Um Plano Irrecusável
9 Um Semana e Meia
Notas iniciais
Para a felicidade do modelo, Gabriel realmente não estava em casa e Nathalie deixou Marinette entrar, desde que saísse antes do pai de Adrien voltar.
— Nathalie, você é incrível! — Disse o modelo, mas a azulada não estava tão empolgada assim. Adrien tinha dito que não haveria problemas com Gabriel, e o fato de que ele poderia chegar a qualquer momento e encontrá-la ali a preocupava.
Quando subiram para o quarto do loiro, Marinette colocou os livros sobre a mesa.
— Então, qual assunto você está com dúvida? — Ela recebeu um olhar confuso.
— Quê?
— Da matéria do teste de história. Não foi por isso que eu vim? — Adrien queria dizer que não, que na verdade a chamou ali apenas para conversarem e talvez jogar videogame.
— Ah, claro.
O loiro logo inventou alguma dúvida e os dois começaram a estudar juntos, ficando em silêncio na maior parte do tempo. Não era isso que Adrien tinha em mente, mas não sabia se era uma boa ideia revelar a verdade para ela.
Antes que terminassem de estudar, Nathalie apareceu na porta.
— Gabriel está vindo. — Marinette sabia que esse era um "convite" para ela se retirar.
— Então… estou indo. Até amanhã, Adrien.
— Tchau.
Quando a azulada saiu do quarto, o loiro começou a tocar piano e depois foi para o videogame, entediado.
— Espera, eu não entendi. Por que você chamou a Marinette aqui para estudar se você já sabia tudo?
— Eu achei que a gente ia conversar, que nem quando estou vestido de Chat Noir na varanda dela. Sabe, ela age diferente com o Adrien. Queria que não fosse assim.
— Mas você já conversa com ela como Chat Noir quase todo dia. Pra que isso?
— Não quero que depois que o meu namoro de mentira com ela acabar, nossa amizade termine também.
— Ué, mas o Adrien e a Marinette também são amigos.
— Ela não fala com o Adrien do mesmo jeito que fala com o Chat Noir.
— E por que isso importa?
— Eu não sei! — Ele desligou o videogame.
— Já que quer tanto falar com ela, vai lá agora como Chat Noir.
— Até que é uma boa ideia, ontem eu nem apareci lá. Mas já está meio tarde, não vai dar para eu inventar um compromisso da esgrima pro meu pai, sair pela porta da frente e colocar a fantasia do Chat Noir em um beco, como das outras vezes. Vou ter que me transformar.
— Ah não.
— Qual é, Plagg? Eu te dei queijo extra essa semana.
— Ela não gosta que você use os poderes.
— Você está falando isso só porque não quer que eu me transforme. Plagg, mostrar as garras!
— Não! Será que não consigo ter nem uma semana de folg… — O kwami não conseguiu terminar de falar, pois foi sugado pelo anel do modelo.
Quando chegou à varanda de Marinette, o loiro sorriu ao ver que as luzes estavam ligadas. Ela ainda estava acordada. Não bateu na janela dessa vez, queria fazer uma supresa, mas foi ele que se surpreendeu. A azulada estava colocando a camisola, e ele conseguiu ver as costas nuas dela. Envergonhado, voltou para a varanda e escondeu-se. "Eu devia ter batido na janela". Depois de alguns minutos, ele realmente bateu.
— Chat? Por que não falou que vinha? — Ela cruzou os braços, era meio esquisito falar com ele apenas de camisola.
— Eu estava passando e… — Ele tentou não olhar para as roupas dela, mas não conseguiu. Ainda estava um pouco constrangido. Marinette olhou para a mão de Chat Noir.
— Você está transformado? — O loiro tapou o anel, em vão. — Relaxa, está tudo bem. Entra.
— Seu pai… — Ele esperou que ela entendesse o que queria dizer, mas a menina não falou nada. — Não vai ser meio esquisito se ele entrar aqui e me ver a essa hora no seu quarto? — Falou, coçando a nuca, e ela riu.
— Verdade. Me espera na varanda que vou trocar de roupa.
— N-não precisa. — Ela lançou-lhe um olhar surpreso. — Seu cabelo fica muito lindo quando está solto.
— Obrigada. Mas acho melhor trocar de roupa. Caso meu pai apareça ou caso tirem fotos nossas. Já pensou eu aparecendo de camisola nas redes sociais? Se bem que já apareci de pijama e com uma toalha na cabeça no cinema, então… — Ela riu sozinha. — Vai lá, prometo que vou ser rápida.
Alguns minutos depois, Marinette apareceu e sentou-se ao lado de Chat Noir na varanda, levando dois chocolates quentes.
— Então, como está minha namorada de mentira? — Isso a fez lembrar que deveria falar com ele que estava pensando em acabar com aquilo, mas uma parte dela gostava daquelas visitas e disse para não falar nada agora.
— Bem, na verdade. Acho que tive alguns avanços com aquele meu crush. Não foi grande coisa. Na verdade não aconteceu nada, nem conversamos direito. Mas só de falar com ele como amiga está bom, não é?
— Você não gosta mais dele?
— Claro que gosto, só que… não parece muito certo me aproximar, sabe? Quer dizer, se ele realmente gosta daquela minha amiga. — Chat Noir ficou em silêncio — E você e a Ladybug? — Ela já sabia a resposta, mas queria perguntar para ver se ele desistia do plano.
— Na mesma. Ela nem falou nada sobre eu possivelmente estar com você, então… — Mentiu, não queria contar sobre o "estou feliz por vocês".
