Um Pedaço De Mim Sem Você
31 Elefante rosa?!
Notas iniciais
O barulho do meu celular invadiu o quarto. Olhei a hora. 07:23. Será que sabem que estou de férias?! Coloquei o travesseiro na cabeça. Tentando ignorar o som. Sem sucesso. Quando pensei em levantar para desligar, parou. Parou! Voltei a pegar no sono, alguém bateu na porta. Aff! Hoje não é meu dia.
– Senhorita, sua avó no telefone.
– Obrigada Janine. — Digo pegando o telefone.
“Oi vó.”
‘“Liguei para confirmar sua presença hoje à noite.”
“Posso dizer que não vou?!”
“Obvio que não. Na verdade quero confirmar a presença do seu acompanhante.”
Argh! Maldito Jeremy! Bendita família!
Não falei com Matthew desde o episódio no hospital, e uma festa chata com minha família e um monte de gente estranha não era o melhor lugar para isso acontecer.
“Sem acompanhante vovó, só eu.”
“Ah! Por quê?”
“Olha só vó, preciso desligar, estou atrasada. Tchau.”
Ouvi protestos, mas desliguei mesmo assim. Só para ouvi o telefone tocar algum tempo depois. Argh!
~ *~*~
– O que estão esperando? Toquem a campanhinha.
Olhei apreensiva para porta e depois para Jeremy. Susan moveu o braço para a campanhinha: Espera. – Jeremy segurou o braço dela. – Ainda dá tempo de fugir. — Ela revirou os olhos.
Entramos no recinto, após sermos recebidos pela nova empregada, nunca uma permaneceu por mais de duas semanas. É difícil conviver com a vovó.
A decoração, estrategicamente organizada, fazia o lugar parecer um museu, bonito de um jeito antiquado. Muitas pessoas já estavam ali, os mais importantes empresários, advogados, médicos, estilistas, diretores, modelos, uma lista gigante de convidados que fazem parte de famílias da elite de Manhattan.Muitos adolescentes que estudavam conosco , outros não.
– Vai ser divertido.
– Ou não.
– Ah! Aí estão vocês. Atrasados. – Vovó surgiu do nada. – Vocês jovens, nunca dão atenção para horários.
– Oi vovó. – Cumprimentei, sorrindo. Ela não muda nunca.
– Lucia, minha querida. – Ela me abraçou. –Está muito bonita.
– Ela não ganha de mim. – Jeremy sorriu. – Oi vó.
– Se não fosse tão metido, seria mais. – Ela examinou Susan. – Você está muito magra menina, tem que comer, não pode ser como essas garotas, modelos, que seus pais fotografam.
Vovó sempre foi assim, controladora, quer tudo no grau da perfeição. Felizmente, vovô veio nos salvar.
– Olá meninos, querem beber algo?
– Traga comida para eles, estava agora mesmo falando Michael, estão magrinhos, acho que...
– Sei, sei Emily. – Ele riu. – Susan, seus pais estavam perguntando por vocês.
Vovô piscou e nós saímos, aproveitando a deixa. Parando para cumprimentar algumas inúmeras pessoas, cujos nomes eu já esqueci, e os assuntos variando em níveis de chatice diferentes. Meu pai estava no fim do salão conversando com os pais do Joe, quando me viu fez sinal para eu me aproximar, aparentemente para ouvir ele falar sobre os negócios da empresa com o Sr. Fitzpatrick, sim eles são sócios, Joe olhou para mim com uma cara de tédio que eu retribuí, isso me lembrou de quando namorávamos, e nossas famílias resolviam se reunir.
– Com licença senhores. — Uma garota alta e magra, de cabelo e olhos pretos e pele clara se aproximou. – Posso roubar esses dois um minutinho?
– Claro. – Meu pai respondeu, com um sorriso.
A garota nos puxou pelo braço, enquanto eu a olhava, a confusão estampada na minha cara.
– Que foi?- Ela perguntou. – Só estava tentando livrar vocês, era obvio que o papo não estava interessante. – Ela pegou o champanhe de um dos garçons. – A propósito, meu nome é Alison Sykes.
– Joseph Fitzpatrick. – Ele estendeu a mão, mas ela deu um beijo no rosto dele.
– Lucy Parker.
– Ah! Parker. Então é uma das anfitriãs? — Ela sorriu. — Sabe do Jeremy? O conheci da ultima vez que vim para cá.
