Um Novo Caminho
24 Ritos de Passagem
Notas iniciais
Draco não estava lá muito contente com Harry, todo o assunto envolvendo Granger tinha sido um problema naquele ano, os dois passaram muito tempo brigados porque Draco não gostava da garota, por isso, o loiro estranhou quando Harry entrou em seu quarto na mansão e se arrastou até ficar deitado a seu lado na cama.
– O que está fazendo aqui? Não tem que escrever uma carta para a Espantalho Granger?
A resposta de Harry foi dar-lhe um soquinho no ombro.
– Bruto! – Draco reclamou.
– Molenga. – Harry retrucou. – Hermione não parece um espantalho, já escrevi pra ela hoje, e vim ver como você está… Narcissa parecia furiosa quando esteve aqui.
– Ela estava, mamãe pode ser mais assustadora que Walburga Black quando se propõe… vai me dizer que ela não te deu uma bronca também?
– Ah sim, ela deixou bem claro como me acha idiota e entendi perfeitamente que não é aceitável colocar seu único filho em risco de morte. – Harry disse, fazendo uma careta. – Será que eles não entendem que não saímos pela escola procurando nos enfrentar com Voldemort? É o desgraçado que nos persegue.
– Se vamos ser rigorosos, ele persegue somente e a você, nós nos metemos porque alguém tem que impedir o desgraçado de conseguir partir a sua cabeça, não posso lidar com outra cicatriz na sua cara… uma é charme, duas já é demais.
Dessa vez o loiro conseguiu uma cotovelada nas costelas.
– Auch! Papai! Harry está me agredindo! – Draco gritou a plenos pulmões.
– Ah Merlin, não seja dramático. – O moreno pediu, tapando a boca do loiro para impedi-lo de gritar de novo.
O que se seguiu foi uma amistosa briga entre os dois, que terminaram rolando para o chão e trocando golpes, com Draco gritando a cada oportunidade, isso é, até que a porta se abriu e um muito irritado Remus Lupin estava lá, de calça de pijama e braços cruzado em seu peito amplo.
– Ah… Draco estava sendo escandaloso. – Harry disse.
– Harry veio até o meu quarto para me dar cotoveladas. – Draco se defendeu, de sua posição desvantajosa, embaixo do moreno.
– Sabem que quando se comportam como filhotinhos recém desmamados tenho vontade de mandá-los para passar uns dias com Fenrir? Ele sabe como lidar com filhotes hiperativos e desobedientes. – Remus disse, com ar de provocação.
– Ah, papai não ia deixar, ele não gosta dos métodos arcaicos e violentos do seu alfa. – Draco disse, se sentindo seguro.
– Geralmente sim, mas ele está irritado já que a gritaria dos dois atrapalhou nossa própria diversão. – O lobisomem disse, sugestivo.
Remus riu quando os dois fizeram caretas de desgosto e disseram juntos:
– Que nojo!
X~x~X
Ron olhou para o frasco que seu irmão mais velho lhe estendia.
– Por favor, faça isso por mim. – Percy pediu, nervoso.
– Percy, geralmente faço qualquer coisa que você me pede… – O ruivo mais velho fez cara de descrença e ia citar todos os banhos que Ron se recusou a tomar, mas seu caçula foi mais rápido. – Banhos quando eu tinha três anos não contam, e até um leãozinho como você vai concordar que é estranho que me peça pra beber uma poção desconhecida.
– Por favor… prometo que vou te explicar mais tarde, mas tem que fazer isso agora.
Ron franziu o cenho, desconfiado.
– Isso vai acabar com as dores que venho sentindo?
– Vai ajudar. – Percy disse, resoluto.
Ron pegou o frasco e cheirou, fazendo uma careta.
– Qualquer dia vou dizer ao Draco que me faça poções gostosas. Ele adora brincar com esse tipo de coisa.
– Se remédios fossem bons, não seriam remédios. – Percy disse.
– Oh, agora está falando como a mamãe. – Ron disse, sorrindo. – E nem me deixou contar pra ela sobre minhas dores, sabe que ela teria me feito um monte de biscoitos.
– Ela anda muito atarefada costurando pra gente e mantendo a casa em ordem, não seja criança. – Percy disse, escondendo perfeitamente seus reais motivos.
– Ok, mas ainda vou passar o dia na cama e espero que você me traga algo gostoso quando voltar do trabalho, de preferência um doce. – Ron resmungou após engolir a poção.
– Sim, faça isso. E durma. – Percy disse, depois de ajeitar os cabelos do caçula. – A noite vamos conversar.
Percy saiu do quarto do irmão e encontrou a mãe realmente trabalhando, Molly estava ocupada cozinhando.
– Estou fazendo tortas para Charlie, seu pai vai vê-lo hoje, conseguiu um desconto para uma viagem flú internacional. – Ela disse. – Infelizmente só ele vai poder ir.
