Um Novo Caminho
33 A solução mais simples
Notas iniciais
Lucius já tinha estado em situações que o deixavam com os nervos à flor da pele antes. Ele participou de uma guerra e esteve sob o comando de Voldemort quando o homem estava insano e distribuía cruciatus e maldições entre seus comensais como se fossem doces, ele tinha mantido sua calma e a máscara de polidez e indiferença que tinham salvado sua vida um par de vezes, essa frieza ao lidar com fatos desagradáveis e situações potencialmente mortais foi o que o impulsionou a agir com calma e precisão. Dumbledore estava concentrado em Voldemort, o que o deixava vulnerável a ataques de outras direções, sua mão e sua voz não tremeram quando o atacou:
– Diffindo!
Remus não sabia quem parecia mais surpreso, se Dumbledore, Voldemort ou ele mesmo. A mão do diretor, que segurava a varinha caiu sob o ataque preciso de Lucius, ao mesmo tempo em que Voldemort tinha acabado de esquivar agilmente da maldição mortal. O rugido indignado de Dumbledore, mescla de dor e puro ódio colocaram-nos em ação novamente, mas dessa vez, Tom foi mais rápido, lançando uma maldição que acertou a outra mão de Dumbledore, aumentando os urros do homem, que dessa vez teve a outra mão queimada magicamente.
– Ele ainda tinha a outra mão. – Tom disse, praticamente cantarolando como a louca de sua ex-cunhada. – Eu juro, Lucius, às vezes você é tão descuidado.
– Às vezes, agir é melhor do que falar. Soluções simples geralmente são as ideais para situações complicadas, quem diria que um diffindo ia acabar com o grande Dumbledore? – O loiro disse, com nojo.
– Vocês vão pagar! – O velho rugiu, pálido e em seus joelhos. – O mundo mágico vai saber! Eu vou destruir suas vidas! Todo mundo vai saber que você é Voldemort! Quando eu terminar, os Malfoy não vão ser nada, todos vão querer seu sangue por ter ajudado esse insano! Espere até Harry descobrir, ele vai…
O homem engasgou, mas não porque Tom ou Lucius feito alguma coisa, mas porque Remus tinha a mão firmemente enrolada em sua garganta, os olhos amarelados brilhavam no cenário escuro do Ministério.
– Lucius certamente vai querer brincar um pouco antes de te mandar para o inferno, mas não pense que antes disso não vou arrancar sua pele em tiras, principalmente se falar no meu filho!
– Ele não é seu… se uniu a um portador seco por dentro, que nunca podeira te dar filhos, pelo pra isso Lily serviu! – O homem ainda zombou, e ficou surpreso quando Remus sorriu maldosamente.
– Em outros tempos eu quebraria o seu pescoço e te mataria rapidamente, mas meu portador seco por dentro, como você o chama, vai ter seu tempinho com você… e desconfio que nem ele, nem seu outro amigo psicopata vão ser misericordiosos. – O lobisomem se virou e viu sorrisos igualmente perigosos nos rostos de Tom e Lucius. – Não faça nada que possa te comprometer, vou buscar Harry e Sirius.
– Não podem pensar que vão escapar com isso! É insanidade! – Dumbledore disse, com ar de indignação.
– Não se preocupe, professor. – Tom disse, seus olhos. – Você vai morrer protegendo o mundo mágico do famigerado Voldemort.
– Não pense que vou deixá-lo ir rápido. – Lucius disse, com ódio. – E Severus vai querer um pedaço dele, também.
Tom revirou os olhos.
– Eu tenho um plano, e por sorte, não estou insano, o que faz de mim o mais esperto de nós dois, agora… vamos trabalhar. – O antigo e louco Lorde Voldemort tinha voltado por um tempo, só para Dumbledore aquela noite.
X~x~X
Harry tinha sido capaz de alcançar Bellatrix, mas a mulher era uma duelista afiada e tinha rido de sua tentativa de detê-la com uma cruciatus.
