Um Nobre Apaixonado
9 Capítulo 9 - Tudo Começa a Se Encaixar
Notas iniciais
POV CARLISLE
Depois da cena que Rosalie faz durante o jantar fui para meu quarto. Tentei dormir, mas a hipótese de ter um traidor em meu Reino, ou melhor, em meu Castelo, minha casa, isso me deixava sem sono. Eu não podia submeter meus filhos a esse risco, eu sabia que quem estava me dopando era o general, mas conhecendo o tipo dele, eu pude ver que ele não era inteligente o bastante para planejar tudo isso sozinho. Passei praticamente a noite toda acordado. Pela manhã desci para tomar café. Quando cheguei à mesa, Rosalie bufou e se levantou. Não falei nada, olhei para Eleazar, ele tinha uma expressão de pena.
- O Duque mandou um recado, senhor. – Eleazar disse.
- O que dizia o recado? – perguntei.
- Ele não poderá vir hoje, estava com alguns contratempos com a família de Sulpícia, Majestade. – Eleazar respondeu.
- Não faz diferença, dês que ele venha. Por um lado será bom ele não vir hoje, tem uma coisa que preciso resolver, ele poderia atrapalhar. Então aproveite e mande um mensageiro até Marcus, ele é padrinho de Rosalie, tem que estar presente. – falei serio.
- Sim, Majestade. – Eleazar respondeu.
Marcus era o único de meus três tios, que realmente sabia valorizar a família, ele realmente se considerava família. Marcus era viúvo, lembro-me que sua esposa morreu no parto e que sua filha havia nascido muito doente, morreu depois de alguns dias. Ele era uma pessoa sozinha e isolada, como a pessoa mais próxima da minha família, eu o convidei para ser padrinho de Rosalie junto de Tânia, uma das irmãs de Carmem. Ele sempre deu muita atenção e carinho a Rosalie, coisa que fortalecia cada vez mais o afeto dele por nossa família.
Depois de um café da manhã silencioso e totalmente estranho. Levantei-me e fui subir para a biblioteca, pude ver que o General Willian, Chefe da Guarda Real, começou a caminhar atrás de mim discretamente. Entrei na biblioteca e olhei pelas janelas de vidro, na direção da campina.
Hoje será o dia em que eu começarei a derrubar os traidores.
Passou um tempo Eleazar entrou na biblioteca.
- Majestade. – ele reverenciou-me.
- Vou até a campina. – falei sabendo que o General me ouvia.
- Tudo bem, queres que eu vos espere para mandar o recado a vosso tio? – ele perguntou.
- Não, pode mandar sem que eu esteja aqui, não sei a que horas retornarei. – respondi. Olhei em direção a porta que se mantinha entreaberta e me aproximei de Eleazar. – Arrume um novo General, não garanto que ele voltara. – falei baixo.
Eleazar me olhou desconfiado, mas assentiu. Sai do Castelo até os estábulos. Olhei para trás disfarçadamente e vi que o General vinha logo atrás de mim. Isso era bom, meu plano estava dando certo.
POV AUTORA
Na casa do Duque Aro tudo estava reluzindo a alegria dele. Uma etapa do seu plano estava cumprida, ele não teria mais motivos para adiar a morte do Rei, Rosalie e Felix já estavam noivos praticamente, nada mais poderia impedi-lo de assumir o trono. Com uma pessoa em tocaia permanente no Castelo Real era mais fácil, ele podia ver todos os passos que o Rei dava, caso Carlisle pensasse em desistir do casamento ele ficaria sabendo.
Logo pela manhã, um tão cedo, ou melhor, cedo até de mais. Sua “tocaia” estava em sua casa. Aro deixou sua esposa dormindo e foi até o jardim tratar de seus planos futuros. O General Willian estava com supostas novidades para contar, ele dizia ter descoberto coisas que futuramente poderia mudar a aceitação do Rei em ralação ao casamento de Rosalie e Felix.
- Diga logo, o que descobriste? – Aro disse em seu tom arrogante de sempre.
- O Rei, ele está com alguém. – Willian falou serio.
- Explique melhor. – Aro ordenou.
- Uma mulher. Suponho que o Rei esteja apaixonado, ele se encontra com uma mulher todos os dias pela manhã, normalmente até à tarde. – Willian disse.
- O que?! Diga-me o motivo que você tem para não tê-la matado ainda! – Aro gritou furioso.
