Notas iniciais
Olá! Aqui está o capítulo seis. Espero que gostem!

Marinette encarava seu reflexo no espelho enquanto passava uma maquiagem leve para esconder o olhar cansado e o resquício das lágrimas que derramara naquela noite. Mal tinha dormido por conta daquelas lembranças e ainda não tinha compartilhado aquilo com ninguém, nem mesmo Tikki. Imaginou que esqueceria aquele pesadelo ao amanhecer, mas não foi o que aconteceu.
"Foi só um sonho, foi só um sonho…", ela repetia para si ao olhar para uma foto dela e de Adrien em seu celular. Não queria tomar decisões precipitadas porque achava que aquele pesadelo com Chat Blanc queria lhe dizer alguma coisa.
"Tá partindo mais do que o meu coração, Marinette…"
Ela colocou as mãos sobre a cabeça e sacudiu-a, na tentativa de afastar aquelas lembranças.
"Não dá pra 'apagar' o passado quando se comete os mesmos erros"
Fechou os olhos, lutando ainda mais contra aquelas palavras insistentes.
"Foi o nosso amor que fez isso com o mundo, my lady."
"Droga! Sai da minha cabeça!", pensava, e, impulsivamente, socou a penteadeira, derrubando alguns cosméticos.
Tikki acordou com o barulho, encontrando sua portadora ajoelhada no chão, tentando pegar o que tinha caído.
— Tá tudo bem, Marinette? — A azulada suspirou e iria finalmente compartilhar o que tanto a atormentava desde o dia anterior, mas foi interrompida.
— Marinette, você ainda vai pra escola hoje? Está ficando tarde! — Sabine gritava do andar de baixo, o que fez a menina olhar para o relógio.
— Estou muito, muito atrasada! — Falou, pegando a mochila e descendo as escadas apressadamente.
Chegou no meio da aula de literatura e a Srta. Bustier lhe pediu para que ficasse depois da hora.
— Ih, vai levar bronca. — Brincou Kim, o que fez a turma toda rir, até a própria Marinette.
Mas, ao contrário do que a azulada esperava, a professora apenas pediu para que realizasse alguns de seus deveres como representante de turma. Pelo visto até ela já estava acostumada com seus atrasos.
O dia de aulas prosseguiu normalmente, porém ela mal tinha trocado uma palavra com Adrien e isso era estranho para os dois. Mesmo evitando estar próximos em público, isso não impedia que conversassem, mas, é claro, deviam parecer apenas amigos aos olhos de todos.
Na última aula, foi surpreendida por uma mensagem dele.

Você está tão quieta hoje…
Na verdade, está assim desde ontem.
Aconteceu alguma coisa? Se quiser me contar, fico depois da hora com você. Tem aula de artes hoje, né? Eu só vou passar em casa e depois volto para minha aula de esgrima.

Ela sentiu-se mal por saber que iria mentir para ele.

Não, tá tudo bem. Só cansada mesmo. Achei que ia chegar em casa ontem e dormir até hoje de manhã, mas não consegui. Enfim, nada que uma boa soneca depois da escola não resolva.

Ela sabia que não resolveria. Adrien enviou um emoji e os dois voltaram a fazer a lição. Mas o loiro mal prestava atenção ao que lia.
Sabia que a namorada estava mentindo. Ele mesmo já havia usado aquela desculpa do cansaço várias vezes e, embora ela realmente parecesse cansada, Adrien não sentia que era uma fadiga comum, parecia algo mais emocional.
Em um ímpeto, lembrou-se que algo semelhante já tinha acontecido há algumas semanas. Hoje sabia que, naquela época, Marinette estava estranha e distante porque tinha descoberto a identidade de Hawk Moth e não sabia como contar para ele. Mas o que tinha acontecido agora?
"Será que ela está assim por causa da discussão que tivemos sobre a Mayura ser a Nathalie?", ele pensava, "Mas não foi nada demais… Só discordamos e discutimos um pouco, que casal não discute?".
Ele percebeu que seus pensamentos agora voltavam-se para outro problema: Mayura. A batalha que tiveram há dois dias havia sido uma surpresa para todos. Por que somente ela tinha aparecido? Quem controlava os akumas? Seu pai retornara?
Ele estremeceu ao pensar naquela possibilidade. Realmente ainda não se sentia pronto para uma luta contra seu próprio pai por causa de duas jóias. Mas, se isso fosse preciso, ele teria que lutar e sabia disso. Tinha consciência de que havia um preço a pagar pelo poder absoluto e seu consequente desejo. E, seja lá o que seu pai quisesse fazer com aquilo, ele deveria evitar.
Adrien balançou a cabeça, precisava afastar aqueles pensamentos.
Voltou a pensar em Marinette. "Ontem ela estava tão estranha lá em casa, principalmente quando a Nathalie apareceu. Nem escutou quando eu a chamei, de tão distraída que estava…", pensava. "Será que ela ainda acha que a Nathalie é a Mayura? Mas não faz sentido pensar nisso depois que as duas apareceram no mesmo lugar ao mesmo tempo!", sem perceber, virou-se para encarar a azulada, que parecia concentrada nos exercícios que a professora tinha passado.
"Tenho que fazer como ela e deixar minha mente aqui, e não nos meus problemas…"
Adrien só não sabia que ela também lutava contra seus próprios fantasmas.