– Ah, meu rapaz. Não pode lançar uma cruciatus se não sente o ódio necessário, a vontade de machucar alguém é essencial para fazer essa maldição corretamente, aqui, deixe-me te mostrar.
Harry sabia que adiantava pouco correr, e logo estava no chão, se retorcendo de dor. Sentia seu corpo queimando, como se seu sangue fervesse e suas juntas se retorcessem dolorosamente, seus gritos só pararam quando alguém distraiu Bellatrix. Era Kingsley Shacklebolt, o auror amigo de seu padrinho. Harry não se sentia forte o suficiente para avisá-lo sobre como a mulher era perigosa, ainda sentia seu corpo tremendo incontrolavelmente, quando tentou se mover foi como se mil agulhas atingissem seus membros, não conseguiu ajudar, teve que assistir impotente como Bellatrix derrubava o auror através do véu da morte, e mais uma vez ela riu para ele, como se soubesse como isso o deixava mal, como um escárnio final.
– Agora, pequeno mestiço, podemos continuar nossa festa. – Ela disse, andando para perto dele.
– Expeliarmus! – Uma voz potente e conhecida gritou, fazendo a mulher rebotar na parede e sua varinha voar.
Severus parecia disposto a matar a mulher ali mesmo, mas foi interrompido por uma série de explosões.
– Bella! Eles pegaram Rabastan! Vamos embora! – Rodolphus gritou, envolvido numa luta com três aurores.
A mulher soltou um grito indignado.
– Não sem ele!
– Não podemos vencer aqui, vamos! – O homem disse.
Rangendo os dentes, a mulher sacou uma segunda varinha das vestes e três chaves, uma jogou habilmente para o marido, que desapareceu assim que a tocou e a outra ela segurou com força por alguns segundos.
– Vocês vão pagar por isso. – Ela disse antes de desaparecer no ar também.
– Espero que esteja contente. – Severus disse, chegando perto dele. – Agora já sabe como é uma batalha de verdade.
Harry não reclamou quando o pocionista o ajudou a se levantar e o fez engolir uma poção para dor goela abaixo.
– Eu não vim por diversão. Foi por vingança. – Harry disse, se sentindo melhor depois da poção, mas ainda sacudido física e mentalmente pelos acontecimentos.
Severus contou até dez mentalmente, não queria brigar com Harry, Remus com certeza não iria tolerar esse tipo de comportamento, e foi apenas pensar no lobo para que ele aparecesse no local, parecendo disposto a enfiar algum juízo na cabeça do filho nem que fosse nos tapas.
– Vingança não é um opção quando você não pode lidar nem com os subordinados mais fracos dele. Vingança não é uma opção quando você não passa de um garotinho mimado que age sem pensar e coloca todo mundo em risco!
– Deveria ser quando vocês estão tendo reuniões com ele! – Harry gritou, irritado com Remus. – Acha que eu não vi como Lucius e Severus estavam negociando com ele? Voldemort matou meus pais! Ele destruiu minha vida!
– Sua vida, seu moleque inconsequente, é melhor do que poderia esperar! Você não conhece fome, frio ou maltrato! Nós te criamos cercado de amor e esperávamos que bom senso, mas parece que superestimamos sua capacidade de obedecer ordens simples!
– Eu tinha que fazer alguma coisa! – Harry disse, nunca tinha visto Remus tão alterado, mas também estava com raiva. – Não me culpe por não esperar sentado na escola enquanto via como ele planejava ataques ao Ministério! O diretor tem razão, eu tenho que detê-lo!
– Você esteve falando com Dumbledore?! – Remus praticamente grunhiu.
– Ele era o único disposto a me dar informação! – Harry disse, ciente de que tinha revelado demais. Seus encontros com o diretor na Casa dos Gritos tinham sido seu segredo mais bem guardado aquele ano. – Ele me contou sobre como…
– Ele é um mentiroso habilidoso e um manipulador de primeira classe! No que diabos estava pensando? Faz ideia do que eu e seu pai passamos para poder tirá-lo das garras desse lunático? E agora está me dizendo que por sua própria vontade foi até ele e ficou ouvindo suas sandices? – Remus estava lívido, não podia acreditar no tamanho da falta de juízo de Harry.