– Entendo… vou para o Ministério, Ron está dormindo, ele tem um resfriado, mas já dei a poção que ele precisa.
– Oh, muito obrgada.
– E ele vai ficar resmungão, mas não dê atenção, não é nada grave, ele nem tem febre.
– Oh, deve ser alergia, muito pólen no ar ultimamente.
– Isso mesmo, nada grave. Até mais tarde. – Percy disse à mãe.
– Bom trabalho, filho. – Ela disse olhando-o orgulhosa.
Percy aparatou no Ministério, ele tinha tempo para arrumar a agenda e os papéis do Ministro, já que Fudge estava numa viagem diplomática e sigilosa, os líderes bruxos estavam decidindo sobre o retorno do Torneio Tribruxo no ano seguinte, Percy não tinha sido solicitado para a viagem já que ainda era muito novo no Ministério. Após algumas horas catalogando cartas e revisando documentos, o ruivo viu que já era hora do almoço, era hora de falar com certa pessoa. Todos no Ministério pensavam que ele estava indo para casa almoçar, e sua mãe pensava que ele ia almoçar no Ministério para ter mais tempo de arrumar as coisas para o Ministro, desse modo era perfeito, ele podia escapar e só aparecer no local de seu encontro.
– Bem-vindo, sr. Weasley. – A voz sedosa chegou até ele.
– Olá sr. Malfoy, obrigado por me receber.
– Oh, é meu prazer, mas se meu companheiro entrar e tentar te matar não me culpe. Estamos tendo um encontro altamente suspeito… pretende me seduzir? – Lucius perguntou com toda a seriedade.
Percy corou até seu rosto combinar com o tom de seu cabelo.
– O quê?! Não!
– Ah, que pena, faz algum tempo desde que fui convidado para um quarto de hotel barato e com má fama, é o local perfeito para amantes clandestinos. – Lucius tornou a dizer, muito divertido por dentro pelo embaraço do menino.
– Sr. Malfoy, por acaso está tentando me envergonhar?
– O que te faz pensar tal coisa tão horrível? – Lucius perguntou.
– Porque tenho um irmão caçula que é Slytherin e adora fazer esse tipo de coisa.
– Sim, quem diria que um Weasley seria tão boa serpente? Ronald é uma preciosidade.
– Sim, ele é. – Percy concordou, com um sorriso, que logo morreu em seu rosto, que passou a exibir uma expressão de preocupação. – Vim pedir ajuda em um assunto sobre ele.
– Isso parece sério, sente-se e me conte.
– Eu não sei como começar. – O ruivo disse, e Lucius ficou preocupado ao ver o sempre composto e controlado Percy com um brilho de lágrimas nos olhos.
– Com calma, qual é o problema?
– Minha mãe… é tão embaraçoso. – O menino parecia mortificado, e Lucius deixou-o respirar para se acalmar. – Ela não é má, ela só não compreende… e ela nos ama, ela realmente ama.
– Eu sei. – Lucius disse, apesar de ter objeções.
– Você sabia que do mesmo jeito que há mais de sete gerações não nascia uma menina na família Weasley até a Ginny, também não nascia um portador?
– Sim, eu sabia. Fato interessante já que são puro sangue de uma linha antiga.
– Eu sou um portador… eu era. – Percy disse, com voz embargada.
Lucius praguejou mentalmente, ela não teria feito nada tão horrendo, teria?
– Ela descobriu na hora em que comecei a sentir as dores da mudança, ela viu a marca… eu tinha treze, eu não entendia bem o que estava acontecendo, ninguém fala sobre isso na escola e na minha casa muito menos. Ela ficou tão brava, ela disse que não era minha culpa, mas que ia me curar. – Percy disse, com o olhar perdido. – Ela me deu uma poção aquele verão, foi… foi… horrível. Eu senti como se queimasse por dentro, foi uma dor excruciante, ela me disse que depois disso eu ia ser normal. Acho que ela só… ela me deu algo que matou meu sistema reprodutor.
Lucius entendia perfeitamente a dor crua que via nos olhos do rapaz. Ele tinha essa mesma expressão quando soube que não poderia carregar um filho como resultado das sessões de tortura com o Lorde, mas era totalmente diferente, ele era um adulto na época, um adulto tolo, mas um adulto. E o rapaz a sua frente tinha sido uma criança assustada que foi ferida por alguém que devia protegê-lo.
– Eu sinto muito. – Era a única coisa que ele podia dizer.
– Obrigada, mas já faz muito tempo. – Percy disse. – Mas ontem Ron acordou com as mesmas dores… pode acreditar? Uma menina e dois portadores na mesma geração.
– É boa sorte. – Lucius disse, realmente se esforçando para não começar a amaldiçoar a maldita mulher logo agora.
