Um Nerd em Minha Vida
4 Russo?
Notas iniciais
XxX
Edward PoV
— Edward, o que me diz de ganhar mais alguns bônus... GORDOS?
Bônus GORDOS? Coisa boa com certeza não ia sair dali. Para Bella estar querendo me dar bônus gordos, isso sem dúvida envolveria alguma espécie de humilhação pública.
— Isso é muito estranho. O que você quer, Bella? – Perguntei completamente desconfiado.
— Ora, Edward. Nada demais... mesmo. – Ela disse maliciosamente. – Eu estou lhe oferecendo bônus gordos só para que você me deixe te arrumar que nem gente durante essas semanas de estudo até as provas.
Okay, isso foi completamente ridículo. Bônus para me produzir? Antes eu tinha minhas dúvidas, mas agora eu tinha certeza que ela REALMENTE era louca. Eu não iria passar duas semanas usando roupas de playboy e gel todo santo dia. Eu ia me sentir completamente tosco e ridículo. Eu sabia que ela faria alguma coisa que envolvia humilhação pública.
Se eu aparecesse desse jeito que eu estava na escola, meus amigos iam perguntar se eu havia jogado meu cérebro no lixo e o resto das pessoas (incluindo os nerds, os normais, as patricinhas e os plays) achariam que eu era uma tentativa fracassada e demente de ficar bonitão e popular da noite pro dia.
Não que eu me importasse muito com que as outras pessoas pensavam, mas eu me sentiria ridículo por si só, não precisaria de mais ninguém me lembrando disso.
— Você quer me ver pagar de palhaço na escola, é isso? – Perguntei após chegar uma conclusão óbvia.
— Palhaço? – Ela franziu as sobrancelhas ao responder. Bella parecia confusa. – Você está se achando com cara de palhaço?
— Bem perto disso. – Disse cruzando os braços.
Ela me olhou incrédula, como se eu fosse retardado. E depois ainda tinha a coragem de falar que eu que a olhava desse jeito.
— Você realmente é mais cego do que eu pensava. Ou então é extremamente sem noção.
Revirei os olhos ao ouvir isso.
— Se seu objetivo não é me humilhar perante a escola, então quais são suas intenções? – Perguntei honestamente curioso. Não via sentido naquilo tudo.
— Veja bem, Edward. – Ela começou a falar lentamente – Eu sou uma adolescente de dezessete anos que costumava sair todo santo dia antes de ser colocada de castigo. E eu ainda vou passar, no mínimo, mais duas semanas nesse inferno particular. Provavelmente até mais, porque meu pai não vai me liberar enquanto não saírem os resultados. Então imagine, uma garota como eu, sem poder fazer absolutamente NADA de divertido durante um mês? Eu provavelmente vou ficar louca até lá. Não vou agüentar de jeito nenhum. Então, por isso, eu quero transformá-lo todos os dias, durante meu castigo, nesse... Deus Grego em potencial! – Ela disse gesticulando como se apontasse para mim.
Provavelmente eu devo ter corado ao escutar a parte do "Deus Grego em potencial". Bella é uma louca muito direta. Depois eu que sou o sem noção.
— E por que diabos isso vai te divertir? – Perguntei ríspido, mas quase rindo. Aquela idéia era idiota demais para ser levada a sério.
— E você ainda pergunta o por quê? – Ela perguntou como se fosse uma coisa lógica. – Quando você aparecer na escola desse jeito as pessoas não vão nem te reconhecer! Assim que finalmente se tocarem de quem é você, o nerdão Edward, – e ela fala isso na minha cara. – vão todos ficar bestificados! E quem não te conhecia vai achar que você é um aluno novo! Todas as mulheres vão ficar bestas e querendo saber seu nome, quem você é, se tem namorada... VAI SER ENGRAÇADISSIMO!
— Você está mesmo desesperada. – Eu disse começando a ficar com medo dela. Não era possível que ela não tivesse nada melhor para fazer.
— Não enche! – Ela respondeu fazendo um bico.
— Mas ainda sim, não vi o que vai ter de tão divertido nisso tudo.
— Ora mais o quê. Eu vou saber que foi obra minha!
Que motivo mais idiota, fútil e banal. Só podia vir dela mesmo.
— Isabella, você me paga para que eu te ensine a matéria da escola. – Falei massageando as têmporas. – E não para eu ser sua Barbie particular!
— Você se denomina como Barbie? – Ela perguntou aterrorizada. – Eu diria Ken, ou até mesmo o Bob, mesmo sendo falsificado, mas pelo menos é homem.
