Um Novo Mundo.
26 Capítulo 26 - Trabalho duro.
Notas iniciais
Narração Mariana
– Ora, ora, se não é a vadiazinha! – Meu coração falhou uma batida, minha respiração ficou pesada e eu pude sentir minhas mãos ficarem suadas. Meu corpo lançou adrenalina em minhas veias e se pudesse eu cairia morta ali mesmo. Aquilo era muito pra mim, o que iria acontecer agora?
As palavras do homem ainda ecoavam em minha mente, eu não conseguia raciocinar direito, não podia ser ele ali. Boa parte do grupo foi atrás dele na cidade, arriscaram as suas vidas, deixaram um cara sem esperança e nervoso conosco, mas no final acharam apenas sangue e uma mão. – Merle? – Seu nome saiu de meus lábios como uma pergunta.
Eu estava tendo uma ilusão, mas ele parecia mais real do que nunca. Ele mantinha o sorriso sacana, e usava uma faca embutida com sei lá o que na mão que perdera. Mesmo sem óbito, ele fora dado como morto, e isso me surpreendia vendo ele na frente de meus olhos, forte e como sempre foi. – Em carne e osso, mais forte do que nunca! – Ele parecia feliz em me ver e isso me dava esperanças de me deixar sair e voltar para meu lugar.
– Você não estava morto? – Disse em um sussurro, ele bufou e encostou a ponta da faca na mesa ao seu lado.
– Estava. – Pigarreou e continuou. – Digamos que eu tive que me virar sozinho, engraçado que minha sorte fora aquele crioulo que deixou as ferramentas para trás, logo quando vocês me abandonaram lá. – Sua voz era carregada de sarcasmo.
Senti uma tontura e uma vontade louca de colocar a pouca comida que eu tinha ingerido para fora, aquilo era como ver a historia dando uma reviravolta. – Nós fomos atrás de você. – Falei convicta de que isso mudaria alguma coisa, ou pelo menos o desejo dele de se vingar do T, e isso ele mantinha com certeza.
– Chegaram tarde de mais! – Merle elevou a voz. – Eu perdi uma mão e sofri enquanto aqueles mordedores filhos de uma puta mal comida tentavam romper a porta! – Parecia que a qualquer momento ele iria enfiar a faca em alguém, e isso o fez mandarem todos que observavam quietamente para fora, quando eles saíram fecharam a porta e me deixaram com o ressuscitado.
– Não é bem assim, Merle, todos ficaram preocupados, até mesmo T. – Respirei fundo e sentei-me em uma das cadeiras que estavam encardidas ali. – Queríamos te encontrar, não apenas por causa do Daryl... – O olhei como se aquilo fosse a coisa mais obvia. – Por que apesar de você ser extremamente irritante você faz parte do grupo... – Pude ver a silhueta de um sorriso de canto em seus lábios. – E uma parte importante.
Tossi quando me mexi na cadeira encardida de poeira. – Você é forte, e acredite pessoas fortes, tanto emocionais quanto de braço, são importantes. – Ele tirou a mão/faca da mesa e apontou para mim, engoli em seco.
– Você está certa, ruivinha! – Ele olhou pela janela provavelmente observando um walker andar despreocupado por ali. – E falando nisso... Meu irmão está bem? – Merle mesmo com essa casca dura, ele se importava com Daryl, mesmo sendo o tipo de irmão chato e insuportável que te tira toda hora. É como se Daryl fosse parte dele, e era.
Irmãos que passaram por muito juntos, com certeza. — Sim, o grupo passou por umas dificuldades ultimamente, e Daryl foi de grande ajuda. Ele está realmente preocupado com Sophia. – Na face de Merle estava estampado um grande ponto de interrogação, e eu me apressei em tirar aquilo. – Ela se perdeu em um ataque de uma horda... – Abaixei o olhar.
– Daryl e seu coração mole! – Uma alta gargalhada ecoou no lugar, eu o olhei e esperei algo mais, eu esperava que ele dissesse algo como: “Diga-me onde eles estão e eu te levo lá, foi um prazer em te reencontrar, Mariana!”. – Você quer voltar? – Aquela pergunta saiu como uma canção e eu não consegui controlar meu sorriso, que foi de nenhum para nível de encostar-se às orelhas.
– Sim! – Disse quase pulando da cadeira, aquilo é uma esperança, não era?
– Eu quero encontrar meu irmão, Mariana. – Ele disse firme. – Eu só não acho que seja o momento certo. – Merle suspirou, eu ainda não conseguia entender, como assim não era o momento certo? – Eu recém estou me reconstruindo, quero aparecer para ele e o convidar para entrar no meu time, mas para isso eu preciso estar mais forte do que estou agora! – Eu senti uma pontada de ciúmes.
Isso era ridículo, sentir ciúmes do irmão?! Você está se superando a cada dia, Mariana. – Eu posso voltar? – Minha voz saiu fraca, eu não tinha certeza se aquela era a pergunta certa a fazer naquele momento.
– Não será tão fácil, ainda não nos entendemos. – Ele me analisou. – Mais uns dias e pronto. – O olhei desesperada. – Eu sei que você quer encontrar sua família e blá’s, mas eu quero lhe tornar alguém forte, assim como eu. – Botou a mão em seu peito e aumentou o sorriso. – Veja só! Vai que você se torne parte do meu time também? – Franzi o cenho, e passei a mão em minha cabeça, o que ele estava pensando? – Seria tão legal uma mulher conosco, uma mulher que sabe se defender.
Olhei para minhas mãos, elas tremiam. Merle estava certo, eu deveria me tornar alguém mais forte, alguém que sabe se defender. Mas eu tinha medo de ficar perto de todas aquelas pessoas estranhas, e perto do cara que da primeira vez que me viu convidou-me para ir “ali no canto”. – Isso é uma opção? – Eu queria me tornar alguém forte, mas eu não esperava ser com Merle Dixon.
– Não, e antes que você comece a chorar e essas coisas de mulherzinha, eu não irei deixar eles te tocarem. – Ele passou a mão no rosto. – Essa bunda já pertence a meu irmão, não é? – Levantei-me da cadeira e o olhei furiosa, aquilo havia sido de mais.
– Já que irei ficar aqui por uns dias e aprender a começar a me defender, que uma coisa fique bem clara, Merle! – Cruzei os braços. – Tenha um pouco de respeito por mim, assim como terei com você e com esses brutamontes! – Ele rolou os olhos e deu de ombros.
– Pode achar um quarto para você, amanhã seu trabalho duro começa, ruivinha. – Prensei os lábios e fui saindo.
– E Merle! – Antes de fechar a porta o chamei e ele se virou para mim. – Minha bunda não pertence a seu irmão e nem a ninguém! – Fechei a porta e pude ouvir sua risada de deboche.
Eu estava presa ali, agora o que me restava era sentir falta das pessoas do meu verdadeiro grupo, de Isobel, de meu padrasto... E achar um quarto.
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