– Sabia que não ia me esquecer. – Jeremy surgiu sei lá da onde. – Oi de novo, gata.
– Oi, meu nome é Susan. – Outra que surge do nada.
Sinceramente, não sei o que tanto essas garotas vêm no meu primo, mas enfim. Cutuquei o Joe e a Susan para sairmos dali, era obvio que eles queriam ficar sozinhos. Susan andou um pouco e parou, puxando meu braço.
–Não vou sair dali não.
– Qual é?! – Perguntei. – Deu para ser vela agora?!
– Tenho duas amigas brigando por causa dele. Não vou deixar uma modelo chegar e roubar a cena. – Ela sorriu e se virou. — Até porque eu gostei dela e quero novas amizades.
Garota maluca! Depois de passar mais uma hora ali já estava de saco cheio. Não sei como podem chamar isso de festa, não tem pessoas dançando e nem música boa. E as pessoas estão insuportáveis. Na verdade, acho que eu não estou com paciência hoje. Sei lá. Mas ficar em pé ouvindo pessoas perguntando sobre meu futuro, falando sobre coisa fúteis, ou trazendo suas vidas para abrir para o primeiro que se aproximar não era algo que estava afim de fazer. Hoje era um dia em que não devia ter saído do meu quarto. Resolvi ir embora antes de era arrogante com alguém. Vi Susan um pouco mais a frente com a Alison, pareciam estar falando de algo muito engraçado.
– Oie Lucie! Só faltava você!
– Para que exatamente?
– Elefantes rosa! – Ela bateu palmas. – Vamos montar neles!
– Ela ta locona. – Alison falou. – Não sabia que ia brizar tanto.
– O quê? – Perguntei.
– A parada que dei pra ela, não é tão forte, vai ficar bem logo. – Ela levantou as mãos quando a fulminei com os olhos. — Não me olha assim. Sua amiga sabe o que faz.
E saiu, vadia. Sabe o que faz... Susan não sabe de porra nenhuma! Joe apareceu reclamando de sei lá quem.
– Joe! – Susan gritou. — Segura o elefante!
Dei um tapa na nuca da garota que passou a encarar o nada, com os olhos vermelhos.
– Precisamos tirar ela daqui, os pais dela não podem vê-la nesse estado. – Agora ela parecia espantar um mosquito. — Cadê o idiota do Jeremy?
– Talvez tenha ido atrás do coelho branco. – Joe tentou brincar. –Vem, eu levo vocês. Essa festa tá chata mesmo.
30 minutos depois, estávamos em casa. Susan veio o caminho inteiro falando com alguma coisa que só ela via. Foi uma luta fazer com que ela saísse do carro e entrasse em casa.
– Obrigada Joe. Fico te devendo uma.
– Sem problemas. – Ele se aproximou. – Tenho certeza que vai arranjar um jeito de pagar.
– Até mais Joe. – Me afastei para fechar a porta.
– Espera Lucy. — Abri a porta novamente.- Ainda estou apaixonado por você.
– Sabe que não sinto mais o mesmo por você. – Falei. – Tem que me esquecer.
– Infelizmente isso é impossível.
Então ele me beijou, antes mesmo que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Um beijo calmo e desesperado, como que para recuperar todo o tempo perdido, porém sem pressa. Memórias felizes invadiram minha mente, provocando uma sensação acolhedora.
–Não devo me preocupar com ele, não é mesmo?!
Dei um pulo para trás ao ouvir a voz de Matt.
– Matt, eu...
– Não precisa dizer nada. Sério, eu não quero ouvir.
– Escuta cara... – Joe começou.
– Cala a boca!
– Você esta muito alterado Matt – Choraminguei. – Precisa se acalmar.
– Me acalmar?! – Ele gritou. — Acabei de pegar minha namorada beijando o ex. Como posso me acalmar Parker?!
– Não fala assim com ela Dawnson.
– Cala a porra da boca Joseph!
– Cala a boca você seu merdinha! Ela me ama, isso não vai mudar. Você sempre foi o passatempo. Acreditou mesmo que ela queria algo com você?! Seu imbecil!
Matt acertou um soco no estômago de Joe que caiu no chão. Então virou para mim.
– Pensei que pudesse confiar em você.
E saiu. Lagrimas desceram pelo meu rosto.
– Lucy...
– Me deixa Joe! — Gritei e corri pra casa, batendo a porta.
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