Um Novo Caminho
10 Planos
Notas iniciais
Aproveitem.
Lucius sabia que estava atrasado, mas ele também estava considerando seriamente nunca mais aparecer no Ministério e ficar a maior parte do tempo na cama com seu novo lobisomem, que nesse momento se encontrava beijando seu pescoço.
- Você me deixou uma marca horrível com sua mordida. – O loiro reclamou.
Remus sorriu de encontro ao pescoço do amante, e localizou a dita mordida, que lambeu preguiçosamente, chupando a marca e provavelmente piorando a situação.
- Lupin, por acaso você sabe que eu sou muito bom em usar a cruciatus? – Lucius perguntou, com voz inocente.
- Sei que você pode usá-la, mas sua cunhada Bellatrix é a melhor depois do próprio Voldemort. – O lobisomem disse.
- Aquela demente não é mais da família, faça o favor de se lembrar. E por favor, pare de me deixar mais roxo.
Remus riu, mas parou de beliscar o local com os dentes.
- Você tem sorte, se eu fosse um lobisomem tradicional ou se vivêssemos num clã, esse mordisco seria uma mordida enorme e eu teria você andando de cabelos presos e sem camisa para mostrá-la corretamente. – Remus disse. – E todos morreriam de inveja por você ser meu… se eu me animasse o suficiente poderia te foder na sala comum, na frente de todos.
- Lobisomens e suas tradições exibicionistas. – Lucius brincou, mas com uma pontada de excitação.
- Que parecem não te desagradar de todo. – Remus disse, analisando o rosto do amante. – O que me leva a algumas questões práticas.
- Do tipo? – Lucius incitou-o a continuar.
- Eu te mordi porque você é meu companheiro, essa ainda não é uma mordida de acasalamento, só uma marcação.
- Eu já sabia. – Lucius disse, com um sorriso presunçoso.
- Sim, porque você é um gatinho manhoso e esperto. – Remus brincou, acariciando uma mecha dos macios cabelos de Lucius.
- Sabe que se chamar de gatinho fora desse quarto vou ser obrigado a usar uma faca trouxa para cortar suas bolas, certo? – Lucius perguntou, enquanto se espreguiçava para depois se acomodar confortavelmente nos braços do lobisomem novamente.
- Eu imaginei isso, o que me leva às questões práticas de que falei. Eu sou dominador, desde a minha adolescência eu fui, e isso está ligado a minha natureza de lobisomem, sou descendente de Fenrir, ser alfa está no meu sangue. Sei que você pode manejar muito bem um chicote e que parecia desfrutar imensamente disso, então, teremos um impasse aqui?
- Eu gosto de jogar com Fenrir porque é muito divertido vê-lo rilhar os dentes e obedecer, é mais ligado a uma satisfação slytherin de quebrar o inimigo do que com preferência por ser o dominador. E não se esqueça do feitiço de submissão, funciona para os dois lados, a magia me impulsiona a dominá-lo. E mesmo que eu segurasse o chicote, era ele quem me montava todas as vezes.
Remus rosnou de leve, ele e seu lobo interno não gostaram de ser lembrados disso.
- Ciúmes? – Lucius perguntou.
- Sempre. – Remus disse, com sinceridade. – Então, você poder ser dominante ou submisso.
- Sim, depende do parceiro. – Lucius parecia interessado nos rumos da conversa.
- E quais são suas preferências? Hoje tivemos algo intenso, mas não gosto de começar uma cena sem saber o que meu parceiro gosta ou não.
- Odeio mordaças, de qualquer tipo. Esse tipo de restrição está fora do jogo, sempre. – Lucius disse, decidido.
Remus assentiu, ele desconfiava que isso tinha a ver com o fato de que amordaçado Lucius não poderia usar alguns feitiços para se livrar de um parceiro exagerado que não obedecesse as regras.
- E sobre uma coleira bonita? – Remus perguntou, torcendo para uma resposta positiva.
