Um Pedaço De Mim Sem Você
22 Jessie another child? CAP CORRIGIDO
Notas iniciais
– Lucy tem um anão de jardim te seguindo. – Jessie apontou para Mel.
– Estou de babá hoje. – Dei de ombros. – E oi. Eu estou bem, obrigado por perguntar.
– Dispenso os clichês. – Ela disse virando as costas e indo em direção a casa. – A idéia não era assistir filmes de terror? Como vamos fazer isso com o projeto de gente te seguindo.
– Vamos ter que arranjar outra coisa para fazer. – Falei.
– Quer sorvete? – Ela perguntou tirando o pote do congelador. – Acho que é de flocos, meu favorito!
– Claro que é de flocos – abri o armário e peguei as taças. — nenhum outro sabor de sorvete entra nessa casa.
– Sua irmã fala? – Jessie riu.
– É claro que ela fala, difícil é fazer ela parar de falar. – em seguida abaixei a voz para que só Jessie escutasse. – Mas acho que ela tem medo de você.
– De mim? – Jessie acompanhou o meu de voz. – Sou um amor de pessoa. — Em seguida a ruiva abaixou na frente da minha irmã. – Hey baixinha, se você não me morder, prometo que também não te mordo. Olha como sou legal, vou até te dar sorvete antes do almoço.
Jessie estendeu a taça de sorvete para a criança que a olhava desconfiada. Revirou os olhos ao ver que Mel continuava calada e não desviava os olhos dela.
– Okay Melanie! Vamos fazer um jogo. – Jessie disse de repente. – Olha para mim. Mas não pode rir. O primeiro que rir perde.
Acho que Mel entendeu que o jogo era ao contrário pois não encarou Jessie nem por um segundo e já estava rindo.
– Ahá! Consegui! Ela riu! – Jessie deu pulinhos animados. – Viu que sorriso lindo que você tem?
Mel riu ainda mais quando Jessie tropeçou na cadeira e caiu.
– Essa cadeira desgraçada! O que você esta fazendo na cozinha? – A ruiva se revoltou com o objeto.
– Jessie cadeiras ficam na cozinha. – Mel riu. – Você que é desastrada.
– Sabe que faz sentido?! – Jessie sentou em cima do balcão da cozinha.
– Por que será né?! – Revirei os olhos.
– Que lindo!!!!! – Mel gritou quando avistou o Chow Chow da Jessie. – Que fofinhooo!
Mel correu até o cachorro e afundou as mãozinhas no pelo do cachorro que deitou de barriga para cima pedindo carinho.
– Qual o nome dele? – Mel perguntou sem tirar os olhos do cão.
– Bear. – Jessie respondeu com os olhos no sorvete, mas conseguiu atrair a atenção de Mel que agora à olhava espantada.
– O nome do seu cachorro é urso?
– Qual o problema com o nome? – Jessie perguntou largando o sorvete por um segundo.
– Ele é um cachorro que se chama urso. – Falei o óbvio.
– O cachorro é meu eu coloco o nome que quiser.
– Por que o nome dele é Bear se ele parece um leão? – Mel estava confusa. – O nome dele não deveria ser Leon?
– Claro que não. – Pareciam duas crianças. – Leon é feio e ele não parece um leão. Parece um urso!
– Ele parece sim um leão. – Mel teimou. – Não parece Lucy?
– Me deixa de fora. – Pedi quando recebi um olhar de dar medo de Jessie. – Vocês que são brancas, vocês que se entendam.
– Sai de cima do muro Lucy. – Jessie disse brava. – Fala com que ele se parece.
– Ele se parece com um cachorro. – Gritei. – Um cachorro. Entenderam?
As duas me olharam de olhos arregalados.
– Como é que você aguenta essa chata? – Jessie perguntou à Mel.
– Ela me dá chocolate.
– Faz sentido. – Jessie concordou. – Chocolate é muito bom.
– As duas podem parar de falar da minha pessoa como se eu não estivesse aqui? – Perguntei irritada. – Podem. Obrigada.
