Um Novo Mundo.

41 Capítulo 41 - Temperamento inflamável.


Notas iniciais
:) boa leitura cap da mariana, pq isobel hehe vai ser surpresa desde o último, deu um salto no tempo, por isso as coisas estarão um pouco diferentes e tals enfim, é isso msm

Narração Mariana

Arrumei a arma em mãos e apontei diretamente para cabeça de um walker, parece mesmo que as aulas de Merle não foram total desperdício, quero dizer... Merle não é um total panaca inrustido. Com um só tiro a carne podre se estraçalha no chão, eu observei aquilo enquanto Rafael chegava perto. – Está escurecendo, acho que a melhor opção é voltarmos, sabe... Merle tem um temperamento um pouco inflamável.

– Está com medo do temperamento um pouco inflamável de Merle, Rafael? – Olhei-o irônica, enquanto me dirigia até o casaco do morto no chão e checava se tinha alguma coisa.

Eu o ouvi bufar e arrumar a arma em seu devido lugar. – Um tempinho atrás você não era assim... – Rolei os olhos enquanto ainda examinava os bolsos.

Um tempinho atrás eu mal sabia como empunhar uma arma. – Ele passou a mão nos cabelos e se agachou á meu lado.

– Algo tem mudado Mariana. – Bingo! – Nós não somos o mesmo desde quando você... – Bingo, digo... Remédios para gonorreia, pra que exatamente eu vou usar isso? Urgh. – Viu? Você ao menos está me escutando? – Levantei e guardei a capsula em meu bolso.

– Desde quando o que, Rafael? Desde quando eu não preciso mais ser um peso morto pra ninguém, eu sei como me cuidar agora, e eu tenho uma família pra procurar, com licença. – Esbarrei nele e continuei a andar pela estrada, estava deserta, e realmente estava escurecendo.

Tínhamos saído logo de manhã, com a mesma desculpa de sempre: procurar por suprimentos; Rafael tem me ajudado muito desde meu treinamento, desde o dia em que eu disse as três sagradas palavras pra ele. Porém as coisas realmente tinham mudado, ele não deixara de me acompanhar por causa disso, eu mesma me sentia menos tolerante. – Por que diabos, Mariana, você está agindo assim? – Ele me puxou pelo braço e encarou no fundo de meus olhos, eu sentia toda a fúria dele naquele momento, com o aperto de sua mão em meu braço. – Você quer o que de mim? Já me devoto totalmente em te ajudar com isso, mentindo pra Merle, você – apontou diretamente para meu peito – sabe exatamente como ele é, eu sei que você tem uma família para procurar, acha que há um tempo eu também não tinha? – Ele aumentou seu tom de voz. – O que eu quero dizer é que você não precisa me tratar diferente por saber “empunhar uma arma”.

Engoli em seco. – Não precisa se preocupar com Merle, eu me ajeito com ele depois. – Eu estava envergonhada, com certeza, mas meu subconsciente não deixaria demonstrar isso.

– Eu sinto que to’ perdendo você. – Rafael fechou os olhos e passou as mãos no cabelo. – Porra! – Eu geralmente teria me sentido mal com isso, mas uma raiva súbita tinha me atingido, e eu considerei aquilo como puro drama.

– Nós não precisamos ficar aqui, sabe, não quer voltar pra casa? – Eu não deixei o tom irônico, eu não queria o deixar mais irritado ainda, o que eu sabia que ele estava.

Ele abriu os olhos e negou enquanto me olhava, mas a resposta fora diferente. – Sim. – Ele caminhou na minha frente, deixando no rastro dele até onde tínhamos estacionado meras palavras como: desde quando aquilo é sua casa?

As últimas palavras dele tinham me deixado com mais raiva ainda, eu não me sentia magoada, por que eu estava completamente obsessa em encontrar George, Isobel, qualquer um que me levasse ao meu verdadeiro lar.

Esperei até ele ligar o carro, para eu finalmente falar alguma coisa. – Desde quando aquilo é a minha casa? – Repeti a sua retórica pergunta, porém eu necessitava em responder. – Nunca, eu já devo ter tido essa conversa com você, nunca, minha casa ficou pra trás, o que eu tenho agora, são estadias. – Ele andava cautelosamente até a pensãozinha, como eu chamava, não estávamos longe, porém passamos o dia fora. – Espero que repetir isso tenha finalmente colado na sua cabeça, aquilo é a sua casa.

Ficamos então em silêncio até chegar. – Pega aquelas sacolas ali, por favor. — Sem ao menos olhar para a minha cara.

Desci do carro, e abri a porta detrás, peguei as sacolas, com pães que não sei como, não estavam vencidos, e algumas comidas enlatadas. Fechei a porta e senti-o desligar o carro, batendo a porta e entrando na pensão sem ainda olhar para mim.

