Um Novo Caminho

13 Não há bem que sempre dure


Severus não podia acreditar no que tinha acontecido. Como diabos ele tinha deixado Black beijá-lo e depois tocá-lo como se isso fosse normal? Ainda podia sentir os lábios formigando devido ao contato da boca atrevida do auror e a onda de calor que tinha se apoderado dele arrefecia aos poucos. A medida em que a excitação baixava, a humilhação crescia, ele não se sentia tão humilhado e exposto desde que os dois leões idiotas o tinham deixado pendurado de cabeça para baixo no colégio. Ele tinha deixado algumas lágrimas rolarem na frente de pessoas pelo amor de Merlin, Black ia pagar muito caro por isso.

O pocionista estava tão ocupado praguejando contra o auror e planejando as maneiras com que iria torturá-lo, que não percebeu quando o animago burlou os feitiços de proteção de sua porta e entrou, sempre com um feitiço de silêncio em suas botas. Severus gritou quando sentiu os braços fortes prendendo-o. Sirius sorriu quando o pocionista começou a forcejar para se livrar dele, mas era algo inútil, e o auror forçou o pocionista a se aquietar com as costas juntas a seu peito.

- Não seja teimoso ou vou achar que tem uma veia gry, Severus. – Sirius provocou-o, mordiscando sua orelha.

- Eu vou te matar, Black. Por que não me solta para resolvermos isso?

- E te deixar pegar aquela varinha e arrancar minhas bolas? – Sirius perguntou. – Eu posso ser um pouco temerário, mas estúpido não.

Severus rilhou os dentes e cogitou chamar um elfo que notificaria Abraxas, mas seu tutor estava com os amigos e de jeito nenhum ele iria aumentar aquele escândalo.

- Vou me explicar primeiro e te soltar depois. – Sirius disse.

- Corra pela sua vida quando me largar, Black. – Severus rosnou, com ódio.

- A verdade é que eu não sei se quero te soltar. – Sirius confessou, surpreso por reconhecer isso em voz alta. – Eu não planejei isso como uma piada, acredite. Eu só não queria aquele imbecil com as mãos em cima de você.

Severus tinha anos de prática ouvindo e detectando as pilhérias e humilhações de Sirius Black, e essa estranhamente era a voz que o animago usava quando falava sério.

- Eu pensei que o idiota deixaria a ideia de se casar com você de lado se nos pegasse numa situação indecorosa, então, eu agi. Devo dizer que o tolo agiu exatamente como eu previ, a sério Severus, um Hufflepuff não daria conta de você.

- Mas, de que diabos você está falando seu vira-lata sarnento?! E pare imediatamente de me chamar de Severus, não te dei essa intimidade.

Sirius não aguentou e riu, um som que enviou arrepios pelo corpo de Severus.

- Me desculpe, bonito, mas nós dois acabamos de ser pegos por um bando de velhos fofoqueiros em uma situação que era no mínimo embaraçosa e que envolvia minha mão muito íntima de certa parte de seu corpo…

Sirius não esperava a cotovelada que o fez soltar um gemido abafado, mas não afrouxar o aperto de seus braços ao redor do corpo do pocionista.

- Ouch! Isso doeu, Sevie. – Sirius usou um apelido só para irritá-lo. – Mas eu sou um auror, vai ter que treinar mais seu físico se quiser me vencer numa briga.

- Só me dê minha varinha, seu brutamontes imprestável, e veremos quem ganha. – Severus rosnou.

- Já falamos sobre isso e você iria arrancar minhas bolas, e depois se arrependeria porque vai querer filhos futuramente. E só vai consegui-los de mim.

- Nunca! Eu nunca teria filhos com você!

- Vai sim, pelo mesmo motivo que eu não suportei ver o Antonto com você… porque nós dois nos atraímos irremediavelmente. E eu vou espantar cada pretendente que você arrumar.

