Dylan não pareceu surpreso quando me juntei á ele no coche usando a forma física de Alba tão pouco se surpreendeu quando informei que ela estava enfeitiçada e dormiria até que eu a despertasse, entretanto ele ficou supresso quando chegamos ao Sexto Viajante, o bar da família Cellini.

— Então viemos para você ver seu amigo – ele comentou enquanto entravamos no bar mal iluminado.

Leonel atendia um homem grande que se sentava em um banco alto encostado ao balcão, apenas fez um gesto ao nos ver entrar, e informou ao pai que ia sair. Ele tagarelou rapidamente impedindo que eu ou Dylan disséssemos qualquer coisa enquanto caminhávamos na direção de sua casa, onde ele dizia guardar a “encomenda” por falta de espaço. Não eram costume nem hábito de Leonel tagarelar, tinha algo errado com ele e sua postura de mercador me deixava perturbada. Quando atingimos certa distancia do bar, meu amigo que andava em passos vagarosos apressou-se e a tagarelice se interrompeu com mais um gesto que eu conhecia muito bem, ele juntou as pontas dos dedos sem tocar as palmas. Más notícias. Olhei automaticamente para trás, não percebi ninguém nos seguindo.

— Quão ruins são as notícias? – perguntei quando entramos na casa dele.

Leonel não me respondeu de imediato, em vez disso ele me abraçou.

— Antes de qualquer coisa felicidades bruxinha.

— Felicidade? – perguntei confusa

— Vigésimo primeiro outono na última quinta feira.

— Meu aniversário é em novembro, Leo.

— Estamos em novembro – murmurou Dylan atrás de mim.

Ri. Esquecer meu aniversário era um dos meus muitos hábitos. Vinte e um anos, céus eu já era quase uma senhora. Abracei Leonel novamente. Aquilo era o máximo que eu permitia em meus aniversários, um abraço carinhoso e algumas palavras de otimismo, nunca gostei de celebrar o dia de meu nascimento, achava uma perda de tempo, meus pais haviam comemorado quando nasci e não precisava repetir o gesto anualmente. Era meu dia e eu o gastava como desejava.

— Agora me diga como você está e não se atreva á mentir.

— Que pergunta. Você me conhece Leo, eu sempre estou bem.

— Difícil acreditar quando sua aparência é de uma estranha, quem é essa mulher que você veste?

— O nome dela é Alba, é inofensiva e neste momento está dormindo no quarto que eu ocupo, só estou usando a forma dela, não é possessão nem nada que a coloque em perigo.

— Só o fato de se conhecerem já a coloca em perigo, Morty.

— Não seja dramático, Leo. Sempre protejo as pessoas ao meu redor.

— Você não pode proteger á todos, Morticia. É impossível.

Leonel tinha razão e eu nada podia fazer proteger á todos que cruzam meu caminho é impossível mesmo por que sou eu quem lhes faz mais mal. Desviei minha atenção para Dylan que nos observava em silêncio. O homem de cabelos ruivos tinha novamente aquela expressão pensativa de quem nada vê ou ouve.

— Não posso ficar aqui muito tempo, Leo. Conseguiu fazer aquilo que te pedi?

— Para você, tudo. Está no meu quarto, me acompanha?

Pedi para Dylan nos esperar, ele não gostou muito da ideia de me deixar ir sozinha com Leo, depois de rir do tom dele – como se Leonel pudesse mesmo me ferir – segui meu amigo, deixando o ruivo das trevas aguardando impaciente, infelizmente, ao assumir a aparência de Alba perdi minhas recém-adquiridas habilidades, uma das coisas que o pó de bicho-papão fazia ao mudar a estrutura física de uma pessoa . Leonel riscou um símbolo que conheço e desgosto na porta ao passar, um espiral em sentido anti-horário que começou a se mover lentamente de modo hipnótico, segredo.

— Você some e de repente me aparece na companhia de um bruxo das trevas – reclamou Leonel apontando na direção da sala de estar da casa – No que você se meteu, Morty?