– Para Ginny é. – Percy disse, amargo. – Eu preciso proteger meu irmãozinho, eu só entendi o que ela tinha feito quando minha amiga Penélope me disse toda contente que seu irmão tinha manifestado o dom, ela estava orgulhosa, a família tinha comemorado e feito uma festa.
Lucius podia imaginar como devia ter sido isso para o rapaz. Já era ruim o bastante ter uma mãe que não explicou nada e que o machucou, mas descobrir depois que a maior parte das famílias se alegra de descobrir os portadores deve ter doído ainda mais.
– Geralmente as famílias ficam extremamente alegres, era considerado uma prova do poder mágico, ainda que haja casos de nascidos trouxas se tornando portadores, é mais comum entre os bruxos de sangue-puro.
– Eu não sabia. – Percy disse, cabisbaixo.
– O que deseja que eu faça? – Lucius perguntou.
– Pode receber o Ron enquanto ele passa por essa fase? Eu dei uma poção que vai acalmar as cólicas, mas não sei os rituais, Penélope disse que uma amiga da mãe fez isso, já que a mãe é trouxa… é importante?
– É tradicional, as mulheres fazem rituais com as meninas quando elas atingem a maturidade, eu diria que é importante sim. Eu posso fazer isso. – Lucius disse. – Narcissa também pode ajudar, ela gosta do seu irmão.
– E temos que esconder da mamãe, ela não pode descobrir. Ela o faria tomar aquela poção e…
– Claro que não vamos dizer nada a sua mãe. – Lucius disse, deixando levar pelo impulso e acariciando o cabelo do menino.
– Você promete? – Percy perguntou, como um leão crédulo faria, Lucius pensou.
– Tem a minha palavra de honra, não vou falar nada sobre isso com a sua mãe. – Ele pretendia contar a Arthur, ele não gostava do Weasley, mas o homem era dolorosamente correto e adorava os filhos. Lucius não queria estar na pele de Molly quando o homem descobrisse sobre seu filhinho, seu orgulho mais querido, sendo castrado dolorosamente.
X~x~X
Ron acordou de mais um cochilo com algo incomodando seu sono. Ele tentou estapear o mosquito, mas logo desistiu e abriu os olhos para matar a coisa que se atrevia a atrapalhar seu sono, só para dar de cara com Percy, que sorria para ele e tinha cutucado seu nariz.
– Me trouxe algo apetitoso? – O ruivo perguntou com manha. – Me acordou para me dar algo gostoso, certo?
– Eu sou apetitoso, mas não diga isso perto do pai Remus, ele ficaria furioso. – Draco disse, saindo de trás do Weasley mais velho.
– O que você está fazendo aqui? Mamãe vai ficar doida. – Ron disse, ao mesmo tempo em que erguia os braços para ser abraçado pelo amigo.
– Ela foi até o Ministério encontrar com papai, ele vai visitar o Charlie. – Percy disse. – E quando fui me despedir pedi que ele deixasse você ficar com seu amigo enquanto ele está fora.
– Oh, você é o melhor irmão do mundo! – Ron disse, sorrindo.
– Eu sou, de fato. Se apresse, mamãe vai estar de volta logo e você tem que ir para a casa do seu amigo.
– Claro! – Ron disse, feliz, mas fez uma careta quando se levantou. – Ainda doí.
– Beba outra dose da poção antes de sair, hum… o sr. Malfoy sabe que você está assim, ele vai te ajudar.
– Ah? Mas Percy, você devia cuidar de mim se eu estou doente. – Ron disse.
– Eu estou cuidando da sua saúde. Confie em mim e faça o que eu pedi, por favor.
– Ah, hoje você está todo misterioso. – Ron resmungou.
– Sim, eu sei, me desculpe. – Percy disse.
– Preciso me trocar. – Ron respondeu, com um suspiro sofredor. – Mas doí quando me movo.
– Não precisa se trocar, papai disse que vai ativar a lareira do meu quarto, você vai direto para minha cama. – Draco disse, com um sorriso provocativo.
– Percy, por acaso fez um acordo sórdido com Draco? Pretende me vender pra eu ser o brinquedinho dele para sempre? – Ron brincou.
– Oh, não seja tolo, por que eu pagaria por algo que você faria de bom grado? – Draco brincou, beijando o rosto do amigo. – Você sabe que sempre foi meu.
Percy sentiu ciúme e uma vontade insana de afastar o loiro de seu irmãozinho, e logo riu de si mesmo. Ele nunca pensou que seria do tipo de irmão mais velho que era superprotetor e que ameaçava os pretendentes dos caçulas, esse era o papel de Bill e Charlie, os dois eram bastante intimidantes e se estivessem ali já teriam enxotado Draco escada abaixo. Pobre Ginny, ela sim iria sofrer com seis irmãos mais velhos.