Suspirei e fiz que nem ele. Merle estava sentado em uma poltrona na sala, passei por ele e joguei na mesa em que fazíamos nossas refeições tudo aquilo que eu consegui. – Não sei o que você fez ruivinha, mas é melhor pedir desculpas. – Desculpas, ele realmente merecia, eu admito eu havia sido uma babaca, mas desculpas?

Passei por ele também, sem o olhar, mas eu sabia que ele me observava. E andei em direção a meu quarto, ao nosso quarto, Rafael passará a dormir comigo, e deu o seu antigo para um colega que antes tinha que dormir no chão do quarto de outro colega.

Eu não bati na porta, não havia necessidade, só a abri, e eu o vi ali, com a porta do banheiro aberta, e escovando os dentes, com o que ainda restava de pasta dental, guarda um pouco pra mim.

Fechei a porta e ele se virou pra mim com o gesto, porém não deu importância, e apenas continuou a fazer o que estava fazendo.

Desculpas?

Andei até a beirada da cama e tirei meus sapatos, fui tirando cada peça pensando no que eu deveria fazer. A discussão, pelo menos eu acho que era o que tinha sido não tinha durado nem cinco minutos, mas tinha o magoado, e tinha sim, mesmo não querendo admitir, tinha me magoado também.

Desculpa, Rafael.

Por que era tão difícil de falar? Desculpa... Desculpa... DESCULPA, ME DESCULPA POR FAVOR, EU SEI QUE SOU UMA BABACA, SABE, NEM SEMPRE, MAS ÀS VEZES, AI PELO AMOR DO QUE VOCÊ ACREDITA, ME DESCULPA.

Eu parei de me despir já quando estava apenas de calcinha e sutiã, eu não tinha mais vergonha, ele já havia me visto assim antes, ele já tinha terminado de escovar os dentes, há muito tempo alias.

Virei para observá-lo e ele estava no batente da porta, encostado e me observando. Seu cabelo tapava um pouco sua vista, havia crescido muito desde a primeira vez que tínhamos nos visto, ele não teve trabalho de cortar, parecia não o incomodar. Olhei minhas madeixas e a tinta que antes cobria até meu coro cabeludo, agora, se via como californianas de sangue.

Muito tempo havia se passado. – Rafael. – Ele continuou a me encarar, eu levantei e fiquei parada na frente da cama. – Eu... – Eu queria.

– Me desculpa. – Ele deu uns passos até ficar exatamente no outro lado da cama. – Não só por hoje, mas pelos outros dias também, eu ando sendo uma babaca com todo mundo, até Merle... – Eu dei um sorriso de lado e olhei para as minhas mãos. — Um tempinho atrás eu teria me mijado ao falar com ele. – Eu o vi soltar uma risada abafada.

– Eu te amo. E continuo amando você, verdadeiramente, eu... Acho que meu ego aumentou demais, eu não queria que a minha cabeça tivesse se feito desse jeito. Me desculpa, mesmo. – Coloquei a mão no rosto e me sentei na cama.

– Eu não vou te consolar, por que você é culpada de ter me tratado desse jeito, mesmo, mesmo, tem muita culpa, sabe como eu me senti? – Tirei as mãos do rosto, porém continuei com a cabeça abaixada. – Porém eu te perdoo, eu já fui assim um tempinho atrás. – O olhei e ele deixou um sorriso bobo escapar, por repetir aquilo, garanto.

Ele chegou em minha frente e me examinou. – Eu também te amo, sua branquela. – Pegou-me pela cintura e me jogou na cama.

– Vou te perdoar, por que eu não consigo ficar mal contigo, me trataste não muito agradavelmente esses dias, mas eu te perdoo. Mesmo, mesmo. Ah, sei lá. – Ele se encaixou no meio de minhas pernas, e as segurou contra seu corpo, e me beijou, eu sentia falta daquilo, do gosto e da maciez de seus lábios, sua língua se encostava gentilmente com a minha, eu amava o jeito que ele me tratava. Clichê eu sei, porém eu amava.

Separamos-nos, e diferentemente das outras vezes, ele começou a distribuir vários beijos pelo meu pescoço, automaticamente minha respiração começou a ficar mais rápida. Não, eu nunca tinha feito isso com ele, alias, com ninguém. Sim, eu ainda era virgem. Por que eu estou pensando coisas?

Do pescoço partiu para meus ombros, e então pulou diretamente para minha barriga, onde até então era meu ponto fraco, o contato de sua boca com minha barriga me fez retorcer em baixo de seu rosto. Ops, é, nossa, reconciliação? É, eu deveria pensar coisas. – Ra-Rafa. – Ele me olhou.

– Nós podemos pa-

– Não, tudo bem, só prometa ser gentil. – Ele voltou a minha boca, dando um beijo mais urgente do que os outros, com mais desejo e luxuria. Com certeza eu deveria ter pensado coisas.

– Sempre.

Notas finais
até galerz
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.