- Eu não me importaria, mas pensei que você ia preferir meu pescoço livre, já que parece ter um fetiche com mordidas. – O loiro replicou, com um sorriso safado.
- Mordidas de acasalamento são dadas nos quadris, e mesmo assim, ainda sobram muitos lugares para eu apreciar com meus dentes. Além disso, venho fantasiando em te ver nu e deitado numa cama de peles macias. – Remus disse, sonhador.
- Como um pet. – Lucius disse, sorrindo.
- Exatamente, como um pet. – Remus disse, acariciando a linha da coluna do loiro. – Problemas com spanking?
- Nenhum, desde que você não planeje me deixar sem andar. – Lucius brincou.
- Isso não é engraçado Lucius, já vi dominantes fazerem coisas horríveis com os submissos. Se for demais pra você, só diga vermelho e pronto.
- Você prefere os sistema de cores ao invés de usar uma palavra segura?
- Nossa relação é muito recente para a palavra segura, prefiro experimentar e descobrir o que te faz sentir bem. – Remus disse.
- Isso faz parecer que você está planejando coisas pervertidas pra fazer comigo. – Lucius disse, num tom falsamente surpreso.
- Você é mesmo um gatinho muito, muito esperto. – Remus disse, com um sorriso enorme.
Lucius também sorriu e se inclinou para beijá-lo, Remus permitiu o contato, mas ainda não tinha terminado sua conversa.
- Os Malfoy tem um sangue muito puro, certo?
- Sim, problemas com isso?
- O significado do nome é má fé… é verdade que vocês descendem de um romance entre Loki e um bruxo escandinavo?
- Quem sabe? – Lucius deu de ombros. – Há indícios disso, mas pode ter sido meus ancestrais tentando parecer muito importante. E claro, se disser que admiti isso vou negar veementemente. Qual o ponto nisso?
- Curiosidade, a lenda diz também que os descendentes de Loki herdaram a habilidade dele para a metamorfose e para carregar crianças. É uma das explicações que dão para a fertilidade masculina. – Remus disse, acariciando distraidamente um mamilo saliente de Lucius.
- Merlin, meu amante é um ravenclaw disfarçado. – Lucius disse, lastimosamente. – E que gosta de divagar depois de foder, ainda por cima.
- Sempre tive essa curiosidade enquanto estudava naquela escola esnobe para onde Dumbledore me mandou depois que me formei.
- Pare de tentar entender os motivos do mundo, é magia. Fim da história. – Lucius disse, com um bufido.
- E você é fértil? Porque eu não lancei nenhum feitiço e…
Remus pôde sentir como o loiro em seus braços ficava tenso como uma tábua.
- Eu já fui, não sou mais. – Lucius disse com uma voz dura.
- Você quer falar disso, gatinho? – Remus perguntou, de forma suave.
- Foi um dano colateral de uma varíola do dragão, Narcissa nem estava grávida ainda. Foi logo depois de voltarmos da nossa lua-de-mel, nunca mais viajo para países com muito sol e poucos feitiços de esterilização. – O loiro disse. – Suponho que as cruciatus do Lorde pelas perdas dele na guerra também não ajudaram a minimizar os danos.
- Quer que eu o mate? – Remus perguntou com voz de aço.
- Não, quero que faça coisas pervertidas comigo, é pra isso que seduzi um alfa grande e corajoso. – Lucius disse, recuperando o sorriso.
Remus sorriu maliciosamente.
- Que tal experimentarmos minha habilidade com cordas?
X~X~X
Sirius estava com um humor dos mil demônios, até Moody foi esperto o suficiente para não chegar muito perto de seu pupilo, mas o experiente auror deu um sorriso torto quando no final do dia soube que o herdeiro Black tinha prendido sozinho um grupo de traficante de poções.
- Dia atarefado, não é Black? – Moody perguntou, vendo como Sirius agora atacava uma pilha de papéis que vinham se acumulando em sua mesa desde que tinha sido reincorporado.
- Não vai conseguir informações com esse papo-furado. O que quer?
