Um Pedaço De Mim Sem Você
28 Cuidado menina
Notas iniciais
Povs Lauren
As meninas estavam se trocando no meu quarto, este que parecia ter passado um furacão. Havia roupas e sapatos por todo o lado, brigas por espelhos, maquiagens, escovas e etc... Se minha mãe visse isso ela ia pirar.
Cadê o gloss rosa da Lucy? Perguntei me abaixando para desviar de uma blusa que passou voando por cima da minha cabeça.
Aqui. Cate me entregou o gloss.
Sai do quarto e deixei as meninas fazendo a zona, encontrei George e Austin jogando vídeo-game na sala.
O que vocês ainda estão fazendo aqui? perguntei brava. Andem, vão, sumam daqui.
É a nossa casa também. Austin falou. Não vou sair daqui.
Ah! Quero os dois fora daqui já! falei. Ou papai e mamãe vão saber que os dois foram para uma balada ontem.
Os dois me olharam assustados, mas George logo sorriu.
Assim como vão saber que você deu uma festa escondida.
Ah claro! É a sua palavra contra minha. — Sorri de volta. Digo que quem deu a festa foi você. Em quem acha que eles vão acreditar?
E para onde vamos? Austin perguntou.
Não sei. Se virem. Só voltem vivos amanhã.
Não demorou muito para a casa lotar, o som estava a todo volume, as pessoas estavam dançando animadas. Jessie ainda não tinha chegado. Ela sempre foge de se arrumar com a gente, não tem paciência. Olhei ao redor, procurando ele, nada.
Bebe isso. Scott me entregou um copo.
Que isso?
Cuba.
Virei o copo, fazendo careta depois.
Eca! Odeio coca-cola! Resmunguei.
Sei disso.
Nem liguei para o fato de Scott ter zuado com a minha cara, quem eu queria finalmente tinha aparecido. Jeremy estava conversando com Susan a beira da piscina.
Povs Jessie
O que ele esta fazendo aqui? Perguntei para minha mãe.
Ele veio te ver filha.
Bom, já viu. Agora já pode voltar para a Europa.
Filha não fale assim. O velho caduco pediu como se fosse a vitima. — Vamos conversar.
Ele me encarava esperando uma resposta, minha mãe olhou para mim e assentiu, por algum motivo Tassy queria que eu me resolvesse com meu pai. Mesmo ele sendo o perfeito canalha que a enganou. Acho que apesar de tudo, ela se sentia culpada por eu ter crescido sem um pai. Desabei no sofá;
Fala.
Sei que não fui um pai muito presente.
É não foi. Falei indiferente. Mas já superei. Acabou?
Não me trate assim. Sempre mandei dinheiro para sua mãe, nunca passei um natal ou aniversário sem enviar presentes. Nunca deixei faltar nada.
Mas faltou. Faltou alguém para eu dar presentes nos dias dos pais. Faltou alguém no dia da profissão dos pais no primário. Faltou alguém nas minhas apresentações de escola. Faltou um pai durante a minha vida toda! Senti as lágrimas ameaçando a cair pelo meu rosto, mas me recusava a chorar na frente dele. Ele não merecia me ver assim. Senti sua falta durante muito tempo. Dizer isso em voz alta foi um alívio. Mas aprendi a viver sem você. Esta muito tarde para querer ser meu pai.Você não esteve presente a minha vida toda. Não preciso mais de você. Nunca precisamos do seu dinheiro também. Ele nunca foi tocado sabia? Minha mãe sempre me deu tudo que precisei e é só dela que preciso. Volta lá para sua família. Ela não foi sempre mais importante?
Subi as escadas correndo e me tranquei no quarto, senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto. Algo dói dentro de mim, não sei explicar o que é. Sinto saudades da minha infância ou do jeito como tudo parecia mais fácil, não sei, talvez de algo que nunca existiu.
Sinto saudade, culpa, rejeição e uma vontade louca e repentina de ir para aquela festa.
Reprimo as lembranças difíceis e crio ilusões e mascaras de comportamento para que eu possa sorrir e ser a pessoa que todos estão acostumados, porque ninguém precisa saber da minha dor.
*~*~*~*~*
Viro mais um copo de tequila, sinto o calor subindo pelo meu corpo, já estou vendo as coisas girarem, acho que passei do meu limite, mas quem se importa?!