Aquela garota seguramente me dava nos nervos.
— VOCÊ ENTENDEU O QUE EU QUIS DIZER!
Então ela começou a rir. Não um sorriso sem graça, irônico ou falso, que ela sempre costumar dar para todos o tempo inteiro. Mas sim um sorriso verdadeiro. Essa foi a primeira vez que ela sorria daquele jeito. Quando me dei conta, estava abobalhado olhando para ela.
"Recomponha-se Edward. Isabella Swan não é lá essas coisas que todos dizem." Então respirei fundo e voltei a falar.
— É galudisse demais para eu ter coragem de me prestar a isso.
— Edward, são apenas três semanas no máximo. Depois disso, você pode voltar a se vestir do jeito que quiser! Todos os gastos com lente de contato, roupa, sapatos e gel, serão sob minha conta. Você não tem nada a perder com isso, já que já era conhecido na escola como gênio. Você só será promovido durante alguns dias para "gênio-gostosão". E ainda tem os bônus. Como isso pode ser ruim?
Ela tinha um ponto. Mas ainda sim, eu não ia me sentir nem um pouco confortável fazendo aquilo. Além que isso iria me obrigar a passar mais tempo AINDA do que eu já passava com Isabella Swan. E isso era ruim, muito ruim.
— Obrigado, Bella. Mas não, obrigado. Vamos manter a relação apenas nos estudos mesmo... que era o que deveríamos estar fazendo agora.
Então Bella suspirou profundamente. Por um instante eu até cheguei a pensar que ela havia desistido. Mas então ela se virou para mim com olhos cheios de determinação, me segurou pelo ombro e então disse:
— Edward, você vai receber o DOBRO do que você está recebendo para somente me ensinar.
Engoli seco. Aquela proposta era realmente tentadora demais. Recebendo o dobro eu iria faturar uma grana muito alta que seria de grande ajuda na hora de pagar a faculdade. E só para me fantasiar alguns dias.
— Você sabe quanto seu irmão está me pagando, não sabe? – Perguntei desconfiado.
— Claro que sei. E sou EU que estou te pagando, para falar a verdade.
— E da onde você tira tanto dinheiro? – Eu estava curioso. Não era possível que o pai dela lhe desse todo esse dinheiro.
— Hum... Eu tenho minhas economias. Além de o meu pai me dar uma mesada gorda toda mês e eu ser extremamente mão de vaca-
— MÃO DE VACA? Você está querendo gastar uma bolada de dinheiro só com essa idiotice e você se acha mão de vaca? – Perguntei incrédulo.
Ela me olhou raivosa, como se eu estivesse interrompido seu raciocínio, e respondeu:
— Caso você não saiba, eu estou abrindo uma ENORME exceção fazendo isso com meu dinheiro. E como disse, eu estou mesmo desesperada e você deveria estar grato por isso! – Ela disse apontando o dedo para minha cara – Sim... Mas continuando o que eu estava falando... Além disso, eu ainda trabalhava em Phoenix como interprete. Mais para praticar o que eu tinha aprendido mesmo, mas isso me rendeu um bom dinheiro.
Uma grande surpresa ela fazer alguma coisa da vida dela. Eu duvidava que ela tivesse esse tipo de capacidade
— Interprete? De que língua? – Talvez ela estivesse mentindo, mas se fosse verdade, provavelmente seria alguma coisa como espanhol ou francês... Língua de menininha apaixonada...
— Russo e às vezes fazia uns bicos com alemão, mas nesse eu não me garanto muito não.
— ...
— ...
— ... Russo?
— Sim.
— E alemão...?
— Uhum.
— Eu não acredito.
— ... E posso saber por quê?
Não consegui segurar o riso mediante a postura ofendida dela.
— Porque é impossível VOCÊ saber falar russo. Muito difícil para sua cabeçinha. – Apalpei delicadamente a cabeça dela umas três vezes. O que lhe deixou irada. – Aposto que só está querendo aparecer.
Russo era um dos idiomas mais difíceis do mundo, e para ser interprete de uma língua, tem que sabê-la perfeitamente e eu duvidava que ela tivesse inteligência suficiente para aquilo. Apesar de Bella aprender muito rápido o que eu lhe ensinava, mas eram assuntos simples.
— É mesmo? Você acha que eu estou mentindo?
— Tenho certeza...
— E se eu te provar que é verdade?
— Se me provar que é verdade, eu aceito sua proposta insana.
De repente um sorriso maligno se formou no rosto dela. Nesse instante me arrependi do que havia dito.