Moody sorriu, ele gostava da maneira direta e certeira com que Sirius tratava seus assuntos. Nada de besteiras políticas ou jogadas de má fé sorrateiras com ele.
- Estava me perguntando o que você planeja para tirar o pequeno Harry Potter do antro de comensais onde Lupin o enfiou.
Sirius deixou a pena de lado com suavidade. Olhou muito sério para seu mentor e mediu suas palavras antes de falar, o que era uma novidade.
- Vocês idiotas e marionetes da Ordem da Fênix foram os que entregaram meu afilhado para um par de trouxas desconhecidos, que nunca tinham visto o menino e que o maltrataram regulamente por um longo tempo. Remus salvou o menino e está cuidando-o melhor do que qualquer um de vocês poderia, por que diabos eu tiraria Harry do meu melhor amigo?
- Você está seriamente me dizendo que não se importa de ter seu afilhado sendo cuidado por um bando de comensais e criado junto com um pequeno comensal em formação?
Sirius não fez nenhuma tentativa de frear seu temperamento dessa vez.
- Pequeno comensal em formação? Draco Malfoy tem a idade de Harry, ele é praticamente um bebê, pelo amor de Merlin! Se quer julgar alguém pela família, é melhor se lembrar que eu descendo da nobre, antiga e muito escura casa dos Black, será que é seguro eu ter contato com Harry?
Moody fez uma careta e estava pronto para uma réplica igualmente mordaz, mas um pigarro os interrompeu, quando o auror sênior viu os olhos de seu pupilo flamejarem e sua mão se fechar rapidamente em sua varinha, ele se virou rapidamente, esperando ver algum inimigo. Para sua surpresa, se tratava de Dumbledore.
- Desculpe interromper, mas eu esperava conversar com nosso querido Sririus por um momento ou dois.
- Pode falar com meu advogado Dumbledore. O processo continua de pé. – Sirius disse, com um sorriso cruel. – Você era o guardião de Harry e o largou com trouxas abusivos, aguente as consequências agora.
- Eu entendo sua raiva, e sofro a cada dia pelo que sei agora que o pobre menino passou. Eu…
- Poupe-me da conversa mole! – Sirius rugiu, socando sua mesa com as duas mãos. – Você queria Harry longe do mundo mágico e de quem pudesse amá-lo porque as melhores pessoas pra manipular são os frágeis emocionalmente. Você sabe disso porque é professor e diretor há um longo tempo, eu vejo por trás da sua máscara Dumbledore.
- Por favor Sirius, não se deixe levar como Remus. Sei que Lucius Malfoy é um orador nato, mas toda essa teoria dele…
- Teoria do Malfoy é o caralho! Como se aquela cobra tingida pudesse me influenciar em algo que não seja chutar aquela bunda arrogante! Eu te observei por anos! Eu olhei para o lado várias vezes, principalmente porque suas maquinações geralmente me favoreciam, mas não ache que sou cego como Remus foi. Ele não sabia o que você é, eu só não achava que você fosse burro o bastante para machucar meu afilhado. Agora, saia antes que eu resolva testar se você ainda é o bruxo mais poderoso do pedaço.
O diretor e Moody estavam ligeiramente boquiabertos, coisa que deixou Sirius satisfeito. Com outro soco potente na mesa, ele voltou a esbravejar:
- Fora daqui!
Quando os dois saíram, Sirius tinha um sorriso no rosto. O velho ia pagar pelos danos a Harry, sim ele ia.
X~X~X
Abraxas mal podia conter um sorriso no jantar daquela noite. Os meninos já tinham sido alimentados e estavam brincando supervisionados por um elfo no quarto enquanto os adultos jantavam. Ele esperou até que seus jovens companheiros de refeição estivessem relaxados e amigáveis para comentar:
- Lucrécia comentou que você não foi para o trabalho hoje Lucius, ela parecia um pouco preocupada com sua saúde, mas te vejo tão saudável e rijo como sempre.
Lucius revirou os olhos. Seu pai teria que fazer melhor se queria informações.