— Em nada, ele não representa perigo é um amigo.

— É um bruxo das trevas, Morticia, desde quando é amiga de gente como ele?

— Desde quando sabe quem é ele? Nem o conhece.

— Dylan, filho de Julian Walker um rico herdeiro irlandês que vive em Londres e Diana Flack uma bruxa que descende da linhagem Bellovà, uma das mais antigas e poderosas famílias bruxas da Irlanda. É considerado um príncipe das trevas pelo fato de sua ancestral ser a atual Rainha das Sombras. É irmão de Valentine a noiva de Narciso, quer que eu prossiga com o relatório? Posso citar cada coisa que ele já fez.

Senti-me magoada com Leonel, o tom acusador dele parecia ser proposital, ele queria me ferir. Me sentei na cama, fiquei surpresa quando senti lágrimas turvando minha visão e então comecei a chorar.

— Está chorando? Ah! Morty. Perdoe-me, não queria te fazer chorar – disse se ajoelhando na minha frente e segurando minhas mãos.

Sorri, soltando-me das mãos dele e secando as lágrimas teimosas.

— Achei que não fosse mais capaz de chorar, devo ter absorvido a sensibilidade de Alba.

— Agora virou mentirosa? Você é uma chorona compulsiva – me provocou fazendo-me cócegas.

Depois de rirmos e recuperarmos o controle da razão, Leonel se levantou procurando algo em uma caixa cheia de trancas.

— A tradução – falou me entregando alguns papeis onde reconheci sua letra rabiscada e escrita ao contrário.

Li com paciência, tentando entender as palavras enquanto meu amigo fora ver de Dylan ainda me esperava e o que fazia, decepcionante não ouvir o que falaram pelos minutos seguintes enquanto eu me dedicava á leitura. Em resumo, Leonel descobriu o que Dylan já havia me dito, o feitiço usado para me manter em forma humana fora criado por uma bruxa Bellovà com a intenção de permitir que um lobisomem pudesse ter controle sobre a fera nas noites de lua cheia e controlar as transformações. Aparentemente o feitiço era inofensivo para lobisomens, conclui que por não ser lobisomem e a maldição lançada em mim não ter influencias da lua, os efeitos colaterais eram justificáveis. Pelo menos agora eu tinha certeza que não ganharia rabo, bigodes e apetite por ratos. Guardei os papeis na caixa e saí ao me juntar á eles na sala, eu podia ouvir tudo, menos palavras.

— Por que estão tão quietos? – perguntei fazendo Leonel, que estava de costas para mim, se assustar.

— Não tenho para dizer ao seu novo amigo – disse-me Leo, implicante – Achou a resposta que procurava?

— Sim, agradeço. E você? Achou a pergunta que faltava para seu excesso de afirmações?

— Não. E não acho que ele seja uma boa companhia para você – falou apontando para Dylan que franziu o cenho – Mas se você que é o ser mais desconfiado do mundo, acha que ele é amigo, tudo bem. Agora mate uma curiosidade minha, Narciso sabe que você está morando na casa da noiva dele cujo irmão por quem ele tem uma perigosa antipatia está apaixonado por você?

Ele deu um largo sorriso mostrando os dentes de modo irritante e saiu rapidamente do alcance de minhas mãos, dizendo que o chá estava pronto. Falei á Dylan:

— Não ligue para Leonel, ele tem um dom natural pra constranger e irritar as pessoas.

— Ele não me incomoda, pareceu-me mais preocupado com sua segurança do que com minha presença. Amigos leais são raros, e ele é leal á você.

Isso era verdade, Leonel e eu éramos amigos desde crianças, como irmãos que brigam por tudo e sempre se perdoam, nossa amizade é uma das coisas que tenho de mais importante na vida, Leo é uma das poucas pessoas á quem dou o direito de gritar comigo quando ele julga necessário e o único além de Narciso e Margarida que conhecem minhas tendências ás trevas, pois eles foram os únicos que já me viram usando magia negra, nem mesmo Verbena que é bruxa sabe de meu pequeno e sombrio segredo. O moreno de olhos azulados não se demorou á voltar da cozinha com xícaras, um bule de chá de camomila e biscoitos amanteigados.

