Um Navio Encantado
1 Meu pianista?
Notas iniciais
Já era difícil viajar sozinha, mas era ainda mais ir com a família.
Estava eu, Isabella; meus pais, René e Charlie; um casal de amigos deles, Esme e Carlisle; e minha avó Jenna.
Somos todos americanos.
Preparávamos-nos para entrar no navio. E já estávamos atrasados. Passaríamos nove dias inteiros em uma viagem pela costa de alguns países da America do sul, começando pelo Brasil.
Eu dividiria a cabine com a minha avó. Enquanto os dois casais ficariam com os quartos ao lado.
Claro que, com meus 17 anos, eu não pretendia ficar com os “velhos”. Acho que a única pessoa que me tratava do modo que minha idade pedia era Esme. A melhor amiga da minha mãe.
Eu a conhecia desde sempre...
Mas não conhecia seus filhos. Uma menina de 19 anos e um “menino” de 26.
Bom, de qualquer jeito, eu sabia que ela me acompanharia sempre que pudesse nas festas... Legais.
E, apesar de tudo, eu estava ansiosa.
Eu vestia um shorts e uma camiseta preta; pouca maquiagem; e meu cabelo estava, milagrosamente, no lugar. Minha mochila nas costas.
E quase me esqueço: tenho cabelos castanhos, com uma mecha roxa no meio; olhos castanhos e pele branca; uma altura acima da média.
Não posso dizer que sou feia, mas posso afirmar que sou virgem.
Desnecessário? NÃO!
A verdade é que, naquele momento, eu estava morrendo de fome. Eu andava pelos corredores em busca do restaurante enquanto era seguida pela minha família.
O engraçado é que tudo parece meio apagado antes ou depois do que aconteceu. Então, não posso dizer quando, mas, em alguma hora durante o jantar, enquanto eu ia em direção ao restaurante acompanhada pela minha avó, eu o vi.
Lindo e... Não, ele não era loiro.
Mas, com certeza, lindo.
Ele era alto, mesmo estando sentado.
Tocava piano para algumas poucas pessoas e, quando passei por ele, ele sorriu, murmurando um ”oi”.
Apesar de ter ficado com uma cara de besta, respondi com outro “oi”.
No dia seguinte, acompanhei minha avó até a loja do navio.
Ela adora lojinhas.
Para chegarmos lá tínhamos que passar por um bar.
E quem estava lá? Sim, o bonitão.
Tocando com a banda.
Ele me viu e sorriu.
O que separava o bar da lojinha era uma parede de vidro que ficara bem atrás da área da banda.
Enquanto minha avó comprava o que quer que seja que ela estava comprando, eu o via procurando algo, ou alguém, nas mesinhas do bar.
Seria eu?
Suspirei.
...
Então, fiquei três dias sem vê-lo.
Depois desse tempo, eu estava indo ao restaurante no horário do almoço, eu toda desleixada, vestindo uma camiseta enorme que escondia meus shorts curto e meu cabelo mais que desarrumado.
Da mesa do almoço se ouvia a musica que vinha de lá, e quando ela acabou, dei a desculpa que ia ao banheiro e fui dar uma volta. Então, para poder voltar, tinha que passar pela área da piscina e o vejo conversando com algumas pessoas.
Logo que me vê, sorri e diz um “oi” arrastado.
Seria sotaque?
Bom, eu só sei que eu respondi um “oi” tão desafinado que, quando parei para pensar (bem longe dele), me senti uma idiota.
Fui para o quarto me arrumar na melhor maneira possível.
Quando estava caminhando para o restaurante ao lado de Esme, contei a ela sobre ele.
Logo após o jantar decidi ir para um dos shows que teria no navio. E, obviamente, passei pelo bar onde ele tocava.
Ao acabar o show, fui para minha cabine. Fiquei lá um pouco e fui até o salão dos “velhos”.
Entrei no salão e ele estava no meio do caminho.
E o que eu fiz?
Tentei passar reto. Obvio.
E eu só tentei mesmo, porque ele me parou, me segurando pelo braço.
Puxou-me para perto e beijou minha bochecha.
E eu?
Bem, eu quase morri.
Eu pensava que aquilo era morrer.
Ele sorriu e eu, finalmente, pude ouvir sua voz formular uma frase quando ele perguntou:
– Como te llamas?
E, Oh, meu D’us, que voz.
– Hm... Isabella. – Eu sorri. – E você...?
– Soy Edward. – Ele também sorriu. – Sabe?! Não me gusta ver que você não assistiu uma única musica inteira.
Dei de ombros.
Eu tinha que sair dali.
– Eu tenho que ir. Sabe? Ver o show.
– Então a gente se vê.
...
Ele tocaria no bar outra vez e chamei Esme para ir comigo.
O beijo que ele me mandou quando cheguei era do tipo “italiano quando gosta de alguma comida”.
Após algumas musicas, o pai da vocalista veio nos pedir para pedirmos uma musica para a filha dele.
Quando essa musica acabou, decidimos ir embora e eu mandei a ele um tchauzinho. Ele levantou os ombros e disse sem voz: “Mas já?”
Assenti e saímos.
Fomos todos... Sim, fomos comer.
...
Quando acabei era, mais ou menos, na hora em que o show dele acabava.
E fui para onde ele ficava... Lá perto do bar.
Fui como quem não quer nada. Claro, seria pura coincidência.
Eu estava com Esme e lhe disse:
– Quando a gente passar por ele, não olha.
E eu aposto que se eu tivesse dito “olha para ele, por favor,” e feito a cara do gato do Shrek, ela não teria feito o que fez.
Quando passamos por ele, ela o olhou e gritou:
– Bella!! Ele está fazendo tchauzinho.
Respirei fundo, me virei e acenei para ele.
Mas ele não se contentou e correu até mim.
– Ei, aonde vai?
– Dormir. – Sorri.
– Ah, vamos fazer algo.
– Acho melhor não... Estou realmente cansada.
– Eu te achei tão linda. Mas vê, você não me quer.
Eu ri.
Tipo... WHAT?
– Posso te ver amanhã? – Ele perguntou.
– Não sei. – Dei de ombros.
Quando me virei para ir embora ele me puxou e pediu:
– Então me dá um beijo na bochecha.
...
Suspirei.
Era o dia seguinte. Hora do jantar.
Sabe que lembrando a história assim, parece que eu só comia naquele navio.
Depois do jantar fomos (eu e Esme) ao bar e assistimos ao show dele até o final.
Ele passou por mim e disse que ia ao banheiro e que voltava.
Ele voltou e começamos a conversar. Com ele perguntando:
– Qual é a sua cabine?
– Ah, é 8176.
– Eu posso te ligar?
Como?
– Não. – Eu quase gritei. – Eu divido com a minha avó.
– Ah, – ele se virou para Esme, – e você? Divide a sua com quem?
– Com o meu marido.
Ele assentiu.
– E você não quer dar uma volta com ele?
Ela sorriu angelical e ameaçadora.
– Não.
Ok, eu fiquei com vontade de rir.
Então ele voltou sua atenção a mim.
– Bem, na minha cabine não dá, já que você não entra lá. – Ele parecia pensar em algo. – Você sabe onde é o banheiro?
Ele não tinha acabado de ir ao banheiro?
– Sabe, têm alguns. – eu respondi.
Ele sorriu.
– Eu vou à frente para ver se tem alguém e você vem atrás, ok?
Eu assenti.
Eu o segui até a metade do caminho, que foi quando ele parou para me esperar e andamos juntos até lá.
Entramos no banheiro.
Detalhe: banheiro masculino. E era azul.
Fomos até a última cabine quando – pausa para suspiro – ele me beijou.
E ali ficamos por um tempo.
Uma de minhas mãos em seus cabelos e a outra segurando minha blusa que ele fazia o favor de tentar tirar.
E com uma mão ele tentava levantar minha blusa enquanto segurava minha cintura, por baixo da blusa, com a outra.
A blusa dele já havia ido para o espaço.
Separamos-nos quando ele foi me sentar na tampa do vaso e eu, sem querer, encostei-me à parede e... Adivinha? É, eu apertei a descarga com as costas e, então, comecei a rir.
Ele me olhava como se perguntasse “Você está falando sério?”
E eu estava lá, no meu mini ataque de riso.
E foi quando ele atacou meus lábios de novo.
Depois de um tempo nesse ciclo puxa-blusa, puxa-cabelo, para-e-respira, volta-e-beija, nos separamos de vez.
E esse era meu penúltimo dia.
– Vou te ver amanhã? – Ele perguntou me olhando nos olhos.
– Eu não sei.
Ele se afastou para ver se tinha alguém, mas voltou me deu mais um beijo e foi conferir.
Acenou para eu me aproximar e eu fui.
...
E então, eu não o vi mais.
Bônus = não aconteceu de verdade
Já estávamos em casa. Seattle.
No final da viagem (após duas semanas), Esme havia me convidado para passar o final do verão na casa dela, ou seja, passar um mês com ela e Carlisle, e seus dois filhos.
Eu aceitei.
O que mais eu faria em casa?
Eu pensaria no quão bom havia sido com ele e o quanto eu sentia falta dele. Ah, como eu queria estar com ele...
And this is when the feeling sinks in
I don't wanna miss you like this
Come back... be here
De qualquer jeito, Esme morava no outro lado de Seattle e eu estava chegando.
Ela e a filha estavam me esperando na sala e logo vieram me atender.
Abraços e beijos na bochecha.
– Finalmente. – A filha, Alice, disse. – Estou esperando para te conhecer a uma semana, sabia?
Eu ri.
– E eu estou esperando quase a vida toda, sabia?
Ela riu comigo.
Conversamos sobre tudo e sobre nada.
Mas, principalmente, sobre a minha “aventura” no navio. Claro que Esme havia lhe contado tudo.
Mas não havia dado detalhes. Como, por exemplo, a aparência dele.
E, depois de quase uma hora de conversa, eu ouço algo que pensei ser completamente impossível.
A voz:
– Ô, Alice, que falatório todo é esse? Sabia que eu estava tentando fazer... – pausa. – Isabella?
Eu estava paralisada desde a primeira palavra.
– Hm... Edward?
Alice olhava de mim para ele e dele para mim.
Então o sorriso de reconhecimento e malicia.
E logo a risada dela e de Esme.
– Você! – Ela apontou para mim. – Você é a Isabella dele.
– Dele? – Eu perguntei.
– É! Ele não parou de falar sobre a garota linda que ele pegou no navi...
Então ela entendeu.
E se virou para Esme.
– Você não contou para ela que o conhecia, não é?
Esme acenou negativamente.
Nessa hora eu já não prestava atenção nas duas.
A única figura naquela sala que chamava a minha atenção era ele.
Seus cabelos macios, sua boca...
Ah.
Sua boca...
Eu quis rir.
– Esme, sua traíra. – Eu disse, sem desviar o olhar do dele.
E ela riu por mim.
Ele veio lentamente em minha direção. E, sorrindo, disse:
– Agora eu acho que podemos conversar. – Ele pegou minha mão, me puxou para perto e me deu um selinho. – Em particular.
Fim?
Oh, não. Era o começo. Era agora que a diversão começaria.
Notas finais
Comentem & recomendem
Beijos,
L.
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