Notas iniciais
O terror vai começar em breve,aguarde

"Acorde." A voz dizia.

Denise se revirou na cama, estava tendo uma péssima noite. Meses atrás ela tinha visto o inferno e saído de lá, sem contar aqueles lances indecentes com o Cebola que ela queria esquecer e voltavam em sonho para ela.

Mas não dava.

O fantasma disse que alguém deveria se lembrar e guiar a turma para o caminho correto quando a serpente voltasse, mas estava demorando, a Serpente nunca voltou, mas talvez Denise preferisse ela à Carmen.

Quando o Fantasma mandou Carmen ir embora antes de entrarem no inferno aquele dia, ele já sabia que as pessoas esqueceriam da aventura. "Alguém tem que se lembrar" Esse alguém foi Denise, mas ele permitiu que ela esquecesse de tudo e foi como se nada de tivesse acontecido. Estavam felizes, tinha o Xavecão, outros planetas e a Torre Inversa, mas nada de inferno, Bianca ou Fantasma, ela nem lembrava que eles existiram, até Carmen aparecer semana passada perguntando sobre "O lance assustador do inferno", ninguém mais entendeu, mas um turbilhão de memórias inundou sua mente e ela só queria esquecer de novo.

"Acorda, querida."

— Fan... — Ela gaguejou, abrindo lentamente os olhos. — Fantasma?

— Que fantasma? Tá doida? — A voz era bem familiar, tão familiar quanto o cheiro.

— Cascão? — Ela exclamou. — Não dava pra tomar um banho antes de aparecer?

"Espera" Ela pensou. "O Cascão não fede mais."

Ele acendeu a luz.

— Eu tava com pressa criatura, preciso de você.

Essa era nova.

— Precisa de mim pra que criatura? Não é meio tarde pra você vir encher o saco não?

Cascão cruzou os braços.

— Foi mal, mas eu não tinha outra escolha. Preciso de você.

— A DOIDA QUE VOU LEVANTAR DO MEU SONINHO DE BELEZA AGORA!

Cascão olhou ao redor, alarmado.

— Tá querendo acordar a vizinhança inteira?

— Tanto faz. — Denise estava irritada. — Diz aí logo o que eu tenho que fazer para você ir embora.

Cascão se aproximou dela e olhou em seus olhos.

— Você tem que acordar. Acorda!

Denise não estava entendendo.

~*~_~*~

Na sala do hospital estavam Carmen, Sofia, Cebola e Cascão, esperando que Denise acordasse. Eles haviam encontrado-na inconsciente na frente da casa da Carmen, repetindo que precisava encontrar o DC.

É, o Do Contra tinha sumido, todo mundo sabia. Depois do baile do Masquet, a polícia foi contatada e fizeram buscas. Nenhum sinal dele.

— O que essa coisa tá fazendo aqui? — Pergunta Carmen, apontando para Sofia. — Ela tá ocupando metade da sala, ninguém merece.

— Do que você está falando? — A garota pergunta sem entender.

— Carmen, da um tempo! — Disse Cebola. — O que ela menos precisa agora é de briguinhas infantis.

Carmem cruzou os braços e sentou-se na cama onde Denise estava deitada.

— Você trocou uns beijinhos com ela e acha que sabe o que ela quer? — Ela riu.

— Como você sabe disso? — Cebola olhou para o Cascão de modo acusador.

— Eu não tenho nada com isso. — Cascão levantou os braços.

— Tem algum bicho morto aqui? — todos apertaram os narizes, de modo a não sentir o cheiro.

— Qual é? Não deu tempo de passar desodorante, eu tava fazendo parkour quando a Carmen gritou.

— Tá, agora abaixa o blaço, ninguém melece — Quero dizer, merece!

— Você vai matar a Denise sufocada, sai da sala!

— Quem você pensa que é pra me expulsar? — Cascão tentou manter-se com uma expressão assustadora, mas desistiu logo que olhou dentro de seus olhos azuis. Carmen era linda.

— A melhor amiga dela. — Carmen apontou para a porta. — Sai logo!

— Melhor amiga... — Era a voz de Sofia. — Eu sou a melhor amiga da Denise!

— Sonha querida. — Carmen riu. — Ela só anda com você para parecer mais magra e bonita.

— Isso não é verdade! — Sofia cerrou os punhos.

— Carmen, pega leve... — Cebola alertou, colocando a mão em seu ombro. — A sofia é meio sensível...

— Sensível? Faça me rir Cebola, essa garota é mais bruta que a Mônica.

— CALA A BOCA! — Sofia socou a parede, fazendo o quarto tremer. — Eu vou quebrar você...

— E é mais forte que ela também. — Cebola sorriu envergonhado.

Carmen pulou para trás dele, usando como escudo humano.

— Faz alguma coisa útil e me protege!

Cebola olhou assustado para o punho cerrado de Sofia, esperando a dor excruciante e inevitável...