— Notícia boa serve-se em cálices com pequenas doses de licor, enquanto as ruins vêm sempre temperadas com chá calmante – comentei apoiando os cotovelos no joelho e o queixo nas mãos.

Leonel ignorou meu comentário com um estalar de língua enquanto servia o chá. Ele havia me dito algo parecido com isso quando lhe contei que ia para o convento, alguns anos antes, na ocasião eu lhe servi chá de canela com mel.

— Não temos muito tempo até que papai mande alguém atrás de mim, então vou direto ao assunto. Da outra vez que esteve aqui depois de salvar a vida da sua amiga meretriz, eu procurei por Narciso para informa-lo que tinha estado comigo antes de sumir novamente e prometi que informaria caso soubesse algo sobre você. Após sua última visita informei a Verbena que você havia enviado uma mensageira para dizer que estava bem, não quis dizer a ela que você tinha vindo pessoalmente. Naquele mesmo dia, á noite, eu recebi a indesejada visita da Elite, eles me interrogaram durante horas á respeito da visita de uma moça de cabelos loiros. Não consegui falar com Verbena no dia seguinte, então fui até sua casa e Narciso ficou surpreso ao saber que você havia mandado uma mensagem.

Leonel fez uma pausa para beber seu chá, dei de ombro para o olhar intenso dele. Ele prosseguiu:

— Alguns meses atrás, quando você tinha sumido do sanatório e ainda não tínhamos noticias suas, Verbena veio me procurar trazendo um anel que ela dissera ter comprado de um mercador na Zona Verde, era um amuleto que não funcionava e ela queria saber se fora enganada e o especialista que ela procurou não fora capaz de descobrir o que tinha de errado no funcionamento do amuleto. Avaliei o anel, não havia nenhuma magia nele apenas o rastro de um feitiço de proteção feito com ervas do crepúsculo. Há pouquíssimas pessoas que usam ervas do crepúsculo como canalizador de energia para feitiços e apenas duas na região são capazes de transformar um objeto comum em receptáculo de magia. O anel tinha sido usado para imitar o feitiço que protegia Andreas, disse á Verbena que o feitiço não era comum e que precisava de mais tempo para levar á um amigo da Zona Morta que concertaria, ela negou permissão e disse que compraria outro amuleto.

Apertei a xícara entre as mãos, o tom de Leonel soava conspiratório, antecipei o que ele ia dizer e com peso no coração o permiti que continuasse falando, não por que queria ouvir, e sim por ser incapaz de mandá-lo parar.

— Há cinco noites, o conselheiro-mor passou a regência de Risveglio para uma bruxa das trevas que se autonomeou rainha.

— Por favor, não diga o nome dela – pedi querendo chorar.

— Lamento Morticia. Mas sua irmã...

— Não! – gritei – Verbena é boa, ela não se tornou uma rainha das trevas. Você mente.

— Minto? Desde quando eu minto para você, Morticia? – ele gritou em resposta – Pode ser difícil para você aceitar, mas Verbena não é o que sempre aparentou.

— Diz isso por que não gosta dela, nunca gostou.

E não gostava mesmo, dentre meus irmãos Leonel sempre implicava com Verbena, insistia em dizer que ela era o inverso de mim, enquanto eu era uma bruxa boa fazendo maldades Verbena era uma bruxa má fazendo bondades. Quando éramos crianças ríamos implicando com ela, mas minha irmã baronesa nunca fez nada de mal nem quando era preciso, de nossa família ela sempre foi a mais pacifica, nem mesmo Magnólia que era detestavelmente ingênua conseguia ser inteiramente boa.

— Verbena é uma boa pessoa e pessoas boas não são das trevas – falei voltando a me sentar, minhas pernas tremiam involuntariamente.

— Querida, você é a melhor pessoa que eu conheço e a mais terrível de todas – continuou meu amigo se ajoelhando na minha frente segurando minhas mãos – Você não é a única pessoa boa capaz de fazer coisas ruins, Morticia.

