Notas iniciais
Aaaaa não acredito que chegamos ao último capítulo! Sério, obrigada por todos os comentários e favoritos! (Ok, vou deixar o discurso emocionado para as notas finais.) Agora vamos ao capítulo! Espero que gostem :)

Marinette observava as pessoas que iam e vinham nos barcos do rio Sena, e aproveitou aquela inspiração repentina para esboçar uma futura coleção de roupas.
Desenhava pequenos detalhes nas peças, imaginando possíveis cores e tecidos. Ao notar que o casaco que esboçava ficaria perfeito nas cores verde e preto, se viu invadida pelas imagens de Adrien com o traje de Chat Noir.
Nem parecia que já tinha se passado duas semanas desde a batalha com Hawk Moth, ou melhor, com Nathalie akumatizada. As coisas depois daquele dia mudaram bastante.
Lembrou que, ao ficar a par da identidade do vilão de Paris, toda a equipe de super-heróis se comprometeu em fazer o possível para encontrá-lo e detê-lo, mas, desde então, não tinham feito nenhum progresso.
Marinette ainda não conseguia entender como Gabriel tinha feito para passar despercebido por tantas câmeras, por tantas pessoas, por tantos olhares que estavam sobre ele desde que descobriram que era Hawk Moth. Ninguém tinha nenhuma pista de onde ele poderia estar ou se ainda estava com o miraculous da borboleta, ou se pretendia retornar à Paris e isso a preocupava.
Imaginou que Nathalie saberia de alguma coisa, mas, ao ser questionada por Ladybug, a mulher mostrou-se surpresa ao saber que Gabriel era o vilão da cidade. Ela realmente parecia não saber de nada, mas Marinette pediu a Adrien para ficar atento a qualquer informação que pudesse ajudar a encontrar seu pai. E, até aquele momento, os heróis ainda não tinham nada.
Foi então que a azulada decidiu fazer algo um pouco difícil para ela: guardar os miraculous, incluindo o dela e o de Adrien, na caixa. Todo o cuidado era pouco. Não sabia se Gabriel os vigiava, e deixar as jóias por aí era muito arriscado.
Há uma semana, Marinette tinha construído uma caixa, com um mecanismo semelhante ao daquela que guardava seu diário, para esconder a caixa dos miraculous. Foi difícil se despedir de Tikki, mas sabia que aquilo não era um adeus. Estava mais para medida de segurança, enquanto não sabia onde Gabriel Agreste se escondia ou o que planejava. Sabia, desde quando tinha escutado a conversa dele com Nooroo, que ele a observava e pretendia akumatizá-la, então todo cuidado era pouco.
Imaginou que, quando descobrisse quem era Hawk Moth, tudo ficaria mais fácil, mas parecia que era exatamente o contrário disso. Agora precisava ficar em alerta sempre, controlar qualquer indício de emoção negativa dentro de si — já que era a única a saber onde estava os miraculous — e lidar com a preocupação de que ele ressurgisse de forma inesperada.
Felizmente, podia contar com Alix e Adrien, os únicos a saberem sua identidade. Mas isso também a preocupava. Eles também precisavam controlar qualquer emoção negativa que tentasse atingi-los.
Marinette respirou fundo e voltou para seus desenhos, sorrindo satisfeita com o resultado. Voltava a olhar para os barcos no rio Sena quando recebeu uma mensagem de Adrien.