– Espero que controle seus hormônios sr. Malfoy, não gostaria de dizer ao meu irmão rompedor de maldições, ou ao domador de dragões, que há uma serpente mal intencionada rondando nosso irmão caçula. – Percy disse, com falsa doçura.
Draco fez uma careta.
– Hum… leões não deveriam ameaçar pobres rapazes mais novos e indefesos.
– Percy aprendeu algumas coisas comigo. – Ron disse, se levantando e fazendo uma careta. – Oh Merlin, vou morrer nas escadas.
Percy se apiedou do irmão, e sorria divertido quando o pegou no colo.
– Percy! Me coloque no chão.
– Não era você que estava choramingando sobre as escadas? – Percy perguntou, rindo do rosto vermelho do irmão.
– Devia agradecer por ter um irmão que pode te carregar, Harry é tão preguiçoso que não faria isso por mim nem se eu estivesse nas últimas.
Ron riu.
– Se ele fizesse, você o escravizaria para o resto da vida.
– Não, você é o meu projeto pessoal. Estou esperando que fique alto, forte e musculoso, ai vou começar a me divertir. Um escravo perfeitamente saúdavel e obediente. – Draco disse, com um sorriso malicioso.
– Percy! – Ron disse, choramingando. – Draco está me provocando.
– Controle-se menino Malfoy ou vou mudar de ideia e deixá-lo no quarto do Harry, Rom não está bem. – O Weasley mais velho disse, fingindo seriedade.
Draco cruzou os braços fazendo beicinho.
– Eu quero um irmão mais velho pra mim também! – Disse o loiro, batendo o pé na escada.
– Ele é sempre assim? – Percy perguntou ao irmão.
– Pior.
X~x~X
– Não Narcissa! – Lucius disse pela centésima vez.
– Mas ninguém vai saber, vou ser discreta. – A loira disse, com voz de criança.
– Eu odeio concordar com a harpia, mas seria uma solução adequada. – Severus disse.
Lucius revirou os olhos.
– Claro que os dois iriam se unir contra mim, tão típico. A resposta ainda é não, não podem sequestrar Molly Weasley e tortura-la até a morte.
– Por quê?! – Severus e Narcissa perguntaram ao mesmo tempo.
– Uma ajudinha pai? – Lucius perguntou ao quadro.
– Oh, não me meta nisso. Eu sei um par de maldições para essa doente filha de um troll.
O loiro passou a mão pelos cabelos frustrado e olhou para Severus e Narcissa.
– Os dois meninos gostam da mãe, eles a amam. Por mais monstruosa que aquela mulher seja, ela é a mãe deles, e eles vão se culpar pela morte da mulher, não creio que querem traumatizar ainda mais o pobre Weasley inteligente, querem?
Narcissa fez beicinho, gesto que Draco tinha herdado.
– Mas vai dizer ao palerma do Arthur, certo? – A mulher perguntou.
– Sim, assim que ele voltar de viagem, perdi o imbecil por alguns minutos hoje. – Lucius disse de mau humor.
– E devemos esperar que aquele pau mandado faça algo a respeito? Eu certamente saberia se algo assim acontecesse com meu filho. – Severus desdenhou.
– Não subestime a capacidade de um Weasley para defender a família, Severus, mesmo contra alguém de seu sangue. Creio que é uma boa solução, aquele leão tolo deve dar um jeito… e o pobre rapaz vai ter algum apoio. – Abraxas disse de seu quadro.
– Exato, então por favor, parem com os planos homicidas. – Lucius pediu. – Podemos nos focar em cuidar do Ron?
– Sim! – Narcissa bateu palmas. – Eu trouxe os óleos e os sais, Ronald vai ter os melhores suprimentos da casa Black.
– Então vai participar dos rituais? – Lucius perguntou.
– Não, deixo isso para os dois portadores aqui presentes, prefiro fazer quando for a vez do Draco, isso é, se ele se manifestar. Além disso, acho que o pobre rapaz ficaria muito embaraçado se eu participasse. – Ela disse sorrindo. – Pobrezinho… vai ficar da cor dos próprios cabelos.
Lucius e Severus riram, eles também tinham passado por isso e podia ser realmente vexatório.
– Pelo menos ele vai ser examinado por mim e não por um medimago desconhecido. – Severus disse, olhando feio para o quadro de Abraxas.
– Ah, pelo amor de Merlin, o que queria que eu fizesse? Eu não era um medimago nem um pocionista com treinamento para esse tipo de coisa. – O velho resmungou.
– Ainda não te redime. – Severus disse, fazendo cara feia.
Narcissa fez uma cara de tédio e Lucius riu, Severus era birrento como uma criança e seu pai mesmo em forma de quadro não podia deixar de mimá-lo.
– Ah, vamos lá, os rapazes já devem estar chegando.
X~x~X
Quando Percy saiu da lareira no quarto de Draco, deixou Ron na cama do amigo.
– Pronto.