Leonel limpou as lágrimas de meu rosto antes de afirmar de modo cruel e franco:

— Assim como você é boa para com aqueles a quem ama e os protege, Verbena também o é. A diferença é que você renunciou o poder muito antes de conhecê-lo enquanto ela se deixou levar pelo desconhecido, passando por cima de tudo para ter o que deseja.

— O que te faz pensar que ela é uma bruxa das trevas agora? – questionei agressiva – Verbena pode estar tentando proteger o povo de Risveglio contra George, por isso...

— Eles se casaram.

O choque daquela informação tirou qualquer capacidade que eu possuía de pensar. Busquei por algo concreto na sala que não fosse o abismo para onde Leonel me puxava com suas palavras impossíveis. Dylan parecia tão surpreso com aquela informação que por um breve instante pensei que Leonel pudesse ter se enganado, mas então... Compreendi.

— Ele está usando minha irmã – falei convicta – Deve estar ameaçando Verbena ou encontrou algum outro modo de manipulá-la. É claro, com uma bruxa poderosa em seu poder ele fica ainda mais poderoso e caso me encontre terá algo para usar contra mim.

Alguém bateu na porta e Leonel dispensou dizendo que estava ocupado e não queria ser perturbado, mas a pessoa insistiu e ele foi resolver o problema. Não consegui prestar atenção ao que ele dizia, minha cabeça estava flutuando, estava sentindo dormência nos dedos e sonolência. Quando ele voltou sentou-se no braço da poltrona passando a mão pelos cabelos loiros de Alba, os meus no caso.

— Era Niccolo, papai está irritado com minha demora. Mas voltando ao assunto Verbena, sei que não está preparada para isso, mas precisa se preparar.

— Para que? – minha voz saiu enrolada

— Ninguém, nem mesmo o mais talentoso dos bruxos pode manipular a vontade de alguém, obrigar Verbena á fazer algo que ela não queira? E quem você supõe que seja tão estúpido para ameaçar uma bruxa Belaya á se aliar ás trevas?

— George – eu falei tentando me concentrar, mas as palavras vagavam tão distantes que era difícil alcançá-la – É um impostor, esse que está no conselho dos magos. Verbena está em perigo, por isso se casou com ele. Tenho que ajudar minha irmã.

— Por Deus, Morticia. Você consegue ser tão estúpida que me irrita. O que te custa admitir que sua irmã possa ter sido corrompida pela escuridão?

— Verbena é mais forte que isso, ela não se deixaria ser corrompida.

— Ás vezes uma estrela solitária brilhando entre nuvens escuras é apenas uma estrela solitária brilhando entre nuvens escuras.

Teria me levantado e saído dali, mas percebi que não conseguia me mexer.

— O que colocou no chá? – perguntei acusadora.

— No chá? Nada. Coloquei algumas gotas de uma poção feita com um veneno de reptil na sua xícara, causa paralisia, confusão e sonolência, mas não chega a tirar a consciência da pessoa. Fique sentado ai mesmo senhor Walker, se quisesse lhes fazer mal teria feito.

Olhei para Dylan, ele tinha expressão perigosa como se fosse fazer algo muito ruim e estivesse esperando a chance para isso, cometeria um erro fatal se tentasse machucar Leonel.

— Sabia que Morticia não ia aceitar a verdade dita – informou Leonel á Dylan – Então comecei do modo direto possível. Verbena tem um histórico benevolente, entretanto recentemente ela vem mostrando uma face cruel, depois que ela me trouxe o anel com a duplicata do encantamento de proteção feito por Morty, procurei alguns conhecidos na zona negra. Verbena estava procurando por alguém que conseguisse desfazer o feitiço lançado em um objeto, conheço Morticia á muito tempo para saber como ela usa seus feitiços, a proteção do sobrinho vem direto dela.

— Leo! – apenas murmurei ainda sem conseguir me mover direito.

