Um Novo Mundo.
28 Capítulo 28 - O começo de algo.
Notas iniciais
Narração Mariana
Caminhar por corredores desconhecidos em um apocalipse era aterrorizador. Eu não tinha ideia se eu iria abrir alguma porta e ver algo ruim, ou encontrar pessoas mal encaradas, como o grandalhão.
Eu realmente tinha medo de alguém tentar algo comigo, algo mal. – E eu realmente não sei como eu irei me virar, e por isso mesmo, esses dias serão de uma forma importes para mim. Mesmo a cada segundo que isso passa, eu só penso em voltar para o grupo. Conhecer aquela fazenda, ver se Carl está bem. – Entrei em uma das portas e vi o quarto empoeirado.
Tinha a cara de que ninguém havia entrado ali há muito tempo, ou pelo menos ignorado, tinha um cheiro horrível, como carniça. Eu quase caí aos vômitos só de respirar aquele ar infectado com odores, bela forma de se falar.
Fechei a porta rapidamente e tratei de respirar ar puro, continuei a caminhar pelo corredor até achar outra porta, com coloração branca e com uma chave do lado de fora. – A abri e examinei o local, não havia ninguém, a cama não estava desarrumada, e muito menos nem um indicio de malas ou roupas por ai.
Abri mais a porta e entrei no local a fechando depois, caminhei até um banheiro, que ainda bem que estava ali, e entrei. Não havia ninguém, agradeço novamente. – Eu não queria voltar aqui e ter alguém me olhando estranho e se perguntando: “quem é essa louca invadindo meu quarto?”. Definitivamente eu não queria. – Seria constrangedor, e eu não queria coisas constrangedoras no meu “primeiro dia na faculdade de armas e defesa pessoal de Merle Dixon”, mas conhecida pela sigla ADPM.
Suspirei pesadamente e fechei a porta do banheiro, agradeci por em um dos armários ter um shampoo-não-vencido e um condicionador-não-vencido. Despi-me e abri a água que caiu que nem uma nevasca em meu corpo, coloquei meus braços primeiro e depois as pernas.
Eu estava lutando para não colocar as costas, mas eu precisava lavar meu cabelo. – Eu sei, é uma coisa fútil, mas ele já estava virando pedra... – Em uma encarada brava para a água que escorria furiosamente do pequeno chuveiro eu entrei com tudo, juro que meu cérebro teria congelado caso eu não tivesse aguentado. Comecei a me lavar, e mesmo a água estando uma pedra de gelo, eu conseguia sentir todo o peso que eu carregava nas costas saindo pelo ralo. Aquilo estava sendo uma sensação maravilhosa.
Se eu fosse passar mais uns dias aqui, eu teria que aguentar ficar longe daqueles que eu amava. Eu não queria ficar aqui, claro, estava sendo uma oportunidade. Mas eu não queria ficar longe de Daryl, Isobel... Pai.
Eu queria aprender com eles, tudo o que eu iria aprender aqui.
–
Depois do belo banho, eu coloquei a mesma roupa imunda que eu usava, e sai para dar uma vasculhada na minha nova moradia. Eu não ousaria chamar aquilo de lar, nem de casa.
Eu definitivamente não pertencia aqui, eu estava levando isso como um aprendizado, uma escola. Não que eu fosse me dar muito bem aqui, eu não poderia ser tão otimista, não a esse ponto. – Nova aqui? – Alguém me chamou, vire-me e dei-me de cara com um homem alto, cabelos morenos, olhos castanhos e pele branca.
– Sim... – Respondi cautelosa, não queria me dar de cara com outro fardado idiota. – Quero dizer, mais ou menos. – Mexia as mãos nervosamente.
– Hmmm... – Ele parecia me analisar, aquilo me incomodava, me incomodava muito. — Você se acostuma com o pessoal daqui, eles são duros no início, mas depois você acaba fazendo parte da família, e alias, meu nome é Rafael, e o seu? – O novo conhecido me estendeu a mão, olhei para o mesmo e insegura apertei sua mão.
– Mariana. – Disse com o tom sério, não queria criar muitas amizades aqui dentro, eu não queria ficar por aqui muito tempo, eu não pretendia isso. Rafael me deu um belo sorriso branco e eu o devolvi com um recatado. – Bom Rafael... Foi um prazer lhe conhecer, mas você poderia me dizer onde fica a sala, quarto... Tanto faz. – Acabei por soltar uma risada. – Do seu general Merle? – Levei minha mão até a minha testa e fiz uma revência.
– Ah, se esse é o problema eu irei te levar até lá! – Ele passou por minha frente e colocou a mão em minhas costas me guiando pelo corredor, eu não poderia mentir, ele parecia uma pessoa muito legal. – É bom ver pessoas que nem você por aqui. – Rafael me olhava enquanto andávamos.
– Que nem eu? – Perguntei com grande curiosidade, eu direi com certeza, ninguém nunca me falou alguma coisa assim, nem do jeito ruim e nem do jeito bom. Ele acabou por soltar uma bela gargalhada, o moreno tinha cara de quem ria por qualquer coisa e levava a vida numa boa.
– Quero dizer, você parece ser que nem eu. – Deu um sorriso tímido e olhou para frente. Eu não queria criar amizades, mas eu acho que isso poderia ser uma exceção.
– Então eu levarei isso como uma coisa boa! – Dei um dos meus mais belos sorrisos e soquei seu ombro, nós chegamos perto de uma porta excessivamente grande para um lugar onde parecia ser uma casa de pensão.
Ele fez um gesto para que eu seguisse andando sozinha. – E é. – Ele por fim disse. – Está entregue, na sala da diretoria. – Fez uma reverencia e foi virando para ir embora. – Tenha boa sorte lá, nos falamos depois. – Sorriu e praticamente correu para fora dali.
Encarei a porta e bati nela esperando a resposta da chefia.
Eu não queria sentir isso, mas eu sentia, de um modo eu queria ficar perto daquele rapaz e dar boas risadas com ele. Eu estava ansiosa para vê-lo novamente. Mas isso não quer dizer que eu esteja apaixonada por ele, não a primeira vista, não. Mas eu queria ver ele.
Meu sentimento pelo irmão de Merle ainda permanecia, mas agora eu só queria ver Rafael novamente, e rir com ele novamente.
Mesmo nosso pequeno dialogo fora sobre coisas um tanto banais e um encontro minúsculo, tanto que nem poderia se dizer muito, eu queria ficar com ele. E eu sentia que aquilo era o começo de algo.
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