Um Novo Caminho
3 Instinto de lobo
Notas iniciais
Remus se sentia mais forte e mais saudável que nunca. Ao longo dos dois meses que passou na mansão, ele teve um árduo treinamento com os betas de Fenrir, que com certeza fariam o treinamento na Academia de Aurores parecer brincadeira de criança, Sirius com certeza já teria desistido, o lobisomem pensou, sorrindo. Logo, esse sorriso morreu e ele lamentou a traição daquele que tinha considerado seu melhor amigo, um irmão que não tinha tido. Seus sentidos muito mais aguçados e treinados captaram as vozes elevadas e irritadas vindas do salão. Sem se preocupar em colocar uma camisa sobre o peito nu e muito mais tonificado do que quando tinha chegado ali, seguiu a direção das vozes e encontrou Fenrir e seus três betas exaltados e discutindo com Lucius Malfoy.
- … um ataque! É isso que eles merecem! – Bradou Fenrir.
Lucius revirou os olhos.
- Um ataque é a única desculpa que o Wizengamot precisa para piorar ainda mais as leis. Ataque os magos agora, e eles vão decretar temporada de caça aos lobisomens.
- Que leis? O que aconteceu? – Remus perguntou, chamando a atenção para si mesmo.
Lucius tomou alguns instantes para avaliar o corpo exposto de Remus, fazendo uma cara de apreciação.
- Vejo que conseguiu colocar algo de carne em cima daqueles ossos salientes. – Zombou o loiro.
- Responda a pergunta, Malfoy. – Remus demandou com voz firme e calma. Ele já tinha recuperado grande parte da sua calma e racionalidade habitual, o Remus desfeito e impulsivo que Lucius tinha encontrado era passado.
Lucius franziu o cenho e Remus podia jurar que o viu fazer beicinho por dois segundos, mas o loiro o olhou com desdém e respondeu:
- Vim alertar as bolinhas de pêlo que o Wizengamot aprovou um pacote de leis que restringe a liberdade dos lobisomens na Inglaterra Mágica, aqui vocês estão seguros, mas nos territórios ingleses tem que estar registrados no Ministério, e o Controle de Criaturas Mágicas pode fazer inspeções e…
- Não podemos trabalhar, não podemos nos reproduzir… traduzindo, não podemos existir na porra do mundo mágico. – Fenrir bramou, irritado.
- Podem trabalhar, desde que tenham permissão do Ministério. E não olhe assim para mim, eu fui contra as leis, só estou informando. – Lucius respondeu. – Se quer um culpado, sugiro que vá atrás de Dumbledore, ele que surgiu com essa conversa mole de reestruturação nas leis dos lobisomens depois do apoio de vocês ao Lorde, e isso é claro, deu corda para Umbridge e sua corja.
Remus amargou mais essa decepção com o velho diretor.
- Eu não acredito que ele me enganou tão bem, fui tão burro. – O lobisomem lamentou.
- Não seja estúpido, Dumbledore é um bom ator, aliás, depois de ter semeado a desconfiança e o ódio no Wizengamot contra os lobisomens teve a cara de pau de dizer na votação que acreditava que as medidas eram muito severas. Se eu não detestasse o velho iria admirar essa veia slytherin nele. – Lucius disse, como se pensasse alto.
- Ele quer o apoio dos lobisomens. – Remus disse, após refletir sobre as novas informações. – Ele tinha tentado isso comigo de embaixador, mas eu não pude me aproximar de nenhum clã, acho que com a caída do Lorde, ele pensa que pode manejar os lobisomens para seu lado.
- Vai dar certo com alguns idiotas. – Fenrir disse. – Nem todos estavam satisfeitos com o Lorde, um ou dois clãs ficaram enfurecidos com o tratamento que ele nos deu depois de enlouquecer e depois desse golpe por causa do apoio a ele na guerra, é possível que se voltem para o velho.
Lucius assentiu, concordando.
- Vamos tentar reverter isso, meu pai e alguns outros anciãos estão tentando racionalizar com o Wizengamot, mas não podemos ser tão abertamente contra o velho. Nossa posição depois da guerra também ficou arranhada.
- Não sem motivo. – Remus disse, acidamente.
- Filhotinho hipócrita esse que você tem. – Lucius disse para Fenrir, sem nem se dignar a olhar para Remus, coisa que fez o “filhote” rosnar.