- Ele provavelmente se cansou de trabalhar e quer voltar a ser um herdeiro preguiçoso. – Severus disse, provocando o loiro.
- Herdeiro preguiçoso e que se concentra em ser bonito. – Lucius completou, sorrindo para o amigo.
- E que falta ao trabalho para ficar na cama com seu novo amante. – Abraxas espetou, olhando diretamente para Remus.
O lobisomem deu de ombros.
- Não olhe para mim, sou o leão inocente no meio das serpentes.
- Inocente como eu. – Lucius disse, olhando descrente para o amante.
- Então, vai mudá-lo para o quarto da amante? – Abraxas perguntou, voltando ao ataque. – Há alguns anos que ele não é usado, e tem paredes mais grossas. Se vão foder como coelhos, deviam pelo menos colocar feitiços para silenciar o quarto.
Dessa vez, Remus engasgou com seu vinho.
- Peço desculpas. – Remus disse, corando profundamente. – Eu…
Lucius gemeu, chocado com a facilidade com que seu pai podia manipular o lobisomem.
- Pelo amor de Merlin, eu silenciei o quarto quando entrei lá, leão descerebrado! Ele estava jogando com você, e ganhou. – Reclamou o loiro, olhando feio para o pai.
- Não olhe feio pra mim, você escolheu o leão descerebrado.
- Não, nesse cado, ele escolheu a mim e ficou me perseguindo. Na verdade papai, se eu fosse mais jovem e nunca tivesse me casado, você teria que defender minha honra. – Lucius brincou.
- Entendo, sorte a sua sr. Lupin que escolheu meu filho. Merlin sabe o que faz, não acha? – Abraxas disse, muito calmo. E pelo olhar que recebeu, Remus intuiu que se Lucius não fosse seu escolhido e ele tivesse abandonado o loiro teria que ter lidado com um Abraxas Malfoy furioso, coisa que ele nunca queria ver, muito obrigado.
- Sim senhor. – O lobisomem disse, engolindo em seco.
Abraxas ia fazer outra piada, mas um elfo doméstico apareceu na sala de jantar nesse momento.
- Tip pede muitas desculpas por atrapalhar amo Abraxas, mas o herdeiro Black está na lareira do salão principal.
O patriarca Malfoy deu de ombros e se levantou para verificar o que Sirius queria.
- Agora o vira-lata faz visitas surpresas. A sério Lucius, você precisa se livra do lobisomem, ele tem amigos indesejáveis.
- Se ele for, Harry vai junto, já pensou nisso? – Lucius perguntou.
O pocinista pareceu considerar isso muito ofensivo, pela maneira com que franziu os lábios.
- Sempre podemos matar Black, conheço os venenos certos.
- Veneno é um método que combina com você: covarde e sorrateiro. – Sirius disse, entrando no salão depois de Abraxas. – E não devia me ameaçar, você é meu lindo e arisco pretendido, o que a alta sociedade acharia dessa sua violência?
- Lord Antonhy acha encantador, enviou outro convite para que eles fossem passear. – Abraxas respondeu por Severus.
- Aquele magricela metido? Até você consegue coisa melhor seboso.
- Você não é muito melhor que ele Black, está magro feito uma vara e pálido ainda por cima… nada atrativo num homem, devo dizer. – Severus provocou. – E Lord Antonhy tem várias habilidades interessantes para compensar sua ligeira arrogância.
- Ligeira? O cara poderia competir com a minha mãe e Merlin sabe que isso é algo assustador. Além disso, ele vive atrás de mocinhas e rapazes para flertar, é uma vadia.
Remus olhou para Lucius, que parecia confuso com a interação entre os dois ex-inimigos, Abraxas é que tinha um brilho estranho no olhar.
- Veio só para brigar com Severus ou eu tenho espaço na equação, Sirius? – O lobisomem perguntou.
O animago exibiu toda a sua maturidade ao mostrar a língua para o amigo.
- Eu não fico criticando o fato de você preferir foder o loiro do que sair comigo, fico?