– Obrigado, Percy. – O ruivo disse, se encolhendo debaixo das cobertas de Draco com uma careta. – Sério, se eu morrer em breve espero que vocês fiquem tristes para sempre, nada de se recuperarem e seguirem com as suas vidas.
– Não seja dramático, o que acontece com você é muito comum e vai passar logo. – Percy disse.
– Como você sabe? Posso estar morrendo de algo raro e você não me deu nada gostoso pra comer ainda. Algo doce, com muito creme. – Ron instruiu.
– Você comeu todas as trufas que a mãe do Draco te mandou de presente, se comer mais doces realmente vai passar mal. – Percy disse, com ar de severidade. – Não pense que não vi as embalagens embaixo da sua cama.
– Draco… Percy está sendo malvado comigo. – Ron choramingou para o amigo.
– Ah, agora quer minha ajuda, não é? – O loiro bufou.
– Não se preocupe, são os hormônios. Nessa fase ele vai querer acumular calorias para as mudanças e claro, vai ficar todo manhoso, é sempre assim. – Lucius disse, entrando na sala.
– Eu não fiquei manhoso coisa nenhuma. – Severus disse, seriamente.
– Oh, não. Você ficou insuportável, tudo te irritava e te ofendia, um horror. – Lucius disse.
Draco deu risada, Percy sorriu discretamente e Ron parecia confuso.
– Ah, estou perdido aqui. – O ruivo disse.
– Draco, deixe seu amigo conosco. – Lucius pediu ao filho.
– Não posso mesmo ficar? – Draco perguntou, fazendo olhinhos pidões. – Vou ficar quietinho.
– Os rituais são para os iniciados, vai chegar sua vez eventualmente, não seja apressado. – Lucius disse, com voz séria.
– Iniciados? Vamos fazer alguma magia legal? – Ron perguntou animado.
– Sim, podemos dizer que sim, jovem sr. Weasley. – Severus disse com seu tom professoral. – E eu esperava que já soubesse do que se trata, o que andou fazendo esse tempo todo na minha casa que ainda não sabe desse tipo de tradição?
O menino fungou, parecendo magoado, o que fez Lucius lançar um olhar ferino para o pocionista.
– Não seja chato Severus, você também não sabia nada disso na sua época. Agora Percy… por que não explica certas coisas ao seu irmão?
Percy engoliu em seco, ele esperava que Lucius fizesse isso.
X~x~X
Harry e Remus estavam na sala de treinamento da mansão. O lobisomem ria enquanto desviava dos golpes do filhote, que por sua vez bufava de desgosto.
– Isso não é justo! Você é muito rápido. – Harry resmungou, depois de errar outro soco.
– A vida não é justa, filhote. E nunca, nunca se distraia enquanto luta. – Remus disse, derrubando o rapaz no chão acolchoado.
– Papai, preciso bater em alguém, pode ser no Harry? – Draco perguntou, aparecendo de repente.
– Claro, talvez ele aprenda algo de controle e concentração.
– Ei! – Harry protestou, mas sua tentativa de parecer ameaçador era cortada pelo fato de Remus o estar segurando para baixo e bagunçando ainda mais seu cabelo.
– Vamos lá, os dois podem treinar. Vá se alongar, Draco.
– Pensei que ia ficar com Ron, ele não vem passar uns dias? – Harry perguntou, tentando se livrar dos braços do pai.
– Sim, mas ele veio para fazer os rituais de passagem, ele é portador. Papai não me deixou participar.
– Claro que não, você não é iniciado ainda. – Harry disse. – Ron deve estar feliz, é sinal de muito poder ser um portador, e isso quer dizer que ele pode carregar seus filhos, assim você não vai precisar ficar gordo… só não o engravide enquanto estiverem na escola.
Remus chiou e Harry finalmente se livrou do pai, usando as pernas para imobilizar o lobisomem.
– Não acredito que caiu nessa, papai. – Harry disse, sorrindo, soltando o pai.
– Filhotinho impertinente… os dois são muito novos para pensar nesse tipo de coisa. – Remus disse de cara feia, se sentando ao lado do filho moreno.
– Não somos iniciados ainda, mas já crescemos lobo mal humorado. – Draco disse.
– Você não é iniciado, só meninas e magos portadores tem rituais legais. Pobres rapazes normais como eu não tem nada emocionante com a entrada da puberdade, além de espinhas e mudanças de voz, é claro. – Harry disse.
– Bem, os sangue-puros levavam filhos a bordéis de luxo, mas acho que se papai e tio Sirius fizerem isso com você vão ter muitos problemas com os maridos. – Draco brincou.
Remus tampou o rosto com as mãos, onde ele estava que não viu seus meninos crescerem assim tão rápido?
– Então… Ron é seu namorado? – Remus perguntou, fazendo força para não rosnar.