– Eu precisava saber! Você e Lucius só me dizem que sou novo demais, que não tenho que saber! É frustrante! – Harry gritou, se irritando por estar levando sermão na frente dos aurores e de Severus, que estavam lidando com Rabastan e vasculhando o local para tentar achar pistas de Bellatrix.
– Porque você é! E colocar todo mundo em perigo por causa das suas inseguranças adolescentes não mostra maturidade, Harry. – Remus disse. – Só que precisa ficar trancado na mansão para criar juízo!
– Não podem fazer isso de novo! Não podem me tratar como um prisioneiro, não tem o direito de fazer esse tipo de coisa.
– Somos seus…
– Vocês não são meus pais! – Harry disse, com lágrimas de frustração em seus olhos. – Eles eram, e eu não aguento mais sonhar com a morte deles… é como um castigo.
Remus resistiu a vontade de sacudir o rapaz, seu lado lobo e alfa reagia muito mal a um desafio de seu filhote, mas ele sabia que Harry tinha estado sob muita pressão esse ano. Colocou a mão atrás do pescoço do rapaz e o puxou para um abraço.
– Claro que somos seus pais, seu imbecil, não diga coisas assim. E temo que o diretor passou um tempo brincando com a sua cabeça.
– Isso era Voldemort, ele queria me provocar e…
Harry parou de falar quando todos puderam sentir a explosão e uma onda de magia poderosa estremecer as estruturas do Ministério.
– Que diabos foi isso, Remus? – Severus perguntou, com os olhos arregalados.
– Acho que o mundo mágico se livrou de um bruxo das trevas. – E não era Voldemort, ele só estava surpreso pela rapidez com que o antigo Lord e Lucius tinham lidado com isso.
X~x~X
Lucius não podia acreditar que o poderoso Dumbledore tinha caído tão fácil, e que ele lhe tinha permitido uma morte tão rápida. O velho tinha gritado e esperneado, mas ao parecer, o feitiço do antigo Lord Voldemort tinha-lhe sugado a magia, e o homem reagiu como se lhe arrancassem a pele, mas ainda era pouco na opinião de Lucius.
– Acontece muitas vezes. Bruxos tão poderosos quanto ele se tornam extremamente arrogantes e descuidados, quando tirou-lhe a mão o chocou o bastante para tornar nosso trabalho fácil. – Voldemort disse, lendo-lhe as dúvidas e terminando de enfeitiçar o corpo que tinha invocado logo após lidar com Dumbledore.
– Ele morreu muito rápido! – Lucius disse, pensando em seu pai.
– Não seja tolo, acha mesmo que eu ia deixá-lo passar dessa para uma melhor tão fácil? – Tom perguntou, com expressão de burla.
– Mas… o feitiço que usou, senti a magia dele explodir. Ele está morto. – Lucius disse, olhando o corpo caído.
– Ele parece morto e está sem magia. – Tom disse, dando um chute nas costelas do velho. – Qualquer medimago que o examine vai te dizer isso, mas acredite, sua mente está funcionando perfeitamente, e em alguns dias ele vai poder voltar a se mover, mas vai estar enterrado num caixão, vai definhar lá dentro, e vai ter anos para pensar sobre o que fez e como é patético.
– Anos porque vamos colocar feitiços de conservação em seu ataúde. – Lucius disse, sorrindo ao imaginar o velho enlouquecendo numa caixa escura. – E um escaravelho carnívoro, porque diversão nunca é demais.
Tom sorriu de lado.
– Como você terminou enrolado com um gryffindor sendo tão retorcido, só Merlin sabe.
Lucius deu de ombros.
– O que ele não sabe não pode feri-lo, vamos dizer que Severus é o único além de nós que vai saber desse segredinho. – O loiro disse, com um sorriso perigoso. – Agora, por que está desfigurando um cadáver?
– Oh, esse sou eu. Dumbledore conseguiu matar Voldemort, quando esse mago das trevas horrível foi ressuscitado com o sangue do seu Potter voltou com esse aspecto horrível corrompido por tanta magia negra.