***

Não demorou muito para que o loiro se juntasse a ela, sentando-se ao seu lado para observar o local. Os dois sentiam uma leve brisa balançar seus cabelos e causar uma sensação de tranquilidade.
O silêncio que os envolvia era reconfortante, como se não precisassem de palavras para saber o que o outro sentia. Marinette deitou a cabeça no ombro de Adrien e ele acariciou seus fios azulados.
O loiro aproveitava aquele momento único, sentindo as preocupações com o pai e os miraculous o abandonarem por alguns instantes. No início tinha sido muito difícil lidar com aquela situação e, às vezes, acordava sentindo que tudo aquilo de jóias mágicas e vilões havia sido um pesadelo. Mas então lembrava-se do quadro de sua mãe revelando o esconderijo de Hawk Moth e via novamente aquela sensação de desespero tomar conta de si. Seu pai era Hawk Moth e agora ninguém fazia a mínima ideia de onde ele poderia estar.
Quando Marinette lhe contou sobre sua decisão de recolher todos os miraculous, incluindo os deles, o loiro imaginou que não era uma boa ideia. "Mas… e se ele resolver aparecer do nada? Como vamos enfrentá-lo sem os poderes?", tinha dito a ela, mas depois entendeu sua decisão. Se ele fosse akumatizado por causa de suas emoções negativas, uma das jóias já estaria nas mãos de Hawk Moth e, como Adrien sabia a identidade da guardiã, encontrar as outras seria fácil. Embora ainda achasse que seria perigoso não poder se transformar quando seu pai resolvesse aparecer, entendia que estava vulnerável com aquele desespero e preocupação o invadindo constantemente. "O Plagg também vivia me pedindo férias…", pensou, rindo ao lembrar do kwami. Já sentia falta de suas reclamações.
— O que está desenhando? — Disse ele, fitando os esboços da azulada.
— Talvez uma nova coleção. — Ela folheou o caderno, mostrando o que já havia terminado — Achei esse casaco a sua cara.
— É incrível, como tudo o que você faz, my lady. — Disse Adrien sorrindo e beijando a testa dela.
— Bom, então quer dizer que já tenho o modelo para um futuro desfile?
— Seria miaugnífico. — Ela revirou os olhos.
— E o gatinho ataca novamente! — Os dois riram.
— Então… amanhã, depois da escola, eu estou com a tarde livre. Sabe o que isso quer dizer, não sabe? — O loiro disse, aproximando seu rosto do dela.
— Humm… deixa eu ver… maratona de filmes de romance clichês? — Ele riu e roubou-lhe um beijo rápido.
Amavam a companhia um do outro, ainda mais naquele momento de tantas preocupações relacionadas aos seus alter-egos. Ambos sentiam seus receios diminuírem quando estavam juntos, sabendo que, independente do que acontecesse, poderiam contar um com o outro.
Ainda não tinham tornado público o relacionamento, mas é claro que existiam rumores. Certamente, daqui a algumas horas, os sites de fofoca estariam explodindo com fotos do conhecido modelo de Paris beijando uma garota à beira do rio Sena. Mas, como Marinette tinha sugerido, era melhor ir com calma. Pelo menos até que detessem Hawk Moth, que já havia deixado claro que seria capaz de usar a relação da azulada com filho para atingi-la. Por isso, assim como era na época que ela e Chat Noir fingiram estar juntos, os dois sempre diziam que eram apenas amigos.
— Espero que nenhum fotógrafo tenha visto isso. — Sussurrou Marinette.
— Acho difícil, a maioria deve estar ocupado cuidando da nova polêmica de plágio do XY, como se isso fosse novidade. — Os dois riram.
— Mas, e se tiverem tirado fotos? O que vamos dizer? Que amigos se beijam de vez em quando? — Riram novamente.
— Claro! E podemos completar dizendo que é pra deixar a amizade mais amigável entre os amigos, porque somos só amigos. — Os dois soltaram gargalhadas.
— Mas é sério, acho melhor tomarmos mais cuidado. — A azulada falou.
— Eu sei. — Adrien aproximou seu rosto do dela. — Estou louco pra poder dizer ao mundo todo que o coração do modelo mais cobiçado de Paris já tem dona, e seu nome é Marinette Dupain-Cheng.
— Por enquanto, é melhor você fingir que é um gatinho de rua, kitty. — Ela falou, o afastando como Ladybug fazia e o loiro sorriu.

***

Depois de deixar Marinette em casa, Adrien voltou para a sua. E, assim que chegou, Nathalie o recordou do horário da campanha que faria para uma marca de jóias.
— Tudo bem, vou tomar banho e daqui a pouco eu desço. — Disse ele e a mulher assentiu.
O loiro tinha a impressão que aquela casa estava ainda mais silenciosa e solitária que antes. "Deve ser por que o Plagg não está aqui reclamando e pedindo queijo a cada dez segundos", pensou, rindo logo em seguida, mas estava com saudades do kwami.
Era estranho sentir mais falta de Plagg do que de seu próprio pai. Talvez fosse porque ele e Gabriel não eram tão próximos, afinal, haviam muitos segredos entre eles. Mas isso não significava que ele não se perguntava a cada minuto onde seu pai poderia estar, se estava bem, se voltaria à cidade ou o que aconteceria quando voltasse. "Será que ele vai se transformar e lutar de verdade dessa vez? Será que eu vou conseguir lutar com ele?", pensou, olhando para a gaveta da escrivaninha, onde guardava o bilhete que Gabriel havia deixado para ele.
Ainda não conseguia entender os motivos para o pai ter feito aquilo. O que ele queria dizer com "fiz tudo por nossa família, para sermos felizes como éramos antes"?
Adrien respirou fundo, tentando afastar aqueles pensamentos. Não adiantaria quebrar a cabeça pensando naquilo. Gabriel tinha feito uma escolha e sofreria as consequências dela mais cedo ou mais tarde.
O loiro deixou a água do chuveiro cair sobre si, desejando que ela levasse pelo ralo todas as preocupações que o atormentavam naqueles últimos dias.

