertar os detalhes do plano.
— Ah, não!
— "Ah, não" o quê? Você me deu certeza ontem. — Marinette voltou para a mesa de costura.
— Mas falei que poderia mudar de ideia hoje.
— Você está tentando me irritar.
— E estou conseguindo. — Ela disse sorrindo, esperando uma resposta de Chat Noir, mas ele ficou em silêncio. — Bom, aqui está a lista. — A garota entregou-lhe um papel.
— Dos motivos para o meu plano dar errado?
— Não, se fosse fazer essa lista aí acabaria com todo o papel do planeta. — O garoto revirou os olhos. — Essa lista é das condições para eu aceitar esse plano. — O loiro passou os olhos rapidamente pela folha.
— Até onde eu li, tá tudo be... Espera! Como assim não usar meus poderes? Como eu vou me transformar? — Ela deu de ombros. — Você está tentando me fazer desistir, mas não vai conseguir. — O garoto entregou-lhe o papel de volta. — Vou arrumar uma fantasia.
— A do Senhor Banana? — Os dois riram.
— Aquela é só para emergências. Tenho uma do Chat Noir lá em casa.
— Você tem uma fantasia de si mesmo?
— Longa história... — Antes que falasse mais alguma coisa, ouviram batidas na porta e o loiro procurou com os olhos um local para se esconder, enquanto Marinette ria.
— Pode entrar, pai. — A azulada falou entre risadas ao encarar o olhar desesperado do gato.
— Ah, então ele já chegou. — Disse Tom, com os olhos fixos no herói.
— Espera, você falou pra ele? — O loiro sussurrou para a menina, mas não obteve resposta.
— Acho que avisei o suficiente da última vez, mas vou falar de novo. — O padeiro aproximou-se de Chat Noir — Se você pensar em magoar a minha filha, eu... — A azulada segurava o riso com aquela cena, a expressão desesperada do gato era hilária.
— Pai, eu já falei que só vamos assistir a um filme, pode ficar tranquilo e... — Marinette foi interrompida com a chegada de Sabine.
— Não acredito que você veio aqui assustar o garoto, Tom.
— O quê? Não, eu só estava...
— Ele não já falou que gosta da Ladybug? — O casal começou a discutir baixo entre si, mas Chat continuava com uma expressão assustada que fazia Marinette se esforçar para não rir. — Garanto que não vamos interromper o filme de vocês. Sinta-se em casa, Chat Noir.
— Não tão em casa assim, ainda estou de olho em você.
— Tom! — Sabine falou, puxando o marido para fora do quarto e fazendo Marinette soltar a gargalhada que tanto segurava.
— Sério, você tinha que ver sua cara quando meu pai chegou. — Ela continuava rindo.
— Eu não acredito que você contou pra eles e não me avisou.
— Se vamos ter um namoro falso mesmo, preciso te apresentar aos meus pais, ué.
— Acho que o que você queria era rir da minha cara.
— Isso também. — Ela riu com a expressão de ofendido dele. — Vamos assistir ao filme?
— Espera, é verdade mesmo essa história de filme?
— Claro, você precisa ver o final da história.
— Agora que eu já sei o que acontece não vai ter graça. — Marinette fez uma careta para ele.
***
Ao contrário do que a azulada imaginava, o final do filme não pareceu convencer Chat Noir e ele voltou no dia seguinte. Marinette fazia um trabalho da escola quando o gato lhe deu um susto que quase a fez cair da cadeira, fazendo com que os dois rissem.
— Marinette, tudo bem aí? — Gritou Sabine no andar de baixo.
— Tudo, o Chat Noir tá aqui. — Ele a encarou com um olhar desesperado, não queria ouvir o discurso de Tom novamente.
— Você tá fazendo isso pra rir da minha cara de novo, né? — Ela soltou uma gargalhada.
— Estou só me vingando do susto que você me deu. — Disse e voltou o olhar para seu caderno. Chat Noir se aproximou da menina.
— Está fazendo o quê?
— Um trabalho de física da escola. Bom, pelo menos estou tentando. — Adrien sabia qual era o trabalho, tinha feito antes de ir para a casa de Marinette.
— Quer uma ajuda? — A garota o encarou enquanto ele se aproximava dela. — Sou muito bom nessa coisa de física. — Disse com a voz rouca que fazia quando jogava charme para Ladybug.
— Você não perde uma oportunidade, não é?
— O quê? Mas é verdade! — A menina levantou da cadeira.
— Depois eu faço isso, é só pra semana que vem mesmo.
— E você vai deixar pra última hora? Vem aqui, eu ajudo. — Ele voltou o olhar para as contas que a menina tinha feito quando ela lembrou de uma coisa e se aproximou, pegando a mão dele e focando o olhar no anel.
— Que foi? Quer um anel de compromisso para o nosso namoro falso?
— Só estou conferindo se você está cumprindo sua parte do plano. — Ela recebeu um olhar confuso — O anel está cinza, então quer dizer que você está sem sua transformação. Onde conseguiu essa fantasia de Chat Noir? É perfeita, nem parece que é uma fantasia mesmo. E como você conseguiu subir pela janela?
— Espera, como você sabe que quando estou destransformado meu anel fica cinza? — Ela sentiu seus olhos se arregalarem.
— É que... eu fui a Multimouse, lembra? A Ladybug me explicou isso quando eu perguntei.
— Ah, é claro, como pude esquecer? Até hoje não entendi seu plano daquele dia. Foi incrível! Queria que a Ladybug te chamasse mais vezes...
— Pois é, mas eu revelei minha identidade então não dá. — Ela queria fugir desse assunto antes que falasse demais.
— Então, vai fazer o trabalho ou não?
— Se você me ajudar...
Assim que terminaram a lição de casa de Marinette, Tom apareceu com alguns croissants, mas logo saiu do quarto.
— Ufa, achei que ele fosse falar alguma coisa. — Disse o loiro enquanto comia.
— Minha mãe deve ter pedido pra ele não falar.
— Ainda não acredito que seu pai ainda está com raiva daquele dia, você e eu nos resolvemos e está tudo bem, não é?
— Ele se preocupa comigo, não quer me ver magoada, sabe como são os pais, não é? — Ele olhou para o chão. Não sabia. Gabriel não era esse tipo de pai.
— É...
— Então, vamos assistir outro filme de relacionamento de mentira para ter ideias para o nosso?
— Com certeza.
***
Visitas como aquela continuaram nos próximos dias e não demorou muito para que fotos de Chat Noir e Marinette — de verdade, dessa vez — aparecessem nas redes sociais. A pedido do loiro, a menina postou uma selfie deles em seu perfil. Mas sempre que eram perguntados sobre um possível romance, diziam que eram apenas amigos.
— Ué, mas a gente não estava namorando? Quando foi que você me colocou na friendzone? — Ela perguntou entre risadas para Chat Noir, quando ele disse para um repórter que não namorava Marinette.
— Relaxa, "amor"... — Ele colocou um braço sobre os ombros da azulada, que riu mais ainda — É pra manter o suspense. Nos filmes que a gente viu os protagonistas sempre diziam que eram só amigos quando na verdade tinha algo a mais.
— Falando em filmes... — Marinette mostrou-lhe um DVD.
— Filmes em DVD? Isso ainda existe? — Ela fez uma careta.
— Esse não tem na internet, então vamos ter que assistir como nos "velhos tempos".
Ele sorriu, desde que começou aquela história de relacionamento falso com Marinette, não tinha mais se sentido sozinho. Mas ainda se preocupava. Faltava algumas semanas para Kagami voltar de viagem e ainda não sabia o que dizer a ela.
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