Lucius fez uma careta de desgosto.
– Então, está me fazendo parecer um imbecil que seguiu um mago sem nariz e com cara de cobra? – Lucius perguntou. – E Dumbledore vai virar um herói?
– Bom, sempre podemos revelar os trapos sujos do velho, mas isso prejudicaria mais as vítimas que ele.
– Além disso o mundo precisa de alguns mitos. – O loiro concordou. – Tenho que ir ver o que Remus está fazendo com Harry, sugiro que vá controlar seus comensais, se quer que essa história se sustente, vai ter que controlar o círculo de confiança. Não acho que aqueles malucos vão gostar de suas diretrizes novas.
– Sempre posso matá-los e resolver o problema. – O homem disse, com um brilho avermelhado nos olhos.
Lucius assentiu, você podia até domar um lobo, mas ele sempre teria os instintos selvagens bem ali, à flor da pele.
X~x~X
Bellatrix não podia acreditar no que estava ouvindo. Seu mestre estava falando numa reunião de emergência após o malfadado ataque ao Ministério, e nada do que o homem dizia fazia sentindo. Ela se sentia zonza de ódio e desprezo. Eles tinham se livrado de Dumbledore, o símbolo maior da resistência da luz, mas em vez da guerra e do sangue que ela ansiava, o Lorde falava de contenção e manobras políticas. A caça aos sangue ruins e traidores do sangue não aconteceria. Ela mal podia respirar normalmente, ela e Rodolphus tinham perdido Rabastan naquela noite, ele fora capturado pelos aurores e em vez de articular um ataque para tê-lo de volta, seu mestre, seu adorado Lorde falava em políticas mais amenas.
– CALE-SE! – Ela rugiu, chamando a atenção. – Como se atreve? Nós demos nosso sangue e nossos melhores anos para você! Para massacrar essa escória! E agora que temos a real oportunidade quer ser a porra de um político?! Por acaso perdeu os culhões no Ministério?
Tom nunca teria esperado essa reação de Bellatrix, mas esse não era o tipo de insulto que pudesse deixar passar sem um castigo, levantou sua varinha e acertou uma cruciatus em sua seguidora mais fiel, que caiu no chão chiando, mas com ódio no olhar.
– Nunca se esqueça de com quem está falando, Lestrange. – Ele silvou, perigosamente perto de matá-la. – Eu não…
Ele foi interrompido por uma explosão, o esconderijo estava sendo atacado.
– São os lobisomens de Greyback! – Alguém gritou.
– São os meus lobisomens. – Rodolphus corrigiu, com um brilho feroz no olhar e um sorriso insano, talvez mais do que o de sua esposa. – Eu não tenho medo de sangue-ruins e traidores! O Lorde é um traidor! O Lorde é um traidor!
Tom borbulhava de fúria, mas o pânico já tinha se desatado entre seus seguidores, havia lobisomens atacando e Bellatrix e Rodolphus aliciavam comensais para seu bando desertor, Tom decidiu que era melhor sair dali. Mais tarde decidiria o que fazer com o que restara de seus comensais, com sorte, muitos morreriam nessa brincadeira.
X~x~X
Rodolphus e Bellatrix sorriram ao ver que tinham ficado com os melhores aliados, os irmãos Carrow, Mcnair sênior, entre outros, todos dispostos a continuar sua luta, e já tinham dado o primeiro passo. Claro que os idiotas do Ministério estariam ocupados festejando a queda de Voldemort, eles não estariam prestando atenção a segurança e sim planejando um funeral para Dumbledore. Foi a melhor hora para uma “vingança” pela morte de seu líder. Bella não era uma tola, que Voldemort tivesse encenado sua morte era sua vantagem, ninguém fora do círculo interno sabia sobre a origem do Lord, os comensais considerados mão de obra sempre foram enganados para imaginar que o Lord era algum tipo de monstro, só os que estavam no cemitério eram do círculo de confiança e agora estavam mortos ou do lado deles, menos Narcissa, mas ela era outra história. As divagações de Bellatrix foram interrompidas por um grito feminino, finalmente, ela era difícil de quebrar.