Sirius respirou fundos antes de resolver confessar o resto:

- Eu odiava cada olhar apaixonado que você dava a Lily, eu me enganei por um tempo pensando que era porque minha amiga não devia confiar em uma serpente, mas agora, eu posso ver que o problema era você dando atenção a ela enquanto sempre me ignorava. Acho que eu te infernizava para que você se dignasse a me dar um único olhar, mesmo que seus olhos brilhassem de raiva e não de carinho. Eu quero você, sonho com possuir você todos os dias e posso te fazer muito mais feliz que esses lordezinhos que só andam atrás de você pelo nome que carrega. Pense nisso. – Sirius pediu e soltou o pocionista.

Claro que, antes que Severus pudesse se recuperar do choque o auror já tinha saído correndo. De jeito nenhum ele daria ao homem uma chance de amaldiçoá-lo, ele era corajoso, não estúpido.

X~X~X

Pansy já tinha aguentado o suficiente, em sua singela opinião de criança. Ela queria brincar com Draco e o novo garoto bobo não saía de perto do loirinho desde o começo da festa.

- Draco! Venha brincar comigo. – Ela exigiu, se aproximando dos dois e fazendo com que todas as outras crianças olhassem para o interlúdio com interesse.

- Eu estou brincando com Harry agora, quer jogar? – Draco convidou a amiguinha educadamente.

Harry franziu o cenho, ele e Draco estavam brincando com soldadinhos encantados e ele não tinha gostado de Pansy.

- Ela é uma menina, não pode brincar de guerra. – Ele disse, de mau humor de repente.

Pansy cruzou os bracinhos e olhou feio para Harry Potter.

- Fique quieto Potty! Eu posso brincar do que eu quiser. – Ela protestou, batendo o pézinho.

- É Potter. – Ele corrigiu, se levantado e olhando feio para a menina também.

Remus resolveu interferir antes que Harry e Pansy se irritassem de verdade.

- Ei, o que está acontecendo aqui crianças? – Ele perguntou.

- Ele não quer me deixar brincar com Draco! – A menina reclamou.

- Harry, sabe que não pode monopolizar seu amiguinho. Pansy o vê menos que você, e ela pode brincar do que quiser, não existe um jogo específico para meninos ou meninas. Peça desculpas. – Remus disse, firmemente.

Harry fez um beicinho, mas obedeceu.

- E Pansy, não é educado colocar apelidos. – A voz de Draco era quase parental.

A menina bufou, mas pediu desculpas também. Remus sorriu.

- Ótimo crianças, agora todos podem brincar juntos.

Lucius teve que rir quando ele viu como Harry e Pansy se olhavam feio.

- Qual é a graça? – Remus perguntou.

- Meu lindo e gracioso filho é tão jovem e tem tantos admiradores. – Ele brincou.

- Traço que ele com certeza herdou do pai. – O lobo disse, meio azedo. Ele não estava de bom humor depois de ver seu companheiro passar a festa toda cercado de amigos ricos e elegantes que pareciam babar por ele.

- Sim, beleza e magnetismo são genéticos. – Lucius garantiu, nem um pouco incomodado pelo ciúme perceptível nos olhos dourados.

- Você vai pagar por isso. – Remus disse, com voz sensual.

- Estarei esperando. – Lucius respondeu.

X~X~X

Depois que todos os convidados foram embora, Draco e Harry se dedicaram a abrir os presentes do loirinho. Coisa que deixou aos adultos tempo para beber um chá e descansar, já que a limpeza estava praticamente terminada pelos elfos.

- Foi uma linda festa, pena que Severus perdeu. Ele ainda está trancado no quarto? – Lucius perguntou ao pai.

- Sim, mas nos livramos do Lorde Anthony.

- Eu soube que ele foi levado a St. Mungo, alguma ideia do motivo, papai?

- Alguma coisa sobre a língua grudada no céu da boca e algumas bolhas malcheirosas pelo corpo. Nada muito grave. – Abraxas disse, dando de ombros.

Lucius sorriu, sabendo que o homem tinha ofendido Severus.

- Vocês são tão assustadores algumas vezes. – Remus comentou.

- Faz parte do nosso charme, lobo. – Lucius disse. – Black vai receber uma visitinha também se Severus realmente estiver muito chateado.

- Mas dessa vez a culpa também é do seu pai. – Remus apontou.

- Não olhe para mim, eu só fiz o que seu amigo desmiolado pediu.