***

Na manhã seguinte, Adrien e Marinette conversavam no pátio da escola depois da aula, aproveitando que o local estava vazio naquele horário.
— Então, como estão as coisas na sua casa? — A azulada perguntou.
— Não muito boas… Eu gosto muito da Nathalie, mas não somos próximos, sabe? Nunca temos muito assunto para conversar e a casa está sempre em silêncio. E… apesar de tudo, sinto falta do meu pai.
— Imagino…
— Parece que aquela mansão está mais solitária que nunca. Até estou sentindo falta do cheiro do queijo do Plagg. Mas, por favor, não conta isso pra ele. — Eles riram.
— Olha, quando você estiver se sentindo sozinho, pode ir dormir lá na minha casa. — Marinette disse, percebendo que o loiro arregalou os olhos. — Em quartos separados, antes que diga que nos beijamos algumas vezes, mas pular de uma coisa para outra é diferente, e que estamos indo rápido demais… — Disse, rindo das bochechas coradas do loiro.
— Você vai me zoar por isso pelo resto da vida, não é? — Adrien perguntou, fazendo a azulada rir mais ainda.
— Com certeza! — Ela respondeu rindo e, após certificar de que ninguém os veria, o beijou.
Os dois sentiam o coração acelerado, como se pulasse de alegria por aquele momento.
Há um mês, nunca imaginariam que o plano maluco de Chat Noir para que fingissem namorar os levaria até ali. Apesar da azulada ter confirmado o clichê que seus filmes favoritos tanto mostraram, ela realmente tinha ficado surpresa com o resultado do plano. Quando aceitou o namoro de mentira, imaginou que nunca se apaixonaria por Chat, assim como ele lhe disse que não se apaixonaria por ela. Mas é claro que, assim como nos filmes, isso acabou acontecendo.
Era tão simples conversar como Chat Noir e Marinette, tão… natural. Não havia necessidade de se preocupar em chamar alguém para sair ou em se declarar. Era apenas ele e ela, dois amigos que fingiam estar juntos, que guardavam outros segredos entre si e que tinham objetivos bem definidos com aquele plano. Ele, o de conquistar Ladybug, embora ainda não acreditasse que fosse funcionar. Ela, o de confirmar a mentira que inventou na escola e, talvez, o de tentar fazer com que Adrien a notasse.
Só que nenhum dos dois imaginava que seus amores secretos e objetivos do plano estavam bem ali, à sua frente, conversando sobre filmes clichês em uma noite qualquer na varanda de Marinette. E nem que desejariam tanto aqueles encontros.
Agora que sabiam de tudo isso, sentiam uma certa felicidade explodir dentro de si. Finalmente tinham conhecido por completo as pessoas que amavam.
— Agora eu posso dizer o "eu te avisei que meu plano irrecusável e genial daria certo?" — Adrien disse, fazendo a azulada rir.
— Genial e irrecusável? É sério que eu vou ter que te mandar aquela lista com um milhão de razões para recusar aquele plano?
— Você se recusa a assumir que eu tive a melhor ideia do mundo ao pensar nisso, não é?
— Claro! Por que eu tenho que assumir isso se você ainda se recusa a desistir de me derrotar no Ultimate Mecha Strike III? — Eles riram e se beijaram novamente.

*****

Gabriel olhava para as montanhas cobertas de neve, sentindo o vento gélido no rosto. Com a mente repleta de inúmeras dúvidas, fechou os olhos, recordando os dias em que tinha visitado aquele lugar com sua esposa.
Naquela época, nunca imaginaria que voltaria ali anos depois, sozinho. Certamente esperava retornar nas férias, com a esposa e com seu filho. Mas tinha deixado os dois em Paris. Emilie adormecida no subsolo da mansão, protegida agora por Nathalie. Adrien imaginando que o pai era um monstro, um covarde que fugiu de sua justa punição por seus crimes à cidade, também vigiado por Nathalie.
Tinha confiado os dois à mulher, além, é claro, de seu segredo, que agora não era mais tão secreto assim. Esperava demais dela e sabia disso.
Abriu os olhos e fitou as montanhas. O vento parecia mais frio a cada minuto. Ele caminhou até seu abrigo, sentindo a mente o recordar mais uma vez de seus planos para Ladybug e Chat Noir.
Gabriel entrou na casa isolada e quase toda coberta de neve, surpreendendo-se ao ver uma carta sobre a mesa com seu nome. Como alguém tinha descoberto seu paradeiro? Tinha certeza de que havia tomado todo cuidado para não deixar rastros ou pistas de onde poderia estar. Mas, ao abrir o envelope, um sorriso maligno formou-se em seus lábios.

Tudo pronto.

— N

Notas finais
AAAAAAAA VAI TER PARTE DOIS SIIIIMM! Sério, muito obrigada por cada favorito e por cada comentário ao longo da fanfic. Vocês são incríveis! Eu já estava há quase um ano sem escrever e aí me veio a ideia dessa história. Mas eu pensava "ninguém vai gostar disso! Ninguém aguenta mais esse clichê de namoro falso!" Escrevi e mudei tantas vezes que até me perdi no meio da fanfic kkkkk E aí, mesmo depois de pronta, eu fiquei enrolando quase um mês para publicar! Então, obrigada por cada mensagem que me motivou a continuar escrevendo :) Bom, vocês devem estar surtando para saber quando sai a parte dois hahah! E… (rufem os tambores kkkk) o primeiro capítulo vai sair semana que vem, segunda-feira (29/06) por volta das 19h. (Vou deixar vocês esperando, sou malvada kkkkk) Brincadeiras à parte, fico muito feliz que tenham gostado dessa fanfic (que é o que está nos alimentando até a quarta temporada sair, não é mesmo? Hahah!). Então é isso… vejo vocês semana que vem!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!