— Sim, você faz, só que ainda não tinha tido tempo. – Remus disse. – Mas, isso quer dizer que quer seduzir nosso querido Severus?
- Merlin me livre! – Sirius e Severus disseram ao mesmo tempo, e estranhamente, isso fez Abraxas sorrir.
O pocionista e o animago bufaram um para o outro, e Sirius muito à vontade se sentou à mesa e roubou um canapé.
- Eu vim contar que amanhã o velhote do diabo vai responder perante ao tribunal sua negligência ao deixar Harry com os tios. – O animago contou, lambendo s dedos, coisa que fez uma careta de desgosto aparecer no rosto de Lucius e Severus.
- Você processou o velho? – Lucius perguntou, sempre pragmático. – Com base em quê?
- Ele era o executor do testamento e responsável pela administração do dinheiro e do bem-estar do Harry. Ele não fez bem nenhuma das duas coisas. – Sirius disse, roubando outro canapé e fazendo uma cara de deleite. – Caramba, meu elfo não faz coisas como essa, acho que minha mãe ordenou que ele me matasse de fome, é por isso que ainda não recuperei meu lindo corpo.
- E eu imaginando que era por causa de suas esbórnias e intermináveis jantares e bailes. Você vai conseguir matar a si mesmo se continuar nesse ritmo. – Remus disse, com evidente desaprovação.
- Querido e inocente Moony… obviamente que fui obrigado a cair nas graças das matronas e dos idiotas nos clubes, como acha que vou fazer o velho ser humilhado? A alta sociedade precisa de mais que meus lindos olhos azuis para virar as costas para o mago que já os salvou tantas vezes.
Remus estava boquiaberto, Lucius no entanto parecia medianamente respeituoso.
- Elas vão fazer você se casar com uma debutante irritante, mas os Black precisam mesmo de um novo herdeiro. – O loiro disse, olhando descrente para o que tinha sobrado da nobre e ancestral casa.
- As matronas não vão conseguir, sou absolutamente gay. – Sirius disse. – E magos férteis não caem do céu.
Lucius revirou os olhos.
- Gay eu sou também, isso não me impediu de engravidar sua prima, certo?
- Mas você é uma puta, eu não. – Sirius disse, e chiou de dor, pelo chute que levou na canela. – Moony! Não seja violento. Eu posso chamá-lo de nomes, ele te roubou de mim, não se lembra que a Lily disse que íamos casar e você ia controlar meu mau gênio?
- Ela sempre foi sonhadora. – Severus comentou, com uma ternura perceptível na voz. – E péssima para assuntos amorosos.
- Você não perdeu o direito de falar assim dela? – Sirius perguntou, subitamente amargo e sério. – Como no momento que a chamou de sangue-ruim?
Dessa vez Severus acusou o golpe e levou a mão a sua varinha, mas Abraxas fez um gesto imperativo para que ele não atacasse. Sirius soltou um suspiro.
- Isso foi rude, peço desculpas. – O auror disse.
Severus não se dignou a responder, só fez um esgar de desgosto.
- Enfim, vim aqui para falar com você sobre uma coisa que disse quando discutimos e que nunca terminei de entender. – Sirius disse olhando pra Remus. – E não, não é sobre loiros bonitos e seu pau, isso eu entendi perfeitamente. – Ele completou, provocador.
- Finalmente confessa que me acha bonito, mas desista Black, você não é meu tipo.
Sirius revirou os olhos.
- Só um cego não te acharia bonito Malfoy, mas uma bunda perfeita não redime sua personalidade.
- Ele gosta da minha bunda. – Lucius disse para Remus, sorrindo.
Remus não pôde evitar rosnar para o amigo.
- Moony! Não seja assim, eu não tocaria o loiro tingido, gosto das minhas bolas onde estão, muito obrigado. – Sirius disse, rapidamente. – Podemos conversar, sim ou não?
- Vamos, você não nos deixaria jantar mesmo. – O lobisomem disse, suspirando e se levantando. – Se me dá licença sr. Malfoy.