Remus ia retrucar, mas um grito dos meninos fez com que os três homens pulassem de suas cadeiras e corressem para a sala de presentes com varinhas em punho, tudo para ver como os dois riam correndo atrás de um furão totalmente branco.

- Papai! Olha só o que tio Sirius me deu. – Draco disse, animado.

- Estou vendo. – Lucius disse, com divertimento. Os gritos tinham sido de alegria afinal de contas.

- Ele fugiu quando o abracei. – Draco reclamou.

Remus riu.

- Você não o apertou muito, não é? – O lobisomem perguntou.

O menino corou, dizendo exatamente qual tinha sido o problema.

- Vou pegá-lo para você, depois vamos aprender a brincar com ele sem machucá-lo, certo?

- Sim! – Draco disse, animado. – Harry também tem que aprender.

- Mas eu não apertei! – O moreninho protestou.

- Mas pisou no rabinho dele. – Draco contou.

- Foi sem querer. – Harry se defendeu.

Os adultos riram. As crianças eram como uma brisa de ar fresco num dia quente, esses eram os momentos que os faziam ver que a vida podia valer a pena.

X~X~X

Dumbledore tinha um plano, até mesmo seu fênix poderia dizer isso, pelo sorriso que o velho tinha no rosto enquanto comia mais um doce sentado atrás de sua mesa em Hogwarts. O velho estava lendo o Profeta, mais especificamente a parte das colunas sociais, onde a festa de Draco era um destaque. Ele iria se vingar dos Malfoy e dos golpes que sua reputação tinha sofrido recentemente, por mais que aquelas serpentes duvidassem, ele poderia ser tão cauteloso e paciente quanto eles na hora de planejar uma retaliação. Ele não iria muito longe, claro. Nada como matar ou ferir seriamente o pirralho loiro, tinha certeza que Abraxas poderia matá-lo em pleno Beco Diagonal se isso acontecesse, mas ele tinha planos e a alegria dos Malfoy não ia durar muito. Era um jogo interessante, afinal, ele precisava se distrair enquanto esperava que seu velho conhecido Tom voltasse a dar sinais de vida. O velho sorriu, acariciando sua barba, mais alguns meses e ele poderia rir ao ver a alegria dos Malfoy se esvair, e com sorte, ele poderia recuperar Remus ou Sirius, duas de suas ovelhas preferidas que os loiros malditos tinham desgarrado.

X~X~X

Abraxas, Lucius e Remus pararam de falar e ficaram apreensivos quando Severus desceu para tomar café da manhã no dia depois da festa de Draco. O pocionista olhou feio para todos eles e se sentou sem dar bom-dia.

- Está tudo bem? – Lucius se atreveu a perguntar.

- Maravilhoso. – Severus respondeu, destilando sarcasmo.

- Ele te beijou, podia ter sido pior. Ele podia ser feio. – Lucius teve a coragem de brincar, o que lhe rendeu olhares chocados de Remus e seu pai.

Severus rosnou, e jogou uma edição do Profeta na direção de Lucius, que quase acertou o rosto sorridente do loiro. Ao contrário da expectativa de Remus e Abraxas, que pensaram que o sorriso ia desaparecer quando lesse o que tinha irritado mais ainda o pocionista, Lucius sorriu mais largamente.

- Não é engraçado! – Severus esbravejou.

- Sim, é. – Lucius retrucou, e passou a ler o Profeta: – “Severus Snape é certamente o bruxo mais disputado da temporada, sendo alvo de vários pretendentes, sendo que entre eles está o solteiro mais cobiçado do momento, Sirius Black. Fontes informam que o premiado pocionista tende a desprezar Lord Black, mas que este teve um ataque de ciúmes ao vê-lo com outro e terminou por mandar o concorrente a St. Mungo.”

Remus engoliu seu riso, já Abraxas não reprimiu um sorriso.

- Eu não sou uma dama em apuros ou um doidivanas namorador! Eles estão jogando minha reputação na lama e não posso pará-los! Não é engraçado, é desesperador.

- O jeito mais eficiente de terminar com os cochichos é se casar com Black, e depois do que vi na biblioteca não venha me dizer que a perspectiva te enoja. – Abraxas disse.