– Oh, amor, pensei que estava perdendo o jeito. – Ela disse, sorrindo para seu marido docemente.
– Ela é uma serpente, não é como ele. – Rodolphus disse, chutando o o Ministro.
– Ela não é dos nossos se abria as pernas para essa coisa repugnante. – Bella disse, apontado para Fudge. – Sério Lucrécia, eu esperava mais.
– Vá para as profundezas, Lestrange. – A mulher amaldiçoou, sua voz apenas um murmúrio em virtude da fraqueza, estava com os cabelos empapados de sangue, em uma poça de sua própria urina, a cruciatus não era uma maldição que deixasse muita dignidade a ninguém.
– Você primeiro. – Bella disse, mais lúcida do que esteve em anos. – Mas quero que assista uma coisa antes, estou furiosa porque estão com meu Rabastan, quero que veja antes de morrer como é sentir ter alguém arrancado de você.
Os olhos de Lucrécia permaneceram abertos, ela era incapaz de deixar de olhar, um feitiço de Rodolphus, que a fez registrar como Bellatrix espalhava o sangue de Fudge pelas paredes escrevendo “Morte aos traidores”, era um espetáculo mórbido porque ele ainda gemia e pedia piedade, ele só morreu depois, quando ela o partiu ao meio com um feitiço cortante.
– Você é doente. – Ela disse. – Os dois são.
– Uma pena que não vai ficar pra ver como vou me divertir agora.
O sorriso lunático de Bellatrix foi a última coisa que Lucrécia viu na vida, ela só pôde desejar que a outra mulher se retorcesse em agonia por anos a fio antes de morrer.
X~x~X
Lucius estava furioso, na verdade, furioso era uma definição até branda do atual estado do loiro Malfoy. Harry estava numa encrenca sem tamanho. Depois que Lucius o tinha achado na sala dos Mistérios ao lado de Remus, os três tinham ido para Malfoy Manor mais rápido do que poderiam dizer pomo. O adolescente escolheu o silêncio, muito sabiamente na opinião do loiro, que pensava que poderia pela primeira vez na vida dar uma surra no rapaz depois de ouvir o que Remus tinha dito.
– Deixe-me ver se eu entendi direito. Você terminou com a srta. Granger porque achou melhor não tê-la por perto enquanto voltava a entrar na mente de Voldemort, porque ela nos diria.
Harry odiava quando Lucius o olhava daquele jeito, ele pretendia ficar em silêncio, mas já estava com vontade de chorar apesar de saber que era uma atitude bastante infantil e covarde.
– Eu estou uma resposta, Harry. – Lucius disse, em seu tom mais glacial.
– Eu terminei com a Mione porque realmente era injusto continuar namorando quando ela me amava e eu… eu não gostava do mesmo jeito. – O jovem se justificou, nem pensando em enganar Lucius, o homem farejava mentiras de longe. – Eu não podia deixá-la pensar que era sério como… Ron e Draco.
Lucius catalogou a pontada de amargura na voz do rapaz, mas não estava nem de longe pronto para amainar sua fúria.
– Você conscientemente nos desobedeceu. Eu te disse como era perigoso usar a conexão que você e Voldemort parecem ter, é exatamente o tipo de coisa idiota que…
– Um gryffindor faria? Ou vai culpar os meus genes trouxas?
O tapa que ressoou na sala surpreendeu tanto a Harry quanto a Remus, ele não pensou que Lucius faria algo do tipo, nunca. Ele era o pavio curto e não o loiro.
– Eu nunca, nunca te amei menos por causa dos seus pais, se repetir isso de novo, vamos ter problemas. – Lucius disse, ainda sem perder a compostura. – Sua mãe era uma das bruxas mais geniais da geração dela, faria bem em lembrar que ela morreu para te proteger e que quando nós te dizemos para não brincar com a mente de um mago praticante de magia das trevas e especialista em legimência é para não brincar, porra!