Abraxas assentiu e os dois amigos foram para uma saleta aconchegante perto da biblioteca.
- Então, o que quer perguntar?
- Se ele geme alto? – Sirius provocou.
- Isso você nunca vai saber, certo? – Remus provocou de volta.
- Eu não conseguiria foder com o Malfoy a menos que ele estivesse amordaçado, mas não foi disso que eu vim falar.
- Certo, o que é?
Sirius parecia realmente aflito.
- Eu não sei como perguntar.
- Só faça. – Remus o encorajou.
- Quando brigamos você disse algo sobre Dumbledore te entregar para o Filch, você parecia perturbado, o que me deixou com pensamentos perturbadores.
Remus ficou sem palavras, ele não se lembrava de ter falado disso, mas tinham brigado e tudo era possível.
- Foi logo depois de Fenrir me salvar, ele me achou em casa e me levou para a Floresta Proibida, uma velha cabana ou algo assim. Filch é doente, ninguém normal faz aquilo com uma criança.
Sirius parecia estranhamente calmo para Remus, ele sabia que o amigo estava com raiva e um Sirius Black furioso era algo que resultava em coisas muito quebradas ou pessoas em St. Mungo.
- Padfoot? Por que está tão calmo?
- Estou meditando. – Sirius respondeu. – Merlin sabe que se eu não fizer isso vou atrás desse filho da puta pra arrancar a pele dele.
- Estive tentando tirá-lo da escola, mas nem mesmo Lucius sabe como encontrar uma solução sem provar o que ocorreu. – Remus disse.
- Vocês podiam entrar em contato com os aurores, é pra esse tipo de servicinho sujo que nós existimos. – Sirius disse, com sarcasmo.
- Eu sei que você acredita nisso, mas nem todos os aurores são como você Sirius, na verdade, a maioria deles daria um braço por Dumbledore.
Sirius percebeu que não poderia ir contra isso, então, optou por ficar calado.
- E o que vocês poderiam fazer? Precisam de mandatos, investigações… nem Lucius conseguiu pensar numa maneira de se vingar dele sem envolver assassinato. O cara vive em Hogwarts, é praticamente intocável. Você não pode pegá-lo pelas vias normais.
- Sério Moony, ninguém é intocável, e as vias normais funcionam extremamente bem a todo momento. – Sirius disse, sério. Ele não podia acreditar na pouca fé que o amigo tinha nele. – Será que posso ver os meninos?
Remus sorriu pela cara envergonhada de Sirius ao pedir isso.
- Até poderia, mas eles estão dormindo.
- Mas é tão cedo! – Sirius disse, surpreso.
- Pelo amor de Merlin Sirius, são uns menininhos, eles dormem cedo. Gastam energia demais pulando e brincando o dia todo.
- Oh, que pena. Quais são as chances de eu poder sair com Harry? – Ele perguntou, de forma neutra.
- Muito boas eu diria. – Remus disse sorrindo. – Eu nunca te impediria de sair com seu afilhado, Lily e James te escolheram porque sabiam que você o amaria ferozmente.
- Então, posso levá-lo ao clube? – Sirius perguntou sorrindo. – Os rapazes do duelo vão adorar vê-lo.
- Sorvete em Hogsmeade. – Remus disse, firmemente. – Eles me escolheram pelo bom senso, que você não tem. – O lobisomem completou, sorrindo marotamente para o amigo.
- Estraga-prazeres. – Sirius murmurou, mas sorria. Esses momentos o lembravam que a vida ainda podia ter algo da paz e alegria que tinham antes da morte de Lily e James.
X~X~X
Remus e Severus estavam no laboratório de poções quando Lucius entrou, com uma alegria ofensiva estampada no rosto.
- Dumbledore foi esmagado hoje! – O loiro disse, se sentando num dos bancos próximos aos caldeirões onde o pocionista trabalhava junto com o lobisomem. – Eventos como os de hoje fazem minha vida dura de trabalhador valer a pena.
