Em um tempo eu estava mergulhado no meu mundo de felicidade, nós íamos ter nosso filho. Eu sei que eu que tanto queria uma criança, por ser um sonho que fazia bem pro meu coração. E ela foi gentil comigo, aceitou e abraçou meu coração e meu desejo, domando a pobre fera que eu era.

Eu já não era o monstro de olhos ariscos e curiosos. Já não estava com medo do mundo, só aproveitava meu mundo de felicidade. Imaginando a criança que estava por vir, com quem ela pareceria? Comigo um homem não tão bonito ou com a bela mãe? Tinha preferência pela segunda opção.

Porem algo invadiu minha felicidade, algo vindo dela... Uma tristeza que eu não queria encarar. Ela tentou me fazer ouvir, mas eu ignorei, não podia escutar.

No dia seguinte eu tinha esperanças que ela havia esquecido essa insegurança. Mas foi inútil, dessa vez ela queria ser ouvida.

_Grimmjow...

Ela chamou usando seu tom mais calmo, então falou sem deixar se interromper.

“O que eu havia feito de errado!?”

Ela precisava que eu a deixasse, mas doía demais. O coração de brinquedo descompassou. Por favor não!

Eu não sabia qual dor era maior. A dor de vê-lá sofrer ou a dor do meu sofrimento.

Suas palavras e meus pensamentos significavam o mesmo que jogar meu coração as feras.Eu sentia cada célula do meu corpo arrebentar de dor, queria me retorcer pedindo piedade.

Mas ela queria que eu tomasse a decisão. Meu bem ou o bem dela?

Então eu tomei a decisão.

“Tudo por ela, tudo por ela.” foram as ultimas batidas do coração de brinquedo.

_Tudo bem.

Foi minha resposta. Será que ela perceberia que essa era na verdade a fala dela? Acho que não.

Sem o coração de brinquedo eu só sentia ódio, quanto ódio era possível sentir? Eu não sei, mas parecia um mar infinito de fogo.

Eu rugia, eu não conseguiria ser humano por muito tempo. Então falei simplesmente, como um ultimo eco de batimento do morto coração.

_Sempre serei seu servo, Elyzabeth.

Então tentei fugir, a fera também tinha o direito de chorar, queria ser lançado naquele mar de fogo. Queria queimar vivo. Por que ela não me deixou fugir sem mais dor?

_Nós não podemos nos despedir assim.

Ela falou. Eu não queria ouvir, precisava estancar as feridas antes de enfrentar qualquer outro sofrimento, antes de enfrentar seus olhos. Eu iria me perder. Eu respirei fundo, precisava ser forte. Um ultimo beijo, ela queria. Isso iria me matar, mas ela era minha mestra.

Esperança, eu não suportaria esperança, mas ela queria tirar o ultimo pingo de sanidade do meu ser.

Nos beijamos, e eu tentei tirar o ultimo pingo de amor que eu podia. “se ela queria minha sanidade, teria que pagar com um pouco de amor.”Claro que a esperança surgiu, mas eu apaguei como um inicio de incêndio, com minhas próprias mãos. Era mais fácil não acreditar em qualquer esperança. Ela chorou, mas eu não queria que ela parasse, que ela chorasse por nós dois. Então não limpei suas lagrimas, só suas lagrimas.

Dessa vez consegui fugir, mas por ela ter que partir. Foi difícil suportar estar realmente só, mesmo ela tendo dito que voltaria mais tarde.

A fera queimava lentamente, a carne derretendo e queimando. O homem esperava sua vez segurando o brinquedo quebrado. O destino não era piedoso. Perdi o brilho dos olhos tomado pelo passado, e pela bebida também. Não iria enfrentar a dor consciente. Eu queria tanto me vingar. Me vingar do que? De não ter feito o suficiente pra ela permanecer comigo?

Não fazia diferença. Eu então fui atrás de diversão, qualquer diversão, flertei com a mulheres que eu conhecia, sem exceção. Consegui convencer uma menina, mas não consegui me vingar. Não podia trai — lá, não era possível como não podia trai — lá?

Ela não me queria e eu não podia te-lá de novo. Por que tanta dor. Eu pensei em me matar, mas então pensei na criança. “tenha paciência... Até a criança nascer.”. Pensamentos mórbidos dentro de mim navegavam. “ela podia ser gentil e me matar...”, “não! Não pode pedir isso!”... e assim continuou minha discussão interna.

O tempo não existia mais. Marquei seu retorno com a claridade do dia, que não era dia era noite. Estava escuro, as trevas verdadeiras.

Ela veio falar comigo.

Por que?! O que mais ela podia tirar de mim?!

A fera se levantou, o ódio que substituiu o coração rosnava colérico. “Ela é minha!”. Pensamentos insanos invadiram minha mente. Coisas como crueldade, não amor, querer outro homem. Uma vontade animal se abateu em mim. Queria, precisava, agarra — lá pelos cabelos e a obrigar a me aceitar e ver que ela se arrependeria, mas... O homem não suportava.

Ela era sua vida, não iria feri — lá. O que ele poderia fazer era não abandona-lá. Já haviam abandonado-a em um momento tão difícil. Não podia ser a homem que ela mais odiaria, não conseguia aceitar mas não podia feri-lá.

Eu ficaria ao seu lado até o nascimento da criança, não ia demorar. E eu já estava praticamente morto. Estava vazio, não tinha nada mais, logo não iria doer muito mais. Eu apagaria o fogo da raiva irracional e iria ser um servo fiel.

_Está tudo bem?

Pergunta tola, até parecia que ela não entendia as conseqüências.

_Não.

Fui frio o suficiente. Mas de toda forma eu não tinha nada, não podia entregar nada mais, tudo era dela. Não havia como fazer uma extensão da dor, não havia como piora-lá. Eu apagava o ódio lentamente, me desconcentrando das suas palavras, não queria ouvir meus erros pelos lábios que eu beijei.

Então ela se foi, deixando um beijo tão ou mais cruel que qualquer palavra. Não nos meus lábios, mas no meu rosto, me fazendo sentir a ausência desses lábios.

Mais além da noite foi um tormento, meus pensamentos febris em momentos em que eu acreditava no nosso amor me faziam não conseguir dormir. Eu a imaginei mais uma vez.Jurando pra mim mesmo nunca mais fazer isso, só iria ser pior. Pensei então com rancor: “Ela não está sentindo metade da minha dor!”. não sei se esse pensamento fosse uma forma que eu encontrei para agradar a mim mesmo, é estranho ver como eu era patético.

Então no meio das insanidades do meu coração eu adormeci pesado seu sonhos e sem esperanças...

Notas finais
continua...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.