***

— Então, sobre o que nós conversamos naquele dia… — Alix dizia enquanto ela e Marinette caminhavam até a porta do colégio — Falei com o Max e começamos a busca, mas até agora não tivemos sinal dele. Eu não sei como esse cara conseguiu fugir de todas as câmeras de segurança da rua dele, do aeroporto… É bizarro! — A garota percebeu que a amiga parecia distante — Mas vamos continuar procurando, ele não pode fugir pra sempre.
— É… — Ela novamente parecia distraída aos olhos da amiga.
— Ok, pode me contando o que está acontecendo ou então vou mudar a investigação do Gabriel para você. — Ela brincou, conseguindo arrancar um sorriso da amiga.
— Está tão visível assim?
— Não, nem dá pra perceber que está com corretivo. Me ensina a deixar a pele tão natural assim? Toda vez que resolvo passar alguma coisa a mais fico parecendo um palhaço. — Elas riram, sentando-se na escada — Mas é sério, pode me contar o que for.
Adrien saiu do colégio e a azulada o seguiu com o olhar até que ele entrasse no carro e acenasse para elas. As duas observaram o carro partir, mas Alix notou que, mesmo depois que ele sumira da vista das duas, Marinette continuava a encarar o horizonte.
— Por que estou sentindo que você mentiu quando disse que não aconteceu nada depois do cinema? — Perguntou, recebendo um olhar surpreso.
A azulada suspirou. Queria muito compartilhar tudo com as amigas, desde seu relacionamento com Adrien até o pesadelo com Chat Blanc. Mas não podia ainda. Prometeu a ele e a si mesma que só iriam contar para todos quando estivessem seguros do fim dos akumas, amoks, jóias mágicas…
Se contasse para Alix, corria o risco de outras pessoas descobrirem. Não que achasse que a amiga fosse fofoqueira, é claro, afinal confiava a ela seu maior segredo: sua identidade secreta. Mas lembrou de quando inventou uma desculpa, com a finalidade de esconder que era Ladybug, para seus colegas do clube de artes há mais de um mês. Naquele dia, com o nervosismo, disse a primeira coisa que lhe veio à mente: que namorava Chat Noir e que era por isso que sabia tanto sobre ele, e não porque era sua parceira, como os amigos pareciam suspeitar. Porém, aquela notícia se espalhou pela escola e logo chegou à internet, sem que seus amigos contassem a ninguém. Com certeza, alguém ouviu quando ela falou. Todo o cuidado era pouco e sabia disso.
Agora, com o reaparecimento dos akumas, estava ainda mais em alerta. Se descobrissem que estavam juntos, era apenas uma questão de tempo até que usassem seu próprio relacionamento contra ela.
Deveria esconder aquilo por enquanto, embora o que mais quisesse era contar tudo para a amiga.
— Aconteceu só o que eu falei…— Disse, sentindo uma pontada no coração ao mentir para ela. Levantou-se da escada. Não aguentava mais aquelas mentiras. — Não tem relacionamento nenhum, nem com o Adrien, nem com Chat, nem com ninguém. — Falou, sentindo um nó formar-se na garganta, principalmente ao lembrar da possibilidade que pensava desde o pesadelo com Chat Blanc.
As palavras dele voltaram a se repetir em sua mente.
— Eu só… preciso descansar e acalmar os pensamentos. Tá tudo bem. — Alix assentiu, um pouco contrariada. Conhecia Marinette muito bem para saber que aquilo não era só uma noite mal dormida. Mas, se ela não queria contar, não adiantava insistir.