– Para que perguntar se ela mesmo responde. – ouvi Jessie cochichar, Mel deu de ombros. – Vamos para o meu quarto jogar vídeo game.
– Sim, vamos cachorrinho Bear, o leão.
Subimos as escadas até o quarto de Jessie. Era um cômodo grande, havia uma parede preta onde fica a cama, as outras paredes eram brancas, entretanto uma estava coberta de pôsteres de bandas de rock, a outra tinha uma enorme estante, repleta de livros, dvd’s e cd’s e na última tinha duas portas, uma para o banheiro e outra para o closet. Todos os móveis do quarto eram preto e branco, não havia nada de outra cor. Também tinha fotos, muitas fotos na verdade, de Jessie mais nova, de Jessie com a Tassy, de Jessie com a turma da escola e etc...
– Olha só baixinha. – Jessie começou encarando minha irmã. – Não toque nos meus livros, nas minha coleções de All Star e jaquetas de couros e nada do Harry Potter. — Revirei os olhos, Jessie tinha milhões de All Star’s e jaquetas de couro no closet, se quiser arranjar briga com ela é só tocar em qualquer um deles. — De resto pode ficar à vontade.
Liguei o vídeo game e coloquei Resident Evil 6. Adoro esse jogo!
– Gosta de se fantasiar? – Jessie perguntou à Mel.
– Amo! Gosto de vestidos de princesa.
– Não vai encontrar coisas de princesas aqui. – Jessie entrou no closet e abriu uma das portas. – Mas tem muitas fantasias legais. Divirta-se!
Olhei curiosa para Jessie, ela nunca teve paciência com crianças e o que eram todas aquelas mini fantasias?
– Relíquias de infância. – Ela disse como se lesse meus pensamentos. – Enquanto algumas crianças se divertiam com contos de fada eu era o super- herói que quisesse.
Já estávamos jogando a mais de uma hora e mel não parava de tagarelar sobre todas as fantasias que ela estava experimentando, soltava gritinhos animados e tirava fotos com o celular que a maluca da Jessie deixou na mão dela. Até o cachorro se ferrou na mão da criança, ele também estava fantasiado.
– Olha Lucy! – Mel soltou um gritinho estridente. – Eu sou a Mulher Maravilha! Jessie olha só eu tenho uma capa!
Nós duas rimos da animação de Mel e do cachorro que rolava no chão tentando tirar uma outra capa que Mel amarrou nele.
– Mel tira a capa do Bear, ele não esta gostando vai te morder. – Falei voltando minha atenção ao jogo. – Caramba! Viu aquilo? OHMY!
Nesse momento vimos um vulto passar pela gente, saímos correndo até o corredor . Mel estava montada em Bear como se ele fosse um cavalo, e o cachorro corria em disparada pelo corredor. A garotinha gargalhava e gritava.
– Lucy sua irmã tem seguro de vida? Porque ela está indo para a escada.
Corremos a tempo de ver o cachorro e a menina rolar escada à baixo. Por sorte o tombo foi só dos dois últimos degraus. Mel começou a chorar deliberadamente e Bear sentou ao seu lado. Jessie ria descontroladamente.
– Lucy, sua irmã é hilária! – Lancei um olhar mortal para ela e fui até Mel.
– Hey princesa! Já vai passar. – falei olhando o joelho machucado. – Vou fazer um curativo. Jessie onde tem uma caixa de primeiros socorros?
– Não tem isso aqui não. – Ela disse como se eu tivesse pedido uma bomba. – lava com água e já era.
Limpei o joelho da garota com água e mesmo assim ela não parava de chorar. Já estava ficando louca.
– Hey Mel?! – Jessie chamou. — Gosta de gelatina de limão?
Jessie não queria a gelatina para comer. Para que a Jessie queria gelatina de limão? Para jogar na piscina do vizinho. Sim, ela fez isso. Jogou uns duzentos saquinhos de gelatina na piscina. E levou minha irmã junto. Mas pelo menos a criança parou de chorar.
Meu celular apitou.
Jeremy:
Fugindo de sair com a família,
Me ajuda, vão apertar minha buchecha!
14:42
Resposta:
Estou na casa da Jessie.