- Quer dizer que o vira-lata conseguiu? Não sei se me alegro pelo velho cair ou se me preparo para o ego do pulguento aumentar ainda mais. – Severus disse lastimosamente, fazendo Remus sorrir.
- Não foi bem uma queda para Dumbledore, mas valeu cada minuto. – Lucius disse, sonhador. – Vocês precisavam ter visto, todo o tribunal olhando para ele como se fosse um adolescente pego com as calças arriadas… e Black, ah, preciso reconhecer que ele fez o seu papel de padrinho indignado muito bem, Dumbledore não é mais o testamenteiro dos Potter, o que significa que podemos contestar o acordo de guarda. Ele não poderá mais nos pressionar com levá-lo para os Weasley.
- Isso é ótimo! – Remus disse, sua felicidade estampada no enorme sorriso. – Vou sair com Sirius para comemorar.
- Isso, leve o cachorro para passear quando ele faz algo bom. – Severus disse.
- Vocês não vão crescer nunca? – Remus perguntou, entregando os vermes que tinha picado para o pocionista.
- Claro que sim, agora nós sabemos feitiços muito melhores para usar um no outro.
- É uma pena, porque eu ia pedir para que você levasse Draco para o passeio em Hogsmeade quando Sirius for levar o Harry. Sabe como ele fica quando Harry saí sozinho… mas tenho certeza que Sirius dá conta dos dois.
- Aquele descerebrado animalesco não vai sair com meu afilhado sem supervisão.
Remus assentiu.
- Agradeço sua ajuda, porque eu preciso ir ao clã resolver alguns negócios para Fenrir.
Severus assentiu, mas Lucius olhou desconfiado para ele, o que fez o lobisomem tremer nas bases, ele tinha a impressão de que Lucius não ia gostar nem um pouco do que ele estava fazendo.
X~X~X
- E então, o que você está planejando com Severus? – Lucius perguntou, sentado entre as pernas de Remus em sua enorme banheira.
- Nada.
- Espero que não seja uma brincadeira estúpida, porque se for, companheiros ou não, vou usar meus piores feitiços.
- Eu cresci, pelo amor de Merlin! E foi ideia do seu pai. – Remus disse.
- O quê? – O loiro perguntou, curioso.
- Ele tem essa ideia maluca de que pode juntar o Sirius e o Severus. Eu disse que era insano, mas ele insiste nisso.
Lucius parecia satisfeito com essa explicação, porque voltou a ensaboar suas pernas muito calmamente, e de maneira muito sexy na opinião de Remus.
- Não vai dizer nada? Acho que os dois vão se matar. – Remus disse.
- Black tem a mentalidade de um menino de oito anos de idade.
- Sim eu sei, e Severus é...
- E o que um menino de oito anos de idade faz quando gosta de alguém? – Lucius continuou, como se não tivesse sido interrompido. – Puxa seu cabelo, atormenta… e faz coisas muito estúpidas quando está com ciúmes. Acho que ele sempre soube da paixonite que Sev tinha pela Evans, por isso as brincadeiras cruéis. Era vingança.
- De jeito nenhum. – Remus disse, assombrado.
- Oh sim, papai sempre foi bom em ler as pessoas. Veremos logo se ele está certo. – Lucius disse, acariciando as coxas musculosas de Remus, que rodeavam sua cintura.
Remus estava muito surpreso com o conceito de Severus e Sirius juntos, por isso levou alguns segundos para entender as intenções do loiro.
- Que gatinho atrevido temos aqui… vou ter que ensiná-lo de novo.
Lucius sorriu, queria saber o que o lobo faria essa noite.
X~X~X
Remus mal saiu da lareira na casa segura do clã quando sentiu uma atmosfera diferente, algo não estava bem. Ele sorriu para os lobisomens por quem passou e não demorou para achar Fenrir do lado de fora, cortando lenha.
- Vocês não precisam de lenha, é verão.
- Eu preciso cortar alguma coisa, e se não for isso, vai ser a cabeça do meu beta. – O alfa disse, fincando o machado no tronco e fazendo lascas voarem.