— Não resmungue Morty. Verbena é perigosa e sejam lá quais eram as intenções dela antes de se casar com o senhor Linnett, tinha muito haver com o fato de Andreas ser fonte de poder, mas com você no caminho ela decidiu fazer as coisas de outro modo.

— Ela ia matar a própria irmã? – Dylan perguntou em tom imparcial.

— Matar? Morticia e Andreas são poderosos demais, o poder deles combinado com os dela á tornaria a mais poderosa das bruxas, supondo-se que ela e George estão mesmo juntos eles seriam supremos. Siatromi sosoredop.

Arfei. A menção daquelas palavras me corroia por dentro. A guardiã das trevas podia viver por muitos anos e uma rainha das trevas com más intenções podiam quebrar todas as leis da natureza e se tornar imortal. Poderosos Imortais, nenhum ser mágico tem o direito de dobrar a natureza á sua vontade, é imoral, errado.

— Por favor, Morty, não se magoe com isso, mas é preciso que saiba a verdade antes de cometer erros que não seja capaz de consertar. São muitas as possibilidades, mas... Uma vidente por mais que desconheça os caminhos que seguiremos dificilmente se engana com nosso futuro. Falei com a senhora Gale, queria estar errado e rir de mim mesmo por ser idiota e ter imaginado coisas sem fundamentos, quando falei á ela sobre minhas suspeitas ela disse ‘O destino da flor que trás da morte no nome foi escolha dela quando renunciou ao poder que lhe foi oferecido e ela decidiu o destino de todos aqueles que precisavam de sua ajuda ao dizer não á um grito de socorro’.

Sei que estava chorando, sentia o calor das lágrimas correndo no rosto de Alba. Queria falar, mas minha língua estava dormente e minha voz se tornou um ruído confuso e rouco. A senhora Gale não mentiria sobre meu futuro, assim como Leonel não mentia para mim, podia omitir e distorcer os fatos, mas nunca mentia. Era uma das coisas que ele gostava de poder fazer, ser sincero. Verbena era uma bruxa das trevas agora, podia ter se corrompido ao conviver com George ou pior, eu posso ser a culpada por mais isso, afinal somos irmãs e eu sou a guardiã que abriu mão das sombras para poder ficar na luz.

— Minha amiga tem o mau hábito de induzir as pessoas ao sono quando quer fugir. Cuide dela e não a deixe fazer nenhuma idiotice – pediu Leonel á Dylan enquanto me pegava nos braços – Me siga.

Entramos em um armário cujas portas entalhadas permaneciam sempre trancadas por várias trancas, mas nenhuma delas abria, pois o armário só respondia aos habitantes da casa. Ao atravessarmos o armário entramos em uma sala ampla de teto alto e grandes janelas ovais. Fazia muito tempo que eu não ia á casa dos Cellini no mundo mágico, era tão magnífica que por vezes eu desejava viver lá, gostava os muitos túneis estreitos existentes na casa interligando todos os cômodos e das escadas espiraladas que levavam para o jardim no teto ou á adega no subterrâneo. Entramos no quarto de Leonel, chamávamos de a sala dos espelhos, meu lugar preferido na casa, fomos Leonel e eu quem o remontamos quando tínhamos onze anos, eu era obcecada por alquimia e ele por estrelas, passamos meses buscando espelhos e vidros ou objetos cujas superfícies polidas pudessem refletir uma imagem, começamos colando com feitiços no teto então vieram às paredes, o chão se salvou por que os senhores Cellini não permitiram, aquele fora o primeiro lugar á qual conectei o espelho de meu quarto, passávamos horas conversando através dos espelhos, era melhor que um ir até a casa do outro. Leo me tirou das lembranças ao sussurrar:

— Se há alguma mínima chance de você impedir que o caos se espalhe entre os dois mundos, por favor, não renuncie mais as sombras.

Ainda que pudesse falar, não falaria. Tinha me decidido não me tornar a rainha das sombras e não o seria, as pessoas aprenderiam a conviver com a escuridão e o medo. Leo me entregou á Dylan e abriu um portal que nos deixaria perto da casa do ruivo.