— Então pode ir encomendando as lentes, Edward Cullen, porque segunda feira você vai arrumadão para a escola.
— Então me prove primeiro. – disse na defensiva. Não iria dar o braço a torcer – E não pense que vou engolir qualquer loucura que você falar.
— Claro. – Ela deu um sorriso falso – Venha aqui.
E então ela começou a caminhar me levando até uma porta qualquer da casa dela. Bella abriu a porta e acendeu a luz. Nisso, um quarto com as paredes entupidas de livros se revelou. Eu não esperava ter um cômodo desse na casa.
— O que me diz? Gostou da minha biblioteca particular?
— É o que?
— Eu perguntei se você gostou da minha biblioteca particular.
— Esses livros são todos SEUS?
— Sim.
— E você já leu todos?
— Todos... – tá, aquilo estava começando a ficar estranho. Bella não deveria ser culta até onde eu sei. – Mas vamos ao que interessa. – Ela disse me puxando para uma das estantes que possuía apenas livros extremamente grossos e com títulos que eu não conseguia ler. – Escolha um qualquer. – Eu estranhei o pedido, mas logo peguei o primeiro que vi na minha frente.
Então ela tirou o livro da minha mão e disse:
— Ah... Guerra e Paz, livro 2. Boa escolha. – Comecei a piscar freneticamente incrédulo.
"Ela realmente conseguiu ler esse título? Calma, Edward. Isso não quer dizer nada. Ela pode ter decorado qual é o livro e esse pode nem ser mesmo o que ela está falando."
— Não me impressionou. E ai? Só isso? Como vou saber que você está falando a verdade?
— O livro em inglês* está ali. – Ela apontou e eu fui pegar. – Agora escolha qualquer parágrafo de qualquer capítulo no seu livro.
— Sétimo capítulo, quinto parágrafo.
Rapidamente ela começou a manusear o seu livro incompreensível, folheando-o até finalmente parar em uma página. Então ela começou a produzir sons que até Deus duvidava. Resumindo: Eu não entendi bulhufas.
Até que ela parou e respirou fundo. Quando voltou a falar, já estava recitando em inglês e praticamente igual todo o quinto parágrafo, do sétimo capítulo, do livro que eu segurava. Que era o traduzido.
Quando me dei conta, eu me encontrava de olhos esbugalhados, com a boca entreaberta num comentário que havia sido esquecido pelo choque.
Eu não tinha como negar. Ela entendia mesmo de russo.
— Eu vou tomar essa sua cara de espanto como um "sim, eu acredito em você e temos um acordo agora."
Não respondi nada. Eu ainda estava em choque e pensativo. Talvez não fosse ser tão ruim. Pelo menos eu iria ganhar muito dinheiro.
Bella pegou um papel e uma caneta, anotou alguma coisa e me entregou dizendo:
— Aqui está o número que você vai ligar encomendando suas lentes. É só você falar que é pedido de Isabella Swan que amanhã mesmo estará na sua casa. Ah, e amanhã você vai sair com Emmett para fazer compras. Como eu estou de castigo não posso ir, mas eu confio no bom gosto do meu irmão.
— E como sabe que ele vai concordar com isso?
— Ele vai. Ele sempre concorda comigo. Além disso, Emmett gosta de você. Agora vamos estudar por que eu tenho um castigo para sair!
Como ela havia pensado naquilo tudo em tão pouco tempo?
— Emmett, por que você concordou com isso? –Eu e Emmett estávamos em uma loja de homens escolhendo toneladas de roupas para mim.
— Ah, porque Bella não tem nada para fazer, fora estudar. Ela está quase ficando louca e nem livros novos pode comprar, por ordem do papai. Você é a única pessoa que pode diverti-la.
— Nossa, que reconfortante.
— Não seja assim, Edward. Ela é uma boa pessoa e vai lhe pagar caro para você fazer isso.
— E esta é a única razão de eu estar aceitando fazer isso... – Além de ter perdido a aposta, mas Emmett não precisava saber disso.
— Eu sei. Mas deixa eu te falar uma coisa... – Ele disse com ar de suspense. – Vê se não vai acabar se apaixonando por ela nesse meio de tempo que vocês passarão juntos.
— RÁH! Não sei preocupe. Isso NUNCA vai acontecer! – Aquela era uma idéia tão absurda que mais parecia uma piada.
— Nunca se sabe, Edward. Nunca se sabe... Agora vamos logo que ainda temos que escolher o gel certo para seu cabelo.
Depois de um domingo fazendo compras o dia inteiro e tentando botar a lente idiota, tudo que eu queria era dormir até um pouco mais tarde na segunda. O que obviamente não aconteceu.