- Deixe-o em paz Malfoy, sabe que ele não sabe jogar como você. – Disse Fenrir, com divertimento, as alfinetadas que aqueles dois trocavam eram divertidas, como ver um garotinho puxando as tranças de uma menina, só por diversão.
- Uma pena, eu poderia jogar com ele. – Lucius disse, olhando para o lobisomem de olhos dourados descaradamente.
Remus voltou a rosnar.
- Você é um homem casado, tenha mais respeito! – O gryffindor, reclamou.
Lucius revirou os olhos e olhou para o alfa, que ria de lado para a cena.
- Já terminei o que vim fazer aqui, e não se esqueça de mandar as amostras que Severus precisa.
Foi a vez de Fenrir rosnar.
- Ele pode vir buscar o que precisa. Não somos as cobaias bonitinhas dele, se não pode lidar com os rosnados, não deve brincar com lobos.
Pela primeira vez, Remus viu como o olhar de Lucius endurecia e como a postura relaxada mudava. O loiro segurou sua bengala mais forte e fixou seus olhos cinzentos em Fenrir, o sussurro foi quase inaudível, até mesmo para a audição dos lobisomens, mas Remus entendeu. Ele tinha ativado o vínculo de submissão.
- Eu vou repetir: vocês vão mandar as amostras que Severus precisa hoje ainda. Fui claro? – O loiro disse, encarando o alfa.
Fenrir era forte, mas Remus podia ver a marca com as inicias de Lucius fervendo na pele dele, incitando-o a responder. Mas o alfa não levaria essa humilhação facilmente e só deu um aceno afirmativo com a cabeça.
- Bom. – Lucius disse a desapareceu sem mais despedidas.
- Sabe perfeitamente como ele fica no que toca ao garotinho das poções. – Martin admoestou seu alfa.
- Aquele vampiro maldito poderia ter culhões de vir até pegar nosso sangue. É ele quem quer brincar de aprimorar a poçãozinha dele, não nós. – Fenrir reclamou.
- Seja realista, a poção mata-lobos aprimorada ajuda a todos os infectados sem clã. Dá um pouco de paz aos desesperados. – O beta insistiu, colocando panos quentes, era sua função depois de tudo.
- Mas ele ainda podia ser mais cordial. – Fenrir resmungou, recusando-se a ceder.
- Ele tem seus motivos, acredite em mim. – Remus disse, suavemente. – Esqueça o loiro oxigenado, faça por mim, tenho uma dívida com Severus Snape.
Fenrir assentiu. Se seu filhote estava pedindo, era outra coisa. Essa atitude fez seus betas revirarem os olhos, Martin olhou para Remus contendo o riso.
- Devíamos ter você por perto o tempo todo.
- Vou tentar. – Remus respondeu, piscando para o beta.
Fenrir rosnou, fazendo os lobisomens rirem, eles não tinham medo da cara feia do alfa. Não muito, de qualquer maneira.
X~X~X
Severus estava em seu laboratório em Malfoy Manor, sua poção fervia e estava tudo funcionando perfeitamente, sua atenção só foi desviada do caldeirão quando ouviu umas batidinhas fortes e decididas na porta. O homem revirou os olhos, só uma pessoa teria a petulância de bater na sua porta dessa maneira insolente. Quando ouviu mais batidinhas e um gritinho irritado, sorriu de lado e abriu a porta para encontrar seu distinto afilhado nos braços de Lucius, luzindo muito ofendido.
- Padin demorou. – Draco reclamou, cruzando os bracinhos.
- Seu padrinho estava ocupado. – Severus respondeu com um bufido, mas não resistiu a pegar Draco no colo quando o menino ergueu os bracinhos em sua direção.
- Vovô Baxas está querendo jantar, ele tem visitas. – O pequeno de pouco menos de dois anos contou, enquanto mexia nos cabelos do padrinho.
- Não Draco, meu cabelo está sujo da fumaça das poções. – Pediu Severus tirando as mãozinhas do afilhado do seu cabelo.
- Devia usá-lo amarrado quando está aqui. – Lucius disse.
- Sabe que já tentei e que o resultado é quase o mesmo.
Lucius deu de ombros e sorriu para apontar a Severus que Draco tinha deitado a cabeça em seu ombro e deslizado um dedinho na boca, pronto para começar a dormir.
- Meu pai está te chamando para jantar e ele quer dormir.
- Por que mesmo que esse diabinho não pede isso para o pai dele? – Severus perguntou, acidamente.