- Eu não sabia se ela seria ou não uma ameaça, senhor. – Willian falou.
- Mate-a! Não, meu plano não vai ser estragado! Destruído! Não por qualquer mulher! – Aro disse. – O que está esperando?! Vá de uma vez! – ele completou aos berros.
Aro voltou para dentro de casa, deitou-se novamente, mas não consegui dormir, não com o pensamento que seu plano seria destruído.
Logo mais tarde, quando todos se levantaram ele mandou um mensageiro até o Castelo Real, dizendo que ele estava com problemas. Ele não teria capacidade mental de ficar lá, tratando de um casamento que poderia não acontecer por conta de qualquer uma.
Já no Castelo, Carlisle começou a ver o quão idiota estava sendo em não ver um traidor bem embaixo do seu nariz. Por não ter visto isso ele podia ter colocado toda a sua família em risco, deixando todos expostos. Por sua desconcentração deixou seus filhos expostos ao perigo... Deixou Esme exposta ao perigo.
Carlisle foi seguido até a entrada da campina, assim como queria, logo que chegou na entrada da campina “sumiu de vista”. O General caminhou mais um pouco na frente e olhou para os lados, ele não via o Rei em nenhum lugar a sua volta.
Então ele sentiu um braço em volta ao seu pescoço o puxando para trás. Ele virou rapidamente conseguindo acertar um soco no rosto de quem o segurava, conseguindo ver que era Carlisle. Carlisle cambaleou para trás, mas depois desse soco acertado em Carlisle o General não fez nada mais do que apanhar. Em poucos golpes Carlisle colocou Willian contra uma arvore e empunhou sua espada, colocando-a no pescoço do General traidor.
- Ma... Majestade?! O que houve senhor? – Willian disse nervoso.
- Um traidor no Castelo Real, tentando matar o Rei, e cada vez mais próximo. Como eu fui tão idiota em não ver que era você antes? – Carlisle disse engolindo seco.
- Há! Demorou, e enfim, o senhor está vendo que está sendo um completo idiota. – Willian riu sarcástico. – Muito bom, Majestade. – ele completou. Carlisle firmou a espada contra a garganta do traidor.
- Esse plano é bom demais para ter sido bolado por qualquer idiota feito você. Quem é? Quem mandou você me matar? Entrar de traidor no meu Castelo. – Carlisle falou.
- Não posso contar, mas olhe para os lados, ele está mais perto do que você pensa. – Willian disse.
- Não vou mata-lo. Você tem uma hora para sair do meu Reino. Dentro de uma hora meus guardas estarão atrás de você, então espero que você esteja longe, se não quiser ser queimado em praça publica! – Carlisle disse tirando a espada do General e o soltando.
- Acho que tenho que lhe agradecer. – Willian disse levando a mão a garganta.
- Agradeça-me quando estiver longe de Volterra. Agora vá! Antes que eu me arrependa e atravesse essa espada em sua garganta. – Carlisle falou.
Willian saiu praticamente correndo em direção contraria a campina. Carlisle foi para a campina e se sentou escorado na pedra, olhando na direção da água. Ele tocou a lateral de sua boca e olhou os dedos.
“Ótimo, agora vamos ter que explicar isso para Eleazar também. Era só o que me faltava.” – ele pensou irônico.
- Majestade. – ele ouviu.
Olhou para o lado. Esme o olhava, receosa. Ele levantou e foi até ela, sorrindo.
- Olá. – ele disse, ela sorriu. — Você sabe que não precisa me chamar de “majestade”. – Carlisle sorriu de volta.
- Tudo bem. – Esme suspirou. – Tudo bem? – ela disse tocando o rosto dele.
- Melhor agora que você está aqui comigo. – Carlisle murmurou aproximando seu rosto do dela.
Esme sorriu envergonhada. Ela ainda não estava acostumada com essa situação. Com o cavalheirismo de Carlisle, até porque seu falecido marido nunca fora a pessoa que a sociedade vira.
Carlisle segurou o rosto de Esme entre suas mãos e a beijou. De inicio, um selinho demorado, quando Carlisle tentou aprofundar o beijo sua boca começou a doer. “Ótimo”- ele pensou sarcástico se afastando de Esme.
- Ai. – ele disse.
- O que houve? – ela perguntou preocupada.
- Nada, só machuquei a boca. Mas deixa, não está doendo tanto assim. – ele respondeu.
Os dois riram e voltaram a se beijar.
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