– O quê?! Claro que não, ele é meu melhor amigo. – Draco disse. – Só gosto de provocá-lo.
– Sim, esses dois são tão lentos que só vão se beijar depois de terminar a escola. – Harry disse, brincando.
– Nem todo mundo tem o mau gosto de beijar alguém com cabelo de espanador. – Draco acusou Harry, ele ainda estava fulo da vida sobre isso, não tinha acreditado quando descobriu que o moreno tinha beijado Granger no armário de vassouras.
– Quem você beijou?! – Remus perguntou, olhando assustado para Harry.
– Draco, eu juro que você é o único membro da casa de Salazar que não tem freio na língua. – Harry disse com desespero.
– Não quando eu não quero… sabe papai, Harry está muito perto de Granger, devia ensiná-lo como usar aquelas coisinhas trouxas, acho que se chamam preservadores.
– São preservativos, seu tonto. – Harry disse, de cara feia.
– Oh, Merlin. – Remus disse, se deitando no chão e desejando ter os dois bebês fofos de volta, quem tinha dado permissão para os dois crescerem, afinal de contas?
X~x~X
– E então? – Ron perguntou a Percy, que parecia perdido.
Lucius tinha se sentado ao lado de Ron na cama, Severus tinha preferido a poltrona e Percy era o único que permanecia de pé, parecendo muito tenso.
– Isso é um pouco difícil, sabe?
– Você nunca tem dificuldade para explicar nada, é a versão masculina da Hermione. – Ron disse com um misto de orgulho e aborrecimento.
Percy sorriu.
– Está com inveja porque eu sim posso estudar de verdade sem ter alguém puxando minhas orelhas.
– Então, mostre algo de seus talentos e fale com o rapaz pelo amor de Merlin, é sua obrigação como irmão mais velho. – Severus disse. – E não pense que não posso puxar suas orelhas também, Percival.
Ron riu quando Percy olhou feio para o pocionista, o ruivo mais velho suspirou.
– O fato é que você é um portador, começou a passar pelas mudanças e é por isso que está com cólicas, é o ajuste que seu corpo faz para poder carregar um bebê… uma coisa que poderá fazer num futuro muito distante, daqui a 40 ou 50 anos pelo menos. – Percy resmungou no final.
– Agora você está falando besteira, os Weasley não tem portadores há muitas gerações e…
– Não tínhamos meninas também, mas Ginny nasceu, não é?
Ron arregalou os olhos e ia começar a choramingar, mas Severus olhou-o ferinamente.
– Não se atreva a se comportar como um texugo de primeiro ano.
O menino engoliu os choramingos, mas olhou para o irmão, que foi abraçá-lo.
– Eu sei que é assustador, mas não tem nada de errado acontecendo. Isso é natural para você, a dor é só durante a fase de ajuste.
– Quanto tempo isso dura? – Ron perguntou curioso.
– Ah… eu não sei. – Percy disse, desviando o olhar do irmão. Sua mãe tinha lhe dado a poção nessa fase e ele não tinha como saber como era o processo completo.
– Bem, isso varia de caso para caso Ronald. – Severus disse. – Casa mago entra na puberdade mágica em seu próprio tempo, você tem treze anos e já se manifestou, Draco ainda não. A manifestação dos portadores ocorre geralmente entre os onze e os quinze, mas há casos de manifestação tardia documentados.
Ron parecia muito interessado e Severus sorriu.
– Uma vez que começa, a fase do ajuste pode durar de duas semanas a um mês. Nesse tempo o portador vai sentir cólicas e desconforto, além de passar por uma grande maturação mágica. O período de ajuste nada mais é do que a magia alterando seu sistema reprodutor, tornando-o capaz de carregar um feto.
– Legal. – Ron disse, encantado.
– Alguns portadores tem alterações tão fortes que deixam de produzir espermatozoides, sua parte masculina fica estéril e eles só podem conceber se forem carregar uma criança.
– Isso vai acontecer comigo?
– Só vamos saber depois do ajuste, não adianta se preocupar agora.
– Eu senti dores… lá embaixo, isso é normal? – Ron perguntou, corando até a raiz dos cabelos.
– Preciso te examinar. – Severus disse. – Seu irmão e Lucius vão preparar a primeira parte do ritual pra você.
Os olhos de Ron ficaram enormes, como de um animal acuado.
– Não precisa ficar assustado, Severus está esquecendo de dizer é que a família tem por obrigação te mimar até o cansaço na fase do ajuste, e fazemos alguns rituais muito interessantes também. – Lucius disse, sorrindo. – Vamos começar com um banho que vai relaxar seus músculos, ajuda com as dores. Narcissa mandou um kit feito especialmente para você.
– Vou me lembrar de agradecer depois. – Ron disse. – Percy, você não pode ficar?
– Eu vou estar logo ali, e o professor não vai te machucar. É um exame pessoal, vai ficar mais fácil se eu não estiver.