Hey garota. Jeremy tomou o copo da minha mão. Não acha que já bebeu demais não?
Não! Sim...
Peguei outro copo e este também foi tomado de mim.
O que pensa que esta fazendo Jeremy? Meus pensamentos estão embaralhados.
Impedindo você de beber. Não é óbvio?!
Seus olhos encontraram os meus, me deixando desconcertada. Coloquei meus braços em seu pescoço o convidando para dançar. Ah Deuses! Tenho certeza que vou me arrepender disso, mas foda-se! Jeremy colocou as mãos em minha cintura, mexendo ao ritmo da música.
Adoro você assim, quando não faz joguinho. Jeremy diz, enquanto dançamos com nossos corpos colados. — Quando se desarma e para de fingir.
Eu não estou fingindo. Digo sentindo minha cabeça girar.
Agora não. Mas estava.
Não, não estava. Eu sou desse jeito. Sussurro em seu ouvido. Fria.
Você tenta, mas não é uma boa atriz, como sua mãe.
Eu não me importo se eu te engano ou não. Digo rodando e descendo.
Está tentando me enganar? — Jeremy pergunta puxando-me pela cintura.
Não, justamente por isso. Eu não me importo. respondo virando as costas e rebolando.
Você está se armando de novo. Ele me gira, apertando minha cintura.
Com um escudo.
E se protege do quê? Ele cola nossos corpos parando de dançar, seus olhos encontram os meus e me perco ali.
De você. — sussurro, perdendo a consciência das minhas palavras. — Seus olhos são tão lindos. digo sem pensar, estava cansada demais para isso. — Eles me incomodam.
Não muda de assunto!
Eles encontram os meus e eu fico meio, sei lá, sem forças.
Isso faz diferença? Ele pergunta baixinho.
Muita. Nossos rostos estão próximos demais. — Não consigo usar minhas munições contra você.
Adoro você assim. Ele diz mordendo o lábio.
Vulnerável? Pergunto sem conseguir desviar os olhos.
Quando admite que se importa.
Jeremy acaba com a distância que havia entre nós, nossos lábios se encontram, fazendo uma corrente elétrica passar por meu corpo, uma de suas mãos segura minha cintura e a outra para em minha nuca, o beijo acelera, o que me faz congelar.
Tudo bem?
*~*~*~*~*~*~*~*~*
Povs Lucy
Não basta fugir da festa. Falei para Matthew. Tem que roubar a bebida.
Não vão nem sentir falta. Ele disse sentando na manta ao meu lado, me passou a garrafa de Absolut.
De que sabor é? Perguntei apontando para a garrafa.
Toranja.
Que fruta é essa?
Não faço ideia. Ele sorriu meio de lado e me olhou com aqueles olhos azuis, será que algum dia vou me acostumar a toda essa beleza?
Ver o sol nascer na praia, isso é tão romântico.
Eu sou romântico. — Ele disse ofendido. — Além do mais, não perco o sol nascendo.
Ah não?! Só os dias em que está ocupado dormindo.
Shii! Ele fez careta. Não estraga.
E então, de repente, sem que meus olhos captassem movimento algum, Matthew estava me beijando, Sua mão em meus cabelos e sua língua pedindo passagem por entre meus lábios. Sorri, cedendo ao pedido silencioso dele e retribuindo o beijo. Caramba! nem eu mesma sabia que desejava tanto aquilo. Levei meus braços até seus ombros largos e o puxei para baixo, fazendo ele se inclinar para mim. Eu agi inconscientemente, me deixei levar pelos instintos, não estava pensando naquele momento, mal estava respirando. Me joguei de vez nos braços do Matt, agarrando-o pela nuca enquanto o mesmo me agarrava pela cintura me fazendo ficar cada vez mais próxima dele.
~*~*~*~
Fechei a porta com cuidado para não fazer barulho, passei pela sala na pontas dos pés, tropecei em uma das mesinhas e fiz um barulho estrondoso. Argh!
Bom dia filha. Papai surgiu da cozinha. Acordou cedo.
Bom dia, estou sem sono. respondi.
Tem que tomar menos café. Ele se aproximou de mim e beijou minha testa. — Tenho que ir.
Não sei da onde ele tirou que tomo café.
Assim que papai se foi Janine saiu da cozinha e me olhou com desaprovação.
Cuidado menina. Seu pai não é idiota.
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