- Uau, o que ele fez? – Remus perguntou, sabendo de antemão que se tratava de Martin, o único beta que poderia colocar Fenrir nesse estado de nervos.
- Reina e o clã vieram no fim de semana e sabe o que ele fez?
- Não. – Remus respondeu, achando um pouco divertido a raiva borbulhante do alfa.
- Ele saiu pra se divertir. – Fenrir disse, numa voz fina, uma tentativa muito ruim de imitar o beta.
- Só isso? Reina só traz garotas e Martin é gay, por que ele teria que ficar assistindo todo mundo transar?
- Ele pode se juntar quando quiser. – Fenrir disse.
- Ele não pode, porque você está com uma alfa e o resto do clã é praticamente hétero. – Remus disse, muito calmo.
- Claro que não!
- Os outros betas sós transam com você quando requisitados.
- Isso é desculpa para ele vir pra casa com o cheiro de outro homem em cima dele! Outro alfa pelo amor da deusa! No que ele estava pensando?
- Em conseguir um par de orgasmos? – Remus sugeriu com um sorriso.
- Você está tão engraçadinho hoje, o que acha de eu resolver acertar você com o machado? – Fenrir disse, praticamente rosnando.
- Deixe o filhote em paz, ele não tem culpa do seu mau humor. – Martin disse, se aproximando com um grande sorriso e um ar cansado. – Você trouxe aqueles pedidos de guarda-costas?
- Sim, todos trouxas que sabem que vocês tem um dom especial para livrá-los de problemas. – Remus disse sorrindo. – E é muito dinheiro.
- Isso é bom. – Martin disse, folheando o arquivo que Remus entregou-lhe.
- Você parece e cheira como alguém que foi devidamente fodido. – Remus brincou, especialmente para provocar Fenrir.
- Alguém que foi atrevido. – Fenrir praticamente rosnou. – Onde você estava?
- Eu disse que ia dormir com Zach. – Martin disse, franzindo o nariz.
- E eu disse que não queria outro homem com meu beta! – Fenrir rugiu.
Remus deu três passos para trás quando Fenrir avançou segurando Martin pelo pescoço.
- Eu não gosto do cheio dele em cima de você! – O alfa continuou, segurando o pescoço do beta firmemente. – Vá se lavar e…
- Alfa… Fenrir? – Remus disse suavemente. – Não pode impedi-lo de dormir com outras pessoas, ele é seu beta, não seu companheiro ou marcado.
Fenrir soltou o beta quase instantaneamente e entrou na casa sem dizer mais nada. Martin se inclinou para recolher os papéis que tinha deixado cair.
- Você estava certo, ele odiou que outro me tocasse.
- Eu percebi, se ele te quiser de verdade vai fazer algo sobre isso logo. – Remus disse, sorrindo. – Só prepare seu traseiro, ele não vai ter um pingo de misericórdia.
Martin mordeu o lábio inferior sem saber se isso o assustava ou excitava mais.
X~X~X
Sirius assoviava enquanto esperava por Harry na sorveteria. Remus deveria chegar a qualquer momento, então ele faria seu afilhado experimentar vários sabores e…
- Para um auror você é estranhamente disperso, Black.
O animago quase gemeu ao ouvir a voz rouca de Severus Snape, e quando o viu segurando a mão dos dois meninos suspirou interiormente. Ele queria uma manhã tranquila e não uma batalha campal.
- Não estou de serviço, vim tomar sorvete com Harry e Draco. Resolveu se juntar a nós menino bonito? – Perguntou pegando um sorridente Harry no colo e bagunçando o cabelo de Draco.
Draco sorriu para o homem, mas começou a ajeitar os fios que ele tinha tirado do lugar.
- Meu padin veio passear comigo e vigiar o vira-lata.
Sirius olhou feio para o pocionista, que teve a decência de corar.
- Ele não deveria ter ouvido isso. Mas Lupin me mandou ficar por perto.
Sirius amaldiçoou Remus por dentro. Por essa o lobisomem iria pagar.
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