— Que barraco é esse aqui? — A voz veio da cama de Denise. — Tá achando que Denise é bagunça é?

— Denise! — Exclamaram Carmen e Sofia ao mesmo tempo.

— Em pouca carne, osso e glamour. O que tá acontecendo aqui?

— Você tava desmaiada, aí eu te trouxe pra cá... — Disse Cascão.

— Cadê o Rausí? — Ela perguntou — Eu gosto do Stravus, mas se é pra cuidar dee mim eu quero o melhor.

— Não tem Rousi hoje... — Disse Cebola. — Nem Stravos na verdade.

— Mas então...

— Denise, quem é sua melhor amiga? — Perguntou Sofia. — Essa lambisgóia lora tá se achando demais...

— Como se atreve? Você tá querendo roubar minha melhor amiga e eu que sou lambisgoia?

— Calma galera... — Cebola estava cheio de tanta briguinha. — Ninguém merece tanto mimimi.

— Ele tem razão. — Denise entrou na conversa. — E além disso, nenhuma de vocês é minha melhor amiga.

— O que? — Disseram as duas em uníssono.

— O que? — Disseram Cebola e Cascão em uníssono.

— Claro que não. Meu único e melhor amigo é...

O suspense reinou por alguns segundos.

— O Casca-boy! — Denise agarrou o pescoço dele e o puxou para um abraço apertado.

— Você me trocou pelo Cascão? — A expressão de Carmen era de terror.

— Ele é o meu melhor amigo. — Cebola puxou o braço dele. — Devolve devolve devolve...

— Alguém chama o Rousi... — murmurou Cascão, sem ar.

~*~_~*~

Depois de salvarem o Cascão da morte por sufocamento, decidiram pular a janela antes de Denise receber alta. Lá fora, contaram o que tinha acontecido com Denise.

"Preciso salvar o Dc..."

As palavras ecoaram na cabeça dela. Isso não era possível porque o Dc estava morto e ela sabia.

— Como assim o Dc está morto? — Aquilo não entrava na cabeça dos meninos.

— Eles não sabem? — Perguntou Carmen. — Teve uma festa incrível no enterro...

— Dc é um fantasma? — Perguntou Sofia. — Eu odeio fantasmas.

— Festa no enterro? — Cebola colocou a mão no queixo de modo a pensar. — É bem a cara dele, mas eu me lembraria...

— Alguém tem que lembrar... — Denise murmurou. — Casca-boy, eu preciso de você!

— Dá pra parar de me chamar assim? E se for pra plano infalível já tô fora.

— Tá fora o caralho! — Ela exclamou. — Lembra quando a gente brincou de imaginação quando éramos crianças (Cascão 72)

— Você brincava com ele quando era criança? — Carmen não estava entendendo. — Quem é você e o que fez com a Denise?

— Depois, Carmen. Então melhor amigo - Ela pronunciou o termo devagar, provocando os outros três. — Se lembra?

— Na verdade não. Eu não brincava com você naquela época, você era insuportável...

Denise soltou os cabelos.

— E agora?

Cascão olhou abobado para ela, Denise parecia uma super modelo de cabelos soltos, ou melhor... Uma super espiã.

— Paullete? — Ele exclamou. — Agora eu lembro.

"Me beija" ele pensou.

Denise voltou a amarrar os cabelos.

— Então, faz aquilo de novo.

— Você quer brincar de espião de novo? Tá doida mulher?

Ela revirou os olhos.

— Vou ter que explicar tudo para vocês mesmo? É o seguinte: A alma do Dc tá solta por aí e com aquele poder eu posso encontrá-la.

— Poder...

— É, bando de idiota, poder. — Ela estava se irritando. — Esse mundo é apenas um véu dentre tantos outros, o Casca-boy fez algum bagulho mágico aquele dia e a gente foi parar em outro véu, preciso que ele faça de novo.

— Acho que a gente devia levar ela pra um sanatório... — Sugeriu Carmen.

— Acho que eu concordo — Disse Cebola.

Denise revirou os olhos.

— Se lembra como faz, Cascão?

— Não... — Ele disse. — A gente só sentou no tapete e...

De repente, tudo começou a tremer, os cinco caíram no chão.

— Mas o que...

O cenário começou a mudar.

— É disso que eu estava falando! — Exclamou Denise. — Valeu migo! — Ela beijou o rosto de Cascão.

— Mas eu não fiz nada...

— Não! — A voz era grossa demais, assustadora, ecoava no ar e era alta, até demais. — Eu fiz!

Carmen soltou um grito agudo enquanto apontava para o monstro, seguida por Cebola e então Sofia a acompanhou.

Denise virou o olhar e o viu.

Uma cabeça enorme, uma fileira de dentes formando um sorriso, olhoa totalmente brancos, cor verde...

— Denise, eu preciso de você. — Disse o crocodilo, arrepiando os pelos da nuca de todos. — ACORDA!