Severus corou ao se lembrar da posição em que seu tutor o tinha encontrado, mas não ia ceder terreno.

- Black é atraente, isso é um fato. Diggory também e não estou indo para me casar com ele, certo?

Abraxas e Lucius estremeceram de desgosto. Um Hufflepuff metido a certinho? Nunca.

- Estou comendo, Sev. Não diga coisas asquerosas na mesa. – Abraxas admoestou-o. – Mas não muda o fato de que seu problema se resolveria com um simples casamento.

- Oh, sim. Nada importante, só me enlaçar para a vida toda com o vira-lata. – Severus disse, ironicamente.

- Isso mesmo, e me dar um ou dois netos. Nada demais.

Severus se engasgou com o café e olhou feio para o tutor. Remus pediu licença e saiu da mesa, de jeito nenhum ele ia ser pego no fogo cruzado entre os slytherins.

X~X~X

Abraxas Malfoy era um homem conhecido em seu meio por ser um negociador férreo e por ter multiplicado a já grande fortuna dos Malfoy. Ele trabalhava muito, e esse trabalho o fazia sair da segurança de sua mansão com frequência. Essas saídas muito interessavam a Dumbledore, porque ele já tinha um presente pronto para o homem, só precisava do momento exato para entregá-lo sem levantar suspeitas, o que por si só já era um dos papéis da morte que tinha planejado para o patriarca dos Malfoy, ninguém nunca desconfiaria de nada se tudo corresse bem, só ele teria o prazer de saber que tinha provocado a morte prematura do poderoso Abraxas Malfoy. Nesse momento, ele agradecia por ainda ter a capa de invisibilidade de James com ele, já que isso facilitaria muito as coisas.

Quando ele passou pelo grupo puro-sangue que saía de um restaurante caro no Beco Diagonal, ele sorria e seus olhos brilhavam, isso porque pôde agitar sua varinha e todo o pó que estava numa bolsa de couro voou sobre Abraxas Malfoy, numa nuvem suave, praticamente invisível e inodora, que cobriu o loiro dos pés a cabeça. Logo iria começar e o homem pagaria por ter cruzado seu caminho.

X~X~X

Sirius não gostava de fazer trabalho burocrático, mas ser auror era ter uma pilha de papelada para resolver a cada caso resolvido, ou deixado sem solução. Isso era uma droga, por que tantos formulários pelo amor de Merlin. Ele suspirou, no meio do burburinho da Central e voltou a preencher os papéis, demorou um pouco para perceber que o burburinho tinha parado totalmente, curioso, levantou a cabeça dos papéis só para ver Severus Snape parado em frente a sua mesa. O homem estava impressionante com vestes negras e os cabelos presos com um elegante laço de cetim na base da nuca, alguns fios rebeldes estavam soltos ao lado do rosto e sua pele branca brilhava.

- Sabe que é uma péssima ideia atacar um auror no meio da Central, certo? – Sirius disse, se encolhendo visivelmente.

- Não sou estúpido como alguns por ai, Black. – Severus disse. – Vim te dizer que fez uma bagunça com a ceninha na biblioteca.

- Eu sei, sinto muito. – Sirius disse, sua cara de arrependimento não enganaria nem um Hufflepuff do primeiro ano, na opinião de Severus.

- É bom sentir mesmo. – Severus disse, com um sorriso sádico. – É bom também que arrume um jeito de arrumar essa bagunça ou juro que vou seguir os conselhos de Abraxas e me casar com você… para arrancar suas bolas na noite de núpcias, e te atormentar por todos os dias da sua vida, é claro.

Severus não deu ao auror tempo par responder, girou em seus calcanhares e saiu da Central, com sua capa esvoaçando elegantemente atrás dele. Sirius suspirou, esse homem ia dar trabalho até estar domesticado, mas no final, o auror deu de ombros. Isso ia ser malditamente divertido. Além disso, ele não precisa ter ido até ali para ameaçá-lo, ele tinha vindo provocar, e ia ganhar seu merecido por atiçar um cachorro. Sirius sorriu, pensando no que faria.

- O que diabos estão olhando? Ninguém tem trabalho pra fazer? – Ele rugiu para os aurores que ainda o olhavam, meio pasmos.

Quando o burburinho voltou, o assunto era a relação Black-Snape. E Sirius não dava a mínima pra isso.

X~X~X

Quando Abraxas chegou em casa, sentia-se estranhamente quente. Pensou que os feitiços de refrigeração do restaurante não estavam funcionando tão bem, mas tomou um banho refrescante antes de sair de seu quarto e achar seu neto e Harry brincando no jardim com o novo bichinho de estimação da casa sob o olhar atento de uma elfa.

- Vovô! – Draco gritou, e correu para abraçá-lo.

- Olá meu menino bonito, o que está fazendo?

- Brincando com Sir Frederick. – O menino respondeu, fazendo o avô sorrir devido a escolha do nome de seu mascote.

- Eu vejo, e onde está o sr. Lupin?

- Ele e papai brigaram depois do café da manhã e o sr. Lupin foi ter uma entrevista de emprego.

Abraxas revirou os olhos, seu filho podia ser teimoso quando se propunha.

- Sim, não gosto quando papai e o sr. Lucius brigam. – Harry reclamou, erguendo os bracinhos para ser mimado também.

- Não se preocupem meninos, vovô Abraxas vai dar um jeito nos adultos idiotas que ficam aborrecendo vocês.

Os dois meninos sorriram, e ele resolveu que podia dar umas palmadas nos adultos por perturbarem seus netos, ele já considerava Harry da família há muito tempo.

X~X~X

Severus viu que quem estava de mau humor no jantar era Lucius, mas Remus parecia tranquilo, por isso, resolveu cutucar a ferida do amigo.

- E então, como foi sua entrevista? – Ele perguntou ao lobisomem.

- Consegui o emprego, sou rompedor de maldições oficialmente, agora.

- Congratulações. – Severus disse. – Mas não espere que Lucius fique feliz por você, ele não entende a necessidade do proletariado de se sustentar.

Lucius fez uma careta para o amigo e deu de ombros.

- Não vejo o ponto de trabalhar quando se pode ficar em casa desfrutando da vida.

- Um pouco de dignidade, talvez? – Remus provocou.

- Está sendo bastante preconceituoso, se eu fosse ficar em casa cuidando dos meninos você acharia lindo. – O loiro reclamou.

- Sim, mas porque você gosta de ficar em casa. – Remus retrucou. – Não jogue a carta do machismo pra mim, Lucius, porque não sou desse tipo, apesar de ter alguns traços um tanto… conservadores.

Lucius continuou olhando feio para o companheiro, mas quando seu pai se levantou, olhou preocupado para ele.

- Algo errado? Está calado demais.

- Só uma dor de cabeça, eu planejava gritar e amaldiçoar vocês por terem brigado na frente dos meninos, mas estou cansado. Por favor, sejam maduros e se resolvam. E você, pelo amor de Merlin, abra os olhos e veja que o homem não quer que pensem que ele está com você pelo dinheiro. Deixe-o trabalhar, que isso não vai matar ninguém! – Abraxas disse. – Agora, eu vou descansar.

- Vou te levar uma poção. – Severus disse.

- Faria melhor em ir visitar Black e transar logo. – Abraxas disse. – Jovens fazem tudo errado. – O homem resmungou, já indo em direção à porta.

Depois que Abraxas saiu, Lucius olhou para o amigo sorrindo.

- Sim, devia ir saber se Black vale tanto quanto os rumores sobre ele.

- Não comece Lucius. – Severus grunhiu. – Vou fazer a poção para o velho.

- Não coloque nada estranho, não quero que ele fique azul ou careca só porque te mandou ter uma vida sexual. – Lucius disse.

- Veja quem fala… o homem que não pode ser maduro e deixar o companheiro trabalhar. – Remus espetou.

Severus se sentiu vingado pelo lobisomem e foi fazer a poção de Abraxas, mas ainda assim, não saiu a tempo de evitar ouvir os gemidos de Lucius, jogado sobre a mesa e sendo praticamente devorado por Lupin. O pocionista suspirou, esses dois não tinham jeito.