– Ok. – O rapaz disse, duvidoso, mas não argumentou mais.
Severus esperou até que os outros tivessem saído para ir até o rapaz na cama.
– Tem mais perguntas?
– Sim… todos sempre diziam que Draco era um portador, mas nunca ninguém falou nada pra mim. Não dá pra saber quando os bebês nascem?
– Ah, isso é pura dedução mágica. As mães, principalmente as puro-sangue que passaram pelo rito de iniciação quando se tornaram mulheres afirmam que sabem se o filho é portador ou não. Narcissa diz que Draco é desde que ele estava no útero… e bem, o Lorde também, são previsões, não como aquelas que aprendem em Adivinhação, mas algo ligado à magia instintiva. – Severus explicou.
– Entendo… minha mãe não sentiu porque ela não passou pelos rituais, certo? Ela diz que são coisas medievais que fazem com as meninas. – Ron comentou.
– Não me surpreende, essas tradições são mais arraigadas em famílias tradicionalistas. Os que nascem em famílias trouxas podem se manifestar, mas são aconselhados na escola e em St. Mungo… e as meninas, bem, no mundo trouxa a primeira menstruação não é exatamente festejada, creio eu. – Severus disse, pensativo. – Agora, sei que é constrangedor, mas preciso te examinar.
Ron corou.
– Preciso tirar meu pijama? – Ron perguntou.
– Não agora. – Severus disse, girando sua varinha e executando um feitiço de esterilização em suas mãos. – Prefiro fazer isso aqui do que no laboratório, a menos que…
– Não, aqui está bom… não quero ir para uma maca. – Ron disse, meio envergonhado.
– Está tudo bem, a maior parte dos portadores faz os exames em casa mesmo, as famílias também tendem a resguardá-los nesse momento, é uma transição delicada. – Severus disse.
– Mas nem minha mãe, nem meu pai estão aqui… algo ruim aconteceu com o Percy, certo? Ele nunca faz aquela cara quando está tudo bem.
– Nada que seja prioridade agora, que tal relaxar? Me diga se doer muito, vai sentir desconforto, mas se a dor for realmente ruim tem que me dizer. – Severus instruiu.
Ron assentiu, e tentou relaxar quando seu professor gentilmente colocou a mão em seu abdômen e começou a pressionar vários pontos. Sim, doía, mas o que o fez gemer foi quando a pressão aumentou em seu baixo ventre.
– Tão ruim?
– Pior. – O ruivo disse. – Raios, é disso que as meninas falam quando reclamam das cólicas?
– Não sei te dizer ao certo se é a mesma intensidade, mas é uma comparação justa. Acho que isso vai te ensinar a não rir quando uma das suas colegas reclamar, certo?
– Nunca mais… Merlin, e elas passam por isso todos os meses? – Ron constatou com cara de horror. – Pobrezinhas.
– Há paliativos, não se preocupe.
– Como a poção que Percy me deu?
– Que poção? – Severus perguntou.
– Não sei, foi ele que me deu para a dor. Tinha um gosto horrível.
– Ah, entendi. Espere um minuto.
Severus foi ao banheiro e voltou resmungando.
– O problema é que seu irmão cabeça de vento te deu uma poção para a dor, mas não a que deveria, a correta age para ajudar no ajuste. – Severus disse, indo até sua maleta e pegando outro frasco.
– Ele não sabia, não brigou com ele, certo?
– Não, não briguei com seu irmão, fique calmo. Agora, quando disse que estava com muita dor, era essa ou em outra parte?
O rosto de Ron ficou exatamente da cor de seu cabelo.
– Não… é nas minhas… hum… nos meus testículos senhor.
– Entendo, já imagina que preciso...
– Oh Merlin, Draco nunca vai me deixar esquecer disso.
– Caso ele fale sobre isso, o lembre de quem fez a cerimônia dele quando nasceu. – Severus disse, de bom humor. – Preciso que fique nu da cintura para baixo.
Ron obedeceu, ele sabia melhor que argumentar com Severus, mas isso não diminuiu sua vergonha. Quando o pocionista terminou o exame, tinha um vinco na testa.
– Estão inchadas… doem?
– Bastante, mas acho que é porque o efeito da poção está passando.
– Talvez eu tenha que chamar um medimago amigo meu. – Severus disse.
– Por quê? Qual é o problema? – Ron perguntou, assustado.
– Nenhum, mas isso ocorre geralmente quando o portador vai ficar com baixa contagem de esperma, é um sintoma, mas como eu te disse, não é uma ciência correta. Está tudo normal, estamos cuidando de você. E acredite, as dores vão melhorar com a primeira parte do ritual.
– Ok, confio em vocês.
– É bom mesmo, vou ter que passar as próximas te paparicando como um bebê.
Ron riu, ele não podia imaginar Severus paparicando ninguém.
