Notas iniciais
Gente, a história é de época, mas a maioria de vocês já deve ter percebido, certo?Ok.Espero que gostem.

Inglaterra, 12 de julho de 1792

Quando nossa heroína nasce

Era uma manhã meio chuvosa, não muito típica do verão londrino, quando Beatrice Prior nasceu. Um bebê careca, gordinho, saudável e lindo. Oh, mas que pena que nascera sendo o que era. Bastarda.

Beatrice fora fruto de uma noite de paixão insensata entre a senhorita Natalie Prior, que era conhecida por sua inteligência e sagacidade, e um libertino mal-caráter, desgraçado e maldito (palavras estas usadas pela senhorita Prior para descrever o homem). Numa época em que a virtude das jovens era algo fundamental, uma mocinha de dezoito anos esperando uma criança sem estar casada não era nada, nada bom. Natalie estava, portanto, arruinada, e sua única alternativa era sair do país.

Foi o que fez.

Ficou na Inglaterra até o parto — já que Natalie queria uma filha inglesa, e inglesa sua filha seria -, e, uma semana depois, partiu para a Irlanda, para a casa de seus avós maternos.

Dela ninguém mais soube. E ninguém mais quis saber. Dizia-se que era uma pena uma jovem tão inteligente ter sua reputação arruinada dessa forma, mas a verdade era que ninguém ligava. Afinal, não havia nada que a sociedade londrina gostasse mais do que um bom escândalo.

Irlanda, 1802

Exatamente dez anos depois do nascimento de nossa heroína

Beatrice estava com a cara enfiada nos livros. Era seu aniversário, mas sua mãe sempre dizia que ela não deveria se importar com frivolidades como aniversários. As meninas que se importavam com frivolidades eram tolas, era o que Natalie falava todos os dias.

Todo. O. Santo. Dia.

Beatrice já havia se acostumado com isso. A garota havida aprendido a ser prestativa, centrada, e, mais importante, a aceitar sua bastardia. Era de se esperar que poupassem a pobre menina de sua horrível condição até, pelo menos, ter uma idade um pouco mais avançada, mas Natalie sempre dizia que ela devia saber qual era o seu lugar. E Beatrice sabia. Com toda certeza. Afinal, a mãe não a deixava esquecer disso nem por um segundo.

Beatrice era bastarda. Ilegítima. Prova viva da desonra de Natalie. Culpada. Sua mãe não a queria. Seus bisavós não a queriam. Beatrice sabia. Sabia pelo modo que a olhavam. Como se fosse um pedaço de lixo.

E, frequentemente, ela pensava que realmente o era.

Notas finais
Ok, quero opiniões. Portanto, comentem, por favor. Obrigada.