- Porque ele prefere me irritar não comendo o jantar. Aliás, ele precisa de um banho rápido antes de se deitar. – Lucius disse, girando nos calcanhares e saindo do laboratório.
- Eu sabia que estava me metendo em problemas quando deixei esse loiro dos infernos se meter na minha vida. Ele acha que sou o quê? Um elfo doméstico ou sua ama seca? – Ele perguntou para um sonolento Draco.
O menino sorriu e tirou o dedo da boca para responder:
- Você é meu padin.
Severus suspirou, o que ele podia fazer contra esse moleque tão carinhoso? Em vez de continuar apreciando a meiguice de seu afilhado, ele se apressou para se arrumar e colocar Draco para dormir, Abraxas Malfoy nunca tinha gostado de atrasos em seus jantares, mesmo Severus sendo um dos meninos mimados dele.
X~X~X
Remus nunca tinha estado tão conectado com sua essência lupina, por isso, a intensidade dos pressentimentos dele eram assustadores. Ele tinha passado a semana preocupado com Harry, se perguntando se o filho de seus amigos e seu “filhote” estaria bem, afinal, como confiar no julgamento de Dumbledore? Ele tinha mandado uma carta para a professora McGonagall, perguntando se ela sabia como o menino estava indo com os parentes trouxas de Lily. A resposta tinha demorado alguns dias, mas sua antiga professora tinha sido agradável e disse que pelo que tinha ouvido do diretor, Harry estava crescendo como uma abóbora ao lado do primo, que tinha praticamente sua mesma idade. Isso deveria ter acalmado o lobo, mas todas as noites seus sonhos pioravam e ele sentia a necessidade de ver seu filhote. Depois de duas semanas sem poder dormir satisfatoriamente, ele dividiu suas preocupações com Fenrir. O lobisomem mais velho ladeou a cabeça e bufou.
- Pensei que já estivesse mais esperto. Se seus instinto te pedem para estar perto do filhote, é lá que você deve estar.
- Mas ele deve estar bem, é só um menino pequeno. Vive na casa da tia e tem um primo da idade dele para brincar. – Remus disse, achando suas preocupações ridículas.
Fenrir deu um safanão na cabeça de Remus, o que fez o outro lobisomem ganir.
- Não seja estúpido e não repita meus erros. Eu ignorei meus instintos e te devolvi para sua família e para Albus Dumbledor, nunca mais vou cometer o mesmo erro. E você, vai fazer o quê?
Remus se sentiu como um filhote sendo repreendido e não como um adulto de vinte e três anos.
- Desculpe alfa, acho que eu vou viajar. – Ele disse, um pouco envergonhado.
- Temo que vai ter que fazer do jeito trouxa e só depois do fim de semana. A deusa está quase nos fazendo sua visita mensal, lembra?
Remus tinha esquecido, mas não ia reconhecer isso para Fenrir, afinal, isso lhe renderia outro safanão.
E foi assim que na semana seguinte Remus viajou de trem para a Inglaterra e colocou a prova seus conhecimentos do mundo trouxa para chegar a casa da irmã de Lily. Ser um lobisomem tinha suas vantagens na hora de espionar uma casa, desde que tinha chegado ele podia ouvir o choro desesperado de um menino. Era alto e claro para ele, mas talvez os vizinho não ouvissem, ele começou a ficar inquieto porque além do choro de um único bebê não tinha outro som ou movimentação na casa, estava tudo vazio. Sem poder se conter, ele se aproximou do portão e tentou ver dentro da casa.
- Ei senhor! Eles não estão, eles viajaram. – Uma vizinha de cerca disse. Era uma mulher jovem e sorridente.
- Mas é que… eu podia jurar que ouvi uma criança chorando. – Ele disse hesitante. – Tem algum tempo já e…
A mulher perdeu o sorriso.
- Aqueles desalmados não teriam coragem! – Ela exclamou.
- Desculpe?
- Eu já tive que chamar o serviço social pra esses idiotas! Vi aquela mulher segurando o menino com luvas, sempre com luvas, como se ele tivesse alguma doença e o marido chutou o bebê! Não sei como se livraram daquela vez, mas eu vou chamar a polícia agora mesmo.
- Acha que posso entrar? Se tem um bebê sozinho… – Remus disse, se contendo para não derrubar a porta.
- Eu bem que queria, mas é melhor esperar a polícia.