Harry se impressionou pelo palavrão, Lucius nunca falava dessa maneira e a veia que pulsava em seu pescoço era realmente preocupante, mas seu rosto ardia e o jovem colocou os óculos no lugar antes de falar com a maior clareza que conseguia mesmo com as lágrimas querendo sair de seus olhos e a sensação ruim que ele tinha na boca do estômago.
– Ela era ruiva, e o cabelo esvoaçou enquanto ela corria para o meu berço e gritava pouco antes de morrer, a luz da maldição da morte iluminou todo o quarto e ele riu, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. E você e Severus estavam numa reunião com ele, o diretor foi o único que quis me dizer sobre a guerra, foi ele que…
– O diretor está morto porque era um cretino manipulador e o maior mal do mundo mágico. Esteve ativamente envolvido nas duas primeiras guerras do mundo bruxo, Tom Riddle, que você conhece melhor como Voldemort foi seu aluno mais brilhante, mas Dumbledore precisava de um vilão, já deve ter percebido que hérois precisam de um mal para combater. Seu falecido amigo, o diretor, usou um menino órfão, um bruxo criando num orfanato de péssima categoria para seus propósitos, quem acha que o apresentou a magia negra? Não pode oferecer esse tipo de conhecimento para um slytherin e esperar que ele não faça nada a respeito, Dumbledore era o homem que segurava as cordas de Voldemort. – Remus disse com uma calma quase irritante, no mesmo tom de voz que usava para dar aulas.
Harry ouviu calado.
– Voldemort realmente estava insano quando matou James e Lily, sua alma estava tão contaminada pela magia negra que ele enlouqueceu. Não pense nem por um minuto que eu o perdoo por tudo que fez, por Merlin, eu o mataria usando só as mãos, mas no final, todos fomos instrumentos de Dumbledore.
– Mas…
– Eu não terminei. – Remus disse severamente. – Parte da sua idiotice é nossa culpa, te mimamos e tem razão, não te dissemos absolutamente nada de importante, sabe por quê? Eu queria que tivesse uma vida normal, que não precisasse saber como o diretor da sua escola gosta de quebrar seus peões, como ele me mandou para um pedófilo quando eu era só uma criancinha, ou de como ele deixou Sirius ir para Azkaban para poder te mandar para os parentes trouxas da sua mãe. Sua tia e seu marido te trancavam num armário e quando te resgatei era tão magro que Severus teve que passar dois anos te preparando fortificantes. Ele matou Abraxas, aquele seu avô extremamente apaixonado por você e por Draco, que os mimava até a perdição. Desculpe-me se te deixamos no escuro, mas a ignorância às vezes é uma benção. Você é só uma criança, não precisa saber das coisas feias do mundo, não ainda.
– Eu não sou uma criança. – Harry disse, se sentindo horrível pelo que tinha ouvido. – Eu vejo coisas feias nos meus sonhos, aqueles que o amigo do seu companheiro me deu de presente.
Lucius crispou os lábios, lutando contra a fúria novamente.
– Vá para o seu quarto, vamos conversar quando todos estivermos mais calmos. – Lucius disse, esperando que essa escolha fosse a mais acertada no momento, sua raiva não era por causa do menino e sim pelas descobertas daquela noite.
– Eu quero ir para a escola.
– Não, você vai ficar em casa, ainda tem que ver o medimago por causa da cruciatus que recebeu. – Lucius disse. – Vá para o seu quarto, assim que o medimago chegar vamos até lá.
Harry assentiu e subiu as escadas com ar arrasado e dores nos músculos, não só de tensão, mas realmente, lutar o tinha deixado acabado.
X~x~X
Lucius suspirou profundamente assim que o adolescente ficou longe de suas vistas. Serviu-se de um copo de uísque de fogo e o bebeu lentamente, desfrutando da sensação de calor em seu peito e o sabor forte. Ele e Remus ficaram em silêncio por um tempo.
– Eu odeio a adolescência. – Remus disse quando se cansou do silêncio.
