Um Pedaço De Mim Sem Você
9 Você não é meu papai
Notas iniciais
O sinal que indicava o término das aulas tocou.
O Sr.Fitz juntou os papéis que estavam na sua mesa em frente à lousa.
– Eu quero um trabalho de três páginas sobre isso para a próxima semana.
A turma se levantou e saiu da sala. Eu vou em direção ao meu armário acompanhada por Lauren. O corredor está lotado de pessoas procurando seus armários, guardando e retirando seus materiais, todas apressadas para irem embora.
– Ele que um trabalho de três páginas para semana que vem? – Lauren estava perplexa. – A escola esta me sobrecarregando, desse jeito minha vida social vai virar fumaça.
Dei risada do drama de Lauren. Como se trabalhos a impedissem de ir a algum lugar. Ela sempre foi muito festeira. É a típica garota que acha o fim do mundo passar o sábado à noite em casa.
– Muda para uma escola pública. – Brinquei. Guardei as coisas no meu armário e peguei o que iria precisar levar para casa.
– Não iria sobreviver num lugar daqueles. – Era difícil imaginar Lauren em uma escola pública. – Você viu o novato? Ele é muito gato.
– Não, acho que sou a única que ainda não o viu. Todos estão falando dele.
– Tenho aula de economia com ele. – Ela disse animada. – Parece que ele morava no Canadá e veio para Nova Yorke com o pai e a irmã.
– Nossa já puxou a ficha toda do garoto.
Lauren riu.
– Só estou passando para frente o que eu ouvi.
– Tenho que ir. – falei. — Até amanhã.
Depois da escola fui para a fisioterapia, a mesma coisa de sempre. A Dra. Lyns disse que estou muito melhor, fizemos uns exercícios mais pesados, mas fora isso nada novo.
Quando cheguei em casa troquei de roupa e fui para o Studio de dança, coloquei uma música leve no som e treinei alguns passos de balé, aqueles em que eu era permitida fazer.
– Lucy o papai voltou! – Mel entrou saltitante no Studio. – Janine mandou dizer que vai por a mesa de jantar às oito.
– Ok linda. Vou tomar banho e já desço.
– Como foi a viagem papai? – Perguntei dando uma garfada na comida.
– Muito trabalho. Reuniões, contratos, clientes para visitar. O de sempre.
– Claro. – Resmunguei.
– Papai eu fui à praia. – Melanie disse eufórica.
– Sério princesa?
– É. Eu fui à água. Eu fiquei com medo, mas a Lucy me levou e ela caiu dentro d’água. — Mel tagarelou durante todo o jantar, contou tudo sobre o que aconteceu no tempo em que papai esteve viajando. Papai parecia interessado. Passei o resto do jantar observando os dois conversar.
– Eu quero mais sobremesa. – Mel fez biquinho.
– Já chega de doce por hoje Mel. – Rachel repreendeu-a. — agora vamos subir e escovar os dentinhos?
– Papai?! – Ela choramingou.
– Vamos fazer um acordo? – Papai perguntou. – Você sobe e escova os dentes agora e eu vou te colocar para dormir daqui a pouco.
– Você lê um livro para mim?
– Claro.
– Ta bom. – Mel correu para o quarto gritando para papai não demorar.
Sorri ao ver a felicidade da Mel, ela sente falta do pai, na verdade todos nós sentimos, mas fico feliz ao ver que papai esta dedicando atenção para ela.
Me levantei e sorri para ele.
– Ela sente sua falta.
– Eu também sinto falta de vocês.
– Só cabe a você resolver isso.
Papai arregalou os olhos, mas sua expressão surpresa sumiu tão rápido como apareceu. Ele me olhou nos olhos por poucos segundos, eu o encarei de volta.
– Eu tento. – Papai me disse. – É que estou tendo muito trabalho.
– Você sempre tem muito trabalho esse é o problema.
Dei as costas para papai e ajudei Janine a tirar a mesa.
– Ela ficou tão feliz. – Janine disse sorrindo.
– É verdade, ela o idolatra. – Sorri. – Boa noite.
Sai da copa e fui em direção ao meu quarto. Encontrei papai na sala de estar, falando no celular. Ele me lançou um olhar de culpa.
– Não... — Comecei a dizer, mas fui interrompida.
– Desculpa, mas eu preciso ir. – Ele disse.
– Não faz isso. – Pedi. – Pro favor.
Ele não podia fazer isso com Mel, não com ela. Mel é tão pequena e dependente dele.
– Lucy, é importante.
Uma raiva tomou conta do meu ser. Senti meu rosto enrubescer. O que poderia ser mais importante que a filha dele? Colmo ele pode fazer isso com ela? Ele é tudo que ela tem e nem parece ligar para isso.
– Vai então. – Disse ríspida.
– Lucy tente entender...
– Vai logo. – Gritei. — Vai!
Entrei no quarto de Mel e a avistei sentada na cama com o ursinho rosa na mão.
– Oi linda – Sorri para ela e fechei a porta.
– Cadê o papai? – Ela fez biquinho.
– O papai teve um probleminha e precisou sair. – disse. – Eu vou te colocar para dormir.
– Não quero você Lucy – Ela choramingou. – Quero que o papai leia para mim.
– Eu posso ler para você.
– Não!- Ela gritou. – Eu quero meu papai. Você não é meu papai.
– Linda...
– Por que o papai não quer me ver? Ele não gosta de mim? Foi por que eu não comi a comida? – Ela chorava desesperada. – Eu como tudo Lucy, fala para ele que eu como tudo, fala.
Sentei ao lado de mel e a abracei forte, até ela se acalmar.
– O papai te ama sim. – Disse enxugando ás lágrimas de seus olhos. – Muito. Só é pouquinho ocupado, ele queria sim estar aqui com você, mas é que...
Engasguei, não sabia o que falar para ela, nem eu entendia os motivos do papai, como vou explicar para ela?
– Quando você for mais velha vai entender. – Por fim falei.
Me deitei na cama e alinhei Mel em meus braços acariciando seus cabelos, ela chorou até dormir.
Fechei os olhos e respirei fundo, enfurecida. Como ele pode magoá-la desse jeito? Como ele pode fazer meus irmãos sofrerem mais do que já sofreram?
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