Remus ficou horrorizado, ele teve que controlar seus instintos, que mandavam derrubar a porta e levar seu filhote para longe daquelas pessoas, depois ele cogitava voltar e matá-los, mas Harry deveria ficar seguro antes. Os minutos pareceram uma eternidade e Remus mal pôde conter seu alívio quando uma viatura da polícia chegou, a vizinha explicou o que acontecia e os dois policiais fizeram caretas indignadas, se aproximaram da porta e ouviram mesmo o choro de Harry. Sem muita delicadeza arrombaram a porta, Remus e a vizinha ficaram olhando.
- Eu vou subir. – Disse um dos policiais.
- Não! Vem dali. – Remus disse, tremendo de ódio ao ver a pequena porta embaixo da escada.
Os dois policiais verificaram que a porta estava trancada, mas não tiveram dificuldades em arrombar. Os três trouxas começaram a xingar quando viram o cubículo escuro e malcheiroso onde Harry estava. O menino ainda chorava, estava com medo e no meio de um monte de trapos sujos. O cheiro de urina e fezes era forte e a mukher não pôde se conter, chorando foi até lá pegar o menino. Harry tinha parado de chorar, e só soluçava, trêmulo nos braços da mulher, ela chiou de raiva quando viu como o menino estava magro e foi Remus que apontou para os hematomas nos braços e coxas.
- Vocês vão prendê-los, não vão? Dessa vez vão fazer o certo? – A mulher perguntava, meio histérica.
- Vamos fazê-los pagar, não se preocupe.
Remus não podia ficar ali, podia sentir suas presas crescendo, suas garras aparecendo e sabia que seus olhos estariam de uma cor inumana, seu lobo queria sangue e ele não ganharia nada ficando ali e matando trouxas inocentes. Escapou para fora da casa, lançando um olhar ferido para Harry e desapareceu para um beco perto do Cadeirão Furado. Quando entrou no mundo mágico, não perdeu tempo em retribuir acenos, ele tinha formado um plano e tinha que executá-lo o mais rápido possível. Ele correu até o Ministério, onde sabia que poderia encontrar quem procurava.
X~X~X
Lucius estava terminando de revisar seus relatórios quando a porta de sua sala abriu violentamente, dando passo a um incrivelmente ofegante e suado Remus Lupin.
- Que demônios é isso? – Ele perguntou, sem perder a postura.
- Eu preciso da sua ajuda.
- Matou alguém? – Lucius perguntou, sério.
- Não. – Ele respondeu meio deslocado.
- Mordeu alguém? – O loiro continuou calmo, fitando os papéis que tinha na mão.
- Não. – Remus disse, sem saber a que vinha o questionário.
- Então não é tão horrível, pode muito bem dar meia volta e se fazer anunciar como um mago civilizado. – Lucius disse, torcendo o nariz.
O loiro não esperava que o pacato Remus Lupin agarrasse a gola de sua túnica com as duas mãos e o fizesse levantar da mesa só para arremessá-lo na parede.
- Escute muito bem Malfoy. Harry Potter está em perigo, meu filhote da idade do seu filho foi entregue a trouxas abusivos que o deixaram presos num armário, e a casa estava vazia! Ele estava faminto, sujo e maltratado. Vai me ajudar ou não?! – O lobisomem perguntou ameaçadoramente, apertando o agarre na roupa cara de Lucius.
- Eu posso pensar no seu caso, se me soltar. – Lucius disse, friamente, mas estremecendo ao sentir o poder e a masculinidade que emanavam de Remus nesse momento.
Remus soltou-o, ficando embaraçado por seu comportamento.
- Me desculpe por isso, pode culpar os anos que convivi com Sirius.
- Ou o seu desejo insano de me ter bem juntinho de você. – Lucius zombou, conseguindo fazer o lobisomem corar.
- Eu preciso de ajuda. Agora. É sério. – Remus disse, sem desviar seus olhos dos de Lucius.
- Entendi, agora, sente-se e me conte o que aconteceu.
Remus narrou os fatos com clareza analítica e ficou feliz de ver uma veia pulsando na testa de Lucius ao ouvir como encontraram o pequeno Harry.
- Espere aqui, sei o que podemos usar. Vamos ter o seu moleque pela noite se eu puder acessar o testamento do Potter. Não posso subornar os duendes, então vou ter que…
- Eu tenho as cartas da Lily, em algumas ela diz que se algo acontecer devo ficar com o Harry… ajuda?
Lucius olhou para Remus como se ele fosse da idade de Draco.