– Eu bati nele. – Lucius disse, levemente chocado com sua ação.
– Sim. – O lobisomem confirmou.
– Ele nunca vai esquecer.
– Essa é a ideia, mas em alguns anos vai estar envergonhado das ações dele e não irritado com você. Vou chamar o medimago, vá ajudá-lo a sair daquelas roupas e tomar um banho.
– Mas ele está bravo comigo. – Lucius disse, como uma criança.
– Ninguém nunca disse que ser pai é divertido.
Lucius bufou, mas subiu as escadas, disposto a ter mais uma conversa com o rapaz, uma mais franca e menos temperada com os sentimentos de perda e raiva que voltou a sentir ao descobrir que seu pai fora assassinado. Quando entrou no quarto de Harry e o achou escuro pensou que o rapaz o tinha desobedecido de novo e se preparava para achá-lo e arrancar sua pele, mas viu a porta do banheiro aberta e foi até lá. Harry estava sentado no chão ao lado da banheira, o adolescente estava abraçando seus olhos e tremia visivelmente. Lucius acendeu as luzes com um passe de varinha.
– Harry? O que foi? – O loiro perguntou, se ajoelhando ao lado dele e verificando-o para ferimentos que talvez não tivesse percebido antes, já se xingando mentalmente por não ter revisado o rapaz antes de começar o sermão.
– Minha mãe, meu pai, Cedric, Kings… todo mundo morreu por minha culpa. Porque sou muito fraco. – Harry disse, as lágrimas que tinha tentado segurar finalmente saíram de seus olhos.
– Não foi sua culpa, meu amor. – Lucius disse, preocupado com a angústia nos olhos do rapaz.
– É sim. – Harry teimou, ainda chorando abraçado ao loiro. – Eu não paro de sonhar com ela, ela era bonita e gritou… e ele ficou rindo, toda noite é a mesma coisa.
– Toda noite? Por que não nos disse?
– Porque ninguém gosta de falar nisso! – Harry voltou a explodir, entre soluços. – Vocês gostam de fingir que nunca aconteceu e…
– Acho que o diretor te amaldiçoou, para alguém como ele, que tinha uma incrível habilidade com legimência é algo fácil de se fazer, não devia ter se aproximado dele, garoto tolo. – Lucius disse, beijando-lhe os cabelos. – Agora, vamos tomar um banho, o medimago vai vir e te ajudar a se livrar dos pesadelos e dos efeitos da cruciatus… e eu vou ajudar a preparar a tumba desse velho maldito.
Harry não deu atenção a última parte, mais preocupado em tirar a camiseta e ser o alvo das atenções de Lucius, esse ano já tinha sido infernal o bastante. Ele não queria saber se seu pai adotivo ia profanar o corpo do diretor.
X~x~X
Draco não podia acreditar no que lia no jornal, Harry tinha estado no Ministério durante uma luta entre o Lord das Trevas e Dumbledore, os dois estavam mortos, sua tia tinha assumido o posto de Lady das Trevas e matado o Ministro e a Chefe do Departamento da Execução da Lei Mágica, com direito a usar o sangue do Ministro para escrever suas ameaças na parede da casa do homem.
– Merlin…
– Tenho certeza de que ele está bem, seus pais já teriam vindo avisar se algo ruim tivesse acontecido.
– O que podia ser pior que isso, Ron? – Draco perguntou, pensando não só em Harry no meio disso tudo, mas em sua mãe e os dois pais.
– Bem, alguns deles podia ter morrido. Seja prático, amor, se estão todo bem podemos lidar com o que vier.
– Por quê tenho a sensação de que ainda não passou? Posso sentir nos meus ossos que o perigo ainda está aqui. – Draco disse, realmente sentindo um mal estar físico depois de ter lido as notícias.
– Seja lá o que vier, enfrentaremos juntos. – Ron disse, segurando sua mão.
Draco sorriu para seu ruivo, imaginando porque sentia esse frio, essa sensação de perigo. Algo ruim estava por vir e o loiro não podia sossegar antes de colocar a todos que amava em segurança.
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