Eu que estava em sono profundo, no escurinho do meu quarto, ao som da chuva quando, de repente, escutei:
Uma sirene bem no pé do meu ouvido.
O que aconteceu? Bem, eu caí da cama todo enrolado na coberta.
— Está na hora de acordar Edward!
Levei minha mão até minha estante, tateando desesperadamente à procura de meus óculos.
— O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO AQUI ISABELLA SWAN?
— Você achou mesmo que eu ia deixar VOCÊ se arrumar sozinho? – Ela perguntou como se a resposta fosse óbvia. – Como você mesmo disse, eu vou lhe pagar para você ser minha Barbie particular. Ou seja, EU escolho a roupa e o sapato, EU arrumo o cabelo e VOCÊ não fala nada, okay? – Ela disse enfiando o dedo na minha cara. Ah, se arrependimento matasse... – Pff, como se eu fosse pagar tão caro só para encher seu guarda roupa com roupas bonitas e caras e você não usar... Ou então usar MAL. Tipo, combinando calça skinny com blusa regata. Um horror.
Ai que eu me toquei. Bella AQUI? TODO dia? Matem-me, por favor.
— Precisava vir tão cedo? E trazer um troço tão barulhento desse? – Perguntei quase gritando. – Mais uma dessa e eu morro do coração! É isso que você quer, não é?
— Não seja chato! Eu não tinha nada para fazer. – Era só o que me faltava.
Então ela começou a abrir meu armário e foi escolhendo as roupas. Indo da meia até o casaco. Depois tacou todas em cima de mim e disse:
— Tome seu banho, escove seus dentes, bote suas lentes e vista essa roupa aqui.
— Tá bom, mamãe. – Fui para o banheiro antes que ela torrasse o resto miserável da minha paciência.
Então tomei meu banho e troquei de roupa. Agora só faltavam as lentes e o gel.
"Lentes... Eu odeio lentes." Pensei enquanto tentava diversas vezes colocar aquele pedacinho de plástico melequento nos meus olhos. Após várias tentativas fracassadas, desisti derrotado. Então saí do banheiro enraivecido anunciando minha decisão.
— Sinto muito, Bella. Mas nada de lentes! Não consigo botar esse inferno! Vou de óculos mesmo e ponto.
Ela olhou para mim como se fosse me degolar a qualquer segundo, se levantou da minha cama e disse quase bufando:
— Nem em SONHO você vai usando esses óculos horrorosos! É ele que faz toda diferença! Nem PENSE nisso.
— Mas eu não consigo botar essas lentes idiotas de jeito nenhum! Não tem como, elas não entram! Aceite este fato.
— Não seja ridículo, Edward. Até uma criancinha consegue botar uma lente. Você é que está sendo um frouxo. Venha cá. – Ela disse caminhando em minha direção, parecendo determinada.
Eu, logicamente, me afastei.
— O que você está pretendendo fazer? – Perguntei desconfiado, ficando nervoso.
— Se você parar de se mexer vai descobrir.
— Então não, obrigado. Prefiro ficar sem saber.
— Deixe disso, Edward. Estou tentando te ajudar. – Ela não desistia. Eu já estava quase correndo, mas ela não saía da minha cola.
— E quem disse que eu quero ser ajudado?
Foi ai que eu me deparei com um canto de parede. Eu não tinha mais para onde correr, estava encurralado. E Bella se aproximava cada vez mais...
— O-o que você está pensando em fazer com essa lente? Bella? Bella? BELLA!
Depois do terrível episódio da lente de contato, que me foi enfiada olho abaixo, fomos para a escola no carro de Bella para fazer minha suposta "grande entrada".
Quando saímos do automóvel, Bella mal conseguia segurar toda sua euforia. Já eu, mal conseguia controlar a vontade de enfiar minha cabeça debaixo da terra. A vergonha me consumia de forma aterrorizadora.
Eu estava com uma blusa cinza bem clarinha, sendo levemente azulada, um casaco cinza escuro, calças pretas, gel no cabelo e lentes de contato. Com toda aquela produção da noite pro dia eu não via como as coisas poderiam dar certo.
Já era notável que algumas pessoas nos encaravam com olhares curiosos.
— Agora se lembre Edward, não ande com a cabeça abaixada! É olhando para frente e com atitude. Ouviu bem? Agora vai! – Ela disse me empurrando para direção da entrada da escola.
E lá fui eu escola adentro, me sentindo ridículo.
XxX
Inglês* porque é twilight... america e tudo mais!
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