***

Adrien e Kagami conversavam após a aula de esgrima.
— Então foi nesse dia que eu conheci umas pessoas bem legais lá… — A garota contava sobre a viagem que fizera para a cidade de sua tia-avó no mês anterior. — Acredita que eles me convenceram a jogar Twister? Para a primeira vez que eu jogava, até que estava indo bem. Bom, pelo menos até parte em que eu caí e quase quebrei um braço. — Os dois riram. — E você, o que fez durante o mês passado? — Ela perguntou, vendo se conseguia tirar alguma informação sobre o relacionamento dele com Marinette. Pelo jeito que ele a encarava, pareciam estar muito felizes juntos. E Kagami realmente sentia-se bem por isso.
— Bom, só segui minha vida ocupada de modelo/estudante/esgrimista/pianista. — Eles riram, mas ela não se contentou com aquela resposta. Seria mais direta.
— E você e a Marinette? Pareciam tão próximos naquele dia do aeroporto e eu reparei que você olhava bastante pra ela no dia da festa na casa da Juleka, acho que alguém está apaixonado… — Ela disse em um tom brincalhão e ele forçou um sorriso. Não queria mentir.
— Eu e Marinette? Não… somos só amigos. — Falou, lembrando-se que, há alguns meses, repetia aquela frase constantemente, mas naquela época era verdade.
— Ainda está nessa, Adrien? Não acredito que vou ter que desenrolar a minha amiga pra você. — Ele riu.
— Mas e sua mãe, como está? — Ele mudou bruscamente de assunto, e a menina percebeu que ele não queria falar sobre Marinette. Talvez não devesse insistir.
Mas a conversa sobre sua família a recordou de algo muito importante. A lembrança de Ladybug contando para toda a equipe de super-heróis quem era Hawk Moth. Kagami e o restante da equipe já tinha conversado com Adrien depois da batalha, mas com a reaparição dos akumas, o assunto devia voltar à tona. Apenas Alix e a equipe de super-heróis sabiam sobre Gabriel, para todos em Paris o designer de moda tinha apenas viajado a negócios. Devia estar sendo muito complicado para o loiro.
Ela foi direta, perguntando como ele estava com toda aquela situação do retorno dos vilões e a possibilidade de seu pai ter voltado.
— Não muito bem, mas tento não pensar nesse assunto, sabe? Não quero me torturar pensando nos erros dele. — Kagami o fitava, nem conseguia imaginar a tristeza que ele deveria estar sentindo.
— Você sabe que não vai evitá-lo pra sempre, não é? Fugir desses pensamentos pode te causar um problema bem maior quando se encontrar com ele de novo.
— Eu sei…
— Sempre que quiser desabafar sobre isso vou estar aqui, ok? — Ele sorriu e a abraçou. Era tão mais simples agora que eram amigos.

***

Em casa, Adrien pensava sobre os conselhos de Kagami. Ela tinha razão, não dava para fugir dos seus problemas para sempre. Mas, apesar de saber disso, não tinha conseguido pensar sobre o pai naquela tarde.
O comportamento estranho de Marinette invadiu sua mente. Eles mal haviam se falado desde o dia em que enfrentaram Mayura. Resolveu ir até a varanda da menina, como fazia na época em que fingiam namorar.
Queria ter certeza de que ela estava bem. A conhecia e sabia que estava mentindo, parecendo esconder alguma coisa e, pelo visto, era algo sério. "Será que ela ainda não confia em mim?", pensou, lembrando-se de que teve esse mesmo questionamento há algumas semanas, quando ela também parecia ocultar algo dele, que, na época, era a identidade de Hawk Moth. "Será que é algo relacionado ao meu pai? Talvez ela tenha descoberto onde ele está…", pensava.
Decidido, mandou mensagem para a namorada, perguntando se gostaria de uma visita felina. Eles trocaram poucas mensagens até que o alerta akuma os interrompeu.

***

— Zerou! — Os dois heróis cerraram os punhos, como de costume.
O loiro, que não tinha usado seu cataclismo na batalha, parou para observar a noite em um telhado e ela fez o mesmo, embora lhe restasse poucos minutos para se transformar.
Deitou a cabeça sobre o ombro dele e sentiu o desejo de contar-lhe sobre tudo o que estava sentindo desde que tivera aquele pesadelo, mas não conseguiu. E, além disso, não sabia se poderia contar sobre aquele futuro para ele ou se quebraria alguma "lei do tempo", como Bunnix costumava chamar.
Ficaram em silêncio até que o miraculous dela apitasse, obrigando-a a sair dali. Se despediu do namorado e foi para casa, sentindo um nó formar-se na garganta. "Por que estou assim? Foi só um pesadelo…", pensava, embora sentisse que era mais do que isso.

Notas finais
Gente, a Mari… Ah, assim como conteceu na parte um, eu resolvi mudar a frequência de postagem dos capítulos, então... Até amanhã! Hahah! Obrigada por ler!