X~x~X
Percy sorriu quando viu o quanto Ron estava relaxado. O rapaz tinha caído no sono após a primeira parte do ritual, na verdade, durante ela. A purificação ocorria no banho, os sais que Narcissa Black haviam mandado eram de ervas purificadoras, e com propriedades relaxantes. A mais de uma hora que Ron passou na água morna com os vapores especiais tinham ajudado o jovem a relaxar enormemente, ele tinha dito que já não sentia um nó se retorcendo em suas entranhas. Depois era uma parte mais íntima do ritual, Severus e Lucius disseram que era papel da mãe, mas como Molly nunca faria isso, coube a Percy. Ele usou os óleos para massagear os irmão, enquanto acariciava cuidadosamente o ventre do caçula, Percy recitava o mantra de proteção e fertilidade que os dois mais velhos o tinham feito decorar.
– Vamos Ron… não durma. – Percy pediu, cutucando o irmão.
– É sua culpa, isso é muito relaxante… e esse mantra é praticamente uma canção de ninar.
– Eu sei, mas agora que terminei, o Sr. Malfoy e o Professor Snape vão usar as runas. – Percy disse, fazendo os últimos movimentos circulares na barriga do irmão.
– São tatuagens de verdade?
– São marcas mágicas, o que é diferente. No final do ajuste você vai ter uma marca que vai te sinalizar como portador, é uma mancha que toma forma.
– Onde?
– Depende de cada um, pode ser em qualquer lugar. – Percy disse, voltando a ajustar a pequena toalha que protegia o pudor do irmão.
– Já terminaram? – Lucius perguntou, entrando no quarto com uma tigela de barro nas mãos.
– Agora mesmo.
– Severus está preparando a Artemísia. Agora Ron, vou desenhar na sua pele as runas de proteção e fertilidade, é uma benção para seu corpo, elas vão ajudar a canalizar sua magia para procriação quando sua hora chegar.
– O que não será logo, Percy, pode parar de fazer caretas. – Ron disse, rindo.
– Espere só pra ver o que Bill e Charlie vão fazer, dê-se por satisfeito se eu não tiver que dissuadi-los da ideia de uma dragão no nosso jardim.
Lucius riu e pegou sua varinha, colocou a ponta na tinta e se sentou ao lado de Ron.
– Vamos começar?
– Claro. – Ron disse, sua mão indo automaticamente para a de Percy. – É gelado.
– Desculpe por isso, agora, feche os olhos e repita comigo…
Percy assistiu como Lucius instruía Ron ao mesmo tempo em que desenhava quatro runas em seu baixo ventre, seu irmão repetia as palavras com o patriarca e as runas se tornaram brancas e brilhantes para logo ficarem negras novamente.
– Ai estão, marcas mágicas de proteção. – Lucius disse.
– Então, cheguei a tempo para a boa sorte. – Severus disse, entrando no quarto com bastões de Artemísia amarrados.
O pocionista entregou um para Lucius e outro para Percy. Ron olhou curioso como os três acendiam os bastões com suas varinhas e espalhavam a fumaça a seu redor, murmurando outro mantra que o deixava sonolento. Antes de dormir realmente, Ron pensou que rituais de passagem eram muito legais mesmo.
X~x~X
Percy parou diante da entrada da sala de jantar de Malfoy Manor esperando para se recuperar. Ver os rituais e os cuidados com Ron o fizeram pensar em sentimentos e dores que tinha enterrado bem fundo em seu coração. Ele também tinha o direito de ter tido aquilo tudo, diabos, ele merecia ser cuidado também. O rapaz só percebeu que estava chorando quando sentiu os dedos de Harry em seu rosto, o amigo do irmão o abraçou firmemente.
– Está tudo bem, Percy… já passou. – Harry disse, tentando soar como seus pais quando o consolavam.
Percy riu.
– Está certo, Harry. Já passou.
– Tem certeza? Não gosto que você chore, você é meio certinho, mas muito legal.
– Estou bem. – Percy disse. – É só a emoção de ver meu irmãozinho crescendo.
– Se é isso mesmo. – Harry disse. – Mas sempre posso dar um jeito se alguém fez alguma coisa.
– Não, não foi nada disso. Que tal me levar para o jantar? Cuidar do seu amigo me deixou faminto.
– Claro, se me dá a honra. – Harry disse, fazendo uma reverência.
Percy enganchou seu braço no de Harry e seguiu para sala de jantar.
Remus escondido nas sombras, sorriu.
– Ah, meu filhote é um bom rapaz.
– Os dois são… pobre Percy. – Lucius lamentou ao lado do companheiro.
– Ainda acho que devia me deixar ir até a Toca e conversar com Molly… não vou ser muito violento, juro.
– Alguma coisa está muito errada no mundo quando eu tenho que ser a pessoa responsável e racional nessa família. – O loiro resmungou.
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