Notas iniciais
Hey pessoas que amooo!!
Tudo bem com vocês? Espero que sim...
Gaah Castellan Parabéns!!!

Acordei com a praga do meu despertador fazendo barulho. Quem inventou isso deveria ser preso. De verdade, treco irritante.

Levantei e me arrumei para ir à escola. Peguei minha mochila, tomei um café rápido e fui para o colégio. Onde enfrentei um interrogatório de todas as partes sobre onde eu estava ontem. Susan gritou e ficou eufórica quando descobriu que estou namorando o Matthew e Jessie murmurou um “eu já sabia”. Ela estava chateada porque eu cabulei sem ela. Ouvi inúmeras piadinhas de Scott e Logan sobre o meu novo relacionamento e recebi olhares de quase todo mundo do colégio ao andar pelos corredores de mãos dadas com o Matthew. A palavra que resume meu dia até agora é: Estranho.

Já estava na Academia de dança a mais de uma hora. Olhei ao redor. Espelhos. Tudo que tinha naquela sala era espelhos e barras.

Dei um passo ao lado com uma perna, trazendo a outra para trás, dobrei um pouco o joelho e a meia ponta no chão; em seguida transferi o peso do meu corpo para a perna de trás e, logo depois, para a da frente.

Olhei para o Sr. Price que estava com cara de total reprovação e parei com as sobrancelhas erguidas, esperando ele me dizer onde foi que errei dessa vez.

- De novo. – Sr. Price mantinha a expressão de reprovação no rosto. — E dessa vez quando transferir o peso de uma perna para outra não mude a posição de ambas.

Assenti e tentei de novo. Mas agora dando o passo para a frente, em vez de para o lado.

- Nada mal. – Ele falou com a mão no queixo. – Mais uma vez.

Tentei de novo, de novo e de novo e outra vez. Já perdi as contas de quantas vezes eu fiz esse mesmo passo só hoje. Agora tudo o que eu queria era a minha cama. E quando a aula acabou dei graças a Deus.

Cheguei a casa exausta e morrendo de dor nos pés. Tirei as sapatilhas. Meus pés estavam inchados e sagrando em algumas partes. Suspirei. Ser bailarina seria muito mais fácil se eu não tivesse tato. Só que não.

Tomei banho e passei remédio nos pés. Estava terminando um trabalho quando ouvi alguém batendo na porta.

- Oi Lucy. – Janine entrou no quarto. – Estava arrumando o seu antigo quarto e encontrei isso.

Ela ergueu uma pequena caixa roxa. Rapidamente reconheci a caixa, era onde eu guardava minhas coisas importantes e com grande valor sentimental para mim quando criança. Eu pensei que à tinha perdido, procurei em muitos lugares e não achei.

Pulei da minha cama e peguei a caixa.

- Onde estava? – Perguntei eufórica.

- Debaixo do assoalho.

- Putz! Foi lá mesmo que eu guardei.. – Me lembrei.- Obrigada, Obrigada!

- Disponha. – Ela saiu do quarto.

Peguei a caixa e sentei com ela na cama, abri a tampa. Nala que estava deitada em cima do panda, pulou na cama e começou a cheirar a caixa.

- Curiosa! – Disse esfregando as sua cabeça.

Aqui tem coisas muito valiosas. A caixa estava lotada, cada uma delas com uma lembrança diferente. Avistei um relógio de pulso rosa e um colar de coração escrito “Forever”, meu relicário. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto. A lembrança invadiu minha mente...

Olhei para imensa escola à minha frente, ela parecia um castelo mal assombrado. As paredes eram cinza e velhas, e todas as portas e janelas eram de madeira, na frente da escola tinha um jardim com algumas árvores e uma cerca baixa e branca à frente. Ao redor da escola estava lotado de crianças, correndo para dentro, conversando umas com as outras, algumas com os pais. Olhei para minha roupa rosa, esfreguei uma mão na outra, mordi o lábio. Estava morrendo de medo.

Mamãe saiu do carro e apertou minha mão de leve, tentando passar confiança. Ela sorriu para mim.

- Eu quero ir para casa mamãe. – Choraminguei.

- Hey pequena, vai dar tudo certo. – Meu pai disse me pegando no colo.

- Não papai, eu vou ficar com saudade. – Falei com lágrimas nos olhos. – Ninguém vai gostar de mim.

- Mas é claro que vão. Você é a garota mais legal que conheço. – Ele falou apertando minha bochecha. – Tenho uma coisa para você.

Ele me colocou no chão, tirou um relógio rosa do bolso e prendeu em volta do meu pulso.

- Olha só. Nós estamos aqui. – Ele apontou para o numero oito no relógio. – Quando esse ponteiro menor estiver aqui e o maior aqui, eu volto para te buscar. Prometo.

- Promete de mindinho? – Perguntei levantando o dedo mindinho.

- Prometo de mindinho. – Ele encaixou seu dedo no meu e beijou minha testa. – Agora vai lá.

Andei com mamãe até o portão da escola, ela se abaixou á minha frente e colocou uma corrente no meu pescoço.

- Assim eu vou estar sempre com você. – ela me abraçou. – Seja corajosa. Eu te amo.

A corrente era um relicário de ouro em forma de coração, estava escrito “Forever” no meio do coração e havia uma foto nossa dentro.

Sorri para ela e entrei na escola. Eu queria ser corajosa, então recusei a mão em que a professora me ofereceu, mas ainda estava morrendo de medo, estava em uma escola nova, em um país novo. Sabia falar apenas o básico do inglês. Me sentei em uma canto separada de todos na sala e ficava olhando no relógio todo segundo como se assim o ponteiro fosse se mexer mais rápido.

No meio da aula uma garotinha loira de olhos azuis, vestida como uma princesa, vestido rosa e coroa se sentou ao meu lado.

- Oi. – Ela falou baixinho. – Meu nome é Susane.

- Oi – Respondi tímida. – o meu nome é Lucia.

- Você fala engraçado. – ela riu.

- Minha vovó me diz isso.

- É legal. – Ela respondeu. – Quer ser minha amiga princesa?

- Quero.

- Okey. Princesa Lucy! – Susane disse. – Precisamos de uma coroa para você.

- É Lucia. – A corrigi.

- Lucie?

- Não. Luci-A!

- Não sei falar esse nome. – ela fez biquinho. — Posso te chamar de Lucy?

- Pode. – Disse derrotada.

Meu primeiro dia de aula. Um dia muito importante para mim. Conheci Susan nesse dia, desde então nunca mais no separamos. Sempre brincávamos juntas e íamos dormir uma na casa da outra, e viajávamos juntas sempre, nossas mães diziam que nossa amizade seria eterna. E estão certas, em minha opinião. Susan é minha melhor amiga há dez anos, minha irmã. Às vezes acho que ela me conhece melhor do que eu mesma.

Essa lembrança me trouxe alguns segundos de felicidade, mas logo essa sensação foi substituída por dor e angústia. Aquele era um tempo feliz.

Fazia algumas semanas que viemos do Brasil para os Estados Unidos, meu pai tinha tempo para a família, minha mãe estava viva. Éramos uma família feliz, mamãe estava grávida do Luke naquela época, eu estava super feliz com a idéia de ter um irmãzinho e apesar do medo em que eu estava da escola, estava feliz no novo país, a casa era gigante e tinha tudo que uma criança poderia querer.

Tempos que jamais voltaria. Meu pai não me dava mais atenção aos meus irmãos e a mim e minha mãe nunca iria voltar, ela nunca estaria comigo de novo.

Notas finais
Gostaram?