— Você desistiu? — Ele a encarou — Quer terminar nosso namoro de mentira? — Chat Noir riu.
— Você está tentando me fazer desistir desde o começo, mas não vai conseguir. — A azulada revirou os olhos. — E outra coisa: não podemos terminar agora, não quando está todo mundo acreditando.
— Nossa, eles realmente acreditaram, né? Já leu as fanfics que as pessoas estão postando? — A azulada riu.
— Não, você já?
— Claro, tem cada uma…
— Me indica alguma aí para eu ler.
— A-ah, acho que não é uma boa ideia. — Ela bebeu um gole do chocolate quente e ele arregalou os olhos.
— O que a gente faz nessas fanfics?
— É melhor você nem saber. — O felino arregalou os olhos novamente e Marinette riu.
— Ok, agora eu estou preocupado. Se seu pai ler uma dessas nunca mais vai me deixar vir aqui. — Os dois riram. — Falando nele, acho melhor eu ir, antes que ele apareça do nada.
— Que isso, você acabou de chegar.
— Mas está tarde, não? — Ela olhou o celular.
— Um pouco.
— Ah, antes de ir. — O gato pegou o celular da mão dela para tirar uma selfie. Marinette sorriu para a câmera, mas se surpreendeu quando Chat deu-lhe um beijo na bochecha e tirou a foto no momento exato. — Posta no seu perfil com uma legenda fofa ou com um coração. Amanhã faz uma semana e meia que estamos "juntos".
— Quem é que comemora aniversário de uma semana e meia?
— Uma garota toda apaixonadinha que nem você. — Marinette fez uma careta — Coloca uns emojis de coração e um "melhor namorado do mundo" na legenda, tá? — O loiro beijou a mão dela e se preparou para sair.
— Vai sonhando. — Ele piscou para a azulada e saiu saltando pelos telhados — Eu não vou postar essa foto! — Marinette gritou, rindo.
***
Na manhã seguinte, Marinette entregou um livro que pegou emprestado na biblioteca e iria procurar um que a professora de literatura havia pedido quando encontrou Adrien.
— Oi, desculpa por ontem. — Disse o modelo.
— Pelo quê? — Ela disse enquanto olhava as prateleiras.
— Eu devia ter falado com o meu pai, como tinha dito que fiz. Pareceu que você não era bem-vinda lá em casa.
— A-ah, tá… tudo bem. — A azulada ainda se sentia um pouco desconfortável perto dele. Era estranho não se preocupar em se declarar ou em chamá-lo pra sair.
— Meu pai é meio… complicado. — Ela assentiu, mas continuava procurando o livro com o olhar — Por isso, quando for assim, vamos nos encontrar em outro lugar. — Marinette o encarou, mas logo perdeu a esperança. "Foco, Marinette. Ele está com a Kagami agora e ela é sua amiga." — Quer… estudar para o teste no tempo vago hoje?
— A-ah… pode ser.
— Te encontro no pátio então. — "E espero que a gente consiga conversar mesmo dessa vez", ele completou mentalmente.
***
Para a felicidade do loiro, estudar com Marinette para os testes acabou virando rotina naquela semana. Todos os dias estavam se encontrando no pátio ou na biblioteca e até conseguiu com que ela falasse mais do que só a matéria do teste, mas mesmo assim não era do jeito que queria. Ele ainda não sabia dizer porque a azulada não se abria com ele quando estava sem a máscara, então continuava a visitá-la durante o fim da tarde. Às vezes assistiam a um filme, às vezes só conversavam na varanda e uma vez ela até o ensinou a fazer macarrons. O loiro percebeu que os pais dela já estavam se acostumando ao fato de encontrá-lo lá e Tom não parecia mais tão incomodado com a presença dele. Era ótimo se sentir bem ali, o que não acontecia quando estava na mansão.
Marinette parou de se incomodar com o fato de ele usar os poderes de vez em quando, ainda mais quando o loiro explicou que seu pai era meio superprotetor e não o deixava sair muito, então ele saía escondido às vezes. Era incrível como até sobre esse assunto ele conseguia falar com ela. Claro que ocultou a parte de ser um modelo famoso, mas explicou que desde que sua mãe foi embora, seu pai nunca mais foi o mesmo e a azulada parecia entender. Chat se surpreendeu quando ela o abraçou.
Mas um dos momentos mais engraçados e constrangedores foi quando estavam conversando na varanda e ele deitou-se na cadeira ao lado de Marinette e, de brincadeira, a azulada fez carinho no cabelo dele, mas para sua surpresa, o ouviu ronronar.
— Ai meu Deus! Não acredito que você ronronou de verdade. — Ela riu mais ainda ao ver a expressão envergonhada dele. Já o tinha escutado ronronar quando enfrentaram a Rainha Repórter, mas não tinha tanta certeza daquilo.
— Isso que dá fazer carinho nos gatinhos. — Ele tentou se recompor, mas ainda estava envergonhado, fazendo a menina rir mais ainda.
Era tão natural conversar com Chat Noir e, Marinette podia não admitir em voz alta, mas estava gostando muito daquelas visitas. Até sentia falta quando, em algum dia, eles deixavam de encontrar. Ela até se sentia um pouco mal, pois nem se incomodava mais com o fato de ter que mentir para seus amigos se aquilo continuaria fazendo com que se encontrasse com o super-herói.
Marinette nunca esteve tão próxima dele, nem mesmo como Ladybug, e isso a preocupava. E se o futuro de Chat Blanc se tornasse real? "Não, eu nunca revelaria minha identidade pra ele, nem se estivesse apaixonada", tentava dizer para si, sentindo a última palavra ecoar em sua mente.
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