Se prometer que os dois não vão se matar convenço a tia Carolyn a deixar você vir para cá.
14:43
Jeremy:
Okay. Prometo, fazer a minha parte.
Me tira logo daqui.
14:43
A casa esta escura, com exceção do filme que estamos assistindo, o silêncio é total. Até que escuto a porta da cozinha batendo repentinamente. Minha respiração acelera, meu coração dispara e sinto meus músculos enrijecerem. Puta que pariu! Ferrou!
– O que foi isso? – Perguntei estática.
– Sei lá, mas veio da cozinha. – Jessie disse apreensiva. – Jeremy vai lá ver!
– Oshi! Por que eu?
– Porque você é homem. Oxê! – Falei. — Vai logo.
– Eu vou lá com você. – Jessie disse seguindo Jeremy até a cozinha.
Olhei para os lados. De jeito nenhum que ia ficar aqui sozinha. Corri até os dois e agarrei o braço de Jeremy, escondendo o rosto atrás dele.
– Puta que pariu Lu!!! – Jeremy sussurrou. – Você vai arrancar meu braço desse jeito.
– Xiiiu!
Aparentemente não tinha nada na cozinha, então voltamos para a sala.
– Não quero mais assistir isso. – Choraminguei.
– Deixa de ser medrosa. – Jeremy falou. – Deve ter sido o vento.
Ele deu play novamente no filme, mas agora não conseguia mais me concentrar. Olhava para os cantos da sala, procurando sei lá o quê.
– Se a Susan te ver roendo as unhas ela vai dar um chilique. – Jessie me zoou. Nem ao menos tinha percebido que estava roendo as unhas.
– Cala a boca. – Falei baixinho. Voltei minha atenção para o filme, estava estática, esperando algo acontecer a qualquer momento.
– Premonição! – Ouvi um grito atrás de mim. E instintivamente gritei, sendo acompanhada por Jessie e Jeremy.
– Puta que pariu Tassy! Quer me matar do coração? – Jessie gritou. Com uma das mão no coração.
Tassy ria descontroladamente. A encaramos em choque. Essa mulher é maluca. Credo.
– I had a heart attack now. – Falei e depois soquei o braço do Jeremy. – Jer seu gay! Gritou igual uma menininha.
– Olha quem fala! — Ele respondeu.
– Eu sou uma menininha! – Mostrei a língua para ele.
– Vocês deviam ter visto a cara de vocês! – Tassy ainda ria. – Foi hilário! Deveria ter filmado.
– Não teve graça. – Jessie disse brava. – Pare de rir. Ta parecendo retardada Tassy!
Jessie encarava a mãe com um olhar fulminante, enquanto Tassy tentava controlar o ataque de riso, finalmente ela parou.
– Desculpa! Mas foi muito engraçado! – Tassy falou para Jessie que mantinha a expressão brava no rosto. – Ai! Como você é sem graça. Não tem senso de humor.
– Háhá! Para que me criou se agora quer me matar de susto. Deveria ter poupado seu tempo.
– Aff’ que mau humor. – ela disse simplesmente. – O Sr. King esta revoltado. Gritou muito comigo, algo como uma piscina verde. Não encheu a piscina dele de gelatina de novo né?
– Enchi sim.
– Sua idiota! E nem me esperou? Eu comprei todo aquele estoque de gelatina e você nem me esperou! – Tassy reclamou. — Agente cria os filhos com tanto carinho e eles te apunhalam pelas costas!
– Larga de drama mãe! Estava ensinado a irmã da Lucy se divertir.
– Ah! Isso explica o anão de jardim na sua cama. – Tassy falou. – Ah! Trouxe presentes para você, esta no seu quarto.
Jessie disparou escada acima antes que eu pudesse piscar. Garota maluca! Fomos atrás dela.
Jessie desembrulhou uma jaqueta preta de couro, um par de All Star e o livro “ A cidade dos Anjos Caídos”.
– OHMY!!! Você alimenta meus vícios. – Jessie disse eufórica.
– Fazer o quê? Você é minha única filha.
Fale com o autor