- Pode por favor me dar as cartas?
- Sim, não precisa ficar assim, nunca pensei em pedir a guarda do Harry. – Remus reclamou.
Lucius se recusou a responder e os dois saíram de seu escritório prontos para fazer a jogada que pressentia ser a mais importante da sua vida, até o momento.
X~X~X
Remus estranhou porque Lucius se dirigiu ao Controle de Criaturas Mágicas depois de eles terem recuperado seus parcos pertences que tinha guardado no Caldeirão Furado, como um favor da dona, que se derretia por seus olhos. Entendeu menos ainda porque ele e um funcionário cochicharam e confabularam até que o loiro teve um pergaminho em sua túnica e o funcionário uma bolsa cheia de galeões e um juramento inquebrável de nunca falar sobre aquilo com ninguém. O lobisomem estranhava os passos de Lucius, mas resolveu não questionar nada.
O loiro andou imponente pelos corredores do Ministério até chegar ao gabinete de Lucrécia McNair, a diretora de execução das leis mágicas.
- Olá meu caro Lucius, tanto tempo sem te ver pequeno. – Ela disse, educada, adorando ver como o herdeiro principal dos Malfoy ficava tenso ao ouvir “pequeno”.
- Sempre um prazer me encontrar com sua beleza, Lucrécia. – Ele disse, descarado.
- Oh, estamos bajuladores hoje. Mas não funciona muito bem quando sou mais velha que seu pai. Ainda menos quando está com um acompanhante tão peculiar. – Ela disse, medindo Remus dos pés a cabeça.
O lobisomem sentiu-se envergonhado de suas roupas surradas e simples, mas não iria se deixar humilhar.
- Este é Remus Lupin, é o preceptor de meu filho Draco. Esta é Lucrécia McNair, diretora do departamento de execução das leis mágicas.
- Um prazer. – Remus disse, acenando com a cabeça.
- Igualmente. – Ela disse, com voz neutra. – Em que posso ajudá-los?
- É assunto delicado. O que poderíamos fazer se um pequeno mago foi entregue a uma família trouxa que o tem maltratado e machucado? – Ele perguntou.
Ela franziu o cenho e crispou os lábios. Era uma puro sangue e para eles maltratar crianças era algo irreal.
- Como disse? Um pequeno mago maltratado?
- Temo que da forma mais cruel. Ele é só um bebê, mais ou menos da idade do meu filho. Imagina essas coisas acontecendo com um bebê? – Lucius disse, passando para ela os relatórios da polícia e do Serviço Social trouxa, que tinha providenciado enquanto Remus resgava as cartas no Caldeirão Furado.
Remus sentiu uma chispa de esperança quando viu como a mulher amassava as bordas do papel, indignada com o que lia.
- Harry Potter? Você está falando de Harry Potter? – Ela concluiu, escandalizada.
- Infelizmente sim. Sabe como Dumbledore insistiu para que ele fosse entregue aos parentes trouxas da mãe. Ele se recusou a dá-lo a Remus Lupin, que hoje presenciou a cena que está descrita ai. Se prestar atenção, verá que não é a primeira vez que os tios dele são reportados por abusos. – Ele disse, calmamente.
- Sim, eu li. E veio aqui porque precisa de respaldo para trazer o pequeno salvador. Para os braços de um lobisomem, nada menos? – Ela disse, severa.
- Lupin já era um lobisomem quando se tornou amigo dos pais do salvador. E todos o sabiam e mesmo assim o nomearam padrinho do menino. – Lucius salientou.
- Depois de Sirius Black, condenado por ter traído os melhores amigos. O juízo do casal Potter não é exatamente confiável.
Remus estava se irritando.
- Sirius não foi condenado, foi enviado para a prisão sem julgamento! – Ele disse, duramente.
- Sim, mas reconheceu que a culpa foi dele. – Ela disse. – Não pense que gostei dessa prisão sumária, mas eram outros ânimos nessa época, as coisas se acalmaram um pouco.
- O que nos leva a questão. Tenho cartas da própria Lily Potter, onde reconhece seu desejo de que Remus cuide de Harry se algo acontecer, e outras onde diz também que só elegeram Sirius como primeiro padrinho porque , caso contrário ele faria a birra do século
- Isso é bom, mas esbarramos nas atuais leis dos lobisomens. – Ela disse, sorrindo, estava louca para saber como o loiro planejava sair dessa.
- Como pode ver aqui. O sr. Lupin é meu empregado há alguns meses e podemos arranjar para que ele more na mansão, assim vai poder ter toda a proteção de Malfoy Manor e é claro, do meu nome.
Ela pegou o pergaminho do CCM, onde lia-se que Remus tinha permissão para trabalhar para os Malfoy e que tinha um comportamento exemplar.
- Isso é bom, mas vai precisar de algo mais pesado para derrubar as vontades de Dumbledore.
- Pensei que pudesse me ajudar com as leis mágicas de herança e tutela.
- Claro que posso, com um preço. – Ela disse, sorrindo de forma predatória.
- Eu não posso pagar muito. – Remus disse, derrotado, pensando que se tratava de ouro, coisa que fez os dois slytherins revirarem os olhos.
- Não é de dinheiro que estou falando, moleque tolo. Preciso de um sucessor, o meu atual segundo é um Hufflepuff que não serve para nada, estou pensando em você Lucius.
O loiro sorriu de lado.
- Isso é um preço pequeno a se pagar, minha cara.
- Estou de bom humor hoje, além de me lembrar com carinho do seu pai. – Ela disse, sugestivamente.
Lucius evitou com custo a careta de nojo ao pensar na vida sexual do pai.
- Então, o que devemos fazer agora?
- Vá até Fudge, sei que o tem enrolado no dedo mindinho e babando por você. Faça uma petição de tutela urgente em nome de Lupin, invoque a lei antiga Vinculum Patre na frente do Wizengamot. A lei é mágica antiga, vai obrigar que o Wizengamot siga o que os pais determinaram para o filho, se as cartas forem verdadeiras e o espirito de Lily e James Potter abençoam que o sr. Lupin fique com os filho deles, vai ser mais rápido que dizer quadribol. – Ela disse, sorrindo triunfal.
Remus sentiu as pernas bambearem, seria assim tão fácil?
X~X~X
Convocar reuniões extraordinárias do Wizengamot era mais fácil quando se tinha poder e influência. Lucius Malfoy tinha os dois, mesmo que enfraquecidos depois da guerra. Ele escreveu cartas rápidas para seu pai e Severus explicando a situação enquanto Lupin se via desconfortável num túnica nova da cor areia. Lucrécia tinha providenciado a roupa antes de deixá-los sair de sua sala dizendo que ninguém ia acreditar que um maltrapilho trabalhasse em Malfoy Manor.
- Como vou pagar vocês? – O lobisomem perguntou, de repente.
- Vou pensar em alguma coisa, posso te garantir. – Lucius disse.
Remus engoliu em seco, se sentia como que fazendo um pacto com o diabo. Mas parou de pensar em si e focou em Harry quando as portas do Wizengamot se abriram e ele e Malfoy entraram. A primeira pessoa que o olhou furibundo foi Dumbledore, de seu lugar de prestígio. Remus devolveu o olhar em branco, ele teria sua vingança, mas ainda não era a hora.
Quando Lucius começou a falar, ele se desconectou dos gritos indignados e das discussões acirradas. Ele se concentrou em sentir a magia invocada pela lei, quase chorou quando viu as figuras de James e Lily a seu lado, sorrindo para ele. Depois disso Lucius ainda teve trabalho para acertar os termos de sua guarda de Harry, mas ele não queria saber porque o loiro esbravejava contra as solicitações de Dumbledore, aceitas pelo Wizengamot, o importante era que ele teria seu filhote.
Quando saíram da sala, Lucius parecia irritado.
- Por que esse sorriso idiota? Prestou alguma atenção no que o velho conseguiu? Ele ainda pode…
Remus não se conteve mais, empurrou Lucius de costas numa pilastra e encaixou-se entre as pernas do loiro. Beijou-o com paixão quase animal, coisa que deixou o loiro sem reação.
- Esqueça o velho, eu vou poder ter Harry! – Disse com voz grossa e áspera, seu lobo muito desperto para ser ignorado.
- Tão gryffindor. Se vai tornar um hábito me jogar nas paredes…
Remus piscou, incrédulo ao se dar conta do que tinha feito. Soltou o loiro rapidamente.
- Me desculpe, me desculpe! São meus instintos, Moony anda muito desperto por causa dessa situação e…
- Poupe saliva Lupin, quer tirar seu novo filho do orfanato ou não?
Remus assentiu rapidamente, nem acreditava que teria Harry em seus braços ainda essa noite.
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