Um Novo Mundo
7 Walerio: o Mangtas macho.
No meu sonho, o Mangtas macho gritava com a fêmea. Ele era um homem alto, moreno, dos olhos verdes e cabelos grisalhos. Sua barba era bem feita. Seu rosto era tão ossudo quanto o do Mangtas fêmea. Ele tinha um corpo atlético, musculoso, mas era magro. Usava um short preto e branco, de poliéster, e um tênis branco com amortecedor. Sua regata preta deixava a vista os pelos pequenos do seu peito. O.k., aquilo definitivamente era nojento. A voz grave dele ecoava no salão escuro em que eu estava. Era um salão escuro. Nada mais. Éramos somente eu, o Mangtas macho e o Mangtas fêmea que, fui perceber, não era tão feminina. Ela estava com uma calça pega-frango tom pastel, usava tênis skatista da nike branco com rosa e uma blusa de mangas laranja morto que ficava enorme nela. Seu cabelo que geralmente era preso num rabo de cavalo incrivelmente alto agora estava preso em um nó mal feito no baixo da cabeça. Seus cabelos, dessa vez, eram loiro mel e muito lisos.
Eu estava atrás deles, mas não conseguia me mexer. Tentei dar um passo. Uma dor terrível percorreu minha perna direita. Pensei que seria melhor se eu ficasse quieta e tentasse escutar o que ele estava falando.
–Arvoton! Como teve coragem de me deixar, sua pelkuri? Você fez pouco atacando a ele! Espero que tenha aprendido. Eu, e somente eu sou seu. Não aceito você com outra criatura do sexo masculino, ainda mais com um mortal. Entendeu, likainen?
Ela revirou os olhos para o teto.
–Entendi, Walerio.-Ele continuou olhando para ela, como se esperasse que ela dissesse mais alguma coisa.-Entendi, senhor–Ela disse "senhor" como se fosse algo muito pegajoso.
O Mangtas macho abriu a boca para dizer algo, mas, neste instante, ele paralisou. Virou lentamente a cabeça para onde eu estava e ficou me encarando com os grandes olhos verde morto. Tentei correr, mas havia esquecido de que não podia. A dor passou novamente por meu corpo e eu soltei um berro, só não sei se foi pela dor ou se foi de pavor: Walerio avançava numa velocidade incrível até mim. No percurso ele foi se transformando. Não consegui ver exatamente sua transformação, só tive tempo de ver suas presas enormes e sujas avançando para a minha cara, prontas para estragá-la ainda mais.
Então eu acordei. Suada, trêmula e com os olhos mais arregalados do que a Coruja empalhada do nosso chalé. Meus irmãos estavam em torno de mim, olhando preocupados para minhas mãos que seguravam desesperadamente as cobertas, como se eu fosse cair da cama.
–Por quê você gritou?-Perguntou Josh.
–Eu...-Ainda tentava sair do choque.-Eu não gritei...
–Sim, você gritou-Disse Brad franzindo a testa.
Eu o ignorei e soltei as cobertas, percebendo que minhas mãos estavam molhadas de suor. Passei-as pelo meu rosto. Ufa, pensei. Meu rosto ainda está aqui. Suspirei aliviada e me sentei na cama, o que fez com que Andrew se afastasse. Minhas pernas estavam dormentes, como